O pastor Silas Malafaia criticou duramente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na quarta-feira (28), em que o candidato derrotado à Presidência questionou o resultado das eleições de 2026 e chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Em mensagem privada atribuída ao líder evangélico e divulgada publicamente, Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de “jumentos” e demonstrou irritação com a condução política do episódio.
“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, diz o trecho da mensagem atribuído ao pastor. O conteúdo foi divulgado após Flávio publicar diferentes versões de uma carta dirigida à população brasileira e à comunidade internacional, já em território norte-americano.
Malafaia também teria criticado a atuação dos conselheiros políticos da família e mencionado a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da iniciativa do senador. A mensagem privada original, entretanto, não foi disponibilizada publicamente para verificação independente.
A manifestação representa uma nova divergência entre o pastor e integrantes da família Bolsonaro, da qual é aliado político há vários anos. Apesar das críticas à carta, Malafaia havia defendido anteriormente a decisão de Flávio de viajar aos Estados Unidos, argumentando que o senador enfrentava medidas judiciais no Brasil.
Malafaia critica mudanças na carta de Flávio Bolsonaro
Em declarações concedidas à imprensa nesta quinta-feira (29), Malafaia também questionou publicamente a elaboração do documento e afirmou que sucessivas correções prejudicaram a credibilidade política do ex-candidato à Presidência.
O pastor classificou a iniciativa como “infantilidade” e considerou inadequado que um político que disputou a Presidência divulgasse um pronunciamento com erros e posteriormente precisasse modificar seu conteúdo.
Entre os pontos criticados estava a utilização de um antigo brasão da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, em uma das versões iniciais da carta.
O documento passou por diferentes alterações ao longo da quarta-feira. Em uma versão distribuída por aliados, Flávio se identificava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na publicação inicial em seu próprio perfil na rede social X, apresentava-se como o “verdadeiro presidente do Brasil”.
Posteriormente, o senador substituiu essa identificação por “líder do Brasil” e retirou outra passagem na qual afirmava ser o presidente eleito. As mudanças, porém, não eliminaram os questionamentos à legitimidade da eleição presidencial.
Na carta, Flávio afirmou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos e atribuiu sua saída do país ao que considera perseguição judicial. O senador também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina.
Carta questiona eleição vencida por Lula
O principal argumento apresentado por Flávio Bolsonaro para contestar o resultado eleitoral envolve a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a continuidade da votação até as 19h do domingo (25), em locais onde os trabalhos ainda não haviam sido encerrados às 17h.
A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin após as duas candidaturas presidenciais relatarem dificuldades relacionadas ao transporte de eleitores no dia da votação.
Segundo levantamento oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 34.393 votos foram registrados após as 17h em território nacional. Desse total, 32.399 ocorreram entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h.
Os números são significativamente inferiores à diferença registrada entre os dois candidatos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A vantagem do presidente reeleito foi de 4.430.191 votos. Flávio não apresentou provas capazes de demonstrar que a prorrogação do horário de votação tenha provocado fraude ou alterado o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
O TSE confirmou a vitória de Lula no segundo turno e informou que a apuração de 100% das urnas foi concluída às 23h26 de domingo.
Críticas expõem divergências entre Malafaia e a família Bolsonaro
As declarações desta semana não representam o primeiro episódio de atrito entre Silas Malafaia e os filhos de Jair Bolsonaro.
Em 2025, o pastor também dirigiu críticas ao então deputado Eduardo Bolsonaro, especialmente em razão de sua atuação nos Estados Unidos durante as discussões sobre a imposição de tarifas comerciais ao Brasil pelo governo norte-americano.
Na ocasião, mensagens atribuídas ao líder religioso demonstraram insatisfação com a estratégia política de Eduardo e seus possíveis efeitos sobre a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio atual ocorre em um contexto diferente, marcado pela derrota de Flávio na disputa presidencial e por sua decisão de permanecer nos Estados Unidos enquanto enfrenta investigações no Brasil.
Embora Malafaia mantenha sua proximidade política com o campo bolsonarista, suas declarações evidenciam divergências sobre a estratégia adotada após a eleição. O pastor considera que a carta e as correções posteriores comprometeram a credibilidade do senador em um momento de reorganização da oposição.
A divulgação do documento também provocou questionamentos sobre a posição que Flávio pretende assumir no cenário político brasileiro. Apesar de reivindicar a condição de líder nacional, o senador não possui reconhecimento institucional como presidente eleito, cargo cujo resultado foi oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral em favor de Luiz Inácio Lula da Silva.
Fontes:
Publicação oficial de Flávio Bolsonaro na rede social X, de 28 de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultado oficial do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Levantamento sobre os votos registrados após as 17h, publicado em 27 de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Balanço da totalização dos votos, publicado em 29 de outubro de 2026.
Declarações de Silas Malafaia em entrevista concedida à imprensa em 29 de outubro de 2026.









