A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (28) registra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%. A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois principais nomes aumentou em relação à rodada anterior, quando Lula tinha 40% e Flávio, 37%. O levantamento foi realizado entre 25 e 27 de setembro, seis dias antes do primeiro turno, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 4 de outubro.
O resultado representa uma oscilação de dois pontos para Lula em uma semana, enquanto a intenção de voto de Flávio permaneceu no mesmo patamar. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, as variações individuais de Lula entre uma rodada e outra estão dentro do intervalo informado pelo instituto. A diferença numérica entre os dois candidatos, porém, passou de três para cinco pontos.
Na rodada atual, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 5% cada. Renan Santos (Missão) registra 4%, Romeu Zema (Novo) tem 1% e Samara Martins (UP), também 1%. Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Leonardo Avalanche (PRTB) ficam abaixo de 1%. Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 3%, enquanto 2% não sabem ou não responderam. Somados, Lula e Flávio concentram 79% das respostas no primeiro turno.
Diferença entre os dois principais candidatos aumenta em uma semana
A principal alteração da série semanal está na distância entre Lula e Flávio. Na pesquisa anterior, divulgada em 21 de setembro, os dois estavam separados por três pontos: 40% para Lula e 37% para Flávio. Agora, com a manutenção do percentual do senador e o avanço de dois pontos do presidente, a diferença passou a cinco pontos percentuais.
A comparação deve ser feita dentro das características metodológicas de levantamentos sucessivos. A Nexus entrevistou 2 mil eleitores em cada rodada e utiliza margem de erro de dois pontos percentuais. Assim, uma oscilação isolada dentro desse intervalo não permite, por si só, atribuir uma mudança estrutural no comportamento do eleitorado. O dado objetivo é que Lula passou de 40% para 42%, enquanto Flávio permaneceu em 37%.
A pesquisa mostra ainda que 87% dos entrevistados que escolheram algum candidato no primeiro turno afirmam que a decisão está consolidada e não deve mudar até a eleição. Outros 12% dizem que ainda podem alterar a escolha e 1% não soube responder. Na rodada anterior, o percentual de decisões consolidadas nesse grupo era de 84%, uma alta de três pontos percentuais.
Entre os eleitores que afirmaram votar em Lula, 92% disseram que sua decisão já está definida. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, o índice foi de 91%. Entre os grupos classificados pela Nexus como lulistas convictos e bolsonaristas convictos, a consolidação chega a 94% nos dois casos. Os números indicam que a parcela declarada como aberta à mudança está concentrada principalmente fora dos grupos de apoio mais identificados com os dois candidatos.
Nordeste concentra maior distância, enquanto Sul mostra vantagem de Flávio
Os recortes regionais revelam diferenças relevantes na distribuição das intenções de voto. No Nordeste, Lula aparece com 53%, contra 30% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 23 pontos percentuais. No Sudeste, os dois estão numericamente próximos, com 40% para Lula e 39% para Flávio. No Sul, a relação se inverte: Flávio registra 42%, ante 32% de Lula, diferença de dez pontos a favor do candidato do PL.
A pesquisa não permite transformar esses recortes em uma estimativa independente do resultado nacional porque cada região possui composição demográfica e tamanho amostral próprios. Os números, porém, mostram que o resultado agregado de 42% para Lula e 37% para Flávio é formado por distribuições regionais bastante diferentes.
A divergência regional também ajuda a explicar por que a comparação nacional não deve ser interpretada apenas pela diferença entre os dois percentuais. Uma distância de 23 pontos no Nordeste e uma diferença de dez pontos no sentido contrário no Sul convivem com um cenário quase empatado no Sudeste. O levantamento apresenta, portanto, uma disputa distribuída de maneira heterogênea entre as principais regiões eleitorais.
Economia aparece como principal motivação declarada do voto
A Nexus também perguntou aos entrevistados quais fatores influenciam a escolha para o primeiro turno. A economia foi apontada por 33%, seguida por acusações de corrupção, com 29%, rejeição a um dos candidatos, com 27%, e saúde pública, com 24%. Educação pública e segurança pública aparecem com 21% cada, enquanto a situação financeira pessoal foi citada por 11%.
O conjunto dos percentuais é superior a 100% quando somado, o que indica que as respostas não correspondem a uma distribuição exclusiva entre alternativas. O dado permite observar a ordem de frequência dos temas apontados, mas não significa que cada eleitor tenha escolhido apenas um fator.
A presença da economia no topo da lista também aparece em um momento em que a própria pesquisa registra avaliação dividida sobre o governo federal. Segundo a mesma rodada, 49% desaprovam a administração de Lula e 46% aprovam. Na avaliação qualitativa, 45% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 36% o consideram ótimo ou bom e 19% regular. Um por cento não soube responder.
Esses indicadores são apresentados separadamente da intenção de voto e não devem ser tratados como equivalentes. Aprovação de governo, avaliação administrativa e intenção de voto medem fenômenos diferentes, ainda que sejam coletados na mesma pesquisa.
Segundo turno mantém diferença de dois pontos entre Lula e Flávio
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento registra 46% para o presidente e 44% para o senador. Na rodada anterior, os percentuais eram de 46% e 45%, respectivamente. A diferença numérica atual é de dois pontos, exatamente igual à margem de erro informada pelo instituto. Brancos e nulos somam 8%, e 1% não soube responder.
A pesquisa também testou outros confrontos. Lula aparece com 46% contra 41% de Augusto Cury, com 46% contra 42% de Ronaldo Caiado, com 48% contra 39% de Romeu Zema e com 48% contra 37% de Renan Santos. Os percentuais restantes em cada simulação correspondem a votos brancos, nulos ou nenhum dos nomes, além daqueles que não souberam ou não responderam.
No caso do confronto Lula-Flávio, a diferença passou de um para dois pontos em uma semana porque Lula manteve os 46%, enquanto Flávio oscilou de 45% para 44%. Como a distância está dentro do intervalo de dois pontos indicado pelo instituto, o resultado não estabelece uma separação estatística além da margem de erro entre os dois nomes nesse cenário.
Eleição ocorre em 4 de outubro, segundo calendário do TSE
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário oficial do TSE. Caso seja necessário segundo turno para a Presidência da República, a votação está marcada para 25 de outubro. O calendário determina ainda que o primeiro turno ocorrerá das 8h às 17h, no horário de Brasília.
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada por telefone entre 25 e 27 de setembro, com 2 mil entrevistas, abrangência das 27 unidades da Federação e nível de confiança de 95%. A Nexus informa que utilizou o sistema CATI e estabeleceu controles de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD. A base para construção da amostra incluiu dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e informações do TSE. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07557/2026.
Com o pleito a seis dias, a pesquisa retrata um cenário em que os dois principais candidatos concentram a maior parte das intenções declaradas no primeiro turno, enquanto a maioria dos eleitores que já escolheu um nome afirma manter a decisão. Ao mesmo tempo, a pesquisa registra diferenças expressivas por região, temas econômicos e sociais apontados como motivadores do voto e um segundo turno com distância numérica de dois pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro. Esses dados descrevem o quadro medido entre 25 e 27 de setembro, sem constituir projeção do resultado das urnas.
Fontes:
Nexus – 16ª rodada da Pesquisa BTG/Nexus de intenção de votos para presidente, metodologia, resultados de primeiro e segundo turnos e consolidação do voto
Tribunal Superior Eleitoral – calendário oficial das Eleições Gerais de 2026 e datas do primeiro e eventual segundo turno
Agência Estado – recortes regionais, motivações declaradas do voto e metodologia da pesquisa BTG/Nexus









