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Lula diz que saiu “muito satisfeito” de reunião com Trump na Casa Branca

Presidente brasileiro afirmou que encontro de três horas em Washington foi “importante para o Brasil e para os Estados Unidos”; comércio, tarifas, minerais críticos e crime organizado estiveram na pauta.

por Júlia Campos - Repórter de Política
07/05/2026 às 18h10 - Atualizado em 14/05/2026 às 12h28
em Política, Destaque, Notícias
Presidente Brasileiro Afirmou Que Encontro De Três Horas Em Washington Foi “Importante Para O Brasil E Para Os Estados Unidos”; Comércio, Tarifas, Minerais Críticos E Crime Organizado Estiveram Na Pauta. - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, em Washington, que saiu “muito satisfeito” da reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada mais cedo na Casa Branca. O encontro, que durou cerca de três horas e ocorreu a portas fechadas, tratou de comércio, tarifas, minerais críticos, combate ao crime organizado e cooperação bilateral, em um momento de tentativa de reaproximação entre os dois governos.

Na coletiva de imprensa concedida na Embaixada do Brasil em Washington, Lula disse que a reunião foi “importante para o Brasil” e “importante para os Estados Unidos”. O presidente brasileiro afirmou ainda que deixou o encontro otimista e relatou que Trump disse gostar muito do Brasil.

A reunião entre Lula e Trump ocorreu em meio a uma agenda sensível para a diplomacia brasileira. O governo brasileiro busca reduzir tensões comerciais com os Estados Unidos, evitar novas barreiras a produtos nacionais e abrir espaço para cooperação em áreas consideradas estratégicas, como minerais críticos e segurança transnacional.

Lula também comentou a foto feita ao fim do encontro, na qual Trump aparece sorrindo. “O presidente Trump rindo é melhor do que de cara feia”, disse o brasileiro. Em tom descontraído, o petista afirmou ter brincado com o presidente norte-americano sobre a Copa do Mundo, que terá os Estados Unidos como uma das sedes, e disse esperar que o país não cancele vistos de jogadores da seleção brasileira.

Encontro de três horas teve comércio e tarifas no centro da pauta

A reunião entre Lula e Trump teve como eixo central a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o presidente brasileiro e ministros que participaram do encontro, os dois governos discutiram tarifas, fluxo de comércio e pontos de divergência na relação econômica bilateral.

O governo brasileiro apresentou aos norte-americanos o argumento de que o Brasil já registra déficit no comércio com os Estados Unidos. Por essa razão, segundo Lula, não faria sentido adotar sobretaxas contra produtos brasileiros. A avaliação de Brasília é que medidas adicionais contra exportações do país poderiam prejudicar setores produtivos e criar ruídos desnecessários em uma relação comercial historicamente relevante.

Como ainda há divergências, foi proposta a criação de um grupo de trabalho entre as equipes dos dois países. A expectativa é que representantes brasileiros e norte-americanos voltem a se reunir em 30 dias para avançar nas discussões.

A pauta tarifária é uma das mais relevantes para a política externa brasileira porque envolve impactos diretos sobre exportadores, indústria, agronegócio, mineração e cadeias de valor integradas ao mercado norte-americano. A criação de um grupo técnico indica que o tema ainda não foi encerrado e dependerá de negociação adicional.

Lula entrega propostas por escrito ao presidente americano

Ao fim da reunião, Lula afirmou ter entregue a Trump um documento em inglês com as demandas brasileiras discutidas no encontro. Segundo o presidente brasileiro, o material reuniu cada uma das propostas apresentadas durante a conversa.

Além desse resumo, Lula relatou ter entregado outros dois documentos. O primeiro foi uma lista de autoridades brasileiras que ainda estão sob sanção dos Estados Unidos, com vistos de entrada revogados. Entre os nomes citados está o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de sua filha de 10 anos.

O segundo documento foi o acordo de não proliferação de armas nucleares de 2010, costurado pelo Brasil e assinado pelo Irã. Embora Lula tenha afirmado que não tratou da guerra no Irã em profundidade, disse que entregou o material a Trump, que teria afirmado que leria o documento ainda nesta quinta-feira.

A entrega formal de propostas mostra que o governo brasileiro buscou dar caráter prático ao encontro. Em vez de limitar a reunião a gestos diplomáticos, o Planalto tentou registrar por escrito os pontos de interesse brasileiro para orientar as próximas etapas da negociação.

Minerais críticos entram na agenda bilateral

Os minerais críticos também estiveram entre os principais temas da reunião entre Lula e Trump. O assunto ganhou relevância global por causa da transição energética, da eletrificação da economia, da indústria de semicondutores, da defesa e da disputa por cadeias estratégicas de suprimento.

Lula afirmou ter explicado a Trump o cenário brasileiro nessa área, incluindo a aprovação de uma nova lei sobre o tema pela Câmara dos Deputados na noite anterior ao encontro. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não detalhou eventuais compromissos, mas indicou que pode haver investimentos norte-americanos no Brasil no setor.

A inclusão dos minerais críticos na pauta reforça o interesse dos Estados Unidos em diversificar fornecedores e reduzir dependência de cadeias concentradas em poucos países. Para o Brasil, a agenda abre oportunidade de atrair capital estrangeiro, tecnologia e parcerias industriais, desde que o país consiga combinar segurança jurídica, regulação ambiental e agregação de valor.

O tema também tem efeito econômico relevante. A exploração e o processamento de minerais críticos podem impactar mineração, infraestrutura, energia, logística, pesquisa tecnológica e política industrial. Para o governo brasileiro, essa é uma área com potencial de gerar investimentos e ampliar a inserção do país em cadeias de maior valor agregado.

Cooperação contra crime organizado foi discutida

Outro tema tratado por Lula e Trump foi a cooperação internacional no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro defendeu a criação de um grupo de países para atuar de forma coordenada contra organizações criminosas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ter tratado da importância de asfixiar financeiramente essas organizações. A abordagem indica que o governo brasileiro quer associar o combate ao crime organizado não apenas à segurança pública, mas também ao rastreamento de fluxos financeiros, lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico e financiamento de redes criminosas.

A pauta tem relevância institucional e econômica. Facções e organizações transnacionais operam em áreas como drogas, armas, mineração ilegal, comércio informal, fraudes financeiras e contrabando. O combate a essas estruturas exige cooperação entre países, inteligência financeira, integração policial e mecanismos de controle sobre movimentações suspeitas.

Ao levar o tema à reunião com Trump, Lula buscou posicionar o Brasil como parte de uma agenda regional de segurança. A cooperação com os Estados Unidos pode envolver intercâmbio de informações, ações de inteligência e coordenação em frentes financeiras.

Pix não foi tratado, segundo Lula

Havia expectativa de que o Pix fosse discutido no encontro entre Lula e Trump, diante de preocupações de autoridades e agentes norte-americanos com o impacto do sistema brasileiro de pagamentos sobre o setor financeiro. Lula, porém, afirmou que o tema não foi abordado.

Segundo o presidente brasileiro, Trump não tocou no assunto, e por isso ele também não o levou à mesa. A declaração reduz, ao menos no curto prazo, a leitura de que o Pix teria sido pauta central do encontro.

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro é considerado uma das principais inovações financeiras do país nos últimos anos. Sua expansão alterou hábitos de consumo, reduziu custos de transação e ampliou a competição no sistema financeiro.

Apesar disso, a ausência do tema na reunião indica que, naquela conversa, os dois governos concentraram esforços em comércio, tarifas, minerais críticos e segurança. O assunto pode voltar a aparecer em debates técnicos ou regulatórios, mas não foi tratado no encontro presidencial, segundo Lula.

Eleições brasileiras ficaram fora da conversa

Lula também afirmou que não discutiu eleições brasileiras com Trump. O presidente disse não haver possibilidade de tratar do tema com qualquer presidente de outro país.

A declaração teve peso político porque a relação entre governos estrangeiros e a disputa eleitoral brasileira costuma gerar atenção institucional. Ao negar o tema, Lula buscou delimitar a conversa ao campo diplomático, econômico e de cooperação bilateral.

Segundo o presidente brasileiro, o encontro foi voltado a “assuntos brasileiros” de interesse direto na relação com os Estados Unidos. Ele afirmou ainda estar à disposição para conversar sobre outros países se o governo norte-americano quiser tratar desses temas, mas disse que a prioridade da visita foi a agenda bilateral.

A exclusão do debate eleitoral reforça a tentativa do governo brasileiro de evitar interpretações de interferência externa ou uso político interno da reunião. Em ano eleitoral, encontros internacionais de alto nível tendem a ser observados com atenção por governo, oposição e mercado.

Ministros classificam reunião como positiva

Antes da fala de Lula, ministros que participaram do encontro fizeram relatos sobre os temas tratados e avaliaram a reunião de forma positiva. Expressões como “clima amistoso”, “reunião excelente”, “muito exitosa” e “extremamente otimistas” foram usadas por integrantes da comitiva brasileira.

A presença de ministros de áreas econômicas, energéticas e institucionais indica que a reunião teve caráter amplo. O governo brasileiro buscou apresentar uma agenda que combinasse comércio, investimentos, segurança e temas estratégicos.

O tom adotado pela comitiva sugere que Brasília enxerga a reunião como um passo de reaproximação. A relação entre Brasil e Estados Unidos passa por temas de convergência e divergência, e o encontro buscou reduzir tensões acumuladas.

Para o governo brasileiro, a leitura positiva pode ajudar a abrir espaço para negociações posteriores. O resultado concreto, contudo, dependerá das reuniões técnicas, especialmente no tema das tarifas e dos eventuais investimentos em minerais críticos.

Relação bilateral busca novo eixo de cooperação

A reunião entre Lula e Trump ocorre em um contexto no qual Brasil e Estados Unidos tentam reorganizar uma relação marcada por interesses econômicos relevantes, diferenças políticas e disputas comerciais. Os dois países mantêm forte intercâmbio em bens, serviços, investimentos, tecnologia, energia e segurança.

A tentativa de estabelecer grupos de trabalho indica que a relação não será resolvida em um único encontro. A pauta envolve temas complexos, com impacto sobre empresas, governos estaduais, exportadores, investidores e setores regulados.

No comércio, a prioridade brasileira é evitar barreiras adicionais e preservar acesso ao mercado norte-americano. Em minerais críticos, a agenda pode abrir espaço para investimentos. Em segurança, há possibilidade de cooperação contra organizações criminosas. Em diplomacia multilateral, Lula voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

A reunião também tem impacto simbólico. Após um período de tensões e divergências, o encontro de três horas na Casa Branca sinaliza disposição dos dois governos em manter diálogo direto.

Encontro abre negociação de 30 dias sobre tarifas

O principal desdobramento prático da reunião entre Lula e Trump será a continuidade da negociação sobre tarifas. As equipes dos dois países devem voltar a se reunir em 30 dias para tratar dos pontos de divergência identificados durante o encontro.

Esse prazo coloca a agenda comercial no centro da relação bilateral. Para o Brasil, o objetivo será demonstrar que eventuais sobretaxas não se justificam diante do déficit brasileiro no comércio com os Estados Unidos. Para Washington, a discussão deve envolver interesses industriais, comerciais e estratégicos do governo norte-americano.

A criação de um grupo técnico permite que as divergências sejam tratadas fora do ambiente político imediato, com dados, propostas e alternativas. Ainda assim, decisões sobre tarifas dependem de orientação política e podem ter reflexos sobre setores sensíveis da economia.

O encontro desta quinta-feira não encerrou as disputas comerciais, mas abriu uma via formal de negociação. Para Brasília, o saldo político foi apresentado como positivo. Para empresas e investidores, o ponto decisivo será saber se o diálogo reduzirá riscos de barreiras adicionais e abrirá espaço para acordos concretos entre Brasil e Estados Unidos.

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