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PF prende pai de Daniel Vorcaro em nova fase da investigação sobre o Banco Master

Henrique Vorcaro foi preso em Belo Horizonte por ordem do STF; investigadores apuram repasses feitos por Daniel Vorcaro ao pai em meio ao caso Banco Master.

por Júlia Campos
14/05/2026 às 11h39
em Política
Pf Prende Pai De Daniel Vorcaro Em Nova Fase Do Banco Master - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14), em Belo Horizonte, Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master. A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ocorre após investigadores identificarem repasses que teriam sido feitos por Daniel Vorcaro ao pai, apontado como possível beneficiário de recursos movimentados no esquema.

A ação foi executada pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, a Dicor, com sede em Brasília. A nova etapa amplia o alcance da apuração sobre o entorno familiar e financeiro de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e principal personagem da investigação.

Leia também: Condenação de Bolsonaro no STF: penas, recursos, inelegibilidade e o que pode acontecer agora.

De acordo com a apuração, Henrique Vorcaro teria recebido valores depositados pelo próprio filho. Para os investigadores, a movimentação financeira pode indicar participação ou benefício indireto de recursos relacionados ao núcleo investigado. A defesa dos envolvidos poderá se manifestar nos autos, e todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

Operação Compliance Zero mira fraudes ligadas ao Banco Master

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB, o Banco Regional de Brasília, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.

Leia também: FIDCs entram em nova fase e devem separar gestores fortes de estruturas frágeis.

As investigações apontam a possível existência de um esquema comandado por Daniel Vorcaro, que envolveria a venda de títulos de crédito fraudulentos ou inexistentes, além de articulações com servidores públicos, agentes políticos e operadores financeiros.

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso. Desde então, a Polícia Federal avançou sobre diferentes núcleos da investigação, com prisões, mandados de busca e apreensão e análise de documentos, mensagens e movimentações bancárias.

Leia também: Banco Mundial revisa projeções econômicas para o Brasil: crescimento em 2024.

O caso Banco Master ganhou dimensão nacional por envolver uma instituição financeira privada, um banco público regional e suspeitas de prejuízo bilionário decorrente da aquisição de carteiras de crédito consignado consideradas irregulares pelos investigadores.

Prisão amplia cerco sobre família Vorcaro

A prisão de Henrique Vorcaro é mais um movimento da PF sobre pessoas próximas a Daniel Vorcaro. Antes dele, outros nomes ligados ao ex-banqueiro já haviam sido alvo de medidas cautelares no curso da Operação Compliance Zero.

No início de maio, a Polícia Federal prendeu Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, apontado como peça relevante do chamado núcleo financeiro-operacional da investigação. Em abril, os investigadores também prenderam Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, suspeito de participação em tratativas ligadas à compra do Banco Master.

Com a nova fase, a PF busca aprofundar o rastreamento do dinheiro que teria circulado no entorno de Daniel Vorcaro. A apuração tenta identificar se parte dos recursos investigados foi transferida para familiares, empresas próximas ou intermediários financeiros.

A prisão do pai do ex-banqueiro indica que os investigadores consideram relevante a análise das movimentações fora da estrutura formal do Banco Master. O objetivo é reconstituir o caminho dos valores e identificar eventuais beneficiários finais.

BRB e Banco Master estão no centro da apuração

Um dos principais eixos da investigação é a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. A operação chamou a atenção de autoridades de controle por envolver um banco público em uma negociação bilionária com uma instituição privada sob suspeita.

O BRB chegou a injetar cerca de R$ 12 bilhões no Banco Master por meio da compra de carteiras de crédito consignado. Segundo a investigação, parte desses ativos teria apresentado indícios de fraude, inconsistências ou ausência de lastro adequado.

A suspeita é que o banco público tenha assumido exposição relevante a carteiras de baixa qualidade ou de origem questionada. O cálculo final das perdas ainda não foi concluído, mas o caso já é tratado como uma das maiores investigações financeiras recentes do país pela dimensão dos valores envolvidos.

A apuração também busca esclarecer se houve pagamento de vantagens indevidas para viabilizar a operação. Nesse contexto, a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, elevou a pressão sobre o núcleo político e institucional do caso.

Delação de Daniel Vorcaro aumenta expectativa em Brasília

A nova prisão ocorre em meio às negociações para uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro apresentou, na primeira semana de maio, uma proposta de colaboração à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal.

O acordo ainda está em fase de análise e precisará ser homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso. Até a homologação, não há garantia de que a colaboração será aceita nem de que as informações apresentadas serão utilizadas formalmente nas investigações.

A expectativa é que uma eventual delação de Daniel Vorcaro possa envolver políticos, magistrados, operadores financeiros e empresários que teriam mantido relações com o ex-controlador do Banco Master. Qualquer citação, porém, dependerá de comprovação documental, diligências complementares e validação pelas autoridades.

A prisão de Henrique Vorcaro tende a aumentar a pressão sobre o ex-banqueiro. Em investigações financeiras complexas, acordos de colaboração costumam depender da capacidade do investigado de apresentar provas materiais, documentos bancários, registros de mensagens e informações capazes de confirmar as suspeitas.

Caso expõe riscos de governança no sistema financeiro

O caso Banco Master também reacende discussões sobre governança bancária, controles internos, auditoria de carteiras de crédito e supervisão de operações de grande porte envolvendo bancos públicos.

Em instituições financeiras, a qualidade dos ativos é um ponto central para medir solvência e risco. Quando há suspeita de que carteiras de crédito foram vendidas com lastro irregular ou inexistente, o impacto pode atingir compradores, credores, investidores e órgãos reguladores.

A tentativa de venda do Banco Master ao BRB ampliou a gravidade institucional da apuração. Por envolver um banco público, a investigação passou a ter reflexos não apenas criminais, mas também políticos, administrativos e fiscais.

O caso pode resultar em novas ações de responsabilização, bloqueio de bens, processos administrativos, acordos de colaboração e eventuais denúncias criminais. A extensão das perdas e o grau de participação de cada investigado ainda dependem da conclusão das diligências.

Nova fase mantém Banco Master sob pressão

A prisão de Henrique Vorcaro amplia o cerco da Polícia Federal sobre o entorno familiar e financeiro de Daniel Vorcaro. A nova fase da Operação Compliance Zero reforça a linha de investigação sobre a circulação de recursos e a eventual participação de beneficiários próximos ao ex-controlador do Banco Master.

Com a delação de Daniel Vorcaro ainda em negociação, o avanço da PF sobre familiares e operadores ligados ao ex-banqueiro pode influenciar os próximos movimentos da defesa e das autoridades. O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal.

A investigação permanece em andamento e ainda depende da análise de documentos, dados bancários, depoimentos e eventuais provas obtidas nas novas diligências. Enquanto isso, o caso Banco Master continua no centro da agenda política e financeira em Brasília, com impacto direto sobre o debate de governança em bancos públicos e sobre a fiscalização de grandes operações no sistema financeiro.

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