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Justiça dos EUA mantém ação da Rumble contra Alexandre de Moraes e adia análise de pedido do Brasil

Tribunal norte-americano concede prazo para manifestação das empresas antes de decidir sobre requerimento apresentado pela AGU.

por Júlia Campos
08/07/2026 às 09h48
em Política
Stj Julga Carta Rogatória Contra Moraes Em Ação Do Rumble Nos Eua E Avalia Limites Da Cooperação Judicial - Gazeta Mercantil

A Justiça dos Estados Unidos decidiu manter em tramitação a ação movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao rejeitar, neste momento, o pedido apresentado pelo governo brasileiro para extinguir o processo. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (8), determina que as empresas autoras apresentem manifestação antes que o tribunal analise o requerimento da Advocacia-Geral da União (AGU), prolongando uma disputa que ganhou dimensão internacional por envolver liberdade de expressão, jurisdição e cumprimento de ordens judiciais.

O processo representa mais um capítulo da controvérsia envolvendo decisões do STF relacionadas à atuação de plataformas digitais e ao cumprimento de determinações judiciais brasileiras. Embora a Corte norte-americana ainda não tenha analisado o mérito da ação, o entendimento de que o pedido do Brasil deve ser submetido ao contraditório mantém o caso em andamento.

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A AGU buscou ingressar formalmente no processo para defender os interesses do Estado brasileiro. Na manifestação apresentada ao tribunal, o órgão sustenta que as decisões proferidas por ministros do STF decorrem do exercício regular da jurisdição brasileira e, por essa razão, não poderiam ser revisadas ou invalidadas por tribunais estrangeiros.

Segundo o governo, admitir esse tipo de questionamento poderia gerar conflitos entre sistemas judiciais nacionais e abrir precedente para disputas envolvendo atos praticados por autoridades de diferentes países.

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Tribunal norte-americano abre prazo para manifestação

Em vez de acolher imediatamente o pedido de extinção do processo, a magistrada responsável pelo caso determinou que Rumble e Trump Media apresentem seus argumentos antes de qualquer decisão definitiva sobre a participação do Brasil e sobre a continuidade da ação.

Na prática, a medida não representa julgamento favorável às empresas nem ao governo brasileiro, mas indica que a Justiça norte-americana pretende analisar de forma mais ampla os fundamentos apresentados pelas partes.

O despacho também evidencia a complexidade jurídica do processo, que envolve questões de direito internacional, soberania estatal e limites de atuação de tribunais nacionais diante de empresas globais de tecnologia.

Disputa envolve ordens judiciais brasileiras

A ação foi apresentada pelas empresas nos Estados Unidos para contestar decisões atribuídas a Alexandre de Moraes relacionadas à remoção de conteúdos, bloqueio de perfis e outras determinações direcionadas às plataformas digitais.

As companhias sustentam que determinadas ordens produziriam efeitos sobre empresas sediadas em território norte-americano e, por isso, poderiam ser objeto de análise pela Justiça dos Estados Unidos.

O governo brasileiro, por sua vez, argumenta que os atos judiciais foram praticados dentro das competências constitucionais do STF e que eventuais discordâncias devem ser discutidas pelos mecanismos previstos no ordenamento jurídico brasileiro.

O mérito dessas alegações ainda não foi apreciado pelo tribunal norte-americano.

Caso amplia debate sobre jurisdição internacional

Especialistas em direito internacional observam que o processo pode influenciar futuras discussões sobre o alcance territorial de decisões judiciais envolvendo plataformas digitais.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia passaram a operar simultaneamente em dezenas de países, aumentando a frequência de conflitos entre legislações nacionais, principalmente em temas relacionados à moderação de conteúdo, liberdade de expressão e cumprimento de ordens judiciais.

A expansão desse tipo de litígio tem levado tribunais de diferentes países a enfrentar questões inéditas sobre competência, execução de decisões e cooperação jurídica internacional.

Embora o caso tenha origem em determinações expedidas pelo STF, seus efeitos podem alcançar discussões mais amplas sobre o relacionamento entre autoridades nacionais e empresas globais do setor de tecnologia.

Impactos institucionais acompanham tramitação

A manutenção da ação ocorre em um momento de intensificação dos debates sobre regulação das plataformas digitais em diversos países.

Governos têm buscado estabelecer mecanismos para responsabilizar empresas por conteúdos publicados em seus serviços, enquanto companhias do setor defendem critérios compatíveis com legislações locais e princípios relacionados à liberdade de expressão.

Nesse contexto, decisões envolvendo plataformas digitais passaram a produzir repercussões além das fronteiras nacionais, especialmente quando empresas possuem operações internacionais e ativos distribuídos em diferentes jurisdições.

A disputa judicial também é acompanhada por especialistas em relações internacionais, que observam possíveis reflexos sobre a cooperação entre autoridades judiciais brasileiras e norte-americanas.

Processo segue sem julgamento do mérito

Apesar da repercussão política e institucional do caso, a decisão anunciada nesta quarta-feira não resolve a disputa entre as partes.

O tribunal apenas determinou a continuidade do procedimento para receber novas manifestações antes de decidir se acolhe ou rejeita o pedido apresentado pela AGU.

Somente após essa etapa a Justiça norte-americana deverá avaliar questões processuais relacionadas à participação do Estado brasileiro e à continuidade da ação.

Enquanto isso, permanece sem definição o julgamento do mérito do processo, que poderá discutir a competência da Justiça dos Estados Unidos para analisar pedidos envolvendo decisões de autoridades brasileiras.

O andamento do caso continua sendo acompanhado tanto por representantes do governo brasileiro quanto pelas empresas envolvidas, diante das possíveis consequências jurídicas para futuras disputas internacionais relacionadas às plataformas digitais e à execução de decisões judiciais.

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