terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

Glauber Braga é retirado à força e caso expõe dois pesos no Congresso

por Carlos Menezes
09/12/2025 às 20h05
em Política
Glauber Braga É Retirado À Força Após Ocupar Presidência Da Câmara - Gazeta Mercantil

Glauber Braga é retirado à força da Presidência da Câmara e episódio reacende debate sobre dois pesos e duas medidas no Congresso

O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) protagonizou, nesta terça-feira (9/12), um dos momentos mais simbólicos e tensos do atual ciclo político ao ocupar a cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados em ato de protesto. A intervenção foi rapidamente interrompida pela Polícia Legislativa, que retirou o parlamentar à força, numa cena que expôs de forma contundente as contradições, disputas internas e assimetrias de tratamento dentro do Parlamento.

O episódio aconteceu em meio à pauta que previa a votação do Projeto de Lei 2162/2023, conhecido como PL da Anistia, e horas após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que incluiria o processo de cassação do mandato de Glauber Braga na ordem do dia. Poucos instantes depois de se sentar na cadeira principal da Mesa Diretora, o deputado foi cercado por agentes legislativos, culminando numa ação brusca que suspendeu a sessão e interrompeu a transmissão oficial da TV Câmara.

Leia também: OEA se reúne para discutir Venezuela e expõe divisão diplomática nas Américas.

A imagem do parlamentar sendo contido por um policial, num movimento que lembrava um mata-leão, rapidamente se espalhou pelos corredores e acentuou o debate sobre a falta de isonomia na condução dos conflitos internos. A contundência da intervenção contrastou com episódios recentes protagonizados por parlamentares bolsonaristas, que, em agosto, bloquearam o funcionamento do plenário por mais de 30 horas sem qualquer medida coercitiva da mesma gravidade.

A situação reacendeu críticas sobre “dois pesos e duas medidas” adotados pela Casa, alimentando questionamentos sobre seletividade política, falta de critérios uniformes e fragilização das garantias parlamentares.

Leia também: Lula Defende Regulação Urgente das Big Techs e Anuncia Discussão com Congresso.

Protesto de Glauber Braga aumenta clima de tensão em votação decisiva

O ato de Glauber Braga, que subiu à Mesa Diretora enquanto a sessão era conduzida pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), ocorreu momentos antes da votação da proposta que busca revisar penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro. O protesto tensionou um ambiente já inflamado e escancarou divergências entre os grupos partidários.

A ocupação da cadeira da Presidência, símbolo máximo da autoridade interna da Câmara, foi interpretada como um gesto político calculado para denunciar o que o deputado considera perseguição institucional. Desde cedo, Glauber já indicava que reagiria contra a inclusão de seu processo de cassação na pauta, mas poucos imaginavam que ele avançaria até o assento presidencial, gesto raríssimo na história legislativa recente.

Leia também: Quem é Carlos Sicupira, bilionário citado como alvo da PF no caso Americanas.

A Polícia Legislativa rapidamente cercou o parlamentar. Em uma operação considerada dura por diversos congressistas, agentes o retiraram fisicamente do local enquanto a transmissão oficial era cortada, impossibilitando que o público acompanhasse integralmente os acontecimentos.

O corte no sinal, embora previsto nos protocolos internos para situações de risco, foi imediatamente criticado por parlamentares que classificaram a ação como excessiva e desproporcional. Para analistas políticos, a suspensão da transmissão e o impedimento de jornalistas de acompanhar o desfecho ampliaram a percepção de opacidade institucional.

Dois pesos e duas medidas: contraste com episódios bolsonaristas acirra debate

O episódio envolvendo Glauber Braga reacendeu discussões sobre critérios de atuação da Mesa Diretora. Para muitos parlamentares, a ação contra o deputado do Psol contrasta de forma evidente com a postura adotada diante de episódios recentes envolvendo a bancada bolsonarista.

No início de agosto, deputados de direita bloquearam o plenário por mais de 30 horas, impedindo votações, interrompendo negociações e gerando instabilidade institucional. Em vez de medidas coercitivas, a Presidência optou por negociações prolongadas, sem uso da força e sem interrupção do sinal institucional.

Para críticos do episódio atual, a diferença de tratamento evidencia seletividade motivada por conjunturas políticas. A avaliação divulgada nos bastidores é que Glauber Braga, atuando sozinho, teria recebido resposta mais dura do que aquela aplicada a um grupo organizado com capacidade real de paralisar a Casa.

essa assimetria fere, segundo parlamentares e especialistas, o princípio da igualdade entre representantes eleitos e transmite a mensagem de que decisões disciplinares podem variar conforme conveniências momentâneas. A crítica central é que a atuação do Parlamento deveria seguir regras rígidas e uniformes, independentemente de ideologia, volume político ou pressão social.

Sessão suspensa e clima institucional de instabilidade

A sessão foi oficialmente suspensa logo após o início da operação policial. O encerramento abrupto, somado à retirada de Glauber Braga, reforçou a imagem de um Parlamento sob tensão. O corte no sinal da TV Câmara, circunstância incomum em situações de protesto parlamentar, gerou desconfiança entre jornalistas, servidores e parlamentares presentes.

A falta de transparência, segundo críticos, coloca em risco valores fundamentais do sistema democrático. Para analistas, o Parlamento deve ser palco de debates públicos e visíveis, e não ambiente onde divergências se transformam em conflitos físicos ou episódios censurados ao público.

Cassação de Glauber Braga entra no centro do debate

A movimentação do parlamentar deve agora influenciar diretamente o processo que pode levar à cassação de seu mandato. Glauber argumenta que seu gesto simboliza resistência a uma perseguição política e a uma tentativa de puni-lo por suas posições contrárias às lideranças da Casa.

Para setores da oposição, sua postura é retrato de coerência ideológica e enfrentamento legítimo. Já adversários veem o ato como violação grave das regras e argumento adicional para sustentar a necessidade de cassação.

O processo deve avançar rapidamente na Mesa Diretora. Após apresentação de defesa, a análise seguirá para deliberação política. A votação promete acirrar ainda mais a polarização e aprofundar fissuras internas no Parlamento.

O papel de Hugo Motta e a resposta institucional

Hugo Motta, presidente da Câmara, se torna figura central na condução da crise. O episódio impôs à sua gestão um teste de autoridade, isenção e capacidade de articulação.

Aliados argumentam que o uso da força foi necessário para restabelecer a normalidade e impedir que a sessão fosse tomada pelo tumulto. O grupo afirma que a presença física do deputado na cadeira da Presidência colocou em risco o funcionamento da Casa.

Já críticos apontam que Motta deveria ter adotado postura mais equilibrada, preservando a ordem sem recorrer imediatamente à força e garantindo a publicidade dos atos. A acusação principal é que faltou proporcionalidade.

A Câmara e o desafio da isonomia em tempos polarizados

O episódio que envolveu Glauber Braga expõe um problema recorrente na política: decisões institucionais que variam conforme o protagonista. O contraste entre a ação vigorosa contra o deputado do Psol e a tolerância histórica a atos de parlamentares bolsonaristas evidencia, segundo analistas, fragilidade na aplicação uniforme das regras.

essa percepção de dois pesos e duas medidas aprofunda a desconfiança no Parlamento e amplia tensões num momento em que o país vive disputas intensas sobre democracia, participação política e liberdade de expressão dentro da Casa.

A violência vista no plenário, aliada ao corte da transmissão e à ausência de imprensa no momento mais crítico, acende nova preocupação sobre transparência e legitimidade. Para estudiosos da área política, transformar divergências em confrontos físicos é retrocesso e pode alimentar comportamentos extremistas.

Próximos passos e impacto político

O futuro do mandato de Glauber Braga será definido nos próximos dias, mas o impacto simbólico do episódio já se consolidou. O protesto e a reação policial ocupam o centro do debate nacional e tendem a influenciar não apenas a decisão da Câmara, mas a percepção pública sobre a condução interna da Casa.

Independentemente do desfecho, o episódio ficará marcado como um dos eventos mais controversos da atual legislatura e sinaliza um Parlamento que precisa urgentemente equilibrar autoridade, transparência e pluralidade.

LEIA MAIS

Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Presidente afirmou que manifestações nas ruas pressionaram o partido; nesta terça, Flávio Bolsonaro declarou voto favorável à PEC após ter criticado a proposta. * * Lula afirmou nesta...

Leia MaisDetails
Tse: Corregedor Derruba Decisão De Kassio Nunes Marques E Libera Canal Pró-Lula - Gazeta Mercantil - Destaque
Política

TSE: corregedor derruba decisão de Kassio Nunes Marques e libera canal pró-Lula

Decisão do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva contraria determinação anterior do ministro Kassio Nunes Marques e determinou que canal voltasse ao ar

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:55:37
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP