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PF vê elo entre Castro e Vorcaro antes de aportes de R$ 3 bilhões no Banco Master

Investigação aponta encontros, mensagens e eventos pagos pelo banqueiro antes de investimentos do fundo previdenciário; defesa nega relação indevida e banco diz que operações foram legais

por Carlos Menezes - Repórter de Política
28/05/2026 às 10h57
em Política, Destaque, Notícias
Pf Vê Elo Entre Castro E Vorcaro Antes De Aportes De R$ 3 Bilhões No Banco Master - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal identificou mensagens, encontros e eventos envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de aportes realizados pelo Rioprevidência na instituição financeira. Segundo a investigação, a relação entre os dois teria contribuído para viabilizar repasses que somaram R$ 3 bilhões em recursos do órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A apuração cita um conjunto de supostas irregularidades nos investimentos, enquanto a defesa de Castro nega “relação pessoal indevida” e o Banco Master afirma que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.

O caso ganhou novo capítulo após a revelação de mensagens obtidas pela Polícia Federal. Em uma delas, Daniel Vorcaro convidou Cláudio Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, nos Estados Unidos, em 14 de maio de 2024. O evento, segundo a investigação, era restrito a dez pessoas e teria custado US$ 1,013 milhão, valor superior a R$ 5 milhões na cotação atual.

No diálogo, Vorcaro informou ao então governador que haveria um evento pequeno, com degustação de uísque. Castro perguntou o horário e o local e, após receber o endereço, respondeu que iria. De acordo com a PF, no dia seguinte ao convite, o Rioprevidência realizou aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master.

A Polícia Federal afirma ainda ter identificado outros dois investimentos posteriores, nos valores de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões. Os investigadores sustentam que os aportes ocorreram em um contexto de aproximação entre Castro e Vorcaro e mesmo após alertas sobre aumento do risco associado ao banco.

Mensagens mostram convite para degustação em Nova York

As mensagens entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro são tratadas pela investigação como elementos relevantes para compreender a proximidade entre o ex-governador e o dono do Banco Master.

Segundo a apuração, o convite para a degustação de uísque ocorreu em 14 de maio de 2024. O evento teria sido realizado em Nova York e restrito a poucos convidados. A PF aponta que o custo total foi de US$ 1,013 milhão.

O valor e o caráter reservado do encontro entraram no radar dos investigadores porque, no dia seguinte, houve novo investimento do Rioprevidência no Banco Master. A Polícia Federal sustenta que a sequência temporal reforça a necessidade de apurar se havia influência indevida na decisão de alocação de recursos públicos previdenciários.

A defesa de Castro nega irregularidades e afirma que os contatos com Vorcaro tiveram caráter institucional. O Banco Master, por sua vez, sustenta que as operações realizadas com o Rioprevidência obedeceram a critérios técnicos e legais.

Como a investigação ainda está em andamento, eventuais responsabilidades dependem de produção de provas, análise do Ministério Público, contraditório e decisão das autoridades competentes.

Rioprevidência fez aporte de R$ 80 milhões no dia seguinte

A informação mais sensível da apuração é a conexão temporal entre o convite de Vorcaro e o aporte do Rioprevidência.

De acordo com a Polícia Federal, no dia seguinte à mensagem sobre a degustação em Nova York, o fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro aplicou R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master.

Letras Financeiras são títulos emitidos por instituições financeiras para captação de recursos. Em geral, esse tipo de papel é usado por bancos para reforçar funding e financiar operações. Para investidores institucionais, como fundos previdenciários, a decisão de compra deve seguir regras de governança, análise de risco, compatibilidade com política de investimento e avaliação de retorno.

No caso do Rioprevidência, a relevância é ampliada pelo fato de o órgão gerir recursos vinculados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos estaduais. Por isso, decisões de investimento precisam observar prudência, segurança, liquidez e aderência às normas aplicáveis.

A PF afirma ter encontrado um “almanaque de irregularidades” nos investimentos feitos no Banco Master. A expressão atribuída à investigação indica que os investigadores veem um conjunto amplo de possíveis falhas ou desvios a serem apurados.

PF cita outros aportes de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões

Além do aporte de R$ 80 milhões no dia seguinte ao convite para o evento em Nova York, a Polícia Federal afirma ter identificado outros dois investimentos subsequentes do Rioprevidência no Banco Master.

Essas aplicações teriam sido de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões. A investigação busca entender como as decisões foram tomadas, quem participou das aprovações e se houve interferência política ou influência externa na escolha dos ativos.

A sequência de investimentos é um dos pontos centrais da apuração. Para a PF, os aportes não devem ser analisados isoladamente, mas dentro de um contexto mais amplo de relacionamento entre autoridades públicas, operadores financeiros e executivos do banco.

O Banco Master afirma que os investimentos foram realizados dentro da legalidade. A defesa de Castro também nega que tenha havido qualquer atuação indevida em favor da instituição financeira.

Ainda assim, a investigação procura verificar se alertas de risco foram ignorados, se os critérios de investimento foram observados e se houve benefício direto ou indireto a agentes públicos ou privados.

Jantar de mais de US$ 13 mil também entrou na apuração

A Polícia Federal também cita um jantar realizado em maio de 2023, em Nova York, com participação de Cláudio Castro e Daniel Vorcaro.

Segundo a investigação, a conta do restaurante teria ultrapassado US$ 13 mil, valor superior a R$ 60 mil na cotação atual. O pagamento, de acordo com a apuração, teria sido feito pelo dono do Banco Master.

Após o encontro, Castro enviou mensagem agradecendo a Vorcaro e classificou a noite como uma “experiência incrível”.

A PF aponta que os primeiros aportes do Rioprevidência em Letras Financeiras do Banco Master ocorreram cerca de seis meses depois, em novembro de 2023. A primeira aplicação teria sido de R$ 40 milhões. Dias depois, houve novo aporte, de R$ 80 milhões.

Para os investigadores, esses eventos ajudam a compor uma linha do tempo sobre a aproximação entre o ex-governador e o banqueiro. A defesa, porém, sustenta que não houve relação pessoal indevida nem favorecimento.

Encontro em casa de Vorcaro ocorreu entre aplicações

A apuração também menciona um encontro entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro na casa do banqueiro, no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo.

Segundo a PF, esse encontro ocorreu entre duas aplicações do Rioprevidência no Banco Master, em novembro de 2023. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram os dois combinando horário e endereço.

A localização do encontro e o momento em que ocorreu foram destacados pela investigação porque coincidiram com a fase inicial dos aportes do fundo previdenciário na instituição financeira.

A Polícia Federal procura apurar se os contatos pessoais e institucionais tiveram influência na estratégia de investimento do Rioprevidência. Também busca identificar se houve participação de intermediários, operadores ou agentes públicos na construção das decisões.

Em investigações desse tipo, mensagens, agendas, registros de deslocamento, extratos, pareceres técnicos e documentos internos costumam ser analisados para confrontar versões e verificar se as decisões seguiram o rito regular.

Reuniões em palácios oficiais também são citadas

Além dos encontros em Nova York e em São Paulo, a Polícia Federal aponta reuniões no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, e no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

Esses encontros teriam ocorrido em março de 2024. Nos diálogos obtidos pela PF, Daniel Vorcaro perguntou se poderia encontrar o então governador “rapidamente” no Rio de Janeiro. Castro respondeu ajustando horários de reuniões para encaixar o compromisso.

A inclusão de reuniões em ambientes oficiais amplia a dimensão institucional da apuração. Para os investigadores, a análise busca diferenciar contatos legítimos de agenda pública de eventuais interações que possam ter influenciado decisões administrativas ou financeiras.

Governadores e representantes do setor financeiro podem manter reuniões institucionais. O ponto investigado, no entanto, é se houve alguma atuação fora dos parâmetros regulares, especialmente porque o Rioprevidência realizou aplicações expressivas no Banco Master.

A defesa de Castro afirma que os contatos foram institucionais. O banco também nega irregularidades nas operações.

Alerta de risco do Banco Master é ponto sensível da investigação

A PF sustenta que os investimentos do Rioprevidência no Banco Master continuaram mesmo após alertas sobre o aumento do risco da instituição financeira.

Esse é um ponto central para avaliar a governança do processo. Fundos previdenciários e regimes próprios precisam seguir políticas de investimento, limites regulatórios e critérios de segurança. A decisão de alocar recursos em títulos privados exige avaliação da saúde financeira do emissor, nota de risco, liquidez e aderência ao perfil do fundo.

Quando há alertas de risco, a manutenção ou ampliação de aportes precisa ser justificada tecnicamente. A investigação busca entender se essas justificativas existiram, se eram consistentes e se foram aprovadas por instâncias competentes.

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários de servidores estaduais. Por isso, eventuais perdas, riscos excessivos ou decisões mal fundamentadas podem ter impacto relevante sobre a sustentabilidade do sistema e sobre o interesse público.

A apuração ainda precisa demonstrar se houve prejuízo, benefício indevido ou violação de normas. Até o momento, as informações conhecidas apontam suspeitas e linhas de investigação, não condenações.

Relação entre poder público e banco fica no centro do caso

O caso coloca sob escrutínio a relação entre um chefe do Executivo estadual e o controlador de uma instituição financeira que recebeu recursos de um fundo previdenciário público.

A investigação da Polícia Federal procura esclarecer se a proximidade entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro teve papel na escolha do Banco Master como destino dos aportes do Rioprevidência.

A dimensão financeira é expressiva. Segundo a PF, os repasses chegaram a R$ 3 bilhões. O volume reforça a importância da governança e da transparência nas decisões de investimento de recursos vinculados à previdência de servidores.

Além do aspecto político, o caso envolve temas sensíveis do mercado financeiro, como risco bancário, captação por Letras Financeiras, relação entre emissores e investidores institucionais, controles internos e responsabilidade fiduciária.

Para o sistema financeiro, investigações envolvendo bancos, fundos previdenciários e agentes públicos podem afetar confiança, percepção de risco e exigências de fiscalização.

Defesas negam irregularidades nas operações

A defesa de Cláudio Castro nega a existência de “relação pessoal indevida” com Daniel Vorcaro. Segundo a versão apresentada, os contatos entre o ex-governador e o banqueiro foram institucionais.

O Banco Master também nega irregularidades e afirma que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.

Essas manifestações são relevantes porque a investigação ainda não representa condenação. Os envolvidos têm direito à defesa, ao contraditório e à apresentação de documentos que possam contestar as suspeitas.

Em casos de apuração policial, a narrativa inicial pode ser complementada, confirmada ou modificada conforme novas provas sejam analisadas. A partir dos elementos reunidos, caberá às autoridades definir se haverá denúncia, arquivamento, medidas cautelares ou novas diligências.

A análise dos investimentos do Rioprevidência deve passar por documentos internos, pareceres técnicos, deliberações de comitês, registros de autorização, relatórios de risco e comunicações entre os envolvidos.

Caso amplia pressão sobre Castro, Rioprevidência e Banco Master

A investigação da Polícia Federal aumenta a pressão sobre Cláudio Castro, o Rioprevidência e o Banco Master em um caso que combina política, previdência pública e mercado financeiro.

O ponto central da apuração é determinar se os aportes bilionários no Banco Master foram resultado de decisão técnica regular ou se houve influência indevida decorrente da relação entre o ex-governador e Daniel Vorcaro.

A linha do tempo descrita pelos investigadores inclui jantar em Nova York, convite para degustação de uísque, encontro em São Paulo, reuniões em palácios oficiais e aportes sucessivos em Letras Financeiras da instituição. Esses elementos serão confrontados com a documentação formal das aplicações e com as justificativas apresentadas pelos envolvidos.

O caso também reacende o debate sobre a fiscalização de investimentos de fundos previdenciários públicos. Como esses recursos são destinados a aposentadorias e pensões, a exigência de prudência e transparência é maior do que em uma aplicação privada comum.

Com a apuração ainda em curso, a PF deve seguir analisando mensagens, documentos e registros financeiros para verificar se houve irregularidade, prejuízo aos cofres públicos ou favorecimento indevido. Até que haja decisão das autoridades, Castro, Vorcaro e o Banco Master seguem na condição de investigados ou citados em investigação, com direito de apresentar defesa e contestar as suspeitas.

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