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Magalu (MGLU3) reverte lucro e tem prejuízo ajustado de R$ 33,9 milhões no 1T26

Magazine Luiza registra queda nas vendas totais, pressão do e-commerce e impacto dos juros, enquanto lojas físicas avançam e ganham peso na estratégia multicanal

por Alice Nascimento - Repórter de Negócios
07/05/2026 às 19h40 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h56
em Empresas, Destaque, Notícias
Magalu Reverte Lucro E Tem Prejuízo Ajustado De R$ 33,9 Milhões No 1T26 - Gazeta Mercantil

O Magazine Luiza (MGLU3) registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro ajustado de R$ 11,2 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado na noite desta quinta-feira, 7 de maio de 2026, foi pressionado pela queda nas vendas totais, pela competição mais acirrada no comércio eletrônico, pelo recuo do marketplace e pelo impacto do patamar elevado de juros sobre a operação financeira da varejista.

Sem ajustes, o prejuízo líquido do Magazine Luiza (MGLU3) foi de R$ 55,2 milhões no trimestre, também revertendo o lucro líquido de R$ 12,8 milhões registrado um ano antes. A companhia atribuiu parte da piora ao ambiente macroeconômico, especialmente ao custo financeiro ainda elevado no Brasil, que afeta consumo, crédito e despesas financeiras das empresas de varejo.

As vendas totais da companhia somaram R$ 15,2 bilhões, queda de 5,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A receita líquida ficou em R$ 9,2 bilhões, recuo de 2% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 717,6 milhões, baixa de 5,4% ante o mesmo período do ano passado.

O balanço reforça o desafio do Magazine Luiza (MGLU3) em preservar margens e rentabilidade em um cenário de disputa intensa no varejo online. A companhia afirma que adotou uma postura de disciplina financeira e evitou competir em condições consideradas irracionais, especialmente em segmentos de tíquete baixo no e-commerce e no marketplace.

Prejuízo do Magalu reflete pressão financeira e queda nas vendas

A reversão do lucro para prejuízo no primeiro trimestre coloca o Magazine Luiza (MGLU3) novamente sob escrutínio do mercado. A varejista vinha tentando consolidar uma trajetória de recuperação operacional após um ciclo difícil para o setor, marcado por juros elevados, consumo pressionado e disputa agressiva no comércio digital.

O prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões representa uma deterioração frente ao lucro ajustado de R$ 11,2 milhões registrado no primeiro trimestre de 2025. O resultado sem ajustes, negativo em R$ 55,2 milhões, também sinaliza que a pressão não ficou restrita a efeitos pontuais.

A administração citou o nível elevado de juros como um dos principais fatores por trás da queda no resultado. No varejo, juros altos afetam o negócio por várias frentes. Eles encarecem o crédito ao consumidor, reduzem o apetite por compras parceladas, pressionam despesas financeiras e elevam o custo de capital das empresas.

Esse ambiente é especialmente sensível para companhias com forte exposição a bens duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e itens de maior valor agregado. Parte relevante dessas compras depende de financiamento, parcelamento ou confiança do consumidor na renda futura.

O Magazine Luiza (MGLU3), por sua presença nacional e atuação em múltiplos canais, sente diretamente os efeitos desse cenário. Mesmo com uma base relevante de lojas físicas e presença digital consolidada, a companhia precisou lidar no trimestre com menor volume de vendas totais e pressão competitiva no ambiente online.

Vendas totais recuam 5,6% e e-commerce pesa no desempenho

As vendas totais do Magazine Luiza (MGLU3), incluindo lojas físicas, e-commerce com estoque próprio e marketplace, somaram R$ 15,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma queda de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho foi afetado principalmente pelo comércio eletrônico. As vendas de e-commerce recuaram 11%, enquanto o marketplace caiu 14,3%. A retração nesse canal chama atenção porque o digital foi, durante anos, um dos principais vetores de crescimento da companhia.

A administração apontou uma competição mais intensa no online, sobretudo no modelo 3P, em que lojistas terceiros vendem dentro da plataforma. Segundo Lucas Ozório, gerente de Relações com Investidores do Magazine Luiza, a disputa no primeiro trimestre foi marcada por tíquetes baixos vendidos de forma considerada irracional por outras plataformas.

O executivo citou práticas agressivas de frete grátis em compras de menor valor como exemplo da pressão competitiva. Para a companhia, participar desse tipo de disputa poderia prejudicar margens e comprometer a disciplina financeira.

A decisão de evitar uma competição mais agressiva por volume ajuda a explicar parte da queda nas vendas, mas também sinaliza uma tentativa de proteger rentabilidade. Em um ambiente de margens apertadas, o crescimento a qualquer custo pode aumentar prejuízos e deteriorar geração de caixa.

Lojas físicas avançam 7% e sustentam estratégia multicanal

Na direção oposta ao e-commerce, as lojas físicas do Magazine Luiza (MGLU3) cresceram 7% no primeiro trimestre. O desempenho foi destacado pela administração como evidência da força do canal e da estratégia multicanal da varejista.

Para Lucas Ozório, o avanço das lojas físicas mostra ganho de participação de mercado. O executivo afirmou que as unidades estão reformadas, bem abastecidas e posicionadas em localizações distintas. Ele citou a Galeria Magalu, inaugurada no fim do ano passado, como exemplo da estratégia de valorização do ponto físico.

O crescimento das lojas físicas também ocorre em um momento em que parte do varejo brasileiro reavalia o equilíbrio entre presença digital e operação presencial. Depois de anos de expansão acelerada do e-commerce, empresas do setor passaram a buscar maior integração entre canais, controle de custos e eficiência logística.

No caso do Magazine Luiza (MGLU3), a loja física não é tratada como substituta do e-commerce, mas como parte de uma operação integrada. A ideia é permitir que o consumidor compre, troque, retire produtos ou combine jornadas online e offline dentro da mesma estrutura.

Esse modelo pode ajudar a reduzir custos de entrega, melhorar a experiência do cliente e elevar a frequência de relacionamento com a marca. Ao mesmo tempo, exige investimento em tecnologia, logística, treinamento e padronização da operação.

Marketplace sofre com concorrência em tíquetes baixos

O recuo de 14,3% nas vendas do marketplace é um dos pontos mais sensíveis do balanço do Magazine Luiza (MGLU3). O canal 3P havia se tornado uma das apostas estratégicas da companhia para ampliar sortimento sem carregar todo o estoque no balanço.

O modelo, no entanto, enfrenta concorrência intensa de plataformas nacionais e estrangeiras, especialmente em produtos de menor valor. A disputa por frete grátis, descontos e prazos de entrega tem pressionado margens e elevado o custo de aquisição de clientes.

A administração do Magazine Luiza (MGLU3) indicou que prefere preservar margens a buscar crescimento em operações pouco rentáveis. Essa postura pode ser bem recebida por investidores preocupados com disciplina financeira, mas também tende a limitar crescimento no curto prazo.

A dificuldade está em equilibrar escala e rentabilidade. No marketplace, maior volume de vendedores e produtos pode fortalecer a plataforma, mas a companhia precisa manter qualidade, controle de serviço, competitividade de preço e custos logísticos sob controle.

A queda do marketplace também ocorre em um ambiente em que o consumidor está mais seletivo. Juros altos, orçamento apertado e maior competição por preço tornam a decisão de compra mais sensível a promoções e condições de pagamento.

Ebitda ajustado cai 5,4% e mostra pressão sobre operação

O Ebitda ajustado do Magazine Luiza (MGLU3) somou R$ 717,6 milhões no primeiro trimestre, queda de 5,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O recuo acompanhou a retração nas vendas totais e a pressão competitiva no e-commerce.

Embora o Ebitda ainda indique geração operacional positiva, a queda mostra que a companhia teve dificuldade para compensar o menor volume de vendas com eficiência e controle de custos. Em varejo, a diluição de despesas fixas depende fortemente de escala. Quando as vendas caem, parte dos custos pesa mais sobre a margem.

A receita líquida de R$ 9,2 bilhões, 2% menor que a do ano anterior, reforça esse quadro. A queda da receita foi inferior à retração das vendas totais, o que pode indicar diferenças de mix entre canais, participação de marketplace e lojas próprias, além da política comercial adotada no período.

Para o mercado, o ponto central será avaliar se o Magazine Luiza (MGLU3) conseguirá manter a disciplina financeira sem perder relevância competitiva. A estratégia de evitar promoções agressivas pode preservar margem, mas também abre espaço para concorrentes capturarem parte do volume.

A reação dos investidores dependerá da percepção sobre sustentabilidade dessa estratégia. Se a companhia conseguir melhorar rentabilidade e estabilizar vendas nos próximos trimestres, o resultado do 1T26 poderá ser visto como parte de um ajuste. Caso a queda no online se prolongue, a pressão sobre as ações tende a continuar.

Copa pode impulsionar televisores e itens domésticos

A administração do Magazine Luiza (MGLU3) apontou a sazonalidade como um fator relevante para interpretar o desempenho do primeiro trimestre. Historicamente, o início do ano é mais fraco para o varejo, após o período de maior consumo no quarto trimestre, marcado por Black Friday, Natal e pagamento do 13º salário.

Lucas Ozório afirmou que essa sazonalidade tende a não se repetir com a mesma intensidade nos demais trimestres. A companhia também observa oportunidades ligadas ao aumento de consumo esperado com a Copa, que pode impulsionar a venda de televisores e outros itens domésticos, como churrasqueiras e frigobares.

Eventos esportivos de grande alcance costumam favorecer categorias específicas do varejo, especialmente eletrônicos, eletrodomésticos e produtos ligados ao consumo doméstico. Para o Magazine Luiza (MGLU3), o desafio será capturar essa demanda sem comprometer margens em um ambiente de concorrência agressiva.

A expectativa de aumento nas vendas de televisores pode beneficiar o faturamento, mas a rentabilidade dependerá da política de preços, das condições de financiamento e do mix de produtos. Categorias de alto giro nem sempre entregam margens elevadas, sobretudo quando há forte disputa promocional.

Além disso, o efeito da Copa pode ser temporário. Para melhorar estruturalmente os resultados, a companhia precisará avançar em produtividade, logística, integração de canais e controle de despesas financeiras.

Ações seguem expostas ao ciclo de juros e consumo

O resultado do Magazine Luiza (MGLU3) reforça a sensibilidade das ações da companhia ao ciclo de juros e à dinâmica do consumo. Empresas de varejo tendem a reagir fortemente às expectativas sobre Selic, inflação, renda e crédito.

Com juros elevados, o mercado costuma exigir maior clareza sobre geração de caixa, rentabilidade e redução de riscos financeiros. Companhias que dependem de crescimento acelerado ou margens estreitas enfrentam maior pressão, especialmente quando há reversão de lucro para prejuízo.

No caso do Magazine Luiza (MGLU3), a queda das vendas digitais e o prejuízo ajustado devem concentrar a atenção dos analistas. O crescimento das lojas físicas é um ponto positivo, mas ainda não foi suficiente para compensar a retração nos canais online.

O desempenho das ações também dependerá da leitura sobre a concorrência. Se a disputa no e-commerce continuar baseada em subsídios, frete grátis e preços agressivos, a companhia terá de escolher entre preservar margem ou recuperar participação de mercado.

Essa decisão terá impacto direto na percepção de valor da empresa. Uma estratégia mais defensiva pode proteger o caixa, mas reduz crescimento. Uma postura mais agressiva pode elevar vendas, mas comprometer resultado líquido.

Magalu tenta preservar margens em meio à disputa do varejo digital

O balanço do primeiro trimestre mostra um Magazine Luiza (MGLU3) em fase de ajuste. A companhia manteve geração operacional positiva, avançou nas lojas físicas e defendeu disciplina financeira, mas voltou ao prejuízo e registrou queda relevante nos canais digitais.

A reversão do lucro para prejuízo ajustado de R$ 33,9 milhões pressiona a narrativa de recuperação da varejista. Ao mesmo tempo, a administração tenta sustentar que a estratégia de evitar disputas irracionais no online é necessária para preservar margens em um setor altamente competitivo.

Nos próximos trimestres, o mercado acompanhará a capacidade do Magazine Luiza (MGLU3) de recuperar vendas, proteger rentabilidade e aproveitar eventos sazonais sem elevar riscos. A integração entre lojas físicas, e-commerce e marketplace continuará sendo central para a companhia.

O resultado do 1T26 indica que a recuperação do varejo ainda depende de uma combinação difícil: juros menores, consumidor mais confiante, concorrência menos predatória e execução operacional consistente. Até lá, o Magazine Luiza (MGLU3) seguirá exposto à pressão do ambiente macroeconômico e à disputa intensa pelo consumidor brasileiro.

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