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Rumo (RAIL3) lucra R$ 688 milhões no 2T26, com queda de 5,8% no ajustado

Receita da operadora ferroviária avançou 6,2%, para R$ 3,94 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou praticamente estável em R$ 2,27 bilhões

por Daniel Wicker
12/08/2026 às 22h19
em Empresas
Rumo (Rail3) - Gazeta Mercantil

A Rumo (RAIL3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 688 milhões, queda de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo ocorreu apesar do crescimento de 9,1% no volume transportado e da alta de 6,2% na receita operacional líquida, que alcançou R$ 3,94 bilhões entre abril e junho.

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No critério contábil, que incorpora efeitos extraordinários, o lucro líquido foi de R$ 520 milhões, avanço de aproximadamente 56% sobre os R$ 333 milhões registrados um ano antes. A diferença entre o comportamento do lucro contábil e do ajustado está ligada principalmente ao impairment da Rumo Malha Sul, que somou R$ 168 milhões no trimestre, abaixo do impacto contabilizado na base de comparação.

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O Ebitda ajustado atingiu R$ 2,267 bilhões, praticamente estável na comparação anual. A manutenção do resultado operacional em um trimestre de expansão de volumes mostra que o ganho de movimentação não se converteu integralmente em crescimento de rentabilidade, em meio à redução de preços médios e ao aumento de custos operacionais.

O desempenho reforça a importância da eficiência operacional para a companhia em um momento de investimentos elevados. A Rumo fechou junho com dívida líquida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e alavancagem de 2,1 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, acima das 1,8 vez registradas ao fim do primeiro semestre de 2025.

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Volume transportado cresce 9,1% e chega a 23,8 bilhões de TKU

O principal vetor de expansão no trimestre foi o aumento da carga movimentada. O volume total transportado alcançou 23,811 bilhões de toneladas por quilômetro útil, avanço de 9,1% sobre os 21,827 bilhões de TKU registrados no segundo trimestre do ano anterior.

A companhia atribuiu o crescimento sobretudo ao avanço da carteira de grãos nas operações Norte e Sul. A Operação Norte, principal plataforma ferroviária da Rumo, permaneceu como o centro da geração de volume e receita, beneficiada pelo escoamento de soja, milho e outros produtos agrícolas originados principalmente no Centro-Oeste.

O crescimento operacional também se refletiu em participação de mercado. Nos mercados de Mato Grosso e Goiás, a fatia da Rumo alcançou 41%, alta de dois pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. No Porto de Santos, um dos principais destinos da malha ferroviária da companhia, a participação permaneceu em 50%.

Esse avanço é particularmente relevante porque o corredor ferroviário que conecta o Centro-Oeste ao litoral paulista é uma das principais rotas de exportação de commodities agrícolas do país. Para a Rumo, o aumento da utilização da infraestrutura instalada tende a elevar a produtividade dos ativos, mas a conversão desse ganho em margem depende também do comportamento das tarifas e dos custos.

Receita avança 6,2%, mas margem operacional fica pressionada

A receita operacional líquida somou R$ 3,94 bilhões no trimestre, crescimento de 6,2% na comparação anual. A expansão foi inferior ao avanço do volume transportado, indicando que a receita média por unidade movimentada recuou no período.

Na Operação Norte, a companhia apontou efeito do reposicionamento comercial de terminais da Malha Central. Na Operação Sul, a composição da carteira também influenciou os preços, com menor participação de cargas de açúcar. A combinação ajudou a limitar o efeito positivo do maior volume sobre o resultado consolidado.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 2,267 bilhões, recuo marginal de cerca de 0,5% ante o segundo trimestre de 2025. A comparação anual também é influenciada por aproximadamente R$ 100 milhões em efeitos positivos registrados na base anterior, incluindo indenização securitária relacionada aos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e resultado de equivalência patrimonial associado ao Terminal XXXIX, em Santos.

Sem esses efeitos de comparação, o desempenho operacional recorrente apresenta uma leitura menos fraca. Ainda assim, a evolução do trimestre deixa claro que o crescimento físico da operação precisa ser acompanhado por disciplina de custos e gestão comercial para que a expansão de volumes gere aumento proporcional de caixa e rentabilidade.

A margem Ebitda ajustada recuou em relação ao ano anterior. Esse movimento ocorre em um contexto de maior utilização da malha e de investimentos destinados tanto à manutenção quanto à ampliação de capacidade, fatores que colocam o retorno sobre o capital no centro da avaliação do desempenho da empresa.

Investimentos sobem 14,5% e chegam a R$ 1,6 bilhão

Os investimentos da Rumo totalizaram aproximadamente R$ 1,597 bilhão no segundo trimestre, alta de 14,5% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o capex chegou a cerca de R$ 3,37 bilhões.

A maior parcela dos desembolsos foi direcionada à Operação Norte. Entre as frentes mencionadas pela companhia estão manutenção da via permanente, aquisição e implantação de ativos ferroviários, ampliação de capacidade e execução de projetos ligados à Ferrovia do Mato Grosso.

O aumento do capex ocorre em paralelo ao avanço do endividamento. A dívida líquida encerrou junho em torno de R$ 17,3 bilhões, aproximadamente 21,8% acima do nível observado um ano antes. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, o crescimento foi menor, de cerca de 2%.

A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado permaneceu em 2,1 vezes na comparação com março, mas ficou acima das 1,8 vez observadas em junho de 2025. O indicador acompanha a capacidade da empresa de financiar sua expansão sem pressionar excessivamente a estrutura de capital.

A posição financeira, portanto, passa a exigir atenção crescente à conversão dos investimentos em geração de caixa. O crescimento da dívida e do capex aumenta a importância do desempenho dos ativos já implantados, especialmente em um ambiente de juros elevados e de projetos ferroviários intensivos em capital.

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Lucro contábil sobe com menor efeito de impairment

Embora o lucro líquido ajustado tenha recuado, o lucro contábil apresentou avanço expressivo. O resultado de R$ 520 milhões no segundo trimestre foi cerca de 56% superior ao apurado no mesmo período de 2025.

A principal diferença está relacionada aos efeitos não recorrentes. No segundo trimestre de 2026, a Rumo reconheceu impairment de R$ 168 milhões ligado à Malha Sul. Um ano antes, o impacto dessa linha havia sido significativamente maior, o que deprimiu o lucro contábil da base de comparação.

O resultado financeiro continuou sendo um elemento relevante para a última linha do balanço. Com maior endividamento e custo de capital elevado, as despesas financeiras representam uma pressão estrutural sobre o lucro de companhias de infraestrutura que mantêm ciclos extensos de investimento.

Por isso, a leitura do balanço exige separar os dois indicadores. O lucro contábil mostra a melhora decorrente da menor carga extraordinária, enquanto o lucro ajustado aponta uma redução do resultado recorrente. A combinação ajuda a explicar por que o crescimento de receita e volume não se refletiu em expansão do lucro ajustado.

Safra 2026/27 mantém grãos no centro da operação

As projeções preliminares apresentadas pela companhia para a safra 2026/27 indicam estabilidade na produção e nas exportações brasileiras de soja em relação ao ciclo atual. A empresa ressalva, porém, que as estimativas ainda estão sujeitas a incertezas, inclusive climáticas.

Para o milho, a expectativa inicial é de continuidade da expansão da área da segunda safra, com acréscimo estimado de aproximadamente 200 mil hectares. A demanda doméstica aparece como um dos fatores de suporte à ampliação da área cultivada.

Mesmo com essa expansão, a companhia trabalha com produção e exportações próximas dos níveis atuais, enquanto estoques de passagem podem absorver parte do crescimento do consumo interno. Para a Rumo, a manutenção de volumes elevados de soja e milho é decisiva porque os grãos representam uma parcela importante da carga movimentada nas principais rotas da empresa.

A dinâmica agrícola também afeta o equilíbrio entre ferrovias, rodovias e terminais portuários. Quanto maior o volume destinado à exportação pelo Centro-Sul, maior tende a ser a demanda por capacidade ferroviária em direção ao Porto de Santos, especialmente nos períodos de pico da safra.

Rumo entra em novo ciclo com foco em eficiência e caixa

Além dos números trimestrais, a administração indicou uma mudança de prioridade na estratégia. Depois de um ciclo marcado pela expansão de capacidade e pela execução de grandes projetos, a companhia passou a enfatizar maior aproveitamento dos ativos existentes e disciplina na alocação de capital.

Essa orientação ganha relevância diante do comportamento do segundo trimestre. A empresa transportou mais, elevou receita e ampliou investimentos, mas registrou Ebitda ajustado praticamente estável e redução do lucro ajustado. O desafio passa a ser transformar a escala operacional adicional em geração de caixa e retorno sobre o capital investido.

A evolução da alavancagem também permanece no radar. O nível de 2,1 vezes não representa, isoladamente, ruptura da estrutura financeira, mas a diferença em relação às 1,8 vez observadas um ano antes mostra que o crescimento dos investimentos foi acompanhado por aumento da dívida.

O próximo passo formal para investidores será a teleconferência de resultados do segundo trimestre, prevista no calendário de relações com investidores da Rumo para 13 de agosto de 2026. A administração deverá detalhar a evolução dos custos, a estratégia de capital, as perspectivas para os corredores de grãos e o ritmo dos investimentos previstos para o restante do ano.

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