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Lula defende comércio em moedas locais e reforça parceria estratégica entre Brasil e Indonésia

Presidente brasileiro propõe maior integração econômica entre países do Sul Global e critica dependência do dólar nas transações internacionais

por Gabriel Monteiro
24/10/2025 às 02h39
em Política
Parceria Estratégica Fortalece Relações Bilaterais, Abre Novos Mercados E Amplia O Fluxo De Investimentos Entre Os Dois Países - Gazeta Mercantil

Lula defende comércio em moedas locais e reforça aliança estratégica entre Brasil e Indonésia

Brasil e Indonésia fortalecem aliança estratégica no Sul Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou nesta quinta-feira (23) o compromisso do Brasil com a cooperação econômica e política com a Indonésia, destacando a importância de ampliar as trocas comerciais entre as duas maiores economias tropicais do planeta.
Durante cerimônia no Palácio Merdeka, em Jacarta, ao lado do presidente Prabowo Subianto, Lula defendeu um novo modelo de integração baseado em comércio em moedas locais, sem a dependência do dólar americano, e ressaltou que o fortalecimento do Sul Global é essencial para o equilíbrio econômico mundial.

A visita marca uma nova etapa nas relações bilaterais entre os dois países e representa um passo importante na agenda de diversificação de parcerias econômicas do Brasil na Ásia.
Com cerca de 500 milhões de habitantes somados, Brasil e Indonésia estão entre as maiores democracias em desenvolvimento e compartilham desafios semelhantes, como crescimento sustentável, redução da desigualdade e transição energética.

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O fortalecimento do comércio em moedas locais

Ao defender o comércio em moedas locais, Lula ressaltou a necessidade de os países emergentes construírem um sistema financeiro mais autônomo, capaz de reduzir a vulnerabilidade cambial frente ao dólar e de estimular um fluxo comercial mais equilibrado entre economias do Sul Global.

A proposta tem sido um tema recorrente na política externa brasileira desde o retorno de Lula ao poder.
O presidente já defendeu a ideia em fóruns do Brics — bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e em encontros com líderes da América Latina e da África, como parte de um esforço para desdolarizar parcialmente o comércio internacional.

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Atualmente, o intercâmbio comercial entre Brasil e Indonésia movimenta cerca de US$ 6 bilhões por ano, valor considerado modesto para o potencial econômico das duas nações.
Com os novos acordos firmados em Jacarta, o objetivo é diversificar as exportações, fortalecer cadeias produtivas regionais e abrir espaço para novos investimentos bilaterais em energia, tecnologia, agricultura e ciência.


Acordos estratégicos ampliam cooperação bilateral

Durante a visita oficial, foram assinados acordos e memorandos de entendimento em áreas estratégicas como energia renovável, mineração, estatística, agricultura, ciência e tecnologia.
essas parcerias visam impulsionar o comércio, facilitar o investimento direto e promover transferência de conhecimento e inovação tecnológica.

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O presidente destacou que a cooperação em pesquisa e inovação pode gerar benefícios mútuos, especialmente em setores como biotecnologia, agroindústria e economia verde.
Com o avanço das negociações, a expectativa é de que empresas brasileiras possam expandir operações na Indonésia e que produtos indonésios encontrem maior espaço no mercado brasileiro.

Além da pauta econômica, a parceria reforça o compromisso dos dois países com o multilateralismo, a democracia e o comércio justo, valores compartilhados que orientam suas políticas externas.


Sul Global: uma aliança pela soberania econômica

A aproximação entre Brasil e Indonésia simboliza o fortalecimento da agenda do Sul Global, uma articulação de países em desenvolvimento que buscam maior representatividade nas decisões econômicas e políticas internacionais.
Lula destacou que a proposta de comércio em moedas locais faz parte dessa visão, pois reduz a dependência de economias centrais e amplia a autonomia financeira das nações emergentes.

A iniciativa também se alinha aos objetivos do Brics e do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — instituições que vêm atuando na criação de mecanismos de financiamento alternativos e na promoção de projetos sustentáveis e de infraestrutura em países em desenvolvimento.
Lula reiterou o apoio brasileiro à entrada da Indonésia no NDB, o chamado “banco do Brics”, o que reforçaria o papel do país asiático na construção de um sistema financeiro global mais inclusivo.


Brasil e Indonésia: parceiros estratégicos na transição verde

Outro ponto central da visita de Lula à Indonésia foi a cooperação ambiental.
O presidente brasileiro agradeceu o apoio de Jacarta à Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em Belém (PA), em novembro de 2025, e destacou a importância de um financiamento global para a preservação das florestas tropicais.

Tanto o Brasil quanto a Indonésia abrigam as maiores áreas de florestas tropicais do planeta — a Amazônia e a Floresta de Bornéu — e enfrentam desafios semelhantes no equilíbrio entre crescimento econômico e conservação ambiental.
Os dois países defendem que as nações desenvolvidas cumpram compromissos de financiamento climático, destinando recursos aos países que preservam ecossistemas essenciais para o planeta.

Lula ressaltou que a união de Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo — países que abrigam as três maiores florestas tropicais do mundo — pode consolidar um bloco verde de influência global na diplomacia ambiental.


Reconfiguração da geopolítica econômica

O discurso de Lula em Jacarta também reforça a mudança na estratégia diplomática brasileira.
O Brasil busca consolidar-se como um polo de liderança no Sul Global, articulando novas parcerias com a Ásia e a África, e equilibrando as relações com as potências ocidentais.

A cooperação com a Indonésia insere-se nesse contexto de diversificação da política externa, em um momento de reconfiguração geopolítica marcada por disputas comerciais e tecnológicas entre Estados Unidos e China.
Ao defender o comércio em moedas locais, Lula propõe uma alternativa de independência monetária e integração regional, reduzindo os impactos das oscilações do dólar sobre as economias emergentes.


Um novo paradigma econômico para o século XXI

A proposta de comércio em moedas locais vai além de uma mudança técnica no sistema financeiro: trata-se de um reposicionamento político e econômico.
Segundo especialistas, a desdolarização gradual do comércio internacional pode reduzir custos de transação, estimular exportações e proteger as reservas cambiais de países em desenvolvimento.

O Brasil, ao lado de outras nações do Brics, tem trabalhado na criação de instrumentos financeiros multilaterais, como sistemas de compensação direta e moedas digitais lastreadas em reservas regionais.
Essa transformação está em linha com uma tendência global de fragmentação monetária, na qual blocos regionais passam a adotar mecanismos próprios de pagamento e liquidação.

A Indonésia, por sua vez, tem mostrado interesse em integrar-se a essa nova arquitetura financeira.
Com uma economia dinâmica e crescente peso político na Ásia, o país se torna parceiro estratégico para o Brasil em iniciativas que buscam fortalecer o comércio Sul-Sul e o financiamento sustentável.


Desafios e oportunidades à frente

Apesar do otimismo, Lula reconheceu que ainda há desafios estruturais a serem enfrentados.
O comércio entre Brasil e Indonésia precisa superar barreiras logísticas e tarifárias, ampliar a conectividade aérea e marítima e estimular investimentos privados.
Ainda assim, os acordos assinados nesta visita representam um passo concreto para aprofundar a integração econômica e institucional entre as duas nações.

Especialistas apontam que o sucesso dessa parceria depende de políticas consistentes, estabilidade macroeconômica e confiança mútua entre os setores produtivos.
A entrada de empresas brasileiras em setores estratégicos indonésios — e vice-versa — pode abrir novos caminhos para investimentos cruzados, consolidando a presença do Brasil no Sudeste Asiático.


A diplomacia econômica como vetor de desenvolvimento

A política externa de Lula reforça a ideia de que o comércio é instrumento de desenvolvimento e de que a cooperação entre países emergentes deve ser baseada em igualdade, reciprocidade e benefícios compartilhados.
O modelo defendido pelo presidente busca fortalecer a soberania nacional, valorizar a produção local e estimular o investimento produtivo sustentável.

Ao adotar o comércio em moedas locais, o Brasil reafirma sua posição como protagonista de uma nova ordem econômica multipolar — mais diversa, democrática e menos dependente de centros financeiros tradicionais.


Brasil e Indonésia: uma aliança estratégica em construção

A visita de Lula à Indonésia encerra uma semana marcada por intensa agenda diplomática na Ásia e reforça o papel do Brasil como líder regional e articulador global.
O encontro com Prabowo Subianto não apenas fortalece laços econômicos e políticos, mas projeta uma parceria de longo prazo, centrada em inovação, sustentabilidade e integração comercial.

Com o relançamento das relações bilaterais, Brasil e Indonésia dão início a um novo ciclo de cooperação — um pacto estratégico que une duas nações tropicais em torno de um mesmo propósito: um desenvolvimento mais justo, autônomo e sustentável para o Sul Global.

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