Os FIIs e os fundos de investimento ampliaram de forma expressiva sua presença nas redes sociais nos últimos cinco anos, segundo a 10ª edição do FInfluence, estudo da Anbima em parceria com o Ibpad. As menções a esses produtos passaram de cerca de 28 mil em 2020 para 76,5 mil no fim de 2025, crescimento de 170%, em um movimento que reforça a busca dos investidores por conteúdo sobre carteira, cenário econômico, renda passiva, diversificação e estratégias de alocação. O levantamento monitora influenciadores de finanças no Brasil e identificou 904 criadores ativos no segundo semestre de 2025.
O avanço das menções a fundos e FIIs ocorre em um ambiente de maior digitalização da educação financeira e de expansão do debate sobre investimentos nas redes. A pesquisa mostra que o público não busca apenas indicações isoladas de produtos, mas explicações sobre como esses ativos se encaixam em uma carteira, como reagem ao ciclo econômico e quais riscos devem ser considerados antes da decisão de investimento.
A Anbima afirma que o ecossistema de influenciadores financeiros passou de 266 perfis e 74 milhões de seguidores em 2020 para 904 influenciadores e 310,7 milhões de seguidores em 2025. No segundo semestre de 2025, os criadores monitorados foram responsáveis por 468,4 mil publicações, dado que mostra a consolidação das redes sociais como ambiente relevante para a formação de opinião no mercado financeiro.
O estudo considera fundos de ações, multimercados, renda fixa e fundos imobiliários. A presença dos FIIs nesse universo é relevante porque o produto se tornou um dos principais temas entre investidores pessoa física que buscam renda recorrente, exposição ao mercado imobiliário e diversificação fora da poupança e dos produtos tradicionais de renda fixa.
Conteúdo didático sobre FIIs lidera engajamento
O FInfluence mostra que os conteúdos informativos representam 21,8% das publicações sobre fundos e FIIs. Em seguida aparecem os conteúdos estratégicos, voltados à tomada de decisão de investimento, com 20,8%, e os didáticos, que explicam conceitos, riscos e funcionamento dos produtos, com 19,4%.
Embora os conteúdos didáticos não sejam os mais numerosos, eles apresentam a maior média de interação. Segundo o levantamento, esse tipo de publicação registra 9.306 engajamentos por post. As menções acessórias, quando fundos e FIIs aparecem dentro de discussões mais amplas sobre economia, alcançam média de 8.230 interações.
O resultado indica que o investidor tende a reagir melhor a conteúdos que explicam contexto, funcionamento e aplicação prática dos produtos. No caso dos FIIs, isso inclui temas como dividendos, vacância, tipos de fundos, fundos de papel, fundos de tijolo, indexadores, gestão, risco de crédito, distribuição de rendimentos e impacto da taxa de juros sobre as cotas.
A leitura é relevante para gestoras, analistas, casas de pesquisa e plataformas de investimento. Em vez de apenas divulgar carteiras recomendadas ou destacar rentabilidades passadas, os dados sugerem que a audiência valoriza explicações mais completas sobre a função dos FIIs dentro de uma estratégia de longo prazo.
Público busca carteira, cenário econômico e estratégia
Segundo Amanda Brum, diretora de marketing da Anbima, os fundos aparecem nas redes sociais principalmente associados a temas como cenário econômico, construção de carteira e estratégias de investimento. A executiva afirmou que o público não está interessado apenas no ativo, mas em entender de forma didática como ele se encaixa na carteira e no momento de mercado.
Essa mudança ajuda a explicar o crescimento das menções. Os FIIs deixaram de ser tratados apenas como uma alternativa de renda mensal e passaram a ser analisados dentro de um debate mais amplo sobre juros, inflação, crédito, imóveis, consumo, logística, shopping centers e lajes corporativas.
A dinâmica dos fundos imobiliários também favorece a produção de conteúdo recorrente. Relatórios gerenciais, dividendos mensais, fatos relevantes, emissões de cotas, revisões de portfólio, vacância e movimentações no IFIX geram temas frequentes para influenciadores e analistas.
No caso dos fundos de investimento tradicionais, o debate se concentra em alocação, risco, liquidez, desempenho em diferentes ciclos e comparação com outros produtos financeiros. O levantamento mostra que a audiência tende a interagir mais quando o conteúdo conecta o produto a uma decisão prática de planejamento financeiro.
A análise de comentários em 108 publicações de destaque reforça essa percepção. Segundo o estudo, 42,1% das interações estavam ligadas a discussões políticas ou comentários irônicos sobre economia. Outros 37,4% eram direcionados ao próprio influenciador ou à qualidade do conteúdo produzido. As dúvidas práticas dos investidores representaram 8% dos comentários, incluindo questões sobre risco, tributação, momento de entrada ou saída e escolha de produtos.
Criadores independentes concentram audiência
Os influenciadores pessoa física foram responsáveis por 61% das menções sobre fundos e FIIs e concentraram 81,5% do engajamento total registrado pelo estudo. O dado mostra que criadores independentes seguem com forte capacidade de mobilizar audiência no debate sobre investimentos.
Entre os perfis com maior volume de menções a fundos aparecem Economista Sincero, Professor Baroni e Tio Fiis. No segmento corporativo, os maiores volumes de citações vieram de Suno Research, E-Investidor e FIIs BR.
A força dos criadores independentes está ligada à linguagem mais direta e à relação de confiança construída com a audiência. Em muitos casos, o investidor pessoa física busca nesses perfis explicações mais acessíveis sobre temas que, no ambiente institucional, costumam aparecer com linguagem técnica.
Para o mercado, esse comportamento reforça a importância da comunicação financeira. Produtos como FIIs e fundos de investimento exigem explicação sobre riscos, taxas, gestão, tributação, liquidez e horizonte de aplicação. Quando esses pontos são apresentados de forma didática, a interação tende a aumentar.
O crescimento dos influenciadores também impõe desafios regulatórios e reputacionais. Informações imprecisas, promessas de retorno e conteúdos com tom excessivamente apelativo podem induzir investidores a decisões inadequadas. Por isso, a expansão do ecossistema aumenta a relevância de educação financeira, transparência e responsabilidade na comunicação sobre investimentos.
YouTube lidera publicações sobre fundos e FIIs
O YouTube concentrou 53,5% das publicações relacionadas a fundos e FIIs no segundo semestre de 2025. Desde 2020, o volume de conteúdos sobre o tema na plataforma cresceu 346%, segundo o levantamento.
A liderança do YouTube reflete a natureza do produto. Fundos e FIIs exigem explicações mais longas, comparações entre cenários, leitura de relatórios e contextualização de indicadores. Formatos em vídeo permitem desenvolver análises com mais profundidade do que publicações curtas em redes de atualização rápida.
O Instagram aparece em segundo lugar, com 30% das menções monitoradas. A plataforma tende a favorecer conteúdos mais visuais, como cortes de vídeos, carrosséis explicativos, gráficos, resumos de dividendos e comentários sobre notícias do mercado.
A predominância de YouTube e Instagram mostra que a audiência busca formatos que combinem didatismo e recorrência. Para os FIIs, esse padrão é especialmente importante porque muitos investidores acompanham mensalmente rendimentos, calendário de pagamentos e desempenho das cotas.
A especialização das plataformas também aparece em outros dados da Anbima. A entidade já havia apontado que produtos como fundos, ouro e FIIs apresentam engajamento médio elevado, mesmo quando são menos frequentes nas publicações do que ações ou criptomoedas.
Ações lideram menções, mas FIIs mantêm engajamento relevante
Embora a matéria tenha foco em fundos e FIIs, o estudo mais amplo do FInfluence mostra que ações voltaram a liderar as menções a produtos financeiros nas redes sociais no segundo semestre de 2025. Segundo dados preliminares divulgados pela Anbima, as ações somaram cerca de 130 mil menções, alta superior a 400% em relação ao período anterior.
Esse avanço acompanhou a melhora do desempenho da Bolsa brasileira, que reativou debates sobre oportunidades de valorização. No mesmo período, as conversas sobre produtos de investimento nas redes cresceram 44,9%.
Ainda assim, a Anbima destacou que fundos, ouro e FIIs mantêm engajamento relevante. Esses produtos, embora menos frequentes nas publicações, registram cerca de 5 mil interações por post, em média. O dado sugere que temas associados a planejamento, diversificação e renda tendem a gerar discussões mais profundas.
No caso dos FIIs, a audiência costuma se concentrar em pontos objetivos, como dividendos, qualidade dos imóveis, perfil dos inquilinos, vacância, indexadores e relação entre preço da cota e valor patrimonial. Esses elementos tornam o produto adequado a conteúdos comparativos e educativos.
Para investidores, o crescimento da presença dos FIIs nas redes pode ampliar acesso à informação, mas também exige cautela. O volume de conteúdo não substitui análise de risco, leitura de documentos oficiais e avaliação do perfil individual de investimento.
Avanço das menções reforça papel das redes na educação financeira
O crescimento de 170% nas menções a fundos e FIIs em cinco anos mostra que as redes sociais se tornaram parte relevante da jornada do investidor brasileiro. O ambiente digital passou a influenciar desde a descoberta de produtos até a formação de opinião sobre riscos, oportunidades e estratégias de carteira.
Para o mercado de capitais, esse movimento tem duas implicações. A primeira é positiva: mais investidores têm acesso a explicações sobre produtos que antes ficavam restritos a relatórios técnicos, assessores ou materiais institucionais. A segunda exige atenção: a qualidade da informação passa a ser determinante para evitar decisões tomadas com base em conteúdos incompletos ou excessivamente simplificados.
A consolidação dos FIIs nas redes sociais também reflete o amadurecimento do investidor pessoa física. O interesse por renda recorrente, diversificação e exposição ao mercado imobiliário tornou o produto presença constante em vídeos, análises, comentários e discussões de carteira.
O desafio para gestoras, influenciadores e plataformas será transformar audiência em educação financeira de qualidade. Com mais criadores, mais publicações e mais investidores acompanhando fundos e FIIs, a disputa por atenção deve continuar intensa, mas o engajamento tende a permanecer maior nos conteúdos que entregam contexto, clareza e utilidade prática.









