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Embraer (EMBJ3) fecha acordo com Latam para suporte a 24 jatos E195-E2

Contrato do Programa Pool prevê suporte a mais de 300 componentes dos jatos E195-E2, com estoque de peças no Brasil; companhia aérea tem 24 encomendas firmes, 50 opções adicionais e prepara expansão para 67 destinos nacionais.

por João Souza
13/10/2026 às 13h28
em Empresas
Embraer (Embj3) Fecha Acordo Com Latam Para Suporte A 24 Jatos E195-E2 - Gazeta Mercantil - Empresas

A Embraer (EMBJ3) e o Grupo Latam Airlines anunciaram nesta terça-feira (13) a assinatura de um contrato de suporte técnico e fornecimento de componentes para a nova frota de aeronaves E195-E2 adquirida pela companhia aérea. O acordo, firmado por meio do Programa Pool da fabricante brasileira, abrange mais de 300 componentes de diferentes sistemas dos aviões e estabelece uma estrutura de manutenção destinada a garantir a disponibilidade operacional dos jatos. A parceria acompanha a incorporação de 24 aeronaves encomendadas pela Latam, em um negócio anunciado em setembro de 2025 e avaliado em aproximadamente US$ 2,1 bilhões a preços de tabela.

Além das 24 encomendas firmes, o grupo aéreo possui opções para adquirir outras 50 aeronaves do mesmo modelo, o que poderá elevar a operação comercial a até 74 jatos. Essas opções ainda não representam compras confirmadas e dependerão das decisões futuras da empresa. O contrato anunciado nesta terça-feira é específico para serviços e componentes, não constitui uma nova encomenda de aviões e teve seu valor financeiro mantido em sigilo pelas companhias.

A contratação ocorre poucos dias depois de a Embraer e a Latam celebrarem, em São José dos Campos, o início da entrega do primeiro E195-E2 destinado à operação brasileira. A fabricante prevê a entrega de 12 aeronaves até dezembro de 2026, com outras unidades programadas para o próximo ano. Os primeiros voos comerciais deverão começar em novembro, depois da conclusão dos procedimentos técnicos, regulatórios e operacionais necessários à entrada do novo modelo na frota.

O acordo de manutenção representa uma etapa importante da relação entre as empresas porque estabelece as condições de suporte para os aviões durante sua utilização comercial. A aquisição das aeronaves é apenas uma parte do investimento necessário para ampliar uma frota. Companhias aéreas também precisam assegurar fornecimento de peças, serviços de reparo, equipes capacitadas e infraestrutura para que os equipamentos permaneçam disponíveis para os voos programados.

Programa Pool da Embraer inclui mais de 300 componentes do E195-E2

O contrato prevê a disponibilização de componentes de diferentes sistemas do Embraer E195-E2, incluindo serviços de troca, reparo e revisão. A solução será administrada pela divisão de Serviços & Suporte da fabricante e contará com um estoque selecionado de peças mantido nas instalações da Latam no Brasil.

O Programa Pool permite que uma companhia aérea tenha acesso a uma rede compartilhada de componentes administrada pela fabricante, reduzindo a necessidade de adquirir individualmente grandes quantidades de peças para reposição. Em vez de manter um estoque completo de cada item potencialmente necessário, a operadora utiliza uma estrutura de fornecimento e reparo vinculada ao contrato de serviços.

O modelo é especialmente relevante em componentes reparáveis, que podem ser removidos de uma aeronave, substituídos por unidades disponíveis e encaminhados para revisão. O objetivo é diminuir o tempo em que o avião permanece indisponível enquanto aguarda a recuperação de um equipamento.

Em termos operacionais, uma aeronave parada por falta de componente pode provocar cancelamentos, atrasos e mudanças na programação de outras rotas. O custo não se limita ao reparo do item, pois também envolve reorganização de tripulações, assistência aos passageiros e eventual perda de receita.

Ao contratar uma estrutura de reposição previamente organizada, a Latam procura reduzir essa exposição. A manutenção de determinados componentes no Brasil também pode diminuir o tempo necessário para atender ocorrências, especialmente quando o item exigido já está disponível próximo às bases utilizadas pela companhia.

A Embraer informa que o programa trabalha com níveis de desempenho garantidos contratualmente. O comunicado desta terça-feira, entretanto, não detalha os indicadores de disponibilidade, os prazos individuais de atendimento ou eventuais penalidades associadas ao descumprimento das metas.

O presidente da Embraer Serviços & Suporte, Carlos Naufel, afirmou que a prioridade é oferecer uma solução economicamente eficiente desde o início das operações, assegurando confiabilidade e disponibilidade à medida que a Latam amplia a utilização dos novos jatos.

Contrato reforça atuação da Embraer além da venda de aeronaves

A assinatura amplia a participação da Embraer nas atividades de manutenção e suporte de sua própria frota comercial. Diferentemente da venda de um avião, cuja receita está associada a etapas específicas de produção e entrega, os serviços de pós-venda podem gerar relações comerciais ao longo de vários anos.

Essa característica é relevante para fabricantes aeronáuticas porque as necessidades de manutenção acompanham praticamente toda a vida útil dos equipamentos. Peças precisam ser inspecionadas, substituídas ou reparadas conforme requisitos técnicos, ciclos de utilização e exigências regulatórias.

A divisão de Serviços & Suporte da Embraer atua com fornecimento de componentes, manutenção, reparos, modernizações e assistência técnica. Contratos desse tipo permitem à fabricante preservar o relacionamento com os clientes depois da entrega dos aviões, além de utilizar sua experiência no projeto e desenvolvimento dos equipamentos.

Para a Latam, a principal vantagem esperada é a previsibilidade das atividades de manutenção. Uma rede estruturada de componentes pode contribuir para diminuir a quantidade de recursos imobilizados em estoques próprios e facilitar o planejamento de custos.

O benefício econômico efetivo dependerá das condições comerciais do contrato, dos níveis de utilização das aeronaves e da frequência de manutenção dos componentes. Como o valor do acordo não foi divulgado, não é possível calcular sua contribuição específica para a receita ou para o lucro da Embraer.

Também não há informações públicas suficientes para estimar quanto a Latam economizará com a contratação do Programa Pool em comparação com uma estrutura inteiramente própria de fornecimento de peças.

Ainda assim, a decisão mostra que a relação comercial entre as empresas não ficará restrita à entrega dos 24 aviões. O contrato integra serviços técnicos ao planejamento de expansão da companhia aérea, criando uma estrutura de atendimento associada à utilização da frota.

Latam tem pedido de US$ 2,1 bilhões e opção para mais 50 aeronaves

A encomenda original foi anunciada em 22 de setembro de 2025 e marcou a decisão da Latam de incorporar os jatos comerciais da Embraer à sua operação. O contrato contempla 24 entregas firmes de E195-E2, avaliadas em aproximadamente US$ 2,1 bilhões a preços de tabela, além de opções de compra de outras 50 unidades.

O valor informado corresponde à referência comercial utilizada no anúncio das aeronaves firmemente encomendadas. Não deve ser confundido com o valor do contrato de manutenção divulgado nesta terça-feira, nem representa necessariamente o desembolso final da companhia aérea, que poderá refletir condições comerciais específicas.

A distinção também se aplica às opções de compra. Caso a Latam exerça todas as 50 opções, sua encomenda poderá atingir 74 aeronaves. Entretanto, a confirmação dependerá de avaliações sobre demanda, disponibilidade de capital, desempenho da frota e planejamento operacional.

O E195-E2 foi escolhido para complementar os aviões de maior capacidade já utilizados pelo grupo. Até então, a Latam operava principalmente aeronaves das famílias Airbus e Boeing, com equipamentos destinados a rotas domésticas, regionais e internacionais.

A entrada dos jatos da Embraer permite ajustar a oferta de assentos em mercados que não apresentam demanda suficiente para sustentar, em todas as frequências, aeronaves maiores. Em determinadas rotas, um avião com capacidade intermediária pode oferecer maior flexibilidade para ampliar o número de voos e melhorar as conexões.

A escolha também representa uma oportunidade para a Embraer fortalecer sua presença no mercado brasileiro, considerado estratégico para a fabricante. A operação comercial com a Latam amplia a exposição do E195-E2 em rotas domésticas e poderá servir como referência para futuras negociações com outras companhias.

Primeiros 12 aviões estão previstos para entrega até dezembro

O processo de incorporação da nova frota avançou na semana passada, quando a Latam e a Embraer celebraram a conclusão do primeiro E195-E2 destinado à companhia aérea. A apresentação ocorreu em São José dos Campos, onde estão concentradas atividades industriais da fabricante brasileira.

De acordo com o cronograma anunciado, 12 aeronaves deverão ser entregues até o fim de 2026. Outras 12 estão previstas para 2027, completando as 24 encomendas firmes.

Na fase inicial de utilização, a Latam espera incorporar até 14 aeronaves entre novembro de 2026 e março de 2027. Esses aviões serão distribuídos em uma malha de 42 rotas, contemplando novos destinos e ligações já existentes.

O planejamento de entregas depende da conclusão dos procedimentos de preparação das aeronaves e da implementação das estruturas necessárias para sua operação comercial. Entre as etapas envolvidas estão processos alfandegários, homologação do interior da cabine e certificações junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A companhia também precisa concluir a capacitação de pilotos, comissários e equipes técnicas para operar e manter o modelo. A introdução de uma nova família de aeronaves exige treinamento específico e atualização dos procedimentos utilizados pelas áreas responsáveis por segurança operacional, despacho e manutenção.

Para acelerar a preparação, a Latam utilizou uma aeronave de demonstração da Embraer, conhecida como Profit Hunter, em atividades de avaliação, treinamento e certificação. Segundo as empresas, a estratégia permitiu reduzir aproximadamente pela metade o prazo normalmente necessário para concluir parte desses procedimentos.

O contrato do Programa Pool foi firmado justamente durante essa fase de transição. Com a chegada das primeiras aeronaves, a operadora precisa ter acesso aos componentes necessários à continuidade dos voos, inclusive antes de atingir o tamanho final da frota contratada.

Novos jatos vão ampliar operação da Latam para 67 destinos no Brasil

A incorporação do E195-E2 integra um plano de expansão da conectividade doméstica da Latam. Na primeira fase, a companhia pretende utilizar os novos aviões em 42 rotas e ampliar sua presença para 67 destinos brasileiros.

Quatro cidades passarão a integrar a rede da empresa: Cabo Frio, no Rio de Janeiro; Ji-Paraná, em Rondônia; Macaé, também no Rio de Janeiro; e Rondonópolis, em Mato Grosso.

Entre as ligações anunciadas estão voos de Guarulhos para Rondonópolis, Ji-Paraná, Cabo Frio e Macaé, além de uma conexão entre Brasília e Ribeirão Preto, em São Paulo. As estreias ocorrerão gradualmente, de acordo com a incorporação das aeronaves.

O grupo também estuda a viabilidade de atender até 18 novos destinos em uma segunda etapa de expansão, prevista para 2027. Essas localidades adicionais ainda representam possibilidades comerciais em avaliação, não rotas integralmente confirmadas.

O novo modelo permite desenvolver operações em mercados de média densidade, nos quais a demanda pode ser insuficiente para justificar o uso de aeronaves maiores em determinados horários. A possibilidade de adequar a capacidade dos aviões ao número de passageiros pode melhorar a utilização dos recursos e ampliar a oferta de conexões.

Para as cidades atendidas, novas ligações aéreas podem reduzir a necessidade de deslocamentos terrestres até aeroportos de maior porte. Também podem facilitar viagens de negócios, turismo e acesso a serviços em outras regiões.

Esses benefícios, entretanto, dependerão da regularidade das operações, dos preços das passagens e da capacidade de manter demanda suficiente para sustentar as rotas ao longo do tempo.

A expansão da Latam no Brasil já vinha ocorrendo antes da encomenda à Embraer. Em comunicado divulgado em outubro, a companhia informou que passou de 44 aeroportos atendidos há seis anos para 63 atualmente. Com a incorporação dos E195-E2, pretende superar a marca de 70 aeroportos em 2027.

E195-E2 terá 136 assentos e consumo de combustível mais eficiente

Os E195-E2 destinados à Latam terão capacidade para 136 passageiros, distribuídos em configuração de dois assentos de cada lado do corredor. Esse arranjo elimina o assento central, característica que diferencia a experiência de viagem em relação a aeronaves de corredor único com fileiras de três poltronas de cada lado.

A companhia utilizará cabines Economy e Premium Economy, sendo que a categoria superior poderá ocupar até 20 assentos, conforme a configuração do avião.

Os equipamentos também deverão oferecer conexão Wi-Fi gratuita para passageiros cadastrados no programa Latam Pass, portas USB-C e acesso à plataforma de entretenimento da empresa.

Além do conforto, a eficiência energética está entre os fatores destacados pela fabricante. Segundo a Embraer, a família E195-E2 pode consumir até 30% menos combustível por assento em comparação com modelos da geração anterior, dependendo das condições operacionais utilizadas na comparação.

A aeronave também possui alcance anunciado de aproximadamente 3.000 milhas náuticas, equivalentes a 5.556 quilômetros, e utiliza sistemas modernos de controle eletrônico de voo.

O consumo de combustível representa uma parcela relevante dos custos das companhias aéreas. Aeronaves mais eficientes podem contribuir para diminuir as despesas por assento transportado, especialmente quando utilizadas em rotas adequadas à sua capacidade.

Entretanto, a economia efetiva depende de fatores como distância percorrida, ocupação, tarifas aeroportuárias, características do trajeto e condições de operação. Por isso, o ganho máximo divulgado pela fabricante não deve ser interpretado como uma redução uniforme de custos em todas as rotas.

Embraer entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026

A ampliação da parceria com a Latam ocorre em um momento de crescimento das entregas da Embraer. No terceiro trimestre de 2026, a fabricante brasileira entregou 66 aeronaves, aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume registrado para um terceiro trimestre em sua história.

Do total, 22 unidades foram destinadas à aviação comercial, incluindo 11 aeronaves E175 e 11 jatos da família E2. A aviação executiva respondeu por 41 entregas no período.

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a Embraer entregou 175 aeronaves, crescimento de 14% sobre as 153 unidades registradas entre janeiro e setembro de 2025.

Os números mostram o avanço da produção em diferentes segmentos e ajudam a contextualizar a importância de ampliar simultaneamente a estrutura de serviços e suporte.

A entrega de novos aviões aumenta o número de aeronaves que precisarão de manutenção ao longo dos anos. Para a Embraer, essa expansão da frota instalada pode criar oportunidades de contratos de peças, revisões e assistência técnica, embora a conversão em receitas dependa dos serviços efetivamente contratados.

Em setembro, por exemplo, a fabricante anunciou a renovação do Programa Pool com a Japan Airlines, envolvendo suporte à frota de 32 aeronaves E170 e E190 da companhia japonesa. O acordo prevê manutenção, fornecimento de componentes reparáveis e disponibilidade de peças próximas às operações do cliente.

A contratação realizada pela Latam segue o mesmo princípio de oferecer suporte estruturado para reduzir interrupções operacionais, mas está direcionada a uma frota de aeronaves mais recentes, da família E2.

Acordo amplia presença da Embraer no mercado de serviços aeronáuticos

O contrato anunciado nesta terça-feira representa uma nova etapa da parceria comercial estabelecida entre Embraer e Latam. A encomenda dos 24 jatos garante a introdução do modelo na frota da companhia aérea, enquanto o Programa Pool estabelece uma estrutura destinada a apoiar sua utilização cotidiana.

A solução pode contribuir para reduzir estoques próprios de peças, agilizar processos de manutenção e ampliar a previsibilidade operacional. Para a fabricante, o acordo reforça a atuação em serviços de pós-venda, segmento que complementa os negócios de produção e comercialização de aeronaves.

A relevância financeira imediata do novo contrato não pode ser mensurada com os dados disponíveis, pois as empresas não divulgaram seu valor, prazo total ou metas detalhadas de desempenho. Também não foram anunciadas alterações no volume de aeronaves originalmente encomendadas.

O próximo passo será a entrada efetiva dos E195-E2 em operação comercial, prevista para novembro, acompanhada da expansão gradual das rotas nacionais.

Para os investidores que acompanham EMBJ3, o desenvolvimento da parceria envolve duas dimensões: a execução do cronograma de entregas dos aviões e a prestação dos serviços associados à nova frota. A combinação reforça a presença da fabricante brasileira no mercado aéreo regional, enquanto a Latam procura ampliar sua rede de destinos com aeronaves adaptadas a diferentes níveis de demanda.

Fontes:

Embraer — comunicado oficial de 13 de outubro de 2026 sobre o acordo do Programa Pool com o Grupo Latam, incluindo cobertura de componentes, estoque local e serviços de manutenção.

Embraer — comunicado de 8 de outubro de 2026 sobre a primeira aeronave E195-E2 da Latam, cronograma de entregas, configuração da cabine e preparação operacional.

Latam Airlines Group — comunicado de relações com investidores de 22 de setembro de 2025 sobre a encomenda de 24 aeronaves E195-E2, 50 opções de compra e investimento anunciado de US$ 2,1 bilhões.

Latam Airlines Brasil — comunicado de 4 de agosto de 2026 sobre as 42 rotas da primeira fase de expansão, quatro novos destinos e previsão de incorporação de até 14 aeronaves até março de 2027.

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