A Copa do Mundo de 2026 deve gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 61 bilhões na economia brasileira, impulsionada pelo aumento do consumo das famílias durante o torneio, segundo levantamento do SPC Brasil. O estudo aponta que cerca de 60% dos consumidores do país, o equivalente a 99 milhões de pessoas, pretendem realizar algum tipo de gasto relacionado ao evento esportivo.
O valor médio estimado por consumidor é de R$ 619 ao longo do período da competição. O impacto deve se concentrar em alimentação, entretenimento, comércio varejista e serviços, setores que tradicionalmente registram aumento de demanda em grandes eventos esportivos.
O levantamento indica que a Copa do Mundo de 2026 mantém forte influência sobre o comportamento de consumo no Brasil, funcionando como um evento de alta capilaridade econômica, com efeitos simultâneos em canais físicos e digitais.
Varejo e serviços concentram maior parte do impacto econômico
Os dados do SPC Brasil mostram que os segmentos mais beneficiados pela Copa do Mundo de 2026 devem ser alimentação, varejo e prestação de serviços. Entre os produtos mais procurados estão bebidas não alcoólicas, petiscos, carnes para churrasco, camisetas temáticas e cervejas.
No setor de serviços, bares, restaurantes, aplicativos de delivery, plataformas de streaming e pacotes esportivos de TV por assinatura aparecem como os principais canais de consumo durante o torneio. O aumento de demanda deve ser mais intenso em dias de jogos da seleção brasileira e fases decisivas da competição.
O estudo também indica comportamento de compra antecipada. Cerca de 44% dos consumidores afirmaram que pretendem realizar suas compras com pelo menos uma semana de antecedência, buscando preços mais competitivos e planejamento de gastos para o período.
Consumo digital avança e transforma experiência de eventos esportivos
A Copa do Mundo de 2026 também deve acelerar o uso de canais digitais no consumo relacionado ao evento. Aplicativos de entrega estão entre os principais meios de compra previstos pelos consumidores, especialmente para alimentos e bebidas durante os jogos.
O movimento reflete uma mudança estrutural no comportamento de consumo em grandes eventos, com maior valorização de conveniência, rapidez e experiência integrada. Plataformas de streaming e serviços digitais também ganham espaço, acompanhando a fragmentação da audiência esportiva.
Apesar disso, a televisão aberta segue como principal meio de transmissão, citada por 75% dos entrevistados. Já os serviços de streaming aparecem como alternativa relevante para 38% dos consumidores, indicando maior diversificação no consumo de conteúdo esportivo.
Pix lidera pagamentos e consumidores priorizam compras à vista
O levantamento aponta que o Pix segue como principal meio de pagamento no Brasil durante a Copa do Mundo de 2026. Cerca de 57% dos consumidores afirmaram que pretendem utilizar a ferramenta para financiar gastos ligados ao evento.
Além disso, nove em cada dez entrevistados indicaram preferência por pagamentos à vista, o que sugere tentativa de maior controle financeiro em um período de aumento de despesas discricionárias.
Apesar desse comportamento, o estudo identifica sinais de risco: 27% dos consumidores afirmaram que devem recorrer ao limite do cartão de crédito ou ao cheque especial para custear parte dos gastos relacionados ao torneio, ampliando a pressão sobre o endividamento das famílias.
Inadimplência e restrições de crédito aumentam preocupação com impacto financeiro
O SPC Brasil identificou que 61% dos consumidores que pretendem gastar com a Copa do Mundo de 2026 já possuem contas em atraso. Entre esse grupo, 70% estão com restrições em órgãos de proteção ao crédito.
O dado indica que uma parcela relevante do consumo projetado ocorrerá em um ambiente de fragilidade financeira, o que pode ampliar riscos de inadimplência no período pós-evento.
Economistas apontam que eventos de grande apelo social tendem a concentrar decisões de consumo emocional, o que pode levar famílias já endividadas a ampliar compromissos financeiros de curto prazo.
Apostas esportivas ganham força e ampliam risco de vulnerabilidade
O crescimento das apostas esportivas aparece como um dos pontos de maior atenção no estudo. Segundo o levantamento, 41% dos consumidores pretendem apostar dinheiro durante a Copa do Mundo de 2026.
Entre os apostadores, 74% acreditam que os ganhos obtidos podem ser usados para pagamento de dívidas, o que indica percepção de uso financeiro das apostas como complemento de renda.
Parte dos entrevistados também afirmou intenção de reinvestir eventuais ganhos em novas apostas, comportamento que pode ampliar ciclos de risco financeiro. Especialistas alertam que o uso de apostas como estratégia de equilíbrio orçamentário pode aumentar a vulnerabilidade das famílias, especialmente em contextos de inadimplência elevada.
Marcas patrocinadoras ganham influência, mas preço segue fator decisivo
A Copa do Mundo de 2026 deve reforçar a influência das marcas patrocinadoras da Seleção Brasileira no comportamento de consumo. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram que pretendem priorizar produtos dessas empresas durante o torneio.
No entanto, o preço continua sendo fator determinante. Mais da metade dos consumidores declarou que a escolha dependerá diretamente do valor cobrado, enquanto uma parcela menor disse que optará pelas marcas patrocinadoras independentemente do custo.
O resultado indica que o apelo emocional do evento esportivo tem impacto relevante, mas não supera restrições orçamentárias das famílias brasileiras.
Copa do Mundo de 2026 consolida evento como motor de consumo e risco financeiro
O conjunto dos dados mostra que a Copa do Mundo de 2026 deve atuar como um dos principais vetores de estímulo ao consumo no Brasil, com impacto estimado em R$ 61 bilhões e forte concentração em setores de varejo, alimentação e serviços.
Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia aumento de riscos financeiros associados ao evento, com uso de crédito, elevado nível de inadimplência entre consumidores e expansão das apostas esportivas.
O cenário reforça a dualidade do impacto econômico da competição, que combina dinamismo no consumo com pressão adicional sobre o endividamento das famílias brasileiras.








