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MBRF (MRFG3) espera alta de até 50% nas vendas da Sadia na Copa

Companhia aposta nos jogos do Brasil, no consumo ligado ao churrasco e no avanço de canais digitais para impulsionar categorias de proteínas e alimentos prontos

por Ana Luiza Farias
03/06/2026 às 13h31
em Empresas
Marfrig (Mrfg3) - Gazeta Mercantil

A MBRF (MRFG3) projeta crescimento de até 50% nas vendas de produtos Sadia durante a Copa do Mundo de 2026, apoiada pelo calendário dos jogos da seleção brasileira, pelo avanço do consumo em categorias ligadas ao churrasco e pela expansão dos canais digitais de compra. A estimativa foi apresentada por Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da companhia, que vê o torneio como uma das principais janelas de consumo do ano para marcas de alimentos, especialmente em itens associados a encontros, confraternizações e refeições rápidas.

“Se compararmos a Copa de 2022 com a Copa desse ano, acreditamos que possa chegar a ter até 50% de aumento de vendas”, afirmou Franco, em evento com a imprensa sobre as estratégias da Sadia para a Copa do Mundo de 2026.

Leia também: Ibovespa: IPC Fipe, inflação na Europa e petróleo impulsionam mercado brasileiro

Leia também: Ultrafarma é acusada de sonegar 60% das vendas após prisão de Sidney Oliveira.

A expectativa da MBRF (MRFG3) reflete uma combinação de fatores. Além da força da marca Sadia no mercado brasileiro, a empresa avalia que os horários dos jogos da seleção favorecem ocasiões de consumo tradicionalmente associadas ao lazer, como noites de sexta-feira e quarta-feira, além do sábado. Para a companhia, esse calendário pode estimular compras de produtos para churrasco, petiscos, embutidos, carnes e refeições compartilhadas.

Copa deve impulsionar consumo de proteínas e churrasco

Segundo Franco, estudos da Scanntech indicam crescimento expressivo em categorias associadas ao consumo durante eventos esportivos. Entre os itens indiretamente ligados ao negócio da MBRF (MRFG3), as vendas de churrasqueiras avançam cerca de 200%, enquanto as de air fryers registram alta de 120%.

Nas categorias diretamente relacionadas ao consumo de proteína, a picanha apresenta crescimento de 53%, enquanto a maminha avança 50%. Para a MBRF (MRFG3), esses dados reforçam a leitura de que a Copa tende a movimentar produtos ligados a churrasco, refeições em grupo e preparo doméstico.

“É uma série de fatores que corroboram e colocam a MBRF e a marca Sadia muito bem posicionadas para capturar esse aumento de vendas”, disse o executivo.

A Sadia é uma das marcas mais relevantes do portfólio da MBRF (MRFG3) e tem presença em categorias de alto giro no varejo alimentar. Em eventos esportivos, a demanda tende a se concentrar em produtos de preparo rápido, itens para compartilhar e alimentos associados a momentos de reunião familiar ou entre amigos.

Horários dos jogos favorecem ocasiões de consumo

A empresa também aposta na configuração da tabela da fase de grupos da Copa. Segundo o executivo, os jogos do Brasil ocorrerão em horários considerados favoráveis ao consumo, coincidindo com períodos em que os brasileiros já têm hábito de reunir amigos e familiares.

“Esse tipo de horário de jogo, que já está no hábito do brasileiro, alavanca muito mais o consumo. A gente acredita muito que o brasileiro vai estar muito à vontade com os horários e os dias dos jogos”, afirmou Franco.

A leitura da companhia é que partidas em noites de sexta-feira, quarta-feira e aos sábados ampliam a probabilidade de compras planejadas para acompanhar os jogos. Esse comportamento pode beneficiar tanto o varejo físico quanto canais digitais e serviços de entrega.

Para empresas de alimentos, o calendário de grandes eventos esportivos tem impacto direto sobre planejamento de produção, abastecimento, campanhas promocionais e negociação com varejistas. A previsibilidade dos jogos permite organizar estoques e ações comerciais com antecedência.

Dados de 2022 reforçam projeção da MBRF

A MBRF (MRFG3) usa o desempenho da última Copa como referência para projetar o potencial de vendas em 2026. Luiz Franco citou o jogo entre Brasil e Camarões, disputado em uma sexta-feira, como exemplo do impacto do torneio sobre o consumo.

Na véspera da partida, as vendas de linguiça frescal embalada dobraram. A linguiça defumada teve crescimento de duas vezes e meia, enquanto o salame registrou vendas três vezes superiores ao padrão.

“Costumamos dizer que torcer dá fome, literalmente. E as pessoas exercem isso no seu ato de compras para depois exercer no seu ato de consumo”, afirmou o executivo.

Esses dados mostram como partidas da seleção podem antecipar compras e concentrar demanda em categorias específicas. Para o varejo, o efeito é semelhante ao observado em datas sazonais, com aumento de fluxo, tíquete médio e procura por itens de conveniência.

Empresa vê força no interesse do brasileiro pela Copa

Franco também rebateu a percepção de que o interesse do público brasileiro pelo torneio estaria menor nesta edição. Como evidência, citou a audiência do amistoso da seleção brasileira contra o Panamá no último domingo.

“O jogo de domingo teve a maior audiência da TV brasileira em 2026”, afirmou. “A gente tem indícios de que essa Copa do Mundo vai ser efetiva em termos de consumo, seja consumo de mídia, seja consumo de alimentos na ponta”, completou.

Para a MBRF (MRFG3), o consumo de mídia e o consumo de alimentos caminham juntos durante grandes eventos esportivos. Quanto maior a audiência dos jogos, maior tende a ser a exposição das marcas e a disposição dos consumidores para comprar produtos ligados à ocasião.

A estratégia da Sadia deve explorar esse comportamento, conectando campanhas, presença no varejo e produtos voltados a momentos de torcida. A marca busca capturar tanto compras planejadas quanto decisões de última hora, especialmente em canais digitais.

Compra online e delivery ampliam oportunidade

Outro fator relevante para a projeção da MBRF (MRFG3) é a consolidação dos canais digitais. Segundo Franco, cerca de 50% dos consumidores já consideram realizar compras online ou por delivery durante o torneio.

A mudança reduz barreiras para o abastecimento próximo aos jogos. O consumidor não depende apenas da ida ao supermercado e pode complementar compras por aplicativos, varejos menores, marketplaces e serviços de entrega.

“O consumidor aprendeu a usar canais alternativos online, varejos menores e delivery”, disse o executivo.

Essa transformação amplia as oportunidades para marcas de alimentos. Em eventos com hora marcada, como jogos da Copa, a conveniência ganha peso. Produtos com preparo rápido e forte reconhecimento de marca tendem a se beneficiar porque o consumidor busca soluções práticas para consumo imediato.

Leia também: Kraft Heinz (KHC) e Unilever (ULVR) negociam fusão de marcas icônicas e transformam setor de alimentos

Copa reforça disputa por espaço no varejo alimentar

A expectativa de alta nas vendas da Sadia ocorre em um ambiente competitivo para o setor de alimentos. Grandes marcas disputam espaço nas gôndolas, presença em aplicativos, campanhas promocionais e associação com momentos de consumo.

Para a MBRF (MRFG3), a Copa representa uma oportunidade de reforçar a marca Sadia em categorias estratégicas e ampliar vendas em um período de grande exposição. A companhia deve combinar ações de marketing, abastecimento e presença em canais físicos e digitais para capturar a demanda.

O impacto para investidores dependerá da capacidade da empresa de converter o aumento de volume em margem e geração de caixa. Eventos sazonais podem elevar receita, mas também exigem atenção a custos, logística, promoções e execução comercial.

No caso da MBRF (MRFG3), o mercado deve acompanhar se a maior demanda por produtos Sadia durante a Copa se traduzirá em ganho efetivo de participação, melhor utilização da cadeia produtiva e reforço da rentabilidade.

Sadia entra no centro da estratégia comercial da MBRF

A projeção de crescimento de até 50% nas vendas mostra a importância da Sadia dentro da estratégia da MBRF (MRFG3) para a Copa do Mundo. A marca reúne reconhecimento nacional, presença ampla no varejo e portfólio compatível com ocasiões de consumo ligadas a futebol, churrasco e encontros sociais.

A empresa aposta que o calendário dos jogos, o avanço do delivery, o interesse do público pela seleção e o crescimento de categorias ligadas ao churrasco criarão uma combinação favorável para as vendas.

A Copa, portanto, deve funcionar como um teste relevante para a execução comercial da MBRF (MRFG3). Se a companhia conseguir abastecer canais, ativar consumidores e preservar margens, o torneio pode reforçar a posição da Sadia em um dos períodos de maior disputa do varejo alimentar.

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