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Dólar hoje sobe a R$ 5,28 e Ibovespa cai com guerra no Oriente Médio

por Camila Braga
05/03/2026 às 20h25
em Economia
Dólar Hoje Sobe A R$ 5,28 E Ibovespa Cai Com Guerra No Oriente Médio - Gazeta Mercantil

Dólar atinge R$ 5,28 e Ibovespa recua 2% sob impacto de ataques no Irã e disparada do petróleo

Nesta tarde de quinta-feira (5), o cenário financeiro global foi abruptamente redesenhado pela escalada das hostilidades no Oriente Médio, forçando uma reavaliação imediata de risco nos principais terminais de negociação de São Paulo a Nova York. O dólar comercial encerrou o dia em forte alta de 1,33%, cotado a R$ 5,28, enquanto o Ibovespa (IBOV) sucumbiu à pressão vendedora, fechando com recuo de 2,64% aos 180.465 pontos. O estopim para a deterioração dos ativos brasileiros foi a confirmação de novos ataques entre Israel e o Irã, evento que impulsionou o barril de petróleo Brent para além da barreira dos US$ 85, reativando temores de um choque inflacionário global em um momento de fragilidade nas cadeias de suprimento.

A anatomia da aversão ao risco e a corrida pelo porto seguro

A dinâmica observada no pregão de hoje reflete o que analistas de risco classificam como um “clássico movimento de fuga para a qualidade. Quando mísseis iranianos cruzaram o espaço aéreo em direção a centros estratégicos e Israel sinalizou retaliação imediata em Teerã, o fluxo de capital global abandonou moedas emergentes em busca da proteção do Tesouro norte-americano. O índice DXY, que monitora a força do dólar contra uma cesta de moedas fortes, serviu como o termômetro dessa ansiedade, registrando picos de volatilidade que não eram vistos desde o início das tensões no Mar Vermelho. No Brasil, o reflexo foi sentido na máxima do dia, quando a moeda americana chegou a tocar os R$ 5,29, pressionada não apenas pelo cenário externo, mas pelo desmonte de posições em carry trade que sustentavam o real nos últimos meses.

Leia também: Ibovespa sobe 25% no ano, supera 150 mil pontos e renova máxima histórica na B3.

O impacto geopolítico ultrapassa a mera especulação cambial e atinge o cerne da economia real através do mercado de energia. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, registrou uma valorização atípica de 8,51%, atingindo US$ 81,01 — o maior patamar em quase dois anos. A preocupação central das mesas de operação não é apenas a produção nominal do Irã, mas a integridade das rotas marítimas no Golfo Pérsico. O risco de um bloqueio, ainda que parcial, no Estreito de Ormuz insere um prêmio de risco inflacionário que atinge diretamente as expectativas para os juros globais. Se a energia encarece de forma estrutural, a missão dos bancos centrais de controlar os preços torna-se significativamente mais complexa, o que explica a queda generalizada das bolsas.

Reflexos na B3 e a resiliência pontual do setor energético

Dentro do ambiente doméstico, o Ibovespa enfrentou uma sessão de ajustes severos. A queda de 2,64% interrompe uma sequência de otimismo que havia levado o índice a acumular 17% de alta no ano. Setores sensíveis a juros e consumo foram os primeiros a sentir o peso da alta do dólar, mas o impacto foi sentido com maior vigor nas chamadas blue chips. A Vale (VALE3), apesar da estabilidade no minério de ferro na China, recuou 3,33%, evidenciando que o investidor estrangeiro está reduzindo sua exposição ao Brasil de forma ampla, independentemente dos fundamentos específicos das commodities metálicas. No setor bancário, nomes como Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também registraram perdas superiores a 3%, refletindo a cautela institucional diante de um cenário macroeconômico subitamente mais nebuloso.

Leia também: Ibovespa hoje cai com Vale (VALE3) e bancos; dólar fecha abaixo de R$ 5.

Contudo, a estrutura da bolsa brasileira, fortemente ancorada em energia, ofereceu alguns contrapesos. A Petrobras (PETR4) conseguiu navegar em terreno positivo durante parte da sessão, amparada pela valorização do óleo bruto. O destaque absoluto, entretanto, ficou com a Braskem (BRKM5), que disparou 16,94% em um movimento de descorrelação total com o índice. Analistas apontam que a petroquímica se beneficia de uma reavaliação de ativos no setor e de uma melhora nas margens internacionais, tornando-se um refúgio inesperado para investidores que buscam ativos tangíveis em meio à crise diplomática.

A estratégia de cautela do Banco Central e as projeções institucionais

A atuação do Banco Central do Brasil nesta quinta-feira foi marcada pela parcimônia técnica. Sob a liderança da diretoria de Política Monetária, a autoridade monetária optou por uma intervenção cirúrgica através de swaps cambiais, evitando que a volatilidade se transformasse em um movimento desordenado. A estratégia de Nilton David, diretor do BC, sinaliza que a instituição prefere permitir que o câmbio flutue de acordo com os fundamentos globais, intervindo apenas para garantir a liquidez do sistema. Essa postura é vista com bons olhos pelo mercado, pois evita queimar reservas internacionais em um momento de incerteza cujo teto ainda não é visível no horizonte.

Adiante, o mercado financeiro entra em um regime de vigília permanente. A sustentabilidade do patamar de R$ 5,28 para o dólar dependerá quase inteiramente da intensidade da resposta militar no Oriente Médio nas próximas 48 horas. Se o conflito for contido em escaramuças localizadas, o mercado brasileiro poderá passar por uma correção rápida. No entanto, se o estreito de Ormuz for ameaçado ou se novas potências forem arrastadas para o embate, o teto para o dólar e para o barril de petróleo poderá ser testado em níveis muito superiores aos atuais. O investidor institucional, por ora, mantém-se em posição defensiva, priorizando a liquidez e monitorando os desdobramentos diplomáticos globais.

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