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Mensagens de Vorcaro mostram cobrança por aporte no Tayayá e citam R$ 35 milhões em operações

Conversas com Fabiano Zettel mostram cobranças entre março e agosto, menção a Guilherme Lippi e operações de R$ 20 milhões e R$ 15 milhões ligadas ao resort.

por Carlos Menezes
14/09/2026 às 19h23
em Política
Mensagens De Vorcaro Mostram Cobrança Por Aporte No Tayayá E Citam R$ 35 Milhões Em Operações - Gazeta Mercantil - Política

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam uma sequência de cobranças sobre aportes financeiros relacionados ao Tayayá Resort, em Ribeirão Claro, no Paraná. Os diálogos envolvem principalmente o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, e também citam o advogado Guilherme Lippi, que atuou para uma empresa ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

As conversas registram dois valores: R$ 20 milhões que, segundo Zettel, já haviam sido pagos anteriormente e outros R$ 15 milhões envolvidos em uma etapa posterior da operação. Juntos, os montantes chegam a R$ 35 milhões.

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A sequência das mensagens mostra que o assunto foi tratado durante meses e que as cobranças aumentaram à medida que a movimentação dos recursos não era concluída. Em agosto, Vorcaro chegou a perguntar diretamente ao cunhado: “Onde tá a grana?”.

Os diálogos, no entanto, não demonstram por si só quem foi o beneficiário final dos R$ 35 milhões nem comprovam que Dias Toffoli tenha recebido esses recursos. A identificação do caminho completo do dinheiro depende do cruzamento das mensagens com documentos financeiros, registros dos fundos, contratos e transferências bancárias.

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Conversas começam em março com discussão sobre o fundo Arleen

A cronologia conhecida começa em 12 de março, quando Guilherme Lippi procura Vorcaro para tratar de uma transferência envolvendo o fundo Arleen. Na conversa, Lippi se apresenta no contexto dos negócios do Tayayá.

O contato é relevante porque Lippi voltaria a aparecer meses depois, quando Vorcaro e Zettel discutiriam dificuldades para concluir a operação relacionada ao resort.

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Em abril, Vorcaro encaminha a Lippi o contato de Fabiano Zettel. Na mensagem, aparece a necessidade de realizar um aporte em um Fundo de Investimento em Participações.

A partir desse ponto, Zettel passa a ocupar posição central nas conversas sobre a execução financeira da operação.

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Em maio, Vorcaro cobra Zettel pela primeira vez

Em 24 de maio, Vorcaro procura o cunhado para saber por que o aporte ainda não havia sido resolvido. A mensagem associa expressamente a pendência ao fundo relacionado ao Tayayá.

Zettel responde posteriormente à cobrança. O diálogo indica que já havia uma expectativa de realização do aporte, mas que a operação continuava pendente.

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No dia seguinte, 25 de maio, Vorcaro volta a procurar o cunhado. Desta vez, pede que Zettel atenda uma pessoa identificada apenas como “Saulo” para “resolver um tema”.

O conteúdo disponível não esclarece qual era a função de Saulo nem permite estabelecer se ele participava diretamente da movimentação dos recursos. A referência, porém, mostra que outros interlocutores estavam envolvidos nas tratativas.

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As mensagens de maio são importantes porque demonstram que a cobrança registrada posteriormente em agosto não surgiu de forma repentina. O assunto já estava sendo acompanhado por Vorcaro havia meses.

Cobrança reaparece em agosto e Vorcaro pergunta onde estava o dinheiro

O ponto de maior tensão das conversas ocorre em 14 de agosto.

Vorcaro volta a procurar Zettel e pergunta: “Aquele negócio no Tayaya não foi feito?”.

A resposta indica que a operação ainda não estava integralmente concluída. Ao tentar entender o que faltava, Vorcaro recebe de Zettel a informação de que era necessária uma orientação de Lippi.

“Que ele me diga pra quem passar”, afirma Zettel.

A frase sugere que existia uma etapa de transferência ainda pendente. O diálogo não identifica de forma conclusiva quem deveria receber os recursos.

Pouco depois, Vorcaro demonstra irritação com a situação.

“Me deu um puta problema”, escreve.

Em seguida, faz a pergunta mais direta de toda a sequência: “Onde tá a grana?”.

Zettel responde: “No fundo dono no Tayaya”, conforme a grafia registrada na conversa.

A resposta é relevante porque situa os recursos dentro de uma estrutura ligada ao empreendimento, mas não esclarece qual fundo estava sendo mencionado nem identifica o beneficiário econômico final.

Zettel diz que R$ 15 milhões já haviam sido aportados

Depois de perguntar onde estava o dinheiro, Vorcaro exige informações sobre o que já havia sido realizado.

Zettel então informa: “Aportamos os 15. Agora falta só transferir”.

A mensagem estabelece uma distinção importante entre duas etapas da operação. Segundo a conversa, o aporte de R$ 15 milhões já teria ocorrido, mas a transferência subsequente ainda estava pendente.

Isso indica que o dinheiro poderia estar temporariamente dentro de uma estrutura intermediária antes de chegar ao destino previsto para a operação.

Vorcaro demonstra urgência.

“Quero tudo ate hoje”, escreve, conforme a grafia original.

Mais tarde, Zettel pergunta exatamente quais informações o banqueiro queria receber. Vorcaro responde: “Qual negócio vc fez tayaya ate hoje”.

A cobrança deixa claro que Vorcaro queria um levantamento das operações que já haviam sido realizadas em relação ao empreendimento.

Lippi volta à conversa como responsável por pendência

Guilherme Lippi reaparece posteriormente na sequência de 14 de agosto.

Vorcaro encaminha a Zettel uma mensagem segundo a qual o advogado teria assumido responsabilidade pelo atraso: “Lippi acaba de dizer que ele quem está travando”.

A informação provoca nova reação do banqueiro, que manifesta irritação.

A participação de Lippi é relevante porque ele já havia aparecido no início da cronologia, em março, tratando com Vorcaro de questões relacionadas ao fundo Arleen, e novamente em abril, quando recebeu o contato de Zettel.

A sucessão das conversas mostra, portanto, uma linha contínua: Lippi aparece na abertura das tratativas, Zettel passa a participar da execução do aporte e, meses depois, Lippi volta a ser citado quando a transferência ainda não estava concluída.

Isso não permite atribuir irregularidade ao advogado. As mensagens mostram apenas seu envolvimento nas tratativas descritas pelos interlocutores.

Histórico apresentado por Zettel eleva operação a R$ 35 milhões

Ainda em 14 de agosto, Vorcaro pede informações sobre tudo o que já havia sido realizado no Tayayá.

É nesse momento que Zettel fornece o dado que permite dimensionar financeiramente a sequência de operações.

“Pagamos 20M lá atrás. Agora mais 15M”, afirma.

Os dois valores somam R$ 35 milhões.

A parcela anterior de R$ 20 milhões corresponde a aproximadamente 57,1% desse total. Os R$ 15 milhões mencionados na nova operação representam os 42,9% restantes.

Considerando apenas os valores citados na conversa, o novo aporte de R$ 15 milhões aumentava em 75% o volume de R$ 20 milhões que Zettel dizia ter sido pago anteriormente.

A mensagem também esclarece que os R$ 15 milhões não constituíam a primeira movimentação financeira relacionada ao negócio. Havia pelo menos uma operação anterior de maior valor.

Sequência revela meses de cobrança, mas não fecha caminho dos recursos

Organizadas cronologicamente, as mensagens mostram quatro momentos distintos.

Em março, Lippi inicia uma conversa com Vorcaro relacionada ao fundo Arleen. Em abril, Vorcaro aproxima Lippi de Zettel e menciona a necessidade de aporte em um fundo de investimento. Em maio, o banqueiro cobra o cunhado pela falta de solução. Finalmente, em agosto, a demora gera uma sucessão de mensagens sobre localização, transferência e histórico do dinheiro.

A progressão é relevante porque demonstra que o episódio não se resume à frase “Onde tá a grana?”. Essa pergunta ocorre depois de meses de tratativas e aparece no momento em que Vorcaro tenta determinar por que uma operação que acreditava estar encaminhada ainda não havia sido concluída.

As próprias mensagens também revelam que “aporte” e “transferência” eram tratados como etapas diferentes. Zettel afirma que R$ 15 milhões já haviam sido aportados, mas que ainda era necessário transferir os recursos.

Essa diferença será central para reconstruir o fluxo financeiro. Será necessário identificar em qual veículo o dinheiro foi aportado, quem controlava esse veículo, qual transferência deveria ocorrer posteriormente e qual era o destinatário previsto.

Beneficiário final dos R$ 35 milhões ainda precisa ser demonstrado

Os diálogos fornecem valores, datas, interlocutores e uma sequência de cobranças, mas não encerram a investigação sobre o destino econômico dos recursos.

A afirmação de que R$ 20 milhões haviam sido pagos anteriormente e outros R$ 15 milhões tinham sido aportados não significa, automaticamente, que uma única pessoa ou empresa tenha recebido os R$ 35 milhões.

Também não é possível concluir apenas pelas conversas que os valores tenham sido destinados a Dias Toffoli.

O ministro já negou ter recebido recursos de Vorcaro ou de Zettel. A ligação do caso com Toffoli decorre das relações societárias envolvendo o Tayayá e empresas associadas ao ministro e a seus familiares, além das linhas de investigação abertas a partir dos negócios envolvendo o resort e fundos relacionados ao empreendimento.

Para transformar a cronologia das mensagens em uma cronologia financeira completa, os investigadores precisam confrontar os diálogos com extratos bancários, documentos dos fundos, contratos, registros de cotistas e movimentações de participações societárias.

O dado objetivo deixado pelo celular de Vorcaro é mais delimitado: durante meses, o banqueiro acompanhou e cobrou operações relacionadas ao Tayayá; em agosto, Zettel afirmou que R$ 20 milhões tinham sido pagos anteriormente e outros R$ 15 milhões haviam sido aportados. O destino final desse dinheiro e a eventual existência de irregularidades dependem de comprovação documental adicional.

Fontes:

Polícia Federal – informações oficiais sobre a custódia e a integridade dos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro

Senado Federal – documentos e registros de apurações relacionadas ao fundo Arleen, ao Banco Master e às operações envolvendo o Tayayá

Comissão de Valores Mobiliários – registros de fundos de investimento e informações utilizadas para verificar estruturas relacionadas ao empreendimento

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