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Elon Musk perde marca de US$ 1 trilhão após ações da SpaceX despencarem

Fortuna recuou para US$ 957 bilhões no índice da Bloomberg, mas empresário ainda mantém vantagem de cerca de US$ 660 bilhões sobre o segundo colocado.

por Daniel Wicker - Repórter
24/06/2026 às 18h30 - Atualizado em 17/07/2026 às 12h11
em Gente,Destaque,Notícias
Elon Musk -Gazeta Mercantil

Elon Musk deixou de ser trilionário no Índice de Bilionários da Bloomberg nesta quarta-feira (24), depois de uma forte correção nas ações da SpaceX (SPCX) e de uma queda de 5,8% nos papéis da Tesla (TSLA) em Wall Street. O patrimônio estimado do empresário recuou para US$ 957 bilhões, pressionado pela desvalorização de suas principais participações societárias em meio à venda generalizada de empresas de tecnologia e às dúvidas dos investidores sobre os gastos bilionários da companhia espacial.

A perda da marca de US$ 1 trilhão ocorreu menos de duas semanas depois de Elon Musk se tornar a primeira pessoa a alcançar esse patamar, impulsionado pela estreia da SpaceX na Nasdaq em 12 de junho.

Apesar da redução, Musk permanece com ampla vantagem na liderança do ranking global de fortunas. O segundo colocado, Larry Page, cofundador do Google, aparece com patrimônio estimado em cerca de US$ 297 bilhões — uma diferença próxima de US$ 660 bilhões.

A oscilação também não significa que Elon Musk tenha perdido centenas de bilhões de dólares em dinheiro. O cálculo considera o valor de mercado das ações e participações empresariais mantidas pelo executivo, que varia diariamente conforme as cotações das companhias.

SpaceX apaga parte do salto registrado depois do IPO

A principal responsável pela redução da fortuna de Elon Musk foi a SpaceX, empresa de foguetes, satélites, internet espacial e inteligência artificial controlada pelo empresário.

As ações da companhia caíram aproximadamente 16% na segunda-feira (22), naquele que foi o pior pregão desde a abertura de capital. O movimento reduziu em cerca de US$ 240 bilhões a estimativa do patrimônio de Musk, segundo cálculos publicados no mercado internacional.

A queda ocorreu depois de a SpaceX anunciar sua primeira emissão de títulos de dívida, com a expectativa de captar pelo menos US$ 20 bilhões. A operação reacendeu questionamentos sobre o volume de recursos necessário para financiar os projetos do grupo.

Os papéis chegaram a atingir aproximadamente US$ 225 pouco depois da estreia na Bolsa, mas recuaram para a faixa de US$ 154 a US$ 156 nesta semana. A desvalorização acumulada desde a máxima supera 30%, colocando as ações tecnicamente em território de mercado baixista.

Na terça-feira (23), a SpaceX registrou uma recuperação limitada e encerrou o dia com alta próxima de 1%. A estabilização, entretanto, não foi suficiente para devolver a Elon Musk a marca de US$ 1 trilhão no levantamento da Bloomberg.

IPO da SpaceX criou o primeiro trilionário do mundo

A SpaceX protagonizou em 12 de junho a maior oferta pública inicial de ações já realizada no mercado norte-americano.

A companhia fixou o preço da oferta em US$ 135 por ação e levantou aproximadamente US$ 75 bilhões. Os papéis iniciaram as negociações a US$ 150 e encerraram o primeiro pregão cotados a US$ 160,95.

Com a valorização, a SpaceX alcançou valor de mercado superior a US$ 2 trilhões. A participação detida por Elon Musk passou a representar centenas de bilhões de dólares adicionais em sua fortuna estimada.

A abertura de capital transformou a SpaceX no principal componente do patrimônio do empresário. Segundo estimativas citadas por publicações financeiras internacionais, a participação de Musk na companhia passou a responder por quase 80% de sua riqueza.

A concentração torna o patrimônio do executivo diretamente dependente do desempenho das ações da SpaceX. Pequenas variações percentuais na cotação podem acrescentar ou retirar dezenas de bilhões de dólares da estimativa diária.

O efeito é ampliado pelo volume relativamente pequeno de ações disponíveis para livre negociação. Com uma parcela limitada do capital circulando no mercado, ordens de compra ou venda podem provocar movimentos mais intensos no preço.

Oferta de dívida aumenta dúvidas sobre investimentos

O recuo da SpaceX ganhou força depois que a companhia anunciou a intenção de acessar o mercado de títulos corporativos para captar pelo menos US$ 20 bilhões.

Parte dos recursos deverá ser utilizada para quitar um empréstimo-ponte contratado anteriormente. O restante poderá financiar necessidades corporativas e projetos de expansão.

A empresa informou possuir aproximadamente US$ 100,8 bilhões em caixa. Mesmo assim, a decisão de levantar dívida chamou a atenção para o volume de investimentos necessário para sustentar suas diferentes frentes de atuação.

Além do desenvolvimento de foguetes e da expansão da rede de internet Starlink, a SpaceX passou a direcionar recursos para inteligência artificial e para projetos de infraestrutura computacional.

Entre as iniciativas mencionadas pelo grupo estão o desenvolvimento de sistemas avançados de IA e a possibilidade de instalar data centers em órbita. Esses projetos exigem gastos elevados antes de produzir receita significativa.

A companhia recebeu classificações de grau de investimento para a emissão. Ainda assim, analistas apontam que a divisão de inteligência artificial representa uma das áreas de maior risco financeiro devido aos custos iniciais e à incerteza sobre o prazo de retorno.

A reação negativa das ações mostra que parte do mercado passou a exigir maior clareza sobre como esses investimentos serão financiados e convertidos em resultados.

Tesla amplia pressão sobre patrimônio de Musk

A Tesla também contribuiu para a redução do patrimônio de Elon Musk.

As ações da montadora de veículos elétricos caíram 5,79% na terça-feira, de US$ 405,05 para US$ 381,61. Durante o pregão, os papéis chegaram a ser negociados a US$ 379,06.

A queda ocorreu em meio a uma correção mais ampla das empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Investidores reduziram posições em ativos considerados mais sensíveis aos juros, às avaliações elevadas e às expectativas de crescimento de longo prazo.

A Tesla continua sendo um dos ativos mais importantes de Elon Musk, embora tenha perdido espaço relativo depois da abertura de capital da SpaceX.

A participação do executivo na montadora era avaliada em aproximadamente US$ 158 bilhões, segundo estimativas divulgadas após a correção. O número pode variar conforme o preço das ações e os critérios utilizados em cada ranking.

Além das ações diretamente detidas, os cálculos podem considerar opções, planos de remuneração sujeitos a metas e outros instrumentos ligados à companhia.

Essa estrutura explica por que diferentes levantamentos podem apresentar valores distintos para a fortuna de Elon Musk.

Patrimônio estimado não representa dinheiro disponível

Os rankings de bilionários avaliam principalmente participações em companhias abertas e privadas, além de propriedades, investimentos e outros ativos conhecidos.

No caso de empresas listadas, o cálculo utiliza a cotação das ações. Quando o preço sobe, a fortuna estimada aumenta; quando cai, o patrimônio recua.

Elon Musk não recebeu US$ 1 trilhão em dinheiro quando a SpaceX estreou na Bolsa, assim como não desembolsou centenas de bilhões de dólares durante a recente correção.

As perdas e os ganhos permanecem majoritariamente no papel enquanto as ações não são vendidas.

Uma eventual venda de grande volume também não ocorreria necessariamente pelo preço exibido na Bolsa. A tentativa de liquidar uma participação expressiva poderia pressionar a cotação e reduzir o valor efetivamente obtido.

O patrimônio líquido estimado é, portanto, uma fotografia baseada nos preços de mercado em determinado momento, e não uma medida de liquidez imediata.

Essa distinção é particularmente relevante para Elon Musk, cuja riqueza está fortemente concentrada em empresas que ele controla ou administra.

Bloomberg e Forbes podem apresentar números diferentes

A saída de Elon Musk do patamar de US$ 1 trilhão deve ser interpretada de acordo com a metodologia do ranking responsável pela estimativa.

O Índice de Bilionários da Bloomberg calculou a fortuna do empresário em aproximadamente US$ 957 bilhões após o fechamento dos mercados norte-americanos.

Outros levantamentos podem utilizar premissas diferentes para avaliar a participação de Musk na SpaceX, os direitos de voto, os planos de remuneração da Tesla e os descontos aplicados a ativos com baixa liquidez.

Também há diferenças no horário de atualização. Uma alta ou queda das ações durante o pregão pode fazer com que Elon Musk apareça como trilionário em um ranking e abaixo desse valor em outro.

A divergência não altera o fato central de que a forte correção da SpaceX retirou centenas de bilhões de dólares do valor de mercado da participação do empresário.

Também mostra como a entrada da empresa na Bolsa tornou mais frequentes e visíveis as oscilações de seu patrimônio.

Antes do IPO, o valor da SpaceX era atualizado principalmente durante rodadas privadas de investimento ou negociações entre acionistas. Agora, a companhia possui uma cotação pública que muda a cada pregão.

Musk ainda acumula ganho de US$ 338 bilhões no ano

Mesmo depois da correção, Elon Musk ainda registra aumento estimado de US$ 338 bilhões em sua fortuna desde o início de 2026.

Somente esse ganho supera o patrimônio integral atribuído a Larry Page, segundo colocado no ranking da Bloomberg.

A comparação mostra que a recente queda, embora expressiva em valores absolutos, devolveu apenas parte da valorização acumulada por Musk durante o ano.

A abertura de capital da SpaceX foi o principal fator por trás desse crescimento. A oferta permitiu que o mercado atribuísse um preço diário à participação do empresário e elevou temporariamente a companhia para uma posição entre as empresas mais valiosas do mundo.

No ponto máximo alcançado pelas ações, algumas estimativas chegaram a colocar a fortuna de Elon Musk acima de US$ 1,3 trilhão.

O recuo para US$ 957 bilhões representa uma perda de centenas de bilhões em relação ao pico, mas ainda mantém o executivo em uma posição sem precedentes nos rankings de riqueza.

Correção testa avaliação das empresas de tecnologia

A queda da SpaceX não ocorreu de forma isolada. Empresas de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial também enfrentaram uma rodada de vendas nos mercados norte-americanos.

O movimento refletiu preocupações com avaliações elevadas, necessidade de investimentos cada vez maiores e possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos.

Empresas de crescimento costumam ser especialmente sensíveis às taxas de juros porque parte relevante de seu valor depende de lucros esperados para os próximos anos.

Quando os rendimentos dos títulos públicos sobem, investidores podem exigir retornos maiores para permanecer em ações consideradas arriscadas. Isso reduz o valor presente das projeções futuras e pressiona as cotações.

No caso da SpaceX, o mercado também passou a avaliar o impacto financeiro da expansão em inteligência artificial, lançamentos espaciais e infraestrutura orbital.

A companhia possui operações consolidadas em áreas como internet por satélite, mas também mantém projetos que exigem capital intensivo e apresentam retorno incerto.

A emissão de dívida colocou essas necessidades financeiras no centro da avaliação dos investidores logo após o IPO.

SpaceX passa a definir se Musk recupera marca de US$ 1 trilhão

Elon Musk continua como a pessoa mais rica do mundo e mantém distância confortável em relação aos demais integrantes do ranking global.

A possibilidade de voltar a superar US$ 1 trilhão dependerá, sobretudo, do comportamento das ações da SpaceX.

Uma valorização relativamente pequena pode recolocar sua fortuna acima da marca, enquanto uma nova correção poderá ampliar a perda acumulada desde o pico.

A Tesla também seguirá relevante, especialmente diante das expectativas em torno de veículos elétricos, robotáxis, robôs humanoides e inteligência artificial.

No curto prazo, o mercado deverá acompanhar a conclusão da oferta de títulos da SpaceX, a destinação dos recursos e os sinais sobre o ritmo de gastos da companhia.

A estreia histórica levou Elon Musk ao patamar de primeiro trilionário. Menos de duas semanas depois, a mesma exposição às ações da SpaceX retirou o empresário dessa posição no índice da Bloomberg, evidenciando a velocidade com que as avaliações das maiores empresas de tecnologia podem mudar.

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