Caso Banco Master: Fabiano Zettel é Afastado da Igreja da Lagoinha em Meio a Escândalo Financeiro e Tentativa de Viagem Internacional
O cenário jurídico e corporativo brasileiro foi sacudido nesta semana por desdobramentos significativos da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. No epicentro desta tempestade institucional encontra-se o empresário e líder religioso Fabiano Zettel, cuja trajetória recente ilustra a complexa interseção entre negócios familiares, instituições religiosas e investigações de crimes de colarinho branco. A Igreja Batista da Lagoinha, instituição de renome nacional, oficializou o afastamento de Fabiano Zettel de suas funções ministeriais, em uma resposta direta à repercussão das investigações que miram fraudes em fundos de investimento.
A nota oficial divulgada pela instituição religiosa na última quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, marca um ponto de inflexão na gestão de crise da entidade. O documento esclarece que Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — figura central na estrutura do Banco Master —, foi desligado de qualquer atividade de natureza pastoral ou ministerial na unidade da Lagoinha Belvedere. A medida visa blindar a instituição das graves acusações que pesam sobre o empresário, alvo da segunda fase da operação deflagrada pela Polícia Federal.
A Tentativa de Saída do País e a Ação da Polícia Federal
A cronologia dos eventos que levaram ao afastamento definitivo de Fabiano Zettel é marcada por episódios de alta tensão. Na quarta-feira, 14 de janeiro, o empresário foi detido pelas autoridades federais em um momento crítico: ele se preparava para embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A tentativa de viagem, interpretada pelas autoridades como um potencial risco à instrução processual ou fuga, precipitou a ação da Polícia Federal.
Embora Fabiano Zettel tenha sido liberado horas após a detenção, o episódio gerou um desgaste de imagem irreparável e acelerou as medidas administrativas por parte da Igreja da Lagoinha. A operação Compliance Zero investiga um esquema complexo de fraudes financeiras realizadas através do Banco Master, utilizando fundos de investimento para mascarar irregularidades. A posição de Fabiano Zettel como familiar próximo de Daniel Vorcaro coloca-o sob o escrutínio das autoridades que buscam desvendar a teia de influência e movimentação de capitais dentro da instituição financeira.
A viagem para Dubai, um destino frequentemente associado ao luxo e, em alguns contextos, à dificuldade de extradição, levantou alertas vermelhos nos órgãos de controle. A defesa de Fabiano Zettel terá agora o desafio de justificar a natureza da viagem e dissociar a imagem do empresário das práticas ilícitas investigadas na gestão do Banco Master.
A Resposta Institucional da Igreja Batista da Lagoinha
A gestão de crise implementada pela Igreja Batista da Lagoinha diante do caso Fabiano Zettel revela uma preocupação aguda com o risco reputacional. Em seu comunicado, a igreja enfatizou que o afastamento não é uma medida recente, mas sim uma formalização de uma situação que, segundo a nota, já ocorria desde novembro de 2025. A instituição afirma que, tão logo surgiram as primeiras informações relacionadas à operação e com o objetivo de permitir a devida apuração dos fatos, Fabiano Zettel foi afastado de suas funções.
A nota oficial é enfática ao estabelecer uma linha divisória entre a instituição e as condutas individuais de seus membros ou líderes voluntários. A Lagoinha não possui controle sobre a vida pessoal, profissional ou sobre atos individuais de pessoas que, eventualmente, frequentem seus cultos ou atividades”, diz o texto. Esta declaração busca isentar a igreja de qualquer responsabilidade solidária ou moral sobre as ações empresariais de Fabiano Zettel no âmbito do mercado financeiro.
Além disso, a igreja adotou uma postura combativa contra o que classifica como “disseminação de informações inverídicas. A instituição religiosa ameaça adotar medidas jurídicas, incluindo ações por denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime, para proteger sua “honra, história e missão. Este posicionamento defensivo surge em um momento onde a associação entre lideranças religiosas e escândalos políticos ou financeiros tem sido explorada midiaticamente.
Conexões Políticas e a CPMI do INSS
O caso de Fabiano Zettel não se restringe apenas às páginas de economia e polícia; ele transborda para o cenário político de Brasília. A nota da Lagoinha também serviu para rebater associações feitas entre a instituição, a Operação Compliance Zero e a CPMI do INSS. Recentemente, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) implicou o pastor André Valadão, uma das principais lideranças da Lagoinha, nas investigações da comissão parlamentar.
Embora o comunicado da igreja não cite nominalmente André Valadão, a defesa veemente da instituição contra associações indevidas é uma resposta clara às tensões políticas em curso. A figura de Fabiano Zettel acaba servindo como um catalisador para um escrutínio mais amplo sobre as conexões da igreja com o poder econômico e político. A tentativa de vincular as fraudes no Banco Master e no INSS à estrutura da igreja é veementemente rechaçada pela liderança eclesiástica, que vê nisso uma tentativa de desestabilização institucional.
A complexidade do caso aumenta quando se observa a teia de relacionamentos. O fato de Fabiano Zettel ser cunhado de Daniel Vorcaro traz para o centro do debate a questão da governança corporativa em empresas familiares e como esses laços podem, ou não, influenciar condutas investigadas por órgãos federais. A igreja, ao afastar Fabiano Zettel, tenta cortar esse laço simbólico para preservar sua integridade perante os fiéis e a sociedade.
Disputa Jurídica sobre Provas e Competência Pericial
Paralelamente ao drama pessoal e corporativo de Fabiano Zettel, desenrola-se uma batalha jurídica de alto nível sobre a custódia e análise das provas apreendidas na Operação Compliance Zero. Um ministro determinou que todo o material apreendido na operação fosse lacrado e guardado na Procuradoria-Geral da República (PGR), retirando, ao menos momentaneamente, a análise direta da Polícia Federal.
Esta decisão gerou reações imediatas de associações de classe, que defendem a competência legal, os atributos técnicos e a estrutura da perícia federal para analisar as evidências. O material apreendido, que pode conter informações cruciais sobre a participação de Fabiano Zettel e outros investigados no suposto esquema do Banco Master, torna-se agora objeto de uma disputa de competência que pode atrasar o andamento das investigações.
Para a defesa de Fabiano Zettel, qualquer vício processual ou disputa sobre a cadeia de custódia das provas pode representar uma oportunidade de anulação de evidências ou trancamento de inquéritos. Já para a sociedade e para os investidores lesados pelas supostas fraudes nos fundos de investimento, a celeridade e a transparência na análise desses dados são fundamentais para a elucidação dos crimes.
O Impacto no Banco Master e no Mercado Financeiro
A figura de Fabiano Zettel é apenas uma peça em um quebra-cabeça muito maior que envolve o Banco Master. As investigações sobre fraudes em fundos de investimento colocam em xeque a credibilidade de instituições financeiras e a eficácia dos mecanismos de compliance e governança. A Operação Compliance Zero, como o próprio nome sugere, visa identificar falhas intencionais ou sistêmicas nos controles internos que permitiram a perpetração de irregularidades.
O envolvimento de familiares de banqueiros, como é o caso de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro), levanta questões sobre conflitos de interesse e transações entre partes relacionadas (related party transactions). O mercado financeiro reage com cautela a esses eventos, uma vez que a confiança é a moeda mais valiosa no setor bancário. A prisão, ainda que temporária, de um empresário ligado ao grupo controlador, prestes a embarcar em um jato privado, envia sinais de instabilidade que podem afetar a percepção de risco da instituição.
A reestruturação de imagem do Banco Master dependerá não apenas do desfecho jurídico das acusações contra Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, mas também da capacidade da instituição de demonstrar que possui controles robustos e que está colaborando irrestritamente com as autoridades.
A Trajetória de Fabiano Zettel e o Futuro da Investigação
Até novembro de 2025, Fabiano Zettel mantinha uma posição de respeito e liderança dentro da comunidade da Lagoinha Belvedere. Seu afastamento abrupto e a subsequente operação policial desconstruíram essa imagem pública, substituindo-a pela figura de um investigado em crimes financeiros. A dualidade entre o líder religioso e o empresário sob suspeita é um tema recorrente em grandes escândalos nacionais, e o caso de Fabiano Zettel não foge à regra.
A defesa do empresário deverá focar na legalidade de seus atos e na dissociação de suas atividades empresariais das supostas fraudes atribuídas à gestão do Banco Master. A tentativa de viagem a Dubai será, sem dúvida, um ponto central nas audiências de custódia e nos pedidos de habeas corpus futuros, sendo utilizada pelo Ministério Público como argumento para a manutenção de medidas cautelares restritivas.
Enquanto isso, a Igreja Batista da Lagoinha segue seu curso, reafirmando seus “princípios éticos e cristãos” e buscando virar a página deste capítulo turbulento. A nota oficial, ao evocar o compromisso com a verdade e a legalidade, tenta colocar um ponto final na relação institucional com Fabiano Zettel, deixando claro que, para a igreja, a responsabilidade penal é individual e intransferível.
Conclusão: Um Caso Emblemático de Compliance e Reputação
O caso envolvendo Fabiano Zettel, o Banco Master e a Igreja da Lagoinha é emblemático para o Brasil de 2026. Ele reúne elementos de governança corporativa, direito penal econômico, gestão de crise institucional e política. A operação da Polícia Federal, ao mirar os fundos de investimento e as pessoas físicas por trás das operações, envia um recado claro ao mercado: não há blindagem absoluta, seja ela financeira ou religiosa.
Para Fabiano Zettel, o futuro próximo reserva uma longa batalha jurídica para provar sua inocência e recuperar sua reputação. Para a Igreja da Lagoinha, o desafio é manter sua integridade e missão pastoral dissociadas dos escândalos mundanos de seus frequentadores, ainda que estes ocupem posições de destaque. E para o mercado financeiro, fica o alerta constante sobre a necessidade de transparência e compliance rigoroso, onde o “zero” no nome da operação policial deve ser a meta de tolerância para irregularidades.
A sociedade aguarda agora os próximos passos da PGR e da Polícia Federal na análise do material apreendido, que poderá confirmar ou refutar as graves acusações que pesam sobre o grupo e sobre Fabiano Zettel. O desenrolar desta trama continuará a ocupar as manchetes e a atenção dos investidores e fiéis nos próximos meses.






