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Horário eleitoral 2026: Lula e Flávio Bolsonaro estreiam no segundo turno

Com cinco minutos para cada candidato por bloco, propaganda volta ao rádio e à televisão nesta sexta-feira (9); campanhas apresentam propostas e buscam novos eleitores até a votação de 25 de outubro.

por Carlos Menezes
09/10/2026 às 14h53
em Política
Cnn Quer Destacar Dados E Cobertura Plural Com Campanha Para Eleições (Crédito: Marciobnws-Shutterstock)

O horário eleitoral gratuito do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 voltou ao rádio e à televisão nesta sexta-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passando a dividir igualmente o tempo destinado à propaganda. A nova etapa da campanha começou com abordagens distintas: Flávio apresentou a mudança de governo como principal mensagem e destacou o apoio de antigos adversários, enquanto Lula procurou mobilizar o eleitorado em torno da continuidade de políticas sociais e da possibilidade de reverter o resultado da primeira votação.

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A retomada da propaganda ocorre cinco dias depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, e Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos, correspondente a 1,87 ponto percentual. Como nenhum deles alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a eleição será decidida em 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.

A mudança mais significativa nas regras de exposição é a divisão igualitária do tempo. Ao contrário da primeira etapa da eleição, quando a distribuição considerava a representação dos partidos na Câmara dos Deputados, agora cada candidatura dispõe de cinco minutos em cada um dos dois blocos diários transmitidos em rede, além de 12 minutos e 30 segundos em inserções distribuídas ao longo da programação. O novo formato foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 6 de outubro, em resolução relatada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.

A propaganda será exibida até 23 de outubro, dois dias antes da votação. Durante esse período, as campanhas terão a oportunidade de apresentar propostas, responder às críticas dos adversários e buscar votos entre eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram às urnas.

Flávio Bolsonaro apresenta apoios e promete mudanças na economia e na segurança

A estreia da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno colocou a ideia de mudança no centro da comunicação eleitoral. O candidato do PL afirmou que o resultado de 4 de outubro demonstrou o desejo de parte do eleitorado por uma alteração na condução do país e procurou associar sua candidatura a uma reorganização das prioridades do governo federal. Em cinco minutos de propaganda no rádio, as palavras relacionadas à mudança foram utilizadas 22 vezes, conforme levantamento sobre o conteúdo apresentado nesta sexta-feira.

O programa também destacou o apoio de lideranças políticas que disputaram a eleição presidencial ou participaram de outras campanhas estaduais. Entre os nomes apresentados estavam Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A participação desses aliados integra a tentativa de ampliar a base política do senador e reunir diferentes segmentos da direita e de partidos que não estiveram integralmente associados à sua candidatura na primeira votação.

Na apresentação de suas propostas, Flávio abordou temas relacionados ao custo de vida, ao endividamento das famílias e à segurança pública. O candidato reiterou compromissos com a redução de impostos, o enfrentamento de organizações criminosas e a construção de cinco novos presídios federais. Também voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição presidencial, proposta que dependeria de alteração constitucional e aprovação pelo Congresso Nacional.

Outra mensagem utilizada pela campanha foi a promessa de manutenção de programas sociais existentes, entre eles Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. A posição busca responder às críticas apresentadas por adversários sobre eventuais consequências de um ajuste fiscal nas despesas do governo. O compromisso anunciado, entretanto, não elimina a necessidade de detalhamento sobre a compatibilidade entre os benefícios prometidos, a redução de tributos e as medidas de controle dos gastos públicos previstas pelo candidato.

A presença de Caiado, Zema e Tarcísio na propaganda também demonstra a importância atribuída às alianças regionais. O primeiro turno mostrou diferenças expressivas no desempenho dos candidatos entre os estados, e os apoios de governadores, parlamentares e lideranças locais podem contribuir para ampliar a presença das campanhas em municípios e segmentos eleitorais nos quais não obtiveram a maioria dos votos.

Lula destaca trajetória política e alerta para riscos de retrocesso social

O primeiro programa de Lula apresentou o segundo turno como uma nova etapa da disputa, na qual o eleitorado terá de escolher entre a continuidade de seu governo e a proposta de mudança representada por Flávio Bolsonaro. O presidente afirmou que considera a segunda votação uma eleição diferente da primeira e pediu que os brasileiros avaliem as consequências de sua escolha. A campanha utilizou referências à trajetória política de Lula, às realizações de seus governos e às políticas públicas que pretende preservar.

A comunicação petista também procurou contestar a associação entre a candidatura adversária e a ideia de renovação política. O programa relacionou Flávio ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e apresentou críticas a medidas adotadas durante aquela administração, particularmente nas áreas de educação, saúde e proteção social. As comparações integram a estratégia eleitoral da candidatura, mas as consequências atribuídas a um eventual governo de Flávio representam argumentos de campanha, e não resultados que possam ser considerados previamente demonstrados.

Entre os compromissos defendidos por Lula apareceram a preservação dos programas de transferência de renda, a valorização real do salário mínimo e a ampliação de investimentos em educação. A propaganda destacou iniciativas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família e reiterou o apoio do presidente à redução da jornada de trabalho, incluindo o debate sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

A proposta de mudança na jornada depende de tramitação legislativa e de definição de seus efeitos sobre trabalhadores, empresas e setores econômicos. Da mesma forma, a expansão de políticas sociais e educacionais está condicionada à disponibilidade orçamentária e às regras fiscais. Essas questões integram o conjunto de compromissos que deverão ser detalhados pelas campanhas ao longo das próximas duas semanas.

A retomada da propaganda ocorre depois de Lula promover alterações na organização de sua campanha. Entre as mudanças estão novas atribuições para integrantes de sua equipe política e maior participação de aliados nas articulações eleitorais. A reorganização veio após o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, resultado que levou o PT a revisar iniciativas de mobilização, comunicação e presença regional.

Divisão igualitária altera tempo disponível para os dois candidatos

A diferença entre as regras do primeiro e do segundo turno pode ser observada diretamente nos planos de mídia aprovados pelo TSE. Na etapa inicial da eleição presidencial, a coligação de Lula tinha direito a cinco minutos e 31 segundos em cada bloco de propaganda, enquanto o PL, partido de Flávio Bolsonaro, dispunha de quatro minutos e 20 segundos. A distribuição também incluía o PSD, com dois minutos e dois segundos, e o Avante, com 35 segundos, além de ajustes decorrentes das frações de tempo previstas na regulamentação.

Com a redução da disputa a dois candidatos, ambos passaram a receber exatamente cinco minutos por bloco. Em comparação com a primeira etapa, Flávio ganhou 40 segundos em cada apresentação, enquanto Lula perdeu 31 segundos. Considerando os dois programas transmitidos diariamente, isso representa um acréscimo de um minuto e 20 segundos para o candidato do PL e uma redução de um minuto e dois segundos para o presidente.

A igualdade de tempo também se aplica às inserções publicitárias. Cada candidatura terá direito a 25 peças de 30 segundos por dia, totalizando 12 minutos e 30 segundos. A propaganda em rede será exibida de segunda-feira a sábado, enquanto as inserções poderão ser transmitidas também aos domingos. Com isso, cada candidato dispõe de dez minutos diários nos dois programas em bloco, além das inserções distribuídas pelos intervalos comerciais.

O calendário estabelece 15 dias de propaganda entre 9 e 23 de outubro, incluindo dois domingos. Considerando os 13 dias com programas em rede e as inserções previstas para todo o período, cada candidato poderá acumular cinco horas, 17 minutos e 30 segundos de exposição em cada meio de comunicação, somando os espaços regulamentares. Desse total, duas horas e dez minutos correspondem aos programas em rede, enquanto três horas, sete minutos e 30 segundos decorrem das inserções.

A diferença entre os formatos também influencia a apresentação das mensagens eleitorais. Nos blocos de cinco minutos, as campanhas conseguem desenvolver argumentos mais extensos, apresentar depoimentos e relacionar propostas a antecedentes políticos. Nas inserções de 30 segundos, o espaço permite mensagens mais curtas e repetidas, geralmente concentradas em um tema ou compromisso específico. O TSE estabelece a distribuição e a ordem de veiculação, mas o conteúdo político das peças é definido pelas candidaturas, dentro dos limites legais.

A ordem de apresentação também segue uma regra específica. Como Flávio Bolsonaro obteve a maior votação no primeiro turno, sua candidatura iniciou a sequência de propaganda. A posição dos candidatos será alternada nas exibições seguintes, conforme o plano aprovado pela Justiça Eleitoral, impedindo que um concorrente ocupe permanentemente a primeira posição.

Diferença de 2,2 milhões de votos marca início da nova etapa

Os resultados oficiais do primeiro turno mostram a dimensão da disputa pela Presidência. Flávio Bolsonaro terminou a votação com aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula recebeu cerca de 53,9 milhões. Os dois candidatos concentraram juntos quase 110 milhões de votos, correspondentes a aproximadamente 92,2% dos votos válidos apurados na eleição presidencial.

A concentração indica que uma parcela relativamente pequena dos votos válidos foi destinada aos demais concorrentes. Ainda assim, os eleitores que escolheram candidaturas eliminadas, além daqueles que votaram em branco, anularam ou deixaram de comparecer, representam um contingente relevante para o segundo turno. A distribuição desses votos não pode ser determinada automaticamente a partir dos resultados anteriores, pois depende da participação e das escolhas individuais na nova votação.

Dados divulgados pelo TSE após o primeiro turno registraram 2.300.781 votos brancos e 3.674.149 votos nulos na disputa presidencial. Somados, representam aproximadamente seis milhões de votos que não foram atribuídos a nenhum candidato. Esse conjunto não constitui um grupo politicamente homogêneo, mas ajuda a dimensionar a parcela do eleitorado que não participou da distribuição dos votos válidos no primeiro turno.

A abstenção também se tornou um tema importante para a mobilização eleitoral. A Justiça Eleitoral esclarece que a ausência na primeira votação não impede o comparecimento à segunda, pois os turnos são considerados etapas independentes. O eleitor que não votou em 4 de outubro poderá participar normalmente da votação de 25 de outubro, desde que esteja em situação que permita o exercício do voto.

Leia também: Ministério da Justiça pede à PF investigação de ameaças contra Ana Elisa após disputa com Nikolas

Para as campanhas, isso significa que a busca por eleitores não se limita à transferência de apoios políticos entre partidos e candidatos. Também envolve a mobilização de pessoas que não participaram da primeira etapa, a comunicação de propostas para segmentos ainda não identificados com nenhuma candidatura e o incentivo ao comparecimento às urnas.

Propaganda para governadores ocorre em seis estados e no Distrito Federal

Além da eleição presidencial, a propaganda gratuita do segundo turno contempla disputas para governador em seis estados e no Distrito Federal. Segundo o TSE, haverá nova votação para os governos do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal. Nessas localidades, os programas dos candidatos aos governos estaduais serão apresentados depois da propaganda presidencial, conforme os horários estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

No rádio, os blocos presidenciais são transmitidos às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são 13h e 20h30, de segunda-feira a sábado. Em cada apresentação, os dois candidatos à Presidência dividem dez minutos de programação, com cinco minutos para cada um. As inserções de 30 segundos são distribuídas pelos intervalos comerciais das emissoras, respeitando a programação definida no plano de mídia.

A transmissão é obrigatória para as emissoras abrangidas pela legislação eleitoral, incluindo rádios comunitárias e canais de televisão de caráter legislativo previstos nas regras. O Tribunal Superior Eleitoral mantém uma estrutura responsável pelo recebimento e distribuição dos programas presidenciais, enquanto as campanhas devem encaminhar os materiais conforme os prazos técnicos estabelecidos.

A propaganda gratuita terminará em 23 de outubro. O segundo turno será realizado no domingo seguinte, dia 25, quando mais de 158,7 milhões de eleitores aptos poderão votar para presidente da República. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro terão a mesma quantidade de tempo no rádio e na televisão para apresentar propostas e responder às críticas, em uma disputa que começou com diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos.

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