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Ibovespa fecha em queda com tarifaço no radar; Engie (EGIE3) e Itaú (ITUB4) pesam

Principal índice da B3 recuou 0,36%, aos 176.010,90 pontos, pressionado pela alta dos juros futuros, por incertezas comerciais e por perdas em bancos e empresas de energia

por Camila Braga - Repórter de Economia
15/07/2026 às 20h38 - Atualizado em 17/07/2026 às 12h16
em Ibovespa,Mercados
Ibovespa Fechamento - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, pressionado pela elevação dos juros futuros, pela cautela antes de uma decisão dos Estados Unidos sobre novas tarifas contra produtos brasileiros e pelo desempenho negativo de ações de grande peso, como Itaú Unibanco (ITUB4) e Engie Brasil Energia (EGIE3). A Bolsa brasileira terminou no vermelho mesmo com a alta de Vale (VALE3) e o avanço dos principais índices de Wall Street.

O índice oscilou entre a mínima de 175.288,17 pontos e a máxima de 176.662,60 pontos. O volume financeiro alcançou R$ 39,85 bilhões, acima da média das sessões recentes, impulsionado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

A dinâmica do pregão mostrou um mercado dividido. De um lado, Vale, Gerdau (GGBR4), Totvs (TOTS3) e B3 (B3SA3) ofereceram sustentação ao índice. De outro, bancos, construtoras, empresas do setor elétrico e a Braskem (BRKM5) ampliaram a pressão vendedora.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 176.010,90 pontos
Variação no dia: queda de 0,36%
Máxima do pregão: 176.662,60 pontos
Mínima do pregão: 175.288,17 pontos
Volume financeiro: R$ 39,85 bilhões
Dólar comercial: R$ 5,0785
Variação do dólar: alta de 0,01%
Taxa Selic: 14,25% ao ano
Petróleo Brent: US$ 84,95, com alta de 0,26%
Petróleo WTI: US$ 79,60, com alta de 0,33%
S&P 500: alta de 0,38%
Nasdaq: alta de 0,62%
Dow Jones: alta de 0,29%

Tarifa dos Estados Unidos mantém investidores na defensiva

A possibilidade de imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros continuou no centro das atenções. Investidores aguardaram durante todo o pregão uma definição da administração norte-americana sobre o alcance da medida e a relação de mercadorias que poderiam ser excluídas.

As informações disponíveis indicavam que a nova tributação poderia atingir mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil. A ausência de detalhes oficiais durante o horário de negociação aumentou a cautela, especialmente em companhias com exposição direta ao mercado dos Estados Unidos ou dependentes de cadeias internacionais de produção.

O risco não se restringiu ao efeito direto sobre exportadores. Tarifas mais elevadas podem alterar projeções para atividade econômica, balança comercial, câmbio e inflação, além de provocar medidas de retaliação ou novas negociações diplomáticas.

O mercado também avaliou a possibilidade de ampliação da lista de exceções. Produtos cuja tributação pudesse elevar custos para consumidores e empresas norte-americanas apareciam como candidatos a tratamento diferenciado, mas a falta de uma decisão formal impediu uma reprecificação mais clara dos ativos brasileiros.

A incerteza comercial ajudou a explicar o descolamento entre o Ibovespa e as bolsas de Nova York. Enquanto os índices norte-americanos reagiram positivamente a dados de inflação ao produtor, a Bolsa brasileira permaneceu condicionada a fatores políticos, fiscais e comerciais internos.

Pesquisa eleitoral eleva prêmio na curva de juros

O mercado doméstico também repercutiu a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que apareceu com 37%.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula registrou 40%, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 28%. A aprovação do trabalho do governo chegou a 48%, ante desaprovação de 47%.

A leitura predominante entre os agentes financeiros foi de aumento da probabilidade de continuidade da atual orientação de política econômica. Essa percepção levou investidores a exigir prêmios maiores nos contratos de juros de médio e longo prazo, diante das dúvidas sobre a trajetória das despesas públicas e a capacidade de estabilização da dívida.

O movimento não significa que uma pesquisa eleitoral determine diretamente os preços dos ativos. A reação depende da interpretação dos investidores sobre programas econômicos, composição do Congresso, viabilidade das medidas fiscais e posicionamento dos candidatos durante a campanha.

Ainda assim, a proximidade do calendário eleitoral tende a aumentar a sensibilidade do mercado a pesquisas, anúncios de gastos e propostas com impacto permanente sobre o Orçamento.

A aprovação, pelo Senado, de uma proposta de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias adicionou pressão às preocupações fiscais. Investidores passaram a avaliar o possível impacto da medida sobre as contas públicas e sobre o espaço para cumprimento das metas fiscais.

Juros futuros sobem e pressionam ações domésticas

Os contratos de Depósito Interfinanceiro avançaram ao longo da curva, com alta mais intensa nos vencimentos intermediários e longos. O movimento refletiu principalmente a combinação de risco fiscal, cenário eleitoral e incerteza sobre as consequências econômicas das tarifas dos Estados Unidos.

A abertura das taxas afetou empresas cujo valor de mercado depende mais diretamente do custo do capital e da expectativa de crescimento doméstico. Construtoras, varejistas e companhias com endividamento elevado ficaram entre os segmentos mais pressionados durante a sessão.

A Selic permanece em 14,25% ao ano, após o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual na reunião de junho. O Copom indicou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade, das expectativas e dos riscos externos.

Quando as taxas futuras sobem, o mercado passa a trabalhar com a possibilidade de um ciclo de redução da Selic mais curto, mais lento ou interrompido. Esse ajuste eleva a taxa utilizada para trazer a valor presente os lucros projetados pelas empresas e tende a reduzir a atratividade relativa das ações.

O efeito, porém, varia de acordo com o setor. Bancos podem se beneficiar de determinados movimentos das taxas, mas também são afetados por desaceleração do crédito, aumento da inadimplência e deterioração da percepção de risco soberano.

Itaú (ITUB4) lidera pressão entre os grandes bancos

As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 1,12% e exerceram influência negativa relevante sobre o Ibovespa, em razão do peso do papel na composição do índice.

O sinal negativo também predominou entre outros grandes bancos, em uma sessão marcada pela elevação dos juros futuros e pela redução do apetite por ativos sensíveis ao cenário doméstico.

A reação do setor refletiu mais do que uma mudança isolada na curva de juros. O mercado avaliou os possíveis efeitos de uma política fiscal mais expansionista sobre inflação, custo de captação, atividade econômica e qualidade das carteiras de crédito.

Para os bancos, taxas elevadas podem ampliar margens em determinadas operações, mas também reduzem a demanda por financiamento e aumentam a pressão financeira sobre famílias e empresas. Por isso, a relação entre juros e ações bancárias não é linear.

Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) limitam perdas

A Vale (VALE3) avançou 0,68% e ajudou a conter uma queda mais acentuada do índice. O movimento acompanhou a valorização dos contratos futuros de minério de ferro na China.

O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou a sessão diurna em alta de 1,13%, cotado a 762 yuans por tonelada. A commodity foi favorecida por preocupações com a oferta após trabalhadores ligados à mineradora BHP indicarem a possibilidade de greve em um importante porto australiano.

A Gerdau (GGBR4) subiu 3,77%, figurando entre os principais ganhos do Ibovespa. O movimento recebeu suporte de uma avaliação favorável do JPMorgan sobre as condições do mercado siderúrgico nos Estados Unidos e os possíveis benefícios para a operação norte-americana da companhia.

A alta dos papéis ligados à mineração e à siderurgia ofereceu contraponto às perdas observadas nos setores financeiro, elétrico e petroquímico.

Petrobras oscila com petróleo em leve alta

As ações da Petrobras tiveram desempenho próximo da estabilidade. Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,17%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) avançaram 0,11%.

No exterior, o petróleo encerrou a sessão com pequena valorização após alternar sinais ao longo do dia. O Brent para setembro subiu 0,26%, a US$ 84,95 por barril, enquanto o WTI para agosto avançou 0,33%, a US$ 79,60.

Os investidores equilibraram os riscos de interrupção da oferta no Oriente Médio com os dados econômicos dos Estados Unidos e as informações sobre os estoques norte-americanos da commodity.

A oscilação limitada do petróleo reduziu sua influência sobre o fechamento do Ibovespa. As ações da Petrobras não exerceram pressão comparável à observada em Itaú, Engie e Braskem.

Engie (EGIE3) cai após oferta bilionária de ações

A Engie Brasil Energia (EGIE3) recuou 5,11%, depois da precificação de uma oferta primária de 274,08 milhões de ações a R$ 30,50 por papel. O preço representou desconto próximo de 5,5% em relação ao fechamento anterior.

A operação movimentou R$ 8,36 bilhões. Desse total, R$ 5,74 bilhões foram subscritos pela Engie Participações, controladora da companhia, mediante a integralização de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau.

Ofertas realizadas com desconto costumam provocar um ajuste na cotação das ações já negociadas no mercado. Além disso, a emissão de novos papéis pode gerar diluição para os acionistas que não participarem da operação.

A ISA Energia Brasil (ISAE4) caiu 5,03%, após anunciar uma oferta primária com lote inicial de 22,2 milhões de ações preferenciais. A precificação está prevista para 23 de julho, e a quantidade poderá ser ampliada em até 100%.

Braskem (BRKM5) recua com negociações sobre dívida

A Braskem (BRKM5) liderou as perdas entre os componentes do Ibovespa, com queda de 6,15%. As ações continuaram pressionadas pelas incertezas envolvendo a reestruturação financeira da petroquímica e as negociações com credores.

Um grupo de detentores de títulos apresentou uma proposta de reorganização que poderia resultar em diluição dos atuais acionistas. A perspectiva de conversão de dívida em participação societária tende a alterar a distribuição do capital e reduzir o valor econômico da fatia dos investidores atuais.

Fora do Ibovespa, a Ânima Educação (ANIM3) caiu 32,75% após anunciar a compra das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais por R$ 410 milhões. A empresa adquirida está em recuperação judicial.

O BTG Pactual avaliou que a operação foi realizada a um múltiplo elevado e reduziu sua recomendação para os papéis da Ânima. Como a companhia não integra a composição vigente do Ibovespa, sua queda não influenciou diretamente a pontuação do índice.

Maiores altas do Ibovespa

Totvs (TOTS3): alta de 3,97%, com recuperação das ações de tecnologia e busca por companhias com geração recorrente de receitas.

Gerdau (GGBR4): alta de 3,77%, favorecida por uma avaliação positiva sobre o mercado siderúrgico dos Estados Unidos.

B3 (B3SA3): alta de 2,35%, após o Bank of America elevar a recomendação das ações de neutra para compra e aumentar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 22.

Maiores quedas do Ibovespa

Braskem (BRKM5): queda de 6,15%, em meio às incertezas sobre a negociação com credores e o risco de diluição dos acionistas.

Engie Brasil Energia (EGIE3): queda de 5,11%, após a precificação de uma oferta primária de R$ 8,36 bilhões com desconto.

ISA Energia Brasil (ISAE4): queda de 5,03%, depois do anúncio de uma oferta primária de ações.

Serviços recuam e reforçam sinais de desaceleração

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o volume do setor de serviços recuou 0,4% em maio ante abril, depois de crescer 1,1% no mês anterior.

O resultado ficou abaixo da expectativa de crescimento de 0,1% indicada por pesquisa com economistas. Na comparação com maio de 2025, o setor avançou 0,4%, completando 26 resultados positivos consecutivos nessa base de comparação.

A queda mensal foi puxada pelos transportes, que recuaram 1%, e pelo grupo de outros serviços, com baixa de 1,9%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 1,9%, enquanto os serviços prestados às famílias avançaram 0,2%.

O indicador mostrou que os juros elevados começam a produzir efeitos mais visíveis sobre atividades dependentes de crédito, transporte e circulação de mercadorias. Ainda assim, o setor permaneceu 19,6% acima do nível anterior à pandemia e apenas 0,5% abaixo do ponto mais alto da série histórica.

Wall Street sobe após inflação ao produtor

O Ibovespa terminou em queda na contramão dos mercados norte-americanos. O S&P 500 avançou 0,38%, o Nasdaq subiu 0,62% e o Dow Jones ganhou 0,29%.

O Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos recuou 0,3% em junho, depois de subir 0,6% em maio. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 5,5%.

A queda mensal foi explicada principalmente pelo recuo de 1,4% nos preços dos bens destinados à demanda final. Os preços dos serviços avançaram 0,2%.

Os números reduziram parte da preocupação com a persistência inflacionária e favoreceram empresas de tecnologia e setores ligados ao consumo. A temporada de resultados corporativos também sustentou o movimento positivo em Nova York.

Dólar fecha praticamente estável a R$ 5,07

O dólar comercial terminou com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,0785. A moeda norte-americana chegou a recuar durante o pregão, acompanhando o movimento internacional, mas recuperou terreno diante dos riscos políticos e comerciais no Brasil.

A estabilidade refletiu forças opostas. No exterior, o dado mais fraco de inflação ao produtor reduziu a demanda pela moeda norte-americana. No mercado doméstico, a possibilidade de novas tarifas, a elevação dos juros futuros e as dúvidas fiscais limitaram a valorização do real.

O Banco Central informou que o fluxo cambial estava positivo em US$ 54 milhões em julho até o dia 10. O dado mostrou equilíbrio entre as entradas e saídas de recursos, sem fluxo suficiente para definir sozinho a direção do câmbio.

Tarifas e vendas no varejo estarão no radar

No pregão de quinta-feira, 16 de julho, os investidores acompanharão qualquer anúncio oficial dos Estados Unidos sobre as tarifas aplicáveis aos produtos brasileiros. A composição da lista, as exceções e a data de entrada em vigor poderão provocar ajustes em exportadoras, empresas industriais, companhias aéreas e produtores de commodities.

No Brasil, o IBGE divulgará a Pesquisa Mensal de Comércio referente a maio. O indicador ajudará a medir os efeitos dos juros elevados sobre o consumo, as vendas de bens duráveis e a atividade das empresas varejistas.

Nos Estados Unidos, a agenda incluirá vendas no varejo, pedidos semanais de seguro-desemprego e o índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia.

A combinação entre dados de atividade, cenário eleitoral, política fiscal e definição tarifária continuará determinando o prêmio exigido nos ativos brasileiros. Depois de encerrar esta quarta-feira descolado de Wall Street, o Ibovespa dependerá de maior clareza sobre o comércio bilateral para definir sua direção na próxima sessão.

Tags: B3bolsa brasileiraBraskemdolar hojeEngie Brasil Energiafechamento do IbovespaGerdauIbovespaIbovespa hojeItaú UnibancoJuros FuturosmercadosPetrobrastarifa dos Estados UnidosTotvsVale

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