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Mauro Cid vai depor como ‘informante’ na ação do golpe no STF

por Gabriel Monteiro
27/06/2025 às 18h48
em Política
Mauro Cid Volta A Depor No Stf Como Informante Do Juízo Em Ação Sobre Tentativa De Golpe Gazeta Mercantil - Política

Mauro Cid manda selfie em comunicação clandestina pelo perfil @gabrielar702 no Instagram (//Reprodução)

Mauro Cid será ouvido novamente pelo STF como informante do juízo em nova fase da investigação do golpe

O tenente-coronel Mauro Cid, figura central nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, voltará a prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez como informante do juízo. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, que autorizou sua oitiva entre os dias 14 e 21 de julho, dentro da nova fase de depoimentos envolvendo testemunhas de defesa e acusação da ação penal que apura o chamado “núcleo 2” da trama golpista.

Essa nova oitiva ocorre em meio a uma série de desdobramentos envolvendo comunicações clandestinas atribuídas a Mauro Cid, que, mesmo após sua delação premiada, teria mantido contatos ilegais com advogados por meio de perfis falsos nas redes sociais. O episódio levanta questionamentos sobre a credibilidade de suas colaborações e reacende o debate sobre a consistência das investigações que miram integrantes da alta cúpula do governo anterior.

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O papel de Mauro Cid nas investigações

Desde que firmou um acordo de delação premiada, Mauro Cid tornou-se peça-chave no avanço das investigações sobre os bastidores de supostas ações coordenadas para tentar reverter o resultado das eleições presidenciais. Ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele forneceu detalhes considerados valiosos para os investigadores sobre encontros, estratégias e trocas de mensagens entre diversos atores políticos e militares.

Com a nova autorização de Alexandre de Moraes, Cid agora será ouvido não apenas como delator, mas como “informante do juízo” — uma posição que permite fornecer esclarecimentos adicionais com base no que presenciou ou participou diretamente, mesmo sem estar formalmente na condição de testemunha.

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Nova fase do processo e depoimentos agendados

A nova rodada de depoimentos, que ocorrerá por videoconferência entre 14 e 21 de julho, envolverá testemunhas de defesa e de acusação indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por seis réus integrantes do núcleo 2 da suposta trama golpista. Esses réus são:

  • Fernando de Sousa Oliveira

  • Filipe Garcia Martins Pereira

  • Marcelo Costa Câmara

  • Marília Ferreira de Alencar

  • Mário Fernandes

  • Silvinei Vasques

Cada um deles teria desempenhado papel relevante na articulação ou execução dos atos investigados, seja no planejamento, na comunicação estratégica ou na estruturação operacional dos movimentos que contestaram o resultado eleitoral de 2022.

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Comunicações clandestinas de Mauro Cid

Um dos episódios mais controversos envolvendo Mauro Cid diz respeito à troca de mensagens clandestinas com seu advogado por meio de um perfil falso no Instagram — o @gabrielar702. A revelação de que o delator manteve contato fora dos canais oficiais com membros de sua defesa, mesmo após firmar acordo com a Justiça, provocou forte reação da opinião pública e de setores do Judiciário.

Essas mensagens teriam sido utilizadas para coordenar versões ou discutir estratégias de atuação nos autos, o que, segundo advogados de outros réus, comprometeria a validade da colaboração de Cid com a Justiça. No entanto, Alexandre de Moraes rejeitou o argumento da defesa de Marcelo Câmara que questionava a legalidade da delação do ex-ajudante de ordens com base nesse episódio.


Rejeição das alegações das defesas

Além de autorizar o novo depoimento de Mauro Cid, o ministro do STF também indeferiu diversos pedidos apresentados pelas defesas dos réus. Entre as alegações rejeitadas estão:

  • Supostas inconsistências na ação penal;

  • Questionamentos sobre a nulidade da delação de Cid;

  • Solicitações para que outros nomes, como Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, fossem incluídos como testemunhas de defesa.

Com isso, a Corte mantém o foco nos réus diretamente denunciados pelo Ministério Público Federal e busca avançar com as audiências sem desviar o curso para figuras ainda não formalmente acusadas nesta etapa do processo.


Concessões autorizadas por Moraes

Apesar da rigidez com relação aos pedidos de oitiva de novas testemunhas, Moraes deferiu algumas solicitações das defesas, entre elas:

  • Acesso integral aos materiais apreendidos durante a investigação, mesmo aqueles ainda não anexados aos autos;

  • Autorização para que perícias independentes sejam realizadas por parte dos réus.

Essas decisões indicam que o Supremo mantém o equilíbrio entre o rigor na condução do processo e o respeito às garantias legais de ampla defesa e contraditório.


Importância da nova oitiva de Mauro Cid

A decisão de ouvir Mauro Cid novamente, agora como informante do juízo, demonstra que o STF enxerga na figura do ex-ajudante de ordens uma fonte de informações ainda não completamente explorada. Seu depoimento pode contribuir para esclarecer contradições e estabelecer vínculos entre diferentes núcleos da suposta trama golpista.

Além disso, essa nova fase representa uma oportunidade de validar — ou questionar — os elementos que foram inicialmente oferecidos por ele em sua delação. Se confirmadas versões anteriores, Mauro Cid ganha credibilidade como colaborador. Se houver inconsistências, o processo poderá tomar outro rumo, inclusive com repercussões sobre a validade do acordo.


Mauro Cid e o dilema da credibilidade

A atuação de Mauro Cid levanta um debate importante sobre o uso de delações premiadas em processos de alta complexidade política. Embora sejam ferramentas eficazes para desvendar crimes organizados, as delações dependem fundamentalmente da veracidade e consistência dos relatos.

A existência de mensagens clandestinas levanta dúvidas legítimas, mas não foi considerada suficiente para invalidar os depoimentos anteriores. Resta saber se, no novo depoimento, o delator manterá coerência e oferecerá elementos novos que contribuam para o avanço do julgamento.


Perspectivas para os próximos desdobramentos

O andamento dos depoimentos entre 14 e 21 de julho será crucial para definir o rumo da ação penal. Os posicionamentos das testemunhas — tanto de acusação quanto de defesa — poderão fortalecer ou enfraquecer os argumentos do Ministério Público Federal. O papel de Mauro Cid nesse processo será determinante, especialmente no que diz respeito a como suas informações serão validadas ou confrontadas.


A nova fase da ação penal no STF, marcada pelos depoimentos de testemunhas do chamado núcleo 2 da tentativa de golpe, terá como destaque o novo depoimento de Mauro Cid. O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro volta ao centro da investigação, agora em condição diferente, e seu relato pode ser decisivo para consolidar os rumos do julgamento.

Entre dúvidas sobre mensagens clandestinas, credibilidade da delação e pressão dos réus para reverter o cenário desfavorável, Cid terá que provar mais uma vez seu valor como colaborador da Justiça. O Brasil, por sua vez, observa atentamente o desenrolar de um processo que pode marcar a história recente do país.

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