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Ibovespa, 21 de julho: Bolsa fecha em leve queda com Vale (VALE3) no radar

Índice encerrou aos 173.325,65 pontos, com baixa de 0,03%, após oscilar entre 172.218,88 e 173.719,50 pontos; petróleo limitou as perdas em sessão marcada pelas tensões no Oriente Médio.

por Camila Braga
21/07/2026 às 18h40
em Ibovespa
Ibovespa Em Queda - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em leve queda de 0,03%, aos 173.325,65 pontos, nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, na B3. O principal índice da Bolsa brasileira alternou altas e baixas durante o pregão, pressionado pela cautela diante do conflito no Oriente Médio e pela espera do relatório de produção e vendas da Vale (VALE3), enquanto a valorização do petróleo deu sustentação às ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e evitou uma perda mais acentuada.

O índice terminou a sessão 45,70 pontos abaixo do fechamento de segunda-feira, quando havia encerrado aos 173.371,35 pontos. Foi a quinta queda consecutiva do Ibovespa, embora a variação desta terça tenha ficado próxima da estabilidade.

Leia também: Ibovespa fecha em queda com tarifaço no radar; Engie (EGIE3) e Itaú (ITUB4) pesam.

Ao longo do pregão, o índice alcançou a máxima de 173.719,50 pontos e recuou até 172.218,88 pontos, uma amplitude de 1.500,62 pontos. O giro financeiro chegou a aproximadamente R$ 18,1 bilhões, ainda abaixo da média diária registrada no mercado brasileiro ao longo do ano.

Fechamento do Ibovespa em números

  • Pontuação final: 173.325,65 pontos
  • Variação no dia: queda de 0,03%
  • Variação em pontos: menos 45,70 pontos
  • Máxima da sessão: 173.719,50 pontos
  • Mínima da sessão: 172.218,88 pontos
  • Fechamento anterior: 173.371,35 pontos
  • Volume financeiro: aproximadamente R$ 18,1 bilhões
  • Dólar comercial: R$ 5,0737
  • Variação do dólar: queda de 0,31%

Ibovespa hoje oscilou sem direção firme

O pregão começou sem uma tendência consolidada. O Ibovespa chegou a superar o nível do fechamento anterior, mas perdeu força ainda durante a manhã, quando se aproximou dos 172,2 mil pontos.

A recuperação parcial ocorreu ao longo da tarde, apoiada principalmente pelo comportamento das ações ligadas ao petróleo. O índice, porém, não acompanhou integralmente o avanço das bolsas norte-americanas e voltou a apresentar variação negativa no leilão de fechamento.

A movimentação reduzida também contribuiu para mudanças de direção ao longo do dia. O volume financeiro ficou abaixo dos níveis médios observados em sessões de maior presença dos investidores institucionais.

O fechamento praticamente estável refletiu a combinação de vetores opostos. A alta do petróleo favoreceu empresas do setor de energia, enquanto a queda do minério de ferro e a espera pelos números operacionais da Vale limitaram o desempenho dos papéis ligados à mineração.

Oriente Médio mantém petróleo e mercados sob tensão

O noticiário internacional permaneceu concentrado no conflito no Oriente Médio. Investidores acompanharam informações contraditórias sobre as negociações para um cessar-fogo temporário e a continuidade das ações militares envolvendo Estados Unidos e Irã.

Os relatos de novos ataques e as ameaças à circulação de navios e ao transporte de petróleo pela região ampliaram as preocupações com a oferta global de energia.

O petróleo Brent terminou o dia acima de US$ 91 por barril, no maior patamar em cerca de cinco semanas. O contrato avançou aproximadamente 2%, enquanto o WTI, referência norte-americana, também registrou valorização superior a 2%.

A alta da commodity reforçou os ganhos das empresas petrolíferas, mas trouxe uma leitura menos favorável para a inflação mundial. Uma escalada prolongada dos preços da energia pode dificultar a redução dos juros nas principais economias e pressionar os custos de empresas consumidoras de combustíveis.

No Brasil, o efeito foi misto. O petróleo valorizado beneficiou a Petrobras, que possui peso relevante na composição do Ibovespa, mas o aumento da tensão geopolítica manteve parte dos investidores cautelosa.

Petrobras limita queda do índice

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) ganharam suporte com a valorização do petróleo nos mercados internacionais.

Os papéis ordinários e preferenciais avançaram durante a sessão, ajudando a compensar a pressão exercida por outros componentes do índice. A companhia acompanhou o movimento das grandes produtoras globais diante do aumento das cotações do Brent e do WTI.

Embora o petróleo tenha sido um vetor favorável, o comportamento das ações da estatal não deve ser atribuído automaticamente apenas à commodity. A cotação também incorpora fatores como câmbio, política de investimentos, produção, endividamento e expectativas sobre a distribuição de dividendos.

Nesta sessão, porém, a alta internacional do petróleo foi o elemento setorial mais relevante para os papéis da empresa.

Vale aguarda relatório de produção do segundo trimestre

A Vale (VALE3) atravessou o pregão próxima da estabilidade, em uma sessão marcada pela expectativa em torno de seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026.

A mineradora havia programado a divulgação para depois do fechamento do mercado desta terça-feira. Os números financeiros completos do segundo trimestre estão previstos para 30 de julho, seguidos por teleconferência com investidores em 31 de julho.

O relatório operacional é acompanhado pelo mercado porque antecipa informações sobre produção de minério de ferro, embarques, vendas, qualidade do produto e desempenho das demais operações minerais.

A expectativa pelos dados ocorreu em um dia negativo para o minério de ferro. O contrato mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 1,12%, para 749 iuanes, equivalentes a US$ 110,74 por tonelada.

Na Bolsa de Cingapura, a referência para agosto recuou 1,02%, para US$ 98,60 por tonelada. A pressão refletiu a recuperação das chegadas de cargas aos portos chineses após atrasos relacionados a condições climáticas, além de preocupações com o crescimento dos estoques.

Bancos apresentam movimentos moderados

Os grandes bancos encerraram o pregão sem uma direção uniforme e exerceram influência limitada sobre o resultado final do Ibovespa.

Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) oscilaram próximos da estabilidade durante diferentes momentos da sessão.

O desempenho do setor ocorre em um período de atenção à curva de juros, à atividade econômica, à inadimplência e à próxima temporada de resultados corporativos.

A evolução da campanha eleitoral e das expectativas fiscais também permanece relevante para os bancos. Alterações na percepção sobre as contas públicas podem afetar os juros futuros, o custo de captação e a avaliação das ações financeiras.

MBRF avança após cancelamento de ações

A MBRF (MBRF3) figurou entre os destaques positivos da sessão depois de anunciar o cancelamento de 21.476.565 ações ordinárias mantidas em tesouraria.

A operação foi aprovada pelo conselho de administração sem redução do valor do capital social. Após o cancelamento, o capital da companhia passou a ser dividido em 1.380.439.543 ações ordinárias.

Como os papéis estavam em tesouraria, o cancelamento não modifica a quantidade de ações mantida individualmente pelos investidores. A operação reduz, entretanto, o número total de ações emitidas pela empresa.

O movimento corporativo ajudou a colocar MBRF3 entre as maiores altas do índice durante o pregão.

Hypera e Rede D’Or ficam entre as perdas

Na ponta negativa, Hypera (HYPE3) e Rede D’Or (RDOR3) estiveram entre os papéis de pior desempenho do Ibovespa.

As duas companhias foram pressionadas por avaliações relacionadas aos resultados do segundo trimestre. Relatórios de instituições financeiras apontaram expectativa de desempenho mais fraco ou misto em determinados indicadores operacionais.

No caso da Hypera, as projeções consideraram a possibilidade de retração do resultado operacional medido pelo Ebitda. A Rede D’Or também enfrentou maior cautela antes da publicação de seus números trimestrais.

As variações finais e as cotações de todas as ações citadas não haviam sido consolidadas nas fontes consultadas até o encerramento da apuração.

Dólar recua para R$ 5,07

O dólar à vista fechou em queda de 0,31%, cotado a R$ 5,0737 na venda.

A moeda brasileira acompanhou o desempenho de outras divisas emergentes em uma sessão marcada por menor força do dólar nos mercados considerados de maior risco.

No acumulado de 2026, a moeda norte-americana passou a registrar desvalorização de 7,57% diante do real.

O contrato de dólar futuro para agosto, o mais negociado na B3, recuava 0,38%, aos R$ 5,0865, pouco depois do encerramento do mercado à vista.

A diferença entre a queda do dólar e o aumento das tensões geopolíticas mostrou que os investidores também consideraram fatores como o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e o fluxo de capitais para países emergentes.

Os principais contratos de juros futuros apresentaram movimentos contidos, sem uma direção uniforme suficientemente documentada até a conclusão da apuração.

Wall Street avança com recuperação das empresas de tecnologia

As bolsas de Nova York fecharam em alta, impulsionadas pela recuperação das ações de tecnologia e de fabricantes de semicondutores.

O índice Dow Jones avançou 0,76%, enquanto o S&P 500 subiu 0,85%. O Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, ganhou 1,34%.

A valorização interrompeu uma sequência de três quedas do S&P 500 e do Nasdaq. Empresas ligadas à inteligência artificial e à fabricação de chips lideraram o movimento positivo.

O setor de semicondutores avançou mais de 5%, embora continuasse acumulando perdas relevantes em relação às máximas registradas no fim de junho.

Os investidores também acompanharam a temporada de balanços nos Estados Unidos e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. O retorno dos Treasuries de dez anos chegou a 4,64%, refletindo parte das preocupações com o efeito inflacionário do petróleo mais caro.

Na Europa, o índice Stoxx 600 encerrou o dia com alta de 0,56%, acompanhando o desempenho favorável dos mercados acionários globais.

O que acompanhar no próximo pregão

No mercado doméstico, a principal referência corporativa será a leitura do relatório de produção e vendas da Vale, divulgado depois do encerramento desta terça-feira.

Os investidores deverão avaliar os volumes produzidos e comercializados, o desempenho das operações de minério de ferro e as indicações para o restante de 2026.

O conflito no Oriente Médio continuará no radar, especialmente por seus efeitos sobre o petróleo, a inflação internacional e os juros dos Estados Unidos.

O mercado também acompanhará novos balanços corporativos, o comportamento dos Treasuries, as tarifas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano e eventuais sinais de avanço ou ruptura nas negociações diplomáticas com o Irã.

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