O Ibovespa (IBOV) fechou em queda nesta terça-feira, 12 de maio, pela segunda sessão consecutiva, pressionado por dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, pelo recuo das ações da Petrobras (PETR3; PETR4) após o balanço do primeiro trimestre e pela escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos. O principal índice da B3 terminou o pregão em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos, enquanto o dólar à vista (USDBRL) encerrou com leve alta de 0,08%, cotado a R$ 4,8954.
A sessão foi marcada por uma combinação de fatores negativos para ativos de risco. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril mostrou desaceleração na margem, mas voltou a acelerar no acumulado em 12 meses, aproximando-se do teto da meta de inflação. No exterior, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos também reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros elevados por mais tempo.
Além da agenda macroeconômica, o mercado acompanhou a reação ao balanço da Petrobras (PETR3; PETR4), que frustrou parte dos investidores com dividendos abaixo do esperado. A queda da estatal pesou sobre o Ibovespa (IBOV), apesar da alta do petróleo no mercado internacional.
IPCA acelera em 12 meses e reforça cautela com juros
O principal dado doméstico do dia foi o IPCA de abril. A inflação oficial subiu 0,67% no mês, desacelerando em relação à alta de 0,88% registrada em março. O resultado ficou em linha com a mediana das projeções de mercado, mas trouxe preocupação pela leitura acumulada em 12 meses.
No acumulado anual, o IPCA acelerou de 4,14% em março para 4,39% em abril, aproximando-se do teto da meta de inflação do Banco Central, de 4,5%. O dado reforçou a cautela de investidores em relação à trajetória da política monetária.
A leitura do mercado é que a inflação segue pressionada por componentes sensíveis ao câmbio, ao petróleo e ao comportamento dos alimentos. A escalada das tensões no Oriente Médio aumenta o risco de pressão sobre combustíveis e insumos, enquanto o mercado de trabalho aquecido pode manter a inflação de serviços resistente.
Segundo avaliação citada no mercado, medidas do governo, como subsídios e redução de impostos, podem suavizar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira no curto prazo. Ainda assim, combustíveis e alimentos já podem estar refletindo, em algum grau, os efeitos do conflito no Oriente Médio.
A preocupação central é com o segundo semestre. A combinação entre mercado de trabalho forte, eventual desvalorização do real e custos pressionados pode provocar nova aceleração de preços. Nesse ambiente, investidores tendem a exigir mais prêmio para ativos brasileiros, especialmente em Bolsa e câmbio.
Petrobras (PETR3; PETR4) cai após balanço e dividendos abaixo do esperado
A Petrobras (PETR3; PETR4) foi um dos principais pesos negativos do Ibovespa (IBOV). As ações preferenciais da estatal, Petrobras (PETR4), caíram 1,62%, a R$ 45,68. Já as ordinárias, Petrobras (PETR3), recuaram 0,85%, a R$ 50,38.
O movimento ocorreu após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 e do anúncio de dividendos considerados abaixo das expectativas por parte do mercado. A reação negativa contrariou a alta do petróleo, que avançou em meio ao aumento das tensões geopolíticas.
Analistas avaliam que parte da frustração pode ser temporária. O avanço do Brent ao longo de março não teria sido integralmente refletido no resultado trimestral da Petrobras (PETR3; PETR4), em razão da defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.
Essa dinâmica pode favorecer o segundo trimestre, caso os preços mais altos do petróleo sejam incorporados aos resultados e as exportações em trânsito sejam reconhecidas. Ainda assim, no curto prazo, o mercado reagiu à combinação entre lucro, dividendos e percepção de menor retorno imediato ao acionista.
Para o Ibovespa (IBOV), a queda da Petrobras (PETR3; PETR4) tem peso relevante. A estatal está entre as empresas de maior participação no índice e costuma influenciar diretamente o desempenho diário da Bolsa brasileira.
Vale (VALE3) sobe mesmo com minério em queda
Na direção oposta à Petrobras (PETR3; PETR4), a Vale (VALE3) conseguiu se recuperar no fim do pregão e fechou em alta de 0,37%, cotada a R$ 83,76. O movimento ocorreu apesar da queda de 0,98% do minério de ferro, negociado a 812,5 yuans, ou US$ 119,57 por tonelada, na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China.
A reação positiva veio após a mineradora divulgar projeções para 2026 e 2027. A leitura de parte do mercado foi favorável, especialmente em relação à sensibilidade do fluxo de caixa livre da divisão de Soluções de Minério de Ferro.
O ponto observado por analistas é que a melhora esperada no fluxo de caixa pode aliviar preocupações com perda de rentabilidade causada por custos de caixa e frete desde o início do conflito geopolítico. Essas preocupações haviam pressionado as ações da Vale (VALE3) após o balanço do primeiro trimestre de 2026.
A alta da mineradora ajudou a conter uma queda mais intensa do Ibovespa (IBOV), mas não foi suficiente para reverter o sinal negativo do índice. A sessão mostrou um mercado seletivo, com investidores reagindo a dados específicos de empresas e setores.
Natura (NATU3) lidera perdas após resultado fraco
Entre as maiores quedas do índice, a Natura (NATU3) recuou 5,62%, a R$ 9,91. A ação foi pressionada após o resultado do primeiro trimestre de 2026 ser considerado fraco por analistas.
A leitura negativa refletiu preocupações com rentabilidade, ritmo de recuperação operacional e capacidade da companhia de acelerar resultados em meio a um ambiente competitivo no setor de beleza e consumo. O desempenho da Natura (NATU3) também reforçou a seletividade do mercado com empresas dependentes de consumo e execução operacional.
Em um cenário de juros ainda elevados e inflação persistente, companhias de consumo tendem a enfrentar maior escrutínio. Margens, controle de despesas, geração de caixa e capacidade de repasse de preços passam a ser acompanhados com mais atenção por investidores.
A queda da Natura (NATU3) contribuiu para o tom negativo do pregão, em uma sessão em que o Ibovespa (IBOV) já era pressionado por Petrobras (PETR3; PETR4), inflação e exterior.
Braskem (BRKM5) dispara após melhora de recomendação
Na ponta positiva, a Braskem (BRKM5) liderou os ganhos do Ibovespa (IBOV), com alta de 29,02%, a R$ 11,87. O movimento ocorreu após o JP Morgan elevar a recomendação do papel de neutro para compra e aumentar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15.
A nova projeção representa potencial de valorização de 63% em relação ao fechamento anterior. Segundo a avaliação do banco, a melhora na recomendação reflete fundamentos de mercado mais favoráveis, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.
A forte alta da Braskem (BRKM5) chamou atenção em uma sessão negativa para o índice. O papel vinha de forte desvalorização nos últimos anos, pressionado por endividamento, margens fracas no setor petroquímico, incertezas societárias e impactos relacionados ao caso de Maceió.
A elevação de recomendação sinalizou melhora de percepção sobre risco e retorno da ação. Ainda assim, o movimento não muda o fato de que Braskem (BRKM5) segue como papel de alta volatilidade, sensível ao ciclo petroquímico, ao câmbio, ao petróleo e às decisões sobre sua estrutura societária.
Dólar fecha perto de R$ 4,90 com exterior no radar
O dólar à vista (USDBRL) fechou a R$ 4,8954, com alta de 0,08%. A moeda norte-americana oscilou em uma sessão marcada por inflação nos Estados Unidos, cautela com juros e aumento das tensões no Oriente Médio.
A proximidade da cotação com R$ 4,90 reflete um ambiente de maior aversão ao risco. Quando investidores globais reduzem exposição a ativos de países emergentes, moedas como o real tendem a perder força, especialmente em dias de pressão sobre commodities, juros americanos e risco geopolítico.
O dado de inflação dos Estados Unidos reforçou a percepção de que o Federal Reserve deve manter a taxa de juros elevada por mais tempo. Juros altos nos EUA tornam os títulos americanos mais atrativos e reduzem o apetite por ativos de risco em outros mercados.
No Brasil, a inflação em 12 meses próxima ao teto da meta também limita espaço para apostas mais fortes em queda de juros. Esse quadro reduz o alívio esperado para ativos domésticos e mantém o câmbio sensível a choques externos.
Wall Street fecha sem direção única após CPI dos EUA
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram a sessão sem direção única. O Dow Jones subiu 0,11%, aos 49.760,56 pontos. O S&P 500 caiu 0,16%, aos 7.400,97 pontos. O Nasdaq recuou 0,71%, aos 26.088,203 pontos.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,6% em abril, após alta de 0,9% em março, segundo o Departamento do Trabalho. O resultado ficou em linha com a expectativa de economistas, mas o acumulado em 12 meses acelerou para 3,8%, maior avanço anual desde maio de 2023.
A inflação ainda resistente reforçou a visão de que o Federal Reserve deve manter postura cautelosa. O mercado reduziu apostas em cortes rápidos de juros, o que pressionou especialmente ações de tecnologia, mais sensíveis à trajetória dos juros de longo prazo.
Além da inflação, investidores acompanharam a alta do petróleo e as tensões envolvendo Irã e Estados Unidos. O risco geopolítico adicionou volatilidade a commodities, moedas e bolsas globais.
Europa cai com tensão geopolítica e crise no Reino Unido
Na Europa, os índices fecharam em forte queda. O Stoxx 600, principal índice pan-europeu, recuou 1,01%, aos 606,63 pontos. A sessão foi marcada por tensão geopolítica, pressão sobre energia e instabilidade política no Reino Unido.
O ambiente externo contribuiu para o tom negativo nos mercados emergentes. Em dias de maior aversão ao risco, investidores tendem a reduzir posições em ações e moedas de países mais sensíveis ao fluxo global.
Na Ásia, os principais índices encerraram majoritariamente em queda. O Nikkei, do Japão, avançou 0,52%, aos 62.742,57 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,22%, aos 26.347,91 pontos.
O desempenho misto no exterior reforçou a cautela na B3. Mesmo com altas pontuais em ações como Braskem (BRKM5) e Vale (VALE3), o conjunto de fatores macroeconômicos e corporativos manteve o Ibovespa (IBOV) em território negativo.
Inflação e Petrobras mantêm Bolsa sob pressão
O fechamento desta terça-feira reforça um cenário de maior seletividade na Bolsa brasileira. O Ibovespa (IBOV) segue em patamar elevado, acima dos 180 mil pontos, mas enfrenta realização de lucros diante de inflação persistente, dúvidas sobre juros e pressão em ações de grande peso.
A Petrobras (PETR3; PETR4) foi o principal vetor corporativo negativo do dia, após dividendos considerados abaixo do esperado. O IPCA próximo ao teto da meta ampliou o desconforto com a trajetória de preços no Brasil. No exterior, o CPI dos Estados Unidos reforçou o cenário de juros altos por mais tempo.
O mercado passa a acompanhar os próximos sinais do Banco Central, a evolução do petróleo e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Também seguem no radar novos balanços corporativos, revisões de recomendação e projeções de resultados para o segundo trimestre.
Em um ambiente de inflação resistente e maior risco externo, a tendência é que investidores mantenham postura seletiva, privilegiando empresas com geração de caixa, balanços sólidos e menor sensibilidade a juros. O desempenho do Ibovespa (IBOV) dependerá da capacidade de Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3), bancos e empresas de consumo sustentarem resultados em meio à combinação de volatilidade doméstica e internacional.









