Bolsas globais avançam em semana decisiva marcada pelo payroll dos EUA e balanços corporativos
As bolsas internacionais abriram a semana em alta, impulsionadas por expectativas concentradas em um conjunto de dados econômicos decisivos para o cenário global. Entre eles, o payroll dos EUA, indicador mais aguardado pelos mercados, ganhou protagonismo na agenda desta semana ao representar o termômetro central da força do mercado de trabalho norte-americano e, por consequência, das decisões futuras do Federal Reserve.
O apetite ao risco se fortalece em meio ao avanço dos índices futuros de Wall Street, à divulgação iminente dos balanços trimestrais da Nvidia — empresa vista como termômetro da onda global da inteligência artificial — e a dados relevantes de inflação e atividade que moldam a percepção de investidores sobre o ritmo da economia mundial.
Em meio ao ambiente de incertezas, o mercado brasileiro acompanha o movimento internacional enquanto observa a divulgação do IBC-Br, indicador que funciona como “prévia” do PIB, além do Relatório Focus e da balança comercial semanal. O contexto alimenta uma sessão marcada por expectativa, ajustes táticos e busca por sinais claros sobre a trajetória futura de política monetária no Brasil e no exterior.
A semana começa com foco total no payroll dos EUA
O elemento central que guia o humor dos investidores globais é a divulgação do payroll dos EUA, marcada para quinta-feira. O relatório de emprego norte-americano traz informações fundamentais sobre criação de vagas, taxa de desemprego, salários e ritmo de contratação — e funciona como pilar da estratégia do Federal Reserve (Fed).
Após semanas de paralisação parcial do governo norte-americano, que atrasaram divulgações oficiais, o payroll ganhou ainda mais peso. O mercado tenta calibrar suas expectativas sobre quando o Fed poderá iniciar cortes de juros ou adotar uma postura mais restritiva ao longo dos próximos meses.
Sinais de aquecimento excessivo no mercado de trabalho podem reforçar o discurso conservador do Fed, aumentando a probabilidade de juros mais altos por mais tempo. Por outro lado, números mais fracos podem abrir espaço para flexibilização monetária no início de 2026.
A volatilidade observada nas últimas semanas torna o payroll especialmente sensível. Investidores monitoram cada detalhe com atenção, buscando pistas sobre a saúde do consumidor norte-americano e sobre a capacidade da economia em sustentar crescimento diante de um cenário desafiador.
Nvidia se prepara para divulgar resultados e testar confiança no setor de IA
Outro ponto de atenção é o balanço da Nvidia, previsto para quarta-feira. A empresa se tornou um dos principais motores da bolsa americana graças à liderança na corrida global por chips de alto desempenho voltados à IA.
Analistas do LSEG estimam alta de 53,8% nos lucros por ação da empresa, na comparação anual. Caso o número se confirme, reforça a posição da companhia como símbolo da revolução tecnológica e dos investimentos bilionários em infraestrutura de dados.
A reação do mercado aos resultados também servirá como parâmetro para medir o apetite global ao setor de tecnologia, que enfrentou volatilidade recente devido a receios de formação de uma bolha especulativa em torno da inteligência artificial.
Wall Street abre o dia com futuro em alta
Os índices futuros das bolsas americanas operam em terreno positivo:
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Dow Jones Futuro: +0,23%
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S&P 500 Futuro: +0,62%
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Nasdaq Futuro: +0,97%
O desempenho reforça a tendência de recuperação observada na última semana, quando indicadores de inflação vieram em linha com expectativas e aliviaram temores de um aperto monetário inesperado.
Além do payroll, investidores também aguardam os resultados trimestrais de Walmart e Home Depot, gigantes do varejo que ajudam a medir a saúde financeira do consumidor norte-americano, especialmente em um momento de inflação persistente.
Mercados asiáticos têm desempenho misto
Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão sem direção única. O ambiente de incerteza foi influenciado por tensões diplomáticas entre China e Japão, após Pequim emitir alertas a seus cidadãos sobre viagens e estudos no território japonês.
Os índices fecharam assim:
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Shanghai SE (China): –0,46%
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Nikkei (Japão): –0,10%
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Hang Seng (Hong Kong): –0,71%
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Nifty 50 (Índia): +0,34%
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ASX 200 (Austrália): +0,02%
A aversão ao risco em mercados asiáticos reflete preocupações geopolíticas, persistência de tensões comerciais e ajustes de expectativas sobre tecnologia e commodities.
Europa acompanha mercado externo, mas sentimento é cauteloso
As bolsas europeias mostram leve alta, mas ainda operam sob o impacto da forte correção registrada na sexta-feira passada, quando temores sobre uma possível bolha de IA afetaram o humor dos investidores.
Desempenho dos principais índices:
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STOXX 600: +0,09%
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DAX (Alemanha): +0,15%
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FTSE 100 (Reino Unido): +0,08%
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CAC 40 (França): –0,07%
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FTSE MIB (Itália): +0,16%
A Europa tenta se ajustar ao cenário global, mas enfrenta desafios próprios como crescimento fraco, inflação ainda resistente e tensões industriais.
Ibovespa inicia a semana atento ao cenário internacional
O principal índice da Bolsa brasileira encerrou a sexta-feira em alta de 0,37%, aos 157.739 pontos. O dólar comercial recuou levemente, cotado a R$ 5,29.
O índice segue sustentado por fluxo estrangeiro, valorização do petróleo e sinais de enfraquecimento do dólar. Setores como petróleo, bancos e mineração contribuíram para manter o Ibovespa próximo de 158 mil pontos.
A combinação de preços favoráveis das commodities, perspectiva de juros futuros estáveis e apetite internacional por mercados emergentes favoreceu o desempenho brasileiro.
Petróleo segue como protagonista na precificação de ativos brasileiros
O avanço do petróleo favorece empresas exportadoras, melhora a percepção de risco do mercado brasileiro e reforça a atratividade do país em meio ao fluxo estrangeiro. A commodity se mantém como variável-chave para a performance da Bolsa, especialmente para empresas de grande peso na carteira do Ibovespa.
A semana promete forte oscilação conforme forem divulgados novos estoques de petróleo nos EUA e as atualizações da Opep+.
Agenda econômica do dia movimenta mercados
A segunda-feira traz uma série de indicadores relevantes, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Agenda brasileira
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08h00 — FGV: Prévia do IPC-S
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08h25 — Banco Central: Relatório Focus
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09h00 — BC: IBC-Br de setembro
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15h00 — Secex: Balança comercial semanal
Em especial, o IBC-Br deve captar o ritmo da atividade econômica em um momento de desaceleração moderada, ajudando a calibrar expectativas para a política monetária do Copom.
Agenda internacional
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10h30 — EUA: Índice Empire State
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12h00 — EUA: Investimentos em construção
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17h00+ — discursos de dirigentes do Fed
A fala de dirigentes do Federal Reserve tende a influenciar expectativas de mercado, especialmente se trouxerem pistas sobre o impacto do payroll dos EUA na trajetória futura de juros.
O que esperar dos próximos dias
Com dados importantes no radar, a semana deve ser marcada por volatilidade. As atenções estarão concentradas em três eixos principais:
1. Payroll dos EUA
O indicador é determinante para avaliar a força do mercado de trabalho norte-americano e calibrar probabilidades de cortes de juros.
2. Balanço da Nvidia
A empresa se tornou sinônimo do avanço da IA, influenciando o comportamento de índices como Nasdaq e S&P 500.
3. Agenda doméstica
IBC-Br, Focus, IPC-S e balança comercial direcionam o humor interno e ajudam a antecipar movimentos do Banco Central brasileiro.






