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Localiza (RENT3) lucra R$ 1,2 bilhão no 1T26 com alta de 45% e impulso de seminovos

Resultado da Localiza (RENT3) avançou 45% no trimestre; receita consolidada cresceu 21,2%, Ebitda subiu 23,7% e alavancagem recuou para 2,08 vezes

por João Souza
07/05/2026 às 20h19 - Atualizado em 17/07/2026 às 02h54
em Empresas,Destaque,Notícias
Localiza-Rent3-Agora-Investimentos - Gazeta Mercantil

A Localiza (RENT3) registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano passado, em resultado impulsionado principalmente pelo desempenho da divisão de Seminovos. O balanço, divulgado na noite desta quinta-feira, 7 de maio de 2026, mostrou avanço da receita, crescimento do Ebitda, melhora operacional no aluguel de carros e redução da alavancagem financeira.

Excluindo um ganho extraordinário de R$ 177 milhões, após impostos, relacionado ao desinvestimento de subsidiárias, o lucro líquido da Localiza (RENT3) teria sido de R$ 1,045 bilhão. Mesmo sem esse efeito não recorrente, a companhia superou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão de lucro em um único trimestre.

A receita líquida consolidada somou R$ 12,284 bilhões, crescimento de 21,2% na comparação anual. O Ebitda, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, avançou 23,7%, para R$ 4,116 bilhões.

Segundo a Localiza (RENT3), o trimestre foi marcado por consistência na execução, disciplina no planejamento e avanço na recomposição dos retornos da operação. O desempenho reforça a posição da companhia em um setor intensivo em capital, no qual escala, gestão de frota, controle de custos e eficiência na venda de veículos usados são fatores decisivos para rentabilidade.

Seminovos puxam resultado da Localiza

O principal destaque do balanço da Localiza (RENT3) foi a divisão de Seminovos. A receita líquida da unidade cresceu 34,5% no primeiro trimestre, para R$ 7,106 bilhões, após a venda recorde de 95.384 veículos no período.

O Ebitda da divisão mais do que dobrou, com alta de 105,2%, para R$ 217,1 milhões. A companhia atribuiu o desempenho ao maior volume vendido, à melhora do mix de canais e à manutenção de preços considerados saudáveis no mercado de usados.

A venda de seminovos é uma etapa central no modelo de negócios da Localiza (RENT3). A companhia compra veículos para compor sua frota, utiliza esses ativos nas operações de aluguel de carros e gestão de frotas e, posteriormente, vende os automóveis no mercado de usados.

Quando os preços de seminovos estão favoráveis e o giro da frota ocorre de forma eficiente, a empresa consegue reduzir perdas na depreciação e melhorar o retorno sobre o capital investido. Por isso, o desempenho dessa divisão tem impacto direto na leitura dos investidores sobre o balanço.

O resultado do trimestre indica que a Localiza (RENT3) conseguiu aproveitar um ambiente mais positivo no mercado de usados, ao mesmo tempo em que manteve escala elevada na venda de veículos. A combinação entre volume recorde e melhora de rentabilidade foi determinante para a expansão do lucro.

Receita consolidada cresce 21,2% no trimestre

A receita líquida consolidada da Localiza (RENT3) atingiu R$ 12,284 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 21,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento reflete a contribuição das três principais frentes de negócio: Aluguel de Carros, Gestão de Frotas e Seminovos.

O desempenho mostra que a companhia continuou expandindo sua base de receitas, apesar de um ambiente ainda marcado por juros elevados, custo financeiro relevante e necessidade de disciplina na alocação de capital.

Em empresas de locação de veículos, a expansão da receita precisa ser avaliada em conjunto com rentabilidade, utilização da frota, depreciação, custo de manutenção e preço de revenda dos carros. Crescer sem preservar retorno pode elevar a necessidade de capital e pressionar o balanço.

No caso da Localiza (RENT3), a administração destacou a recomposição dos retornos da operação. Isso indica foco não apenas em volume, mas também em eficiência econômica dos contratos, precificação adequada e melhor uso dos ativos.

A leitura é relevante porque a companhia opera em um setor em que margens dependem de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo de vida do veículo: compra, uso, manutenção, depreciação e venda.

Aluguel de carros avança com diária média maior

Na divisão de Aluguel de Carros, conhecida como RAC, a receita líquida da Localiza (RENT3) cresceu 8,5%, para R$ 2,789 bilhões. O avanço foi puxado pela alta de 7% na diária média, que chegou a R$ 157,40, e pela melhora da taxa de utilização da frota, que subiu para 82,1%.

O aumento da diária média indica maior capacidade de recomposição de preços. Para locadoras, esse movimento é importante em períodos de custos elevados, principalmente diante de despesas com manutenção, compra de veículos, seguros, logística e financiamento.

A taxa de utilização da frota também é um indicador central. Quanto maior o percentual de veículos alugados, melhor tende a ser a diluição de custos fixos e maior o retorno sobre o capital empregado. Uma frota parada por períodos prolongados reduz eficiência e pressiona margens.

A margem Ebitda da divisão de Aluguel de Carros avançou 2,2 pontos percentuais, para 67,4%. Segundo a Localiza (RENT3), o resultado foi beneficiado por recomposição de preços, maior produtividade e melhora nos custos de manutenção e preparação dos veículos.

O desempenho da RAC reforça a importância da escala e da gestão operacional. A combinação de preços melhores, frota mais utilizada e custos controlados contribuiu para elevar a rentabilidade da unidade.

Gestão de Frotas cresce com foco em contratos mais rentáveis

A divisão de Gestão de Frotas registrou receita líquida de R$ 2,323 bilhões no trimestre, alta de 3,8% na comparação anual. A Localiza (RENT3) informou que continua reduzindo sua exposição a contratos de uso severo e direcionando capital para segmentos considerados mais rentáveis.

Entre as frentes priorizadas estão assinatura de veículos e frotas corporativas. Esses segmentos podem oferecer maior previsibilidade de receita, menor risco operacional e melhor retorno ajustado ao capital, dependendo do perfil dos contratos.

A redução da exposição a contratos de uso severo é uma decisão estratégica relevante. Veículos submetidos a maior desgaste tendem a gerar custos mais altos de manutenção, maior depreciação e maior risco na revenda. Ao reduzir esse tipo de contrato, a companhia busca proteger margens e melhorar o retorno da frota.

Esse movimento está alinhado à leitura de disciplina de capital. Em um negócio intensivo em ativos, nem todo crescimento é desejável. O foco passa a ser a qualidade da receita e a rentabilidade do contrato, não apenas o aumento do número de veículos alugados.

Para investidores, a evolução da Gestão de Frotas será acompanhada pela capacidade de a Localiza (RENT3) aumentar receitas sem comprometer margens, especialmente em um ambiente de juros ainda altos.

Ebitda cresce 23,7% e mostra recuperação de retornos

O Ebitda consolidado da Localiza (RENT3) somou R$ 4,116 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 23,7% sobre o mesmo período de 2025. O crescimento acima da receita líquida consolidada indica melhora operacional e maior eficiência em algumas linhas do negócio.

A expansão do Ebitda foi sustentada pela combinação entre recomposição de preços, maior utilização da frota, desempenho de Seminovos e disciplina na gestão dos contratos. Esses fatores ajudaram a compensar pressões financeiras decorrentes de juros elevados e crescimento da dívida média.

No setor de locação de veículos, o Ebitda é acompanhado de perto porque sinaliza a capacidade operacional da empresa antes dos efeitos financeiros e contábeis. No entanto, a análise do resultado também exige atenção à depreciação dos veículos e ao custo da dívida.

A Localiza (RENT3) teve um trimestre favorecido pela venda recorde de seminovos e pela melhora nos preços de usados. Esse componente é importante, mas pode variar conforme condições de mercado, oferta de veículos, demanda do consumidor e dinâmica das montadoras.

Por isso, a sustentabilidade do resultado dependerá da capacidade da companhia de manter eficiência operacional e disciplina de frota em diferentes cenários.

Custos financeiros sobem com CDI e dívida média

Apesar do lucro recorde, a Localiza (RENT3) registrou aumento de R$ 69 milhões nos custos financeiros líquidos no trimestre. Segundo a companhia, a alta foi pressionada pelo maior CDI e pelo crescimento da dívida média.

Esse ponto mostra que o ambiente de juros segue como uma variável relevante para a empresa. Locadoras dependem de financiamento para aquisição e renovação de frota, o que torna o custo da dívida um fator importante na formação do resultado líquido.

Mesmo com o crescimento operacional, juros elevados podem reduzir parte dos ganhos obtidos nas divisões de negócio. A capacidade de administrar o endividamento, alongar prazos e reduzir o custo financeiro será decisiva para preservar a rentabilidade.

A Localiza (RENT3) encerrou março com dívida líquida de R$ 30,198 bilhões, queda de 2,8% em relação ao fim de 2025. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda recuou para 2,08 vezes.

A redução da alavancagem é um dado positivo para o mercado, especialmente em um setor intensivo em capital. Menor alavancagem melhora a percepção de risco financeiro e amplia a flexibilidade da companhia para investir, renovar frota e atravessar períodos de maior volatilidade.

Caixa de R$ 10,9 bilhões reforça liquidez

A Localiza (RENT3) encerrou o primeiro trimestre com caixa de R$ 10,914 bilhões. O nível de liquidez é relevante para uma companhia que precisa financiar compras de veículos, investimentos operacionais, vencimentos de dívida e eventuais ajustes estratégicos.

Em empresas de locação, o caixa disponível funciona como proteção contra volatilidade de mercado, mudanças no custo de financiamento e oscilações no preço de veículos. Também permite maior capacidade de negociação com montadoras, bancos e fornecedores.

A posição de caixa, combinada à redução da alavancagem, reforça a percepção de que a companhia entrou em 2026 com uma estrutura financeira mais equilibrada. Ainda assim, o tamanho da dívida líquida segue exigindo acompanhamento, principalmente diante do custo do CDI.

Para os acionistas, a questão central é se a Localiza (RENT3) conseguirá converter o crescimento operacional em geração de caixa consistente. O lucro contábil elevado é positivo, mas o setor demanda investimentos constantes para manter a frota competitiva.

O equilíbrio entre crescimento, renovação de frota, rentabilidade e desalavancagem continuará no centro da tese de investimento.

Resultado fortalece posição da Localiza no setor de locação

O balanço do primeiro trimestre reforça a posição da Localiza (RENT3) como uma das principais companhias do setor de locação de veículos e gestão de frotas no Brasil. O lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, a receita de R$ 12,284 bilhões e o Ebitda de R$ 4,116 bilhões indicam escala operacional relevante e avanço na recomposição de retornos.

O desempenho de Seminovos foi decisivo para o resultado. A venda recorde de veículos e a melhora da rentabilidade da divisão ajudaram a elevar o lucro e reduzir a percepção de pressão sobre depreciação.

Ao mesmo tempo, as divisões de Aluguel de Carros e Gestão de Frotas mostraram sinais de disciplina comercial, com recomposição de diárias, maior utilização da frota e direcionamento para contratos mais rentáveis.

Para o mercado, o balanço tende a ser avaliado de forma positiva, embora ainda existam pontos de atenção. O custo financeiro, a dinâmica dos preços de usados, o nível de endividamento e a evolução da demanda por aluguel de carros e frotas corporativas seguirão determinando a trajetória da companhia nos próximos trimestres.

Seminovos sustentam lucro recorde da Localiza no 1T26

A Localiza (RENT3) entregou um primeiro trimestre marcado por expansão de lucro, receita e Ebitda, com destaque para a força da divisão de Seminovos. A companhia conseguiu superar a marca de R$ 1 bilhão em lucro recorrente trimestral, mesmo em um ambiente de juros elevados e custos financeiros maiores.

O resultado reforça a importância da gestão integrada do ciclo dos veículos. Comprar bem, utilizar a frota com eficiência, controlar custos de manutenção e vender seminovos em condições favoráveis são etapas que definem a rentabilidade do modelo.

A queda da alavancagem para 2,08 vezes e o caixa de R$ 10,914 bilhões dão maior conforto financeiro, mas não eliminam os desafios de um setor dependente de capital, crédito e preços de revenda.

Nos próximos trimestres, investidores acompanharão se a Localiza (RENT3) conseguirá manter o ritmo de recomposição de retornos e preservar a rentabilidade em Seminovos. O balanço do 1T26 mostra avanço relevante, mas a sustentação desse desempenho dependerá da continuidade da disciplina operacional e financeira.

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