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Datafolha: Augusto Cury salta de 2% para 8%, enquanto Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro, 33%

Escritor quadruplica intenção de voto em duas semanas e consolida terceira posição; Lula e Flávio seguem tecnicamente empatados no segundo turno

por Júlia Campos
03/09/2026 às 23h02
em Política
Pesquisa Eleitoral Eleiçoes 2026 - Gazeta Mercantil

A nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial mostra uma disputa relativamente estável entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas registra uma mudança importante logo abaixo dos dois líderes. Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 8% das intenções de voto em apenas duas semanas e se consolidou isoladamente na terceira posição, tornando-se a principal novidade da pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro.

Lula aparece com 38% no principal cenário de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Na rodada anterior, publicada em 21 de agosto, o presidente tinha 39% e o senador já marcava 33%. A distância entre os dois, portanto, passou de seis para cinco pontos percentuais, uma alteração pequena e dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

O movimento mais expressivo ocorreu com Cury. O candidato passou de 2% para 8%, ganho de seis pontos percentuais e uma multiplicação por quatro de sua intenção de voto no período. Em termos relativos, a alta foi de 300%. O avanço já havia aparecido em pesquisas de outros institutos divulgadas nos últimos dias, mas agora também surge no Datafolha, reforçando a percepção de que sua candidatura deixou de ocupar apenas uma posição residual na disputa.

A pesquisa foi realizada com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios, entre 1º e 3 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03669/2026.

Cury concentra praticamente toda a mudança do primeiro turno

A comparação com a rodada de 21 de agosto mostra que Lula e Flávio pouco se moveram. O presidente oscilou um ponto para baixo, de 39% para 38%, enquanto o candidato do PL permaneceu nos mesmos 33%. A alteração mais relevante ocorreu entre os candidatos que tentam romper a polarização.

Augusto Cury saiu de 2% para 8% e abriu distância dos demais nomes do chamado terceiro campo. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, depois de marcar 5% na pesquisa anterior. Renan Santos (Missão) caiu de 4% para 3%, enquanto Romeu Zema (Novo) registra 2%.

Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) têm 1% cada. Outros candidatos não pontuaram no cenário principal. Brancos, nulos e eleitores que afirmaram não votar em nenhum candidato somam 6%, enquanto 3% disseram não saber em quem votar.

O avanço de Cury altera a distribuição dos votos sem, até agora, ameaçar diretamente a presença de Lula e Flávio em um provável segundo turno. A diferença do escritor para Flávio ainda é de 25 pontos percentuais e para Lula, de 30 pontos. Mesmo considerando a margem de erro, a distância entre os dois líderes e o terceiro colocado permanece muito grande.

O significado político da alta, portanto, está menos na possibilidade imediata de Cury alcançar a dupla da frente e mais no tamanho do eleitorado que sua candidatura começa a reunir. Em uma eleição apertada, um candidato que conquista perto de 10% dos votos pode se tornar decisivo para a transferência de apoios em eventual segundo turno.

Lula e Flávio ficam a dois pontos no segundo turno

A simulação de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece praticamente empatada. O presidente registra 46% das intenções de voto, enquanto o senador tem 44%. Como a diferença é exatamente igual à margem de erro máxima do levantamento, o Datafolha classifica o cenário como empate técnico.

Na pesquisa anterior, Lula aparecia com 47% e Flávio com 43%. Em duas semanas, portanto, a vantagem numérica do presidente caiu de quatro para dois pontos. Lula oscilou um ponto para baixo e Flávio, um para cima.

No cenário atual, 9% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não escolheriam nenhum dos dois. Outros 2% não souberam responder.

A comparação das duas rodadas sugere uma disputa mais comprimida no segundo turno do que no primeiro. Lula mantém cinco pontos de vantagem no cenário inicial, mas a distância cai para apenas dois quando os eleitores são obrigados a escolher entre os dois principais candidatos.

A proximidade também aparece em outros institutos divulgados nesta semana, embora cada pesquisa utilize metodologia, amostra e forma de coleta próprias. Por isso, os resultados não devem ser simplesmente somados ou tratados como se fizessem parte de uma única série.

No Datafolha, a tendência observável é mais específica: Lula preserva a liderança no primeiro turno, Flávio continua praticamente estável e o segundo turno entre os dois permanece sem favorito estatístico.

Rejeição de Lula e Flávio permanece elevada

Os dois candidatos que lideram a eleição também possuem os maiores índices de rejeição. Segundo o Datafolha, 47% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 45% dizem o mesmo em relação a Lula.

A diferença entre os dois índices está dentro da margem de erro. Na prática, quase metade do eleitorado apresenta resistência consolidada a cada um dos principais candidatos, uma característica que ajuda a explicar por que a disputa de segundo turno permanece tão próxima.

Augusto Cury aparece em situação bastante diferente nesse indicador. Sua rejeição é de 9%, muito abaixo dos percentuais registrados por Lula e Flávio. Parte dessa distância decorre do fato de o candidato ainda possuir menor exposição política e menor histórico de confronto eleitoral, mas o número representa uma vantagem potencial para uma candidatura que tenta crescer justamente entre eleitores insatisfeitos com a polarização.

Uma baixa rejeição, entretanto, não significa automaticamente alto potencial eleitoral. O desafio de Cury será converter eleitores que afirmam aceitar votar nele em votos efetivos, ao mesmo tempo em que passa a receber maior escrutínio dos adversários, da imprensa e do próprio eleitorado conforme sua candidatura cresce.

A evolução das próximas pesquisas poderá indicar se os 8% representam um novo patamar de apoio ou uma oscilação relacionada ao aumento recente de sua exposição.

Metade dos eleitores de Cury ainda admite mudar o voto

Outro dado do levantamento ajuda a dimensionar a diferença entre o crescimento de Cury e a estabilidade das duas candidaturas que lideram a eleição. No total, 71% dos entrevistados dizem estar totalmente decididos sobre o voto para presidente, enquanto 28% afirmam que ainda podem mudar de candidato.

Entre os eleitores de Lula, 81% dizem que a escolha é definitiva. Entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro, o percentual é praticamente igual, de 80%.

No caso de Augusto Cury, porém, apenas 50% afirmam estar definitivamente decididos. A outra metade ainda admite rever sua escolha.

O contraste sugere que Lula e Flávio possuem bases eleitorais mais consolidadas, enquanto uma parcela importante dos novos apoiadores de Cury continua disponível para mudança. Isso torna o terceiro lugar mais relevante, mas também mais volátil.

Em outras palavras, o crescimento de seis pontos colocou Cury no centro da disputa pelo eleitor não alinhado, mas ainda não criou uma base tão sólida quanto a dos candidatos que ocupam as duas primeiras posições.

O comportamento desse grupo será um dos indicadores importantes das próximas semanas. Se o percentual de intenção de voto permanecer elevado ao mesmo tempo em que aumenta a proporção de eleitores decididos, a candidatura poderá demonstrar maior consolidação. Se ocorrer o contrário, parte do avanço poderá retornar aos demais concorrentes conforme a eleição se aproxima.

Lula vence outros adversários nas simulações de segundo turno

O Datafolha também testou Lula contra outros candidatos da oposição. Nessas simulações, o presidente aparece com vantagens maiores do que a registrada diante de Flávio Bolsonaro.

Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 46%, enquanto o candidato do PSD registra 41%. Na pesquisa anterior, os percentuais eram de 47% e 40%, respectivamente. A diferença caiu de sete para cinco pontos.

Em um confronto com Romeu Zema, Lula aparece com 48% contra 39% do candidato do Novo. Na rodada anterior, o placar era de 48% a 38%.

Contra Renan Santos, o presidente registra 47% e o candidato do Missão, 38%. Antes, os percentuais eram de 47% e 37%.

O instituto não testou nesta rodada um eventual segundo turno entre Lula e Augusto Cury. A ausência desse cenário ganha importância diante do salto do candidato do Avante para 8%, já que ele passou a ocupar uma terceira colocação mais clara.

Ainda assim, os dados disponíveis indicam que Flávio continua sendo, entre os adversários testados, aquele que apresenta a disputa mais equilibrada com Lula em um eventual segundo turno.

Eleição entra no último mês com espaço para mudanças

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. A nova rodada do Datafolha foi divulgada a aproximadamente um mês da votação, período em que a exposição dos candidatos aumenta com propaganda eleitoral, entrevistas, debates, viagens e campanhas nas redes sociais.

A disputa chega a essa fase com três movimentos distintos. Lula continua liderando, mas sem ampliar sua vantagem. Flávio Bolsonaro mantém um eleitorado relativamente estável e permanece competitivo no segundo turno. Augusto Cury, por sua vez, transformou-se no candidato que mais cresceu nas últimas semanas e passou a ocupar uma faixa eleitoral que pode influenciar a estratégia dos dois líderes.

O tamanho do eleitorado ainda disposto a mudar de voto reforça a possibilidade de alterações. Embora 71% afirmem estar decididos, quase três em cada dez eleitores dizem que sua escolha ainda não é definitiva.

Entre os apoiadores de Lula e Flávio, a fidelidade declarada é bem maior. Isso significa que a disputa pela parcela móvel do eleitorado deverá se concentrar principalmente entre os candidatos intermediários, indecisos e eleitores que hoje cogitam votar em branco ou anular.

A ascensão de Cury torna esse segmento ainda mais importante. Em duas semanas, o candidato conquistou seis pontos sem provocar uma queda equivalente em apenas um dos dois líderes, sinal de que seu crescimento pode estar sendo alimentado por diferentes partes do eleitorado.

As próximas rodadas deverão mostrar se essa reorganização continuará. Por enquanto, o Datafolha apresenta uma eleição em que Lula mantém a liderança do primeiro turno, Flávio Bolsonaro permanece suficientemente próximo para levar o segundo turno ao empate técnico e Augusto Cury passa a ocupar, pela primeira vez no instituto, um espaço eleitoral de tamanho relevante.

A um mês das urnas, a maior mudança da pesquisa não ocorreu entre os candidatos que lideram a corrida. Ela veio do terceiro lugar.

Fontes:

Datafolha – pesquisa nacional de intenção de voto realizada entre 1º e 3 de setembro de 2026

Datafolha – levantamento presidencial de 21 de agosto de 2026 para comparação da série

Datafolha – dados de rejeição e grau de certeza do voto dos eleitores

Tribunal Superior Eleitoral – registro BR-03669/2026 e calendário oficial das Eleições 2026

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