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Embraer tem receita recorde e backlog histórico de US$ 31 bilhões no 3º trimestre de 2025

Avanço nas áreas de Aviação Comercial e Defesa consolida a Embraer como líder global em exportações e inovação aeronáutica

por Gabriel Monteiro
04/11/2025 às 10h33
em Negócios
Avanço Nas Áreas De Aviação Comercial E Defesa Consolida A Embraer Como Líder Global Em Exportações E Inovação Aeronáutica - Gazeta Mercantil

Embraer tem receita recorde e backlog histórico de US$ 31 bilhões no terceiro trimestre de 2025

A Embraer registrou um desempenho histórico no terceiro trimestre de 2025, consolidando sua posição como uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo. A companhia alcançou receita líquida recorde de R$ 10,9 bilhões, representando alta de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pelos segmentos de Aviação Comercial e Defesa & Segurança, que cresceram 28% e 24%, respectivamente.

Mais do que um trimestre forte, o resultado reflete o momento estratégico da empresa, que tem expandido sua presença internacional, reforçado sua carteira de pedidos e investido em inovação. O backlog (carteira de pedidos firmes) atingiu US$ 31,3 bilhões, o maior da história da companhia — um marco que projeta confiança e sustentabilidade no crescimento futuro.

Leia também: Eztec (EZTC3) Bate Recorde com Salto de 41% nas Vendas: Análise do 4º Trimestre.


Receita recorde e estabilidade operacional

A Embraer obteve EBIT ajustado de R$ 927,2 milhões, com margem de 8,5%. Embora inferior aos 17,6% registrados em 2024, a comparação é afetada por um ganho não recorrente de US$ 150 milhões, resultado de um acordo arbitral com a Boeing no ano passado. Sem esse efeito extraordinário, as margens operacionais permanecem estáveis, sinalizando resiliência operacional.

O lucro líquido ajustado foi de R$ 289 milhões, comparado a R$ 1,22 bilhão em 2024. A redução está associada à normalização das receitas não recorrentes e a um impacto fiscal de R$ 161 milhões em impostos diferidos. Ainda assim, o resultado líquido reforça a consistência financeira da empresa, que vem ampliando eficiência e reduzindo endividamento.

Leia também: PF mira lavagem de R$ 10 bilhões e prende alvo sancionada pelos EUA.


Entregas e crescimento em todos os segmentos

Durante o trimestre, a Embraer entregou 62 aeronaves, número 5% superior ao do terceiro trimestre de 2024. Foram 20 aviões comerciais (13 E2 e 7 E1), 41 jatos executivos (23 leves e 18 médios) e uma aeronave KC-390 Millennium, no segmento de Defesa. O crescimento foi sustentado pela retomada da demanda global por transporte aéreo e pela competitividade dos modelos E2, reconhecidos pela eficiência de combustível e baixo custo operacional.


Aviação Comercial: expansão global e margens positivas

O segmento de Aviação Comercial foi um dos grandes destaques do trimestre, com receita de R$ 3,3 bilhões, crescimento de 28% sobre 2024. A melhora decorreu do aumento das entregas, dos preços mais altos e da maior participação dos jatos da família E2, que possuem maior valor agregado e eficiência operacional superior.

A margem EBIT ajustada passou de -4,8% para +1,2%, sinalizando recuperação da rentabilidade e ganhos de escala. O bom desempenho também reflete a retomada de encomendas de companhias aéreas da América do Norte e da Europa, além de novas negociações na Ásia e no Oriente Médio.


Aviação Executiva: estabilidade com desafios logísticos

A divisão de Aviação Executiva registrou receitas de R$ 3,2 bilhões, um leve aumento de 1% frente ao ano anterior. Apesar da estabilidade nas entregas, o resultado foi impactado por custos logísticos mais altos e tarifas de importação nos Estados Unidos, equivalentes a US$ 15 milhões.

A margem bruta recuou de 23,4% para 18,7%, enquanto a margem EBIT ajustada caiu de 16,3% para 12,1%. O segmento, porém, segue sólido e competitivo, sustentado pelo desempenho dos modelos Phenom 300 e Praetor 600, líderes em suas categorias. A expectativa é de retomada mais forte no quarto trimestre, com foco em clientes corporativos e expansão na América Latina.


Defesa & Segurança: KC-390 impulsiona resultados e exportações

O setor de Defesa & Segurança teve crescimento expressivo de 24%, atingindo R$ 1,5 bilhão em receita. O desempenho foi impulsionado por entregas da aeronave KC-390 Millennium e ajustes contratuais favoráveis.

A margem EBIT ajustada avançou de 7,2% para 12,9%, beneficiada pelo aumento das exportações e pela alavancagem operacional. O KC-390 segue consolidando sua reputação internacional, com contratos firmados com Portugal, Hungria, Holanda, Áustria e República Tcheca. A Embraer também negocia novas parcerias na Ásia e no Oriente Médio, reforçando o protagonismo da empresa no setor de defesa global.


Serviços & Suporte: crescimento contínuo e desafios operacionais

A divisão de Serviços & Suporte teve receita de R$ 2,7 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento foi sustentado pela expansão das atividades de manutenção, reparo e revisão de motores, especialmente nas operações da OGMA, em Portugal.

A margem EBIT ajustada recuou de 18,7% para 13,6%, refletindo atrasos em serviços e aumento dos custos de materiais. Ainda assim, a área continua sendo uma das mais rentáveis da companhia, contribuindo com fluxo de caixa estável e fortalecendo o relacionamento de longo prazo com clientes.


Outros negócios: expansão e diversificação

A categoria “Outros negócios” registrou crescimento robusto de 144,5%, saltando de R$ 69 milhões para R$ 170 milhões. O resultado foi impulsionado pela reclassificação da divisão de trens de pouso como unidade independente e pela performance da área cibernética Tempest, além do avanço na Aviação Agrícola (Ipanema).

Essas iniciativas reforçam o compromisso da Embraer com a diversificação de receitas e a aposta em novas fronteiras tecnológicas.


Caixa, dívida e estrutura financeira sólida

O fluxo de caixa livre ajustado (excluindo a Eve) foi de R$ 1,6 bilhão, impulsionado pelo aumento das entregas e pela redução das contas a receber. O caixa consolidado atingiu R$ 11,1 bilhões, enquanto o caixa líquido (sem a Eve) melhorou para –R$ 2,3 bilhões, contra –R$ 5,9 bilhões um ano antes.

Em outubro, a companhia realizou uma emissão de US$ 1 bilhão em títulos com vencimento em 12 anos e juros de 5,4% ao ano, utilizando parte dos recursos para recomprar bônus com vencimentos em 2028 e 2030. A operação reduziu o custo médio da dívida e alongou o prazo médio para 5,9 anos.

Os investimentos totalizaram R$ 575 milhões, distribuídos entre capital físico, intangíveis, programas de peças e pesquisa. Já a Eve, subsidiária focada em mobilidade aérea urbana, investiu R$ 260 milhões, voltados ao desenvolvimento tecnológico e à certificação de seus eVTOLs.


Projeções mantidas e reconhecimento internacional

A Embraer manteve suas projeções para 2025:

  • Entregar 77 a 85 jatos comerciais e 145 a 155 executivos;

  • Receita anual entre US$ 7,0 e US$ 7,5 bilhões;

  • Margem EBIT ajustada entre 7,5% e 8,3%;

  • Fluxo de caixa livre acima de US$ 200 milhões.

O mercado reagiu positivamente à consistência das metas e à disciplina financeira da companhia. As agências de rating também reconheceram o avanço: a S&P Global Ratings elevou o rating da empresa para “BBB”, enquanto Fitch Ratings e Moody’s revisaram as perspectivas para positivas, destacando a solidez operacional e o perfil de endividamento mais saudável.


Inovação e sustentabilidade no centro da estratégia

Além dos resultados financeiros, a Embraer continua fortalecendo seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade. A empresa avança em projetos de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), eletrificação de aeronaves e mobilidade aérea urbana, posicionando-se como protagonista na transição ecológica do setor.

Essas iniciativas fazem parte da meta corporativa de neutralidade de carbono até 2040, alinhando a companhia às práticas globais de ESG (Environmental, Social and Governance). O futuro da aviação, segundo a Embraer, passa pela integração entre eficiência, tecnologia e responsabilidade ambiental.


Embraer entra em nova fase de expansão global

O terceiro trimestre de 2025 marca um divisor de águas para a Embraer, que combina solidez financeira, inovação tecnológica e liderança de mercado. Com receita recorde e backlog histórico de US$ 31,3 bilhões, a companhia mostra que está preparada para crescer de forma sustentável, ampliar exportações e reforçar sua presença global.

A empresa segue como uma das maiores exportadoras do Brasil, símbolo da capacidade nacional em engenharia e tecnologia de ponta. O desempenho confirma o protagonismo da Embraer não apenas como fabricante de aeronaves, mas como agente estratégico na construção do futuro da aviação mundial.

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