As eleições de 2026 deixaram um cenário político em que a vitória para a Presidência da República não acompanhou o desempenho dos partidos nas disputas legislativas e estaduais. Embora Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha derrotado Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, foi a legenda do senador que conquistou o maior número de mandatos para o Congresso Nacional, governos estaduais e assembleias legislativas.
O PL elegeu 363 candidatos em 2026, contra 236 em 2022, crescimento de 53,8%. O PT também avançou, passando de 196 para 223 eleitos, alta de 13,8%, e ficou com a segunda maior representação partidária do país. Os totais consideram os cargos eletivos federais e estaduais, incluindo as vice-governadorias e os integrantes da chapa presidencial vencedora.
A maior diferença entre os dois partidos está no Legislativo. O PL conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, 212 nas assembleias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal e 19 no Senado. Também elegeu seis governadores e cinco vice-governadores. O PT garantiu 70 deputados federais, 141 estaduais e distritais, seis senadores, quatro governadores e uma vice-governadoria, além da Presidência da República.
A nova distribuição dos mandatos coloca o PL na liderança das bancadas eleitas para a Câmara e amplia sua presença nos governos estaduais. Para Lula, que iniciará seu novo mandato em janeiro de 2027, o resultado significa a necessidade de negociar com outras legendas para formar maioria no Congresso.
PL conquista 121 cadeiras na Câmara e amplia vantagem sobre o PT
O PL terá a maior bancada da Câmara dos Deputados na legislatura que começa em fevereiro de 2027. Com 121 parlamentares, o partido ocupará 23,6% das 513 cadeiras da Casa. O PT, que elegeu 70 deputados, terá 13,6% das vagas.
Na comparação com 2022, o PL ampliou sua representação em 23 cadeiras, considerando os 98 deputados registrados na base histórica atualizada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O crescimento petista foi mais discreto, de 69 para 70 representantes.
A diferença se acentuou nas assembleias legislativas. O PL passou de 126 deputados estaduais e distritais eleitos em 2022 para 212 em 2026, um ganho de 86 mandatos. O PT avançou de 117 para 141, acrescentando 24 representantes.
O crescimento das bancadas, porém, não ocorreu de maneira uniforme. No Nordeste, o PL passou de 24 deputados federais eleitos em 2022 para 19 neste ano. O PT também perdeu uma cadeira na região, recuando de 21 para 20, mas terminou com uma representação maior que a do PL.
Os resultados mostram diferenças importantes entre o desempenho nacional dos partidos e sua distribuição regional. Enquanto algumas unidades da Federação contribuíram para ampliar as bancadas, outras registraram perdas em relação à eleição anterior.
PSD e Novo ganham espaço; União Brasil, PDT e PSDB recuam
A redistribuição dos mandatos também atingiu outras legendas. O PSD passou de 125 para 153 eleitos nos cargos titulares, enquanto o Novo ampliou sua representação de nove para 28. Ambos terminaram as eleições com mais espaço nas instituições federais e estaduais.
O Podemos conquistou 77 mandatos, mas a comparação com 2022 exige considerar a incorporação do PSC. Naquele ano, o Podemos havia elegido 42 candidatos e o PSC, outros 27. Somadas as duas legendas, eram 69 representantes, número que subiu para 77 nesta eleição.
Na direção contrária, o União Brasil passou de 165 para 122 eleitos, uma redução de 43 mandatos. O PDT caiu de 60 para 31, enquanto o PSDB recuou de 72 para 41.
As diferenças refletem tanto o desempenho eleitoral quanto mudanças na organização dos partidos. Fusões, incorporações e migrações partidárias alteraram a composição de algumas legendas entre 2022 e 2026, o que precisa ser considerado na comparação.
PL passa a governar seis estados; PT mantém quatro
Nos governos estaduais, o PL ampliou sua presença de dois para seis governadores eleitos. A legenda comandará Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina a partir de janeiro de 2027.
O PSD aparece na sequência, com cinco governadores, nos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Pernambuco e Sergipe. PP e Republicanos conquistaram quatro governos cada.
O PT manteve quatro administrações estaduais, com vitórias na Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. O partido preservou sua presença nesses estados, mesmo diante das mudanças na distribuição nacional dos mandatos.
União Brasil e PSB, que haviam elegido quatro e três governadores, respectivamente, em 2022, não conquistaram nenhum governo estadual em 2026.
As vice-governadorias também passaram por mudanças. O PSD avançou de duas para seis, enquanto o PL passou de uma para cinco. O MDB reduziu sua participação de sete para quatro vice-governadores.
Embora esses cargos não representem o comando direto das administrações estaduais, sua distribuição indica a participação das legendas nas alianças que venceram as disputas pelos governos.
PL conquista 19 das 54 vagas disputadas no Senado
O resultado do Senado também favoreceu o crescimento do PL. Das 54 cadeiras em disputa neste ano, o partido conquistou 19, equivalente a 35,2% das vagas. Em 2022, quando foram escolhidos 27 senadores, a legenda havia elegido oito, correspondentes a 29,6% das cadeiras disputadas naquela ocasião.
O PT passou de quatro para seis senadores eleitos, embora sua participação percentual tenha recuado de 14,8% para 11,1%. A diferença está relacionada ao número de vagas disponíveis em cada eleição, já que o Senado renova alternadamente um terço e dois terços de sua composição.
O MDB conquistou sete vagas em 2026. PP, PSB, União Brasil e Novo elegeram três senadores cada. Republicanos, PSD, PSDB e Podemos obtiveram dois mandatos por legenda, enquanto Rede e PDT conquistaram uma cadeira cada.
Considerando também os parlamentares cujos mandatos seguem até 2031 e as substituições decorrentes das eleições estaduais, o PL deverá iniciar a próxima legislatura com 29 dos 81 senadores. O PT terá dez representantes, segundo a composição divulgada pelo Senado Federal após o segundo turno.
A nova formação da Casa terá influência nas votações de projetos, na análise de indicações para cargos públicos e nas propostas que dependem de aprovação do Congresso.
Vitória de Lula não garante maioria parlamentar ao PT
A reeleição de Lula, confirmada pelo TSE em 25 de outubro, assegurou ao PT mais quatro anos na Presidência, mas não uma maioria própria na Câmara dos Deputados.
Com 70 parlamentares, o partido dependerá de alianças para aprovar projetos. Mesmo considerando os 11 deputados eleitos pelo PCdoB e os sete do PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, o grupo terá 88 cadeiras, número distante das 257 necessárias para formar uma maioria absoluta na Casa.
O PL, com 121 deputados, também não terá votos suficientes para controlar sozinho as decisões parlamentares. Sua bancada, entretanto, será a maior entre os partidos e terá participação relevante nas negociações sobre a agenda legislativa.
Nesse ambiente, legendas como MDB, PSD, PP, Republicanos e União Brasil continuarão importantes para a formação de maiorias. O posicionamento desses partidos poderá variar conforme os projetos apresentados, as alianças políticas e os interesses dos estados.
A composição do Senado acrescenta outra dificuldade para o governo. Além dos parlamentares eleitos em outubro, a Casa contará com os senadores escolhidos em 2022, que permanecerão em seus mandatos até 2031.
A aprovação de propostas de emenda à Constituição, por exemplo, exige pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa. Sem esses apoios, o governo não conseguirá promover alterações constitucionais, independentemente de ter vencido a eleição presidencial.
Novo mapa político definirá as negociações a partir de 2027
O resultado das eleições colocou PT e PL em posições distintas na estrutura política brasileira. Lula permanecerá na Presidência da República, enquanto seu partido preservou quatro governos estaduais e ampliou a representação parlamentar. O PL, por sua vez, saiu da disputa com a maior bancada eleita da Câmara, a maior representação prevista no Senado e seis governos estaduais.
A presença de outras legendas também terá peso nas decisões políticas. Partidos com bancadas numerosas e participação em governos estaduais poderão negociar apoio a projetos e influenciar a composição das alianças no Congresso.
A partir de janeiro, com a posse do presidente e dos governadores, e de fevereiro, com o início da nova legislatura, essa distribuição de mandatos passará a orientar as negociações entre Executivo e Legislativo.
A eleição presidencial definiu quem comandará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Já os resultados para deputados, senadores e governadores mostram que o exercício do poder continuará dividido entre diferentes partidos, exigindo acordos para a aprovação das principais propostas do governo.
Nota metodológica: Os totais gerais de 363 eleitos pelo PL e 223 pelo PT incluem os cargos de vice-governador e os integrantes da chapa presidencial vencedora. Nas comparações históricas de representação partidária, são considerados os cargos titulares. A análise também leva em conta incorporações e fusões partidárias ocorridas entre 2022 e 2026. Na eleição anterior, o Senado renovou 27 cadeiras; neste ano, foram 54.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultados oficiais das eleições gerais de 2026 e dados históricos de 2022.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Portal de Dados Abertos e totalização dos resultados eleitorais.
Câmara dos Deputados — Resultado das eleições para deputado federal e composição das bancadas de 2027.
Câmara dos Deputados — Distribuição dos governos estaduais por partido após as eleições de 2026.
Senado Federal — Resultado das eleições para o Senado e composição partidária prevista para fevereiro de 2027.










