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Lojas Renner (LREN3) cai no Ibovespa mesmo após lucro recorde e margem histórica no 1T26

Mercado reagiu negativamente ao crescimento mais fraco das vendas da varejista, apesar do avanço de lucro, margens e eficiência operacional.

por João Souza
08/05/2026 às 18h24
em Empresas
Lojas Renner (Lren3) Cai No Ibovespa Mesmo Após Lucro Recorde E Margem Histórica No 1T26-Gazeta Mercantil

As ações da Lojas Renner encerraram esta sexta-feira sob pressão na B3 após o mercado reagir de forma cautelosa ao balanço do primeiro trimestre de 2026 da companhia. Embora a varejista tenha registrado lucro líquido recorde para o período e avanço relevante de margens operacionais, investidores e analistas demonstraram preocupação com o crescimento mais lento das vendas e com os desafios para sustentar a expansão da receita ao longo do ano.

Os papéis da Lojas Renner (LREN3) chegaram a cair mais de 4% durante o pregão, figurando entre as maiores baixas do Ibovespa, mesmo em um dia de valorização do principal índice da Bolsa brasileira. A leitura predominante no mercado foi de que o resultado apresentou melhora operacional relevante, mas ainda insuficiente para dissipar dúvidas sobre a capacidade de aceleração das vendas em um ambiente macroeconômico marcado por juros elevados, consumo pressionado e maior seletividade dos investidores no setor varejista.

Leia também: Ações da Hypera HYPE3 sobem após lucro no 1T26, mas margens e caixa geram cautela no mercado.

A companhia reportou lucro líquido de R$ 257,3 milhões entre janeiro e março, alta de 16,4% na comparação anual. A margem bruta do varejo atingiu 56,7%, recorde histórico para um primeiro trimestre, enquanto a margem do segmento de vestuário avançou para 58%.

Apesar dos indicadores positivos de rentabilidade, o mercado concentrou atenção no crescimento mais fraco da receita e das vendas mesmas lojas, conhecidas pela sigla SSS. Analistas avaliaram que o desempenho comercial ficou abaixo das expectativas em comparação com concorrentes diretos do setor de moda e varejo.

Leia também: BB Seguridade (BBSE3) lucra R$ 2,2 bilhões no 1T26 com salto na previdência

Receita mais fraca limita reação positiva do mercado

A receita líquida de varejo da Lojas Renner somou R$ 2,88 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já as vendas mesmas lojas avançaram 3,2%.

No segmento de vestuário, principal operação da companhia, a receita atingiu R$ 2,56 bilhões, alta anual de 5,1%, enquanto as vendas mesmas lojas cresceram 3,7%.

Embora os números indiquem expansão operacional, parte do mercado esperava desempenho mais robusto diante da melhora gradual do ambiente de consumo e da estratégia de eficiência implementada pela companhia nos últimos trimestres.

Relatórios divulgados por bancos e corretoras classificaram o balanço como “misto”, com destaque positivo para a expansão de margens e para os resultados financeiros da Realize, braço financeiro da varejista, mas com ressalvas sobre a dinâmica de crescimento da receita.

O Itaú BBA afirmou que o principal ponto positivo do trimestre foi a qualidade operacional dos resultados, especialmente o ganho de margem observado no varejo. Por outro lado, destacou que o crescimento das vendas ficou abaixo das projeções do banco.

A instituição financeira observou ainda que a Lojas Renner apresentou desempenho inferior ao de concorrentes como C&A Brasil e Guararapes, controladora da Riachuelo, no indicador de vendas mesmas lojas.

Margens operacionais sustentam leitura mais construtiva

Apesar da reação negativa das ações, parte dos analistas ressaltou que o trimestre mostrou evolução consistente da eficiência operacional da companhia.

O JP Morgan destacou que o Ebitda ajustado da Lojas Renner atingiu R$ 534 milhões, avanço anual de 8% e acima das estimativas do consenso de mercado.

Segundo o banco, o desempenho foi impulsionado principalmente pela melhora estrutural da margem bruta, resultado atribuído a avanços na cadeia de suprimentos, maior eficiência logística e controle de despesas operacionais.

A XP Investimentos também avaliou os números como sólidos do ponto de vista operacional. A corretora apontou que, mesmo diante de vendas abaixo das expectativas, a companhia conseguiu ampliar rentabilidade e preservar ganhos importantes de eficiência.

Entre os fatores citados por analistas está o impacto positivo do novo modelo operacional implementado pela varejista nos últimos anos, incluindo revisão da estratégia comercial, maior disciplina promocional e integração logística.

O mercado também observou melhora relevante da operação financeira da Realize, braço de crédito da companhia. O segmento apresentou avanço de resultados em meio à redução das perdas com inadimplência e maior eficiência no controle de risco.

Investidores acompanham desafios para o segundo trimestre

O foco dos investidores agora se desloca para o desempenho do segundo trimestre, considerado um período mais desafiador para o varejo de moda em 2026.

Analistas alertam que a base de comparação ficará mais forte nos próximos meses, elevando a pressão sobre o crescimento da receita. O Itaú BBA destacou que, para atingir o piso do guidance anual divulgado pela companhia, será necessário um crescimento mais acelerado no segundo semestre.

O banco também chamou atenção para fatores externos que podem afetar o consumo nos próximos meses, incluindo clima mais quente, calendário de feriados prolongados e impactos indiretos da Copa do Mundo sobre o comportamento de compra.

A avaliação de gestores e investidores institucionais é de que o setor varejista continua sensível ao nível de juros da economia, mesmo diante do início do ciclo de flexibilização monetária conduzido pelo Banco Central.

Com a taxa Selic ainda em patamar elevado, o custo do crédito permanece pressionando o consumo das famílias, especialmente nas categorias de bens discricionários, como moda e vestuário.

Concorrência acirrada amplia seletividade do mercado

Outro fator que pesa sobre as ações da Lojas Renner é a crescente competição no varejo de moda e comércio eletrônico.

Nos últimos trimestres, companhias do setor passaram a intensificar campanhas promocionais, ampliar investimentos digitais e acelerar estratégias de ganho de participação de mercado.

Nesse ambiente, investidores passaram a diferenciar empresas com base na capacidade de crescimento de receita, expansão digital e manutenção de rentabilidade.

Embora a Lojas Renner tenha apresentado evolução consistente das margens, parte do mercado avalia que a companhia ainda precisa demonstrar retomada mais forte de crescimento para sustentar uma reprecificação mais relevante das ações.

A XP Investimentos afirmou que a recuperação do ritmo de vendas será um elemento central para fortalecer novamente a tese de investimento da varejista.

Já o JP Morgan ressaltou que, apesar do avanço operacional, as vendas mesmas lojas continuam abaixo das concorrentes mesmo após ajustes relacionados à migração logística do centro de distribuição do e-commerce.

Estratégia operacional tenta equilibrar rentabilidade e expansão

Nos últimos anos, a Lojas Renner passou por uma profunda reformulação operacional voltada à integração entre canais físicos e digitais, modernização logística e ganho de eficiência.

A estratégia incluiu investimentos em tecnologia, automação de distribuição, integração omnichannel e aprimoramento da gestão de estoques.

Analistas avaliam que parte dos ganhos de margem registrados no primeiro trimestre reflete justamente os efeitos dessa reorganização operacional.

A companhia também vem adotando postura mais disciplinada na política de descontos e promoções, buscando preservar rentabilidade mesmo em um cenário de consumo mais desafiador.

Essa estratégia, no entanto, tem impacto direto sobre o crescimento das vendas em um setor altamente competitivo e sensível a preço.

A leitura predominante entre gestores é de que a Lojas Renner tenta equilibrar crescimento sustentável e preservação de margens em um momento no qual o varejo enfrenta desaceleração do consumo e maior seletividade financeira dos consumidores.

Mercado monitora impacto dos juros sobre o varejo de moda

O comportamento das ações da Lojas Renner nesta sexta-feira também refletiu o ambiente mais amplo do varejo brasileiro, fortemente dependente da trajetória da política monetária.

Embora o Banco Central tenha iniciado o ciclo de redução da Selic, o mercado ainda projeta juros elevados ao longo de boa parte de 2026, o que limita uma recuperação mais intensa do consumo.

No caso das varejistas de moda, o cenário é ainda mais sensível porque parte relevante das compras depende de crédito ao consumidor e parcelamento.

A redução gradual da inadimplência e a melhora do mercado de trabalho têm ajudado o setor, mas investidores seguem cautelosos diante da velocidade da retomada econômica.

Além disso, o varejo brasileiro enfrenta concorrência crescente de plataformas digitais internacionais e de empresas que operam com estruturas de custo mais agressivas.

Nesse ambiente, o mercado tem privilegiado companhias capazes de entregar simultaneamente crescimento de receita, eficiência operacional e preservação de caixa.

Resultado reforça disputa por crescimento no varejo brasileiro

A reação negativa das ações da Lojas Renner ao balanço do primeiro trimestre reforçou a dinâmica atual do mercado acionário brasileiro, no qual resultados operacionais positivos nem sempre são suficientes para sustentar valorização dos papéis.

Mesmo com lucro recorde, expansão de margem e melhora operacional, investidores demonstraram preocupação com a desaceleração das receitas e com os desafios para acelerar vendas em um cenário de juros elevados e consumo moderado.

O comportamento das ações também evidencia a disputa cada vez mais intensa no varejo nacional, especialmente entre empresas de moda e comércio eletrônico que buscam preservar rentabilidade sem perder participação de mercado.

Para os próximos trimestres, o mercado seguirá monitorando a capacidade da Lojas Renner de ampliar crescimento, sustentar margens e converter eficiência operacional em retomada mais forte das receitas.

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