A Movida (MOVI3) registrou lucro lÃquido preliminar de R$ 152,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 117% em relação ao mesmo perÃodo do ano anterior e o maior resultado trimestral da companhia em quatro anos. Os números, divulgados nesta terça-feira (13), mostram avanço das operações de locação de veÃculos e melhora dos indicadores de rentabilidade, com receita bruta total de R$ 4,2 bilhões e Ebitda de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. O desempenho também superou a faixa de lucro projetada pela administração em agosto, consolidando o quarto trimestre consecutivo de cumprimento das metas financeiras anunciadas ao mercado.
A expansão do lucro foi acompanhada por um novo recorde na receita bruta de locação, que alcançou R$ 2,7 bilhões entre julho e setembro, aumento de 19% na comparação anual. O resultado reforça a importância das operações recorrentes de aluguel de automóveis e gestão de frotas para a companhia, controlada pela holding Simpar (SIMH3). Na venda de veÃculos seminovos, a administração manteve o foco na renovação da frota e na preservação das margens operacionais, mesmo em um ambiente de custos financeiros elevados.
As informações divulgadas representam uma prévia gerencial e ainda não passaram pelo processo de revisão correspondente à publicação integral das demonstrações financeiras do trimestre. Os valores poderão sofrer ajustes até a divulgação oficial do balanço, prevista para novembro. Ainda assim, os indicadores oferecem uma primeira avaliação da evolução dos negócios e permitem comparar o resultado com as projeções anteriormente estabelecidas pela empresa.
O lucro apresentado supera em R$ 2,1 milhões o limite superior da estimativa divulgada em agosto, que previa resultado entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no terceiro trimestre. A diferença corresponde a aproximadamente 1,4% acima do teto projetado, sinalizando que a companhia encerrou o perÃodo ligeiramente à frente de sua própria expectativa.
Lucro da Movida cresce 117% e supera resultado do segundo trimestre
O lucro lÃquido de R$ 152,1 milhões representa um aumento expressivo em relação aos aproximadamente R$ 70 milhões apurados no terceiro trimestre de 2025. Em valores absolutos, a diferença é de cerca de R$ 82 milhões, enquanto o crescimento percentual informado pela empresa chega a 117%.
A comparação com o trimestre imediatamente anterior também mostra evolução. Entre abril e junho de 2026, a Movida havia registrado lucro lÃquido de R$ 135,6 milhões, resultado que já representava mais que o dobro daquele observado no mesmo perÃodo de 2025. No terceiro trimestre, o lucro aumentou aproximadamente R$ 16,5 milhões em relação ao segundo, uma expansão sequencial de 12,2%.
A melhora é relevante porque o segundo trimestre já havia sido marcado por ganhos operacionais expressivos. Na ocasião, a empresa destacou que o resultado havia superado o primeiro trimestre, apesar da sazonalidade do mercado de locação, que tradicionalmente favorece os primeiros meses do ano devido à maior demanda durante o verão.
Considerando os lucros de R$ 124,6 milhões no primeiro trimestre, R$ 135,6 milhões no segundo e R$ 152,1 milhões no terceiro, o resultado acumulado entre janeiro e setembro alcança aproximadamente R$ 412,3 milhões. O cálculo utiliza a prévia ainda não auditada do perÃodo mais recente e os números anteriormente divulgados pela companhia.
O montante supera em R$ 12,3 milhões a referência de R$ 400 milhões para os primeiros nove meses de 2026 apresentada pela Movida em agosto. A diferença de aproximadamente 3,1% indica que a empresa ultrapassou a estimativa divulgada para o acumulado do ano, embora a confirmação dependa dos números definitivos do terceiro trimestre.
Essa evolução também evidencia a continuidade da recuperação dos resultados financeiros observada desde o inÃcio de 2026. A companhia vem atribuindo a melhora a iniciativas de eficiência operacional, aprimoramento da precificação, uso mais intensivo de tecnologia e disciplina na administração das operações.
Receita de locação atinge recorde de R$ 2,7 bilhões
O crescimento da receita de aluguel de veÃculos foi um dos principais destaques da prévia. A Movida informou faturamento bruto de R$ 2,7 bilhões com locação no terceiro trimestre, expansão de 19% frente ao mesmo perÃodo do ano anterior e novo recorde para a atividade.
O valor representa aproximadamente 64% da receita bruta total de R$ 4,2 bilhões registrada entre julho e setembro. A participação demonstra a importância dos contratos de locação para a estrutura de faturamento da companhia, embora as receitas brutas não devam ser confundidas com os valores lÃquidos reconhecidos na demonstração de resultados.
A expansão está relacionada aos negócios de aluguel de curta duração, conhecidos pela sigla RAC, e à gestão e terceirização de frotas, denominada GTF. As duas modalidades possuem caracterÃsticas diferentes. O RAC está mais exposto à movimentação de clientes individuais, viagens, turismo e demandas ocasionais, enquanto a gestão de frotas costuma envolver contratos empresariais de maior duração.
Para a companhia, a combinação dessas operações permite atender diferentes perfis de clientes e distribuir a exposição entre contratos recorrentes e demandas de menor prazo. A rentabilidade depende, entre outros fatores, do nÃvel de utilização dos automóveis, das tarifas praticadas, dos custos de manutenção e do valor de revenda dos veÃculos substituÃdos.
No segundo trimestre, a receita bruta de locação havia alcançado aproximadamente R$ 2,6 bilhões, com crescimento anual próximo de 21%. A evolução para R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre representa aumento sequencial aproximado de 3,8%, considerando os valores arredondados divulgados pela administração.
O crescimento da locação também ganha importância diante da transformação do setor de mobilidade. A ampliação da terceirização de frotas empresariais, a utilização de veÃculos por assinatura e a busca de consumidores por alternativas à propriedade tradicional de automóveis representam oportunidades para as empresas que conseguem administrar seus ativos com eficiência.
Essas possibilidades, entretanto, não garantem automaticamente margens mais elevadas. O resultado depende da capacidade de ajustar preços ao custo de aquisição dos veÃculos, à depreciação, à s despesas de manutenção e à s condições de financiamento.
Ebitda avança 21% e Ebit supera R$ 1 bilhão pelo segundo trimestre consecutivo
A Movida apresentou Ebitda de aproximadamente R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 21% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O indicador corresponde ao resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização e é utilizado para acompanhar o desempenho operacional das empresas.
A evolução do Ebitda em ritmo superior ao crescimento de algumas linhas de receita sinaliza ganhos operacionais que merecem atenção dos investidores. Entretanto, a confirmação de expansão das margens depende da demonstração completa de resultados, especialmente dos valores de receita lÃquida e da composição dos custos e despesas.
Outro destaque foi o Ebit, resultado antes de juros e impostos, que superou R$ 1 bilhão pelo segundo trimestre consecutivo. O indicador alcançou aproximadamente R$ 1,086 bilhão, alta de 27% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
No segundo trimestre de 2026, o Ebit havia atingido aproximadamente R$ 1,015 bilhão. A expansão para R$ 1,086 bilhão representa um acréscimo de cerca de R$ 71 milhões, equivalente a aproximadamente 7% em relação ao perÃodo anterior.
A diferença entre Ebitda e Ebit possui relevância particular para empresas de locação de veÃculos, pois a depreciação da frota é um componente importante do negócio. O Ebitda desconsidera essa despesa, enquanto o Ebit a incorpora. Por isso, os dois indicadores precisam ser avaliados em conjunto, especialmente em companhias que realizam investimentos elevados na aquisição e renovação de automóveis.
O crescimento do Ebit indica que o avanço operacional ocorreu mesmo após o reconhecimento dos efeitos da depreciação e amortização. Ainda assim, não elimina a necessidade de acompanhar as despesas financeiras, que permanecem relevantes em empresas com operações intensivas em capital.
Seminovos mantém margem Ebitda de 1,1% após venda de 20,1 mil veÃculos
A estratégia de renovação da frota também aparece nos números operacionais. Segundo a prévia, a Movida vendeu 20,1 mil veÃculos no terceiro trimestre, volume associado à dinâmica de substituição dos automóveis utilizados nas atividades de locação.
No segundo trimestre, haviam sido comercializados aproximadamente 19,4 mil veÃculos. O volume mais recente representa aumento de cerca de 700 unidades, ou 3,6%, na comparação sequencial.
A venda de seminovos constitui uma etapa importante do ciclo econômico das locadoras. Depois de utilizar os automóveis nas operações de aluguel ou gestão de frotas, as empresas precisam encontrar compradores para os veÃculos, recuperar parte do capital investido e financiar a aquisição de unidades mais novas.
A administração da Movida informou que a margem Ebitda da operação de Seminovos permaneceu estável em 1,1% no terceiro trimestre. O percentual indica que a atividade continuou operando com rentabilidade reduzida nessa métrica, caracterÃstica que torna o controle dos valores de aquisição, manutenção e revenda particularmente relevante.
A margem apresentada também é um elemento de estabilidade. Em vez de priorizar exclusivamente o volume vendido, a companhia procura equilibrar o ritmo de renovação da frota com as condições de comercialização dos automóveis, preservando a eficiência econômica das operações.
Uma margem estreita pode ser afetada por pequenas mudanças nos preços de revenda, nos custos logÃsticos ou nas despesas de preparação dos veÃculos. Além disso, a variação dos preços de automóveis novos e usados interfere na depreciação estimada dos ativos e no valor efetivamente recuperado quando os veÃculos são vendidos.
O aumento do número de unidades comercializadas, combinado com a estabilidade da margem operacional, sugere continuidade do processo de renovação sem deterioração relevante desse indicador. A avaliação completa, porém, dependerá dos dados de receita, custos, depreciação e composição das vendas que serão publicados no balanço definitivo.
Movida mantém sequência de cumprimento das projeções financeiras
A superação do teto de lucro divulgado para o terceiro trimestre acrescenta um novo resultado à sequência de cumprimento das metas financeiras da Movida. Segundo a empresa, este foi o quarto trimestre consecutivo em que os resultados atenderam às projeções anunciadas ao mercado.
Em agosto, a administração havia estabelecido uma faixa de lucro lÃquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o perÃodo de julho a setembro. A previsão considerava a continuidade dos ganhos de eficiência operacional, disciplina financeira e melhoria dos serviços prestados aos clientes.
Com o lucro preliminar de R$ 152,1 milhões, o resultado ficou R$ 12,1 milhões acima do ponto médio de R$ 140 milhões da faixa projetada. A diferença representa desempenho aproximadamente 8,6% superior ao centro da estimativa.
A consistência das projeções é acompanhada pelo mercado porque oferece informações sobre a capacidade da administração de antecipar os resultados e executar o planejamento. Entretanto, o cumprimento de metas em perÃodos anteriores não constitui garantia de desempenho semelhante nos trimestres seguintes.
Para os investidores, a qualidade dos resultados será tão importante quanto o crescimento do lucro. Indicadores como retorno sobre o capital investido, endividamento, despesas financeiras, geração de caixa e depreciação da frota permitirão avaliar se a melhora operacional está sendo acompanhada pelo fortalecimento da estrutura financeira.
A Movida também concluiu recentemente um aumento de capital de aproximadamente R$ 152,48 milhões, homologado em setembro após a subscrição integral das ações previstas na operação. O movimento faz parte das iniciativas de fortalecimento patrimonial adotadas pela companhia e deve ser considerado na avaliação de sua estrutura de capital.
O aumento de capital, contudo, é uma operação societária distinta do lucro apresentado na prévia. Embora os valores sejam próximos, a emissão de ações não representa receita operacional nem integra o resultado lÃquido do trimestre.
Juros, endividamento e renovação de frota seguem no radar
O desempenho da Movida ocorre em um setor particularmente sensÃvel à s condições de crédito. A aquisição de automóveis exige investimentos elevados, frequentemente financiados por recursos próprios, empréstimos, debêntures e outras modalidades de captação.
Taxas de juros mais altas encarecem o financiamento da frota e podem reduzir a parcela do resultado operacional convertida em lucro lÃquido. Ao mesmo tempo, a necessidade de renovar veÃculos exige planejamento para conciliar expansão comercial, investimentos e preservação da liquidez.
No segundo trimestre, a companhia já havia apresentado melhora de rentabilidade em um ambiente de juros elevados, destacando a evolução da precificação e o aumento da eficiência operacional. A prévia do terceiro trimestre sugere continuidade dessa trajetória, mas ainda não apresenta informações suficientes para avaliar integralmente o comportamento das despesas financeiras e do fluxo de caixa.
Outro aspecto relevante é a relação entre expansão da frota e produtividade dos ativos. O crescimento da receita de locação pode resultar do aumento do número de veÃculos disponÃveis, da maior utilização dos automóveis, da elevação das tarifas ou de uma combinação desses fatores. A análise de cada componente será necessária para identificar quais deles contribuÃram mais intensamente para o resultado.
A administração atribuiu o desempenho preliminar à melhoria da experiência dos clientes, ao uso de tecnologia na gestão e precificação das operações, ao controle dos custos e à disciplina financeira. Essas iniciativas fazem parte do planejamento estratégico adotado para elevar a rentabilidade dos negócios e aprimorar a utilização dos ativos.
Os números apresentados nesta terça-feira mostram que a locadora encerrou o trimestre com lucro recorde em quatro anos, crescimento de dois dÃgitos na receita de locação e avanço expressivo dos indicadores operacionais. A confirmação dessa evolução e a avaliação de seus efeitos sobre endividamento e geração de caixa dependerão do balanço completo.
Conforme o calendário de relações com investidores da Movida, a divulgação oficial dos resultados do terceiro trimestre está prevista para 11 de novembro, seguida de apresentação pública em 12 de novembro. Até lá, os valores permanecem preliminares e sujeitos a revisão.
Fontes:
Movida Participações — fato relevante de 16 de julho de 2026, com a prévia não auditada dos resultados do segundo trimestre, incluindo lucro lÃquido, receitas de locação, Ebitda, Ebit e venda de veÃculos.
Movida Participações — relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 10 de agosto, com indicadores operacionais, demonstrações financeiras e projeções de lucro para o terceiro trimestre.
Movida Participações — fato relevante de 10 de agosto de 2026, com a faixa projetada de lucro lÃquido para o terceiro trimestre e as premissas do planejamento estratégico.
Movida Relações com Investidores — calendário corporativo de 2026, com as datas previstas para a divulgação do balanço e a apresentação dos resultados do terceiro trimestre.
Movida Participações — documentação societária de setembro de 2026 referente à homologação do aumento de capital.







