As eleições deste domingo, 4 de outubro, mudaram de forma expressiva a composição do Senado Federal. Das 81 cadeiras da Casa, 54 estavam em disputa, duas por Estado e duas pelo Distrito Federal. O PL foi o partido que mais elegeu senadores, com 19 vitórias, e deverá começar 2027 com 28 parlamentares em exercício, segundo a projeção divulgada pela Agência Senado após a apuração.
É importante separar dois números que podem causar confusão. Dezenove é o número de candidatos do PL eleitos para as vagas disputadas em 2026. Vinte e oito é o tamanho projetado da bancada partidária do PL no Senado em 2027, depois de somados os novos eleitos aos parlamentares cujos mandatos seguem até 2031 e consideradas substituições já conhecidas.
A mesma regra vale para os demais partidos. O PT elegeu seis senadores neste pleito, mas a projeção da Agência Senado aponta nove integrantes na bancada no início de 2027. O MDB elegeu sete e deverá ter oito. Portanto, número de eleitos neste domingo e tamanho total da bancada na próxima legislatura são informações diferentes e não devem ser usadas como sinônimos.
Pela projeção oficial utilizada nesta reportagem, a composição partidária no início de 2027 será: PL, 28 senadores; PT, 9; MDB, 8; PP, 6; Republicanos, 6; PSD, 5; União Brasil, 5; PSB, 4; Novo, 3; Podemos, 2; PSDB, 2; PDT, 1; Rede, 1; e um senador sem partido. Esses números somam as 81 cadeiras da Casa.
A projeção não deve ser tratada como definitiva. Ela representa uma fotografia produzida imediatamente depois do primeiro turno e considera os parlamentares que, pelas informações disponíveis agora, deverão estar em exercício quando os eleitos tomarem posse, em fevereiro. Mudanças partidárias, retorno de ministros ao Senado, vitórias de senadores nas eleições para governador e decisões da Justiça Eleitoral ainda podem alterar essa distribuição.
PL passa de um terço das cadeiras, mas não controla sozinho o Senado
Os 28 senadores projetados para o PL correspondem a 34,6% das 81 cadeiras. Como um terço do Senado equivale exatamente a 27 assentos, o partido deverá começar a legislatura com uma cadeira acima de um terço da Casa.
Isso não significa maioria absoluta nem controle automático das votações. A maioria absoluta do Senado exige 41 votos. Uma proposta de emenda à Constituição precisa de 49 votos em dois turnos, e matérias que dependem de dois terços da Casa exigem 54.
O resultado, portanto, transforma o PL na força partidária dominante, mas não dispensa alianças. O partido terá capacidade de influenciar a escolha da presidência do Senado, o comando de comissões e a formação de maiorias, mas continuará dependente de outras legendas para aprovar decisões que exigem quórum elevado.
Se os 28 integrantes forem confirmados na posse, o PL terá a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. O recorde anterior era do PMDB, hoje MDB, que começou a legislatura de 1999 com 27 senadores.
O partido também estabeleceu outro marco ao eleger 19 senadores em um único pleito, maior número registrado por uma legenda desde a atual Constituição. O recorde anterior era de 14 eleitos.
Projeção por partido não é a mesma coisa que resultado eleitoral
O quadro partidário projetado para 2027 precisa ser lido em duas camadas.
Na primeira estão os 54 senadores eleitos em 2026, que ocuparão mandatos até 2035. O PL venceu 19 dessas vagas; MDB, sete; PT, seis; União Brasil, quatro; PP, PSB e Novo elegeram três cada; Republicanos, PSD, Podemos e PSDB conquistaram duas cada; PDT e Rede, uma cada.
Na segunda camada estão os 27 mandatos iniciados em 2023, que continuam até 2031. É a soma desses dois grupos, ajustada pelas suplências já conhecidas, que produz as bancadas projetadas para fevereiro de 2027.
Esse critério evita outra confusão recorrente: dizer que um partido “terá” determinado número de senadores não significa que todos tenham sido eleitos neste domingo.
O Republicanos, por exemplo, aparece com seis senadores na projeção de bancada embora tenha eleito dois em 2026. O PP também é projetado com seis, tendo elegido três neste domingo.
PP e União são contados separadamente no Senado
Outro ponto que exige precisão é a situação de PP e União Brasil.
Os dois partidos integram a federação União Progressista, registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Para efeito da organização interna do Senado, porém, PP e União Brasil continuam contabilizados como bancadas partidárias separadas.
Por isso, a projeção da Agência Senado registra seis senadores para o PP e cinco para o União Brasil, e não uma bancada única de 11 integrantes.
Somar os dois pode ser útil em análises sobre força política da federação, mas não é correto apresentar esse total como se fosse uma bancada partidária única dentro da estrutura formal do Senado.
Cinco unidades tiveram duas vitórias do PL
O PL conseguiu conquistar as duas vagas em disputa em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
No Distrito Federal, foram eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy. Em Rondônia, Fernando Máximo e Bruno Scheid. Em Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
Esses pares devem ser chamados de senadores eleitos pela mesma unidade da Federação, e não de “bancada estadual do PL”. Cada Estado e o Distrito Federal possuem uma representação de três senadores, e o terceiro mandato é aquele iniciado em 2023 e válido até 2031.
Em Santa Catarina, por exemplo, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro foram eleitos agora e se juntarão a Jorge Seif, também do PL. Nesse caso específico, os três representantes catarinenses estarão no mesmo partido.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis se juntarão a Damares Alves, do Republicanos. Portanto, haverá duas senadoras do PL e uma do Republicanos na representação do DF, embora as três sejam mulheres.
Veja os três representantes projetados de cada Estado
A relação abaixo reúne os dois nomes eleitos em 2026 e o titular, ou provável ocupante, da cadeira cujo mandato começou em 2023. A expressão usada é representação do Estado, e não bancada, para evitar confusão com as bancadas partidárias.
Acre: Marcio Bittar (PL), Mara Rocha (Republicanos) e Alan Rick (Republicanos). Alan disputa o segundo turno para governador. Se vencer, Gemil Júnior (PSD), seu primeiro suplente, poderá assumir o mandato.
Alagoas: Arthur Lira (PP), Marina JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB).
Amapá: Rayssa Furlan (Podemos), Lucas Barreto (PSD) e Davi Alcolumbre (União Brasil).
Amazonas: Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB) e Omar Aziz (PSD). Omar disputa o segundo turno para governador e poderá dar lugar à primeira suplente, Cheila Moreira (PT), caso seja eleito.
Bahia: Rui Costa (PT), Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD).
Ceará: Cid Gomes (PSB), Luizianne Lins (Rede) e Camilo Santana (PT).
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos).
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB), Evair de Melo (Republicanos) e Magno Malta (PL).
Goiás: Gustavo Gayer (PL), Gracinha Caiado (União Brasil) e Wilder Morais (PL).
Maranhão: André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo) e Ana Paula Lobato (PSB), titular do mandato iniciado em 2023. Lourdinha Pereira, também do PSB, está no exercício da cadeira durante licença da titular.
Mato Grosso: Mauro Mendes (União Brasil), Zé Medeiros (PL) e Wellington Fagundes (PL).
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) e Tereza Cristina (PP).
Minas Gerais: Domingos Sávio (PL), Marília Campos (PT) e Alex Diniz (PL), primeiro suplente de Cleitinho. Cleitinho, do Republicanos, foi eleito governador e deixará o Senado.
Pará: Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Beto Faro (PT).
Paraíba: João Azevêdo (PSB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Efraim Filho (PL).
Paraná: Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Luís Felipe Cunha (União Brasil), primeiro suplente de Sergio Moro. Moro foi eleito governador e deverá deixar o Senado. A situação eleitoral de Deltan ainda depende de decisão definitiva do TSE.
Pernambuco: Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT) e Teresa Leitão (PT).
Piauí: Marcelo Castro (MDB), Júlio César (PSD) e a cadeira cujo titular é Wellington Dias (PT). Como Wellington permanece ministro, Jussara Lima (PSD) está no exercício do mandato.
Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL), Carlos Jordy (PL) e Romário, atualmente sem partido.
Rio Grande do Norte: Styvenson Valentim (Podemos), Samanda de Lula (PT) e Rogério Marinho (PL).
Rio Grande do Sul: Sanderson (PL), Marcel Van Hattem (Novo) e Hamilton Mourão (Republicanos).
Rondônia: Fernando Máximo (PL), Bruno Scheid (PL) e Jaime Bagattoli (PL).
Roraima: Nicoletti (PL), Teresa Surita (MDB) e Dr. Hiran (PP).
Santa Catarina: Carol de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Jorge Seif (PL).
São Paulo: Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL) e Astronauta Marcos Pontes (PL).
Sergipe: Rogério Carvalho (PT), Alessandro Vieira (MDB) e Laércio Oliveira (PP).
Tocantins: Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB) e Professora Dorinha Seabra (União Brasil). Dorinha disputa o segundo turno para governadora; se vencer, sua primeira suplente, Professora Lu, também do União Brasil, poderá assumir.
Por que PT, PSD e Republicanos ainda podem mudar
A projeção de bancada da Agência Senado parte da situação esperada para quem estará efetivamente exercendo o mandato em fevereiro. Isso faz diferença principalmente nos casos de titulares afastados, senadores eleitos governadores e parlamentares que ainda disputam Executivos estaduais.
No Piauí, por exemplo, o mandato pertence a Wellington Dias, do PT, mas é exercido por Jussara Lima, do PSD, enquanto ele permanece ministro. Na fotografia baseada em quem está no exercício da cadeira, a vaga conta para o PSD. Se Wellington retornar ao Senado, o PT ganha um integrante nessa contagem e o PSD perde um.
O segundo turno estadual também pode deslocar cadeiras entre partidos. Se Alan Rick, do Republicanos, for eleito governador do Acre, a cadeira poderá passar para Gemil Júnior, do PSD. Nesse cenário, o Republicanos perde um senador em exercício e o PSD ganha um.
No Amazonas ocorre o movimento inverso para outras siglas. Se Omar Aziz, do PSD, vencer a eleição para governador, sua suplente Cheila Moreira, do PT, poderá assumir. O PSD perderia um integrante na bancada em exercício e o PT ganharia um.
Em Tocantins, eventual vitória de Professora Dorinha não muda o tamanho da bancada partidária, porque sua suplente, Professora Lu, também é do União Brasil.
Por esse motivo, números como PL 28, PT 9, MDB 8, Republicanos 6 e PSD 5 devem ser apresentados como projeções para o início de 2027, e não como uma composição imutável até 2031.
Deltan também impede fotografia definitiva
Há ainda uma variável judicial no Paraná. Deltan Dallagnol, do Novo, recebeu votos suficientes para ser eleito senador, mas seu registro permanece sob análise do Tribunal Superior Eleitoral.
O relator havia indeferido a candidatura em decisão individual antes da eleição, mas os efeitos foram suspensos pelo presidente do TSE até julgamento do plenário. Enquanto não houver decisão definitiva, Deltan integra a projeção do Novo para 2027.
Caso sua candidatura seja invalidada definitivamente, a mudança não significa simplesmente transferir a cadeira ao candidato seguinte na votação. Segundo a Agência Senado, a hipótese considerada é de realização de nova eleição para a vaga, o que também poderia alterar o tamanho das bancadas.
Renovação leva 40 novos nomes ao Senado
Das 54 cadeiras submetidas às urnas, 40 terão ocupantes diferentes daqueles que encerram o atual mandato. Entre os 32 senadores que tentaram a reeleição, 14 conseguiram permanecer na Casa.
A renovação de 74,1% das cadeiras colocadas em disputa ajuda a explicar por que a correlação partidária mudou tanto. O PSD é o exemplo mais evidente: tinha 15 senadores no início da atual legislatura e 13 no começo de 2026, mas a projeção da Agência Senado aponta cinco integrantes em exercício a partir do próximo ano.
Ao mesmo tempo, o PL consolidou uma distância incomum para as demais legendas. Seus 28 senadores projetados representam mais de três vezes a bancada do PT, segundo colocado com nove, e três vezes e meia a do MDB, com oito.
Isso não significa, porém, que PL, PT e MDB tenham eleito respectivamente 28, nove e oito senadores em 2026. Os números correspondem ao tamanho total projetado das bancadas partidárias depois da posse, não ao número de vencedores deste domingo.
Bancada feminina é outro conceito
A expressão “bancada feminina” também tem significado diferente de bancada partidária.
Doze mulheres foram eleitas ao Senado em 2026, o maior número registrado em uma única eleição. Somadas às parlamentares que permanecem com mandato e às suplentes que estejam no exercício das cadeiras, a Agência Senado projeta 18 mulheres em atividade no início de 2027, equivalentes a 22,2% das 81 vagas.
Nesse caso, “bancada feminina” descreve um agrupamento suprapartidário. Essas 18 senadoras estarão distribuídas por diferentes partidos e não formam uma legenda ou bloco partidário único.
O Distrito Federal será um caso particularmente simbólico. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, do PL, se juntarão a Damares Alves, do Republicanos, fazendo com que as três cadeiras da representação do DF sejam exercidas por mulheres, embora pertençam a duas bancadas partidárias diferentes.
Fotografia de fevereiro ainda depende de movimentos políticos
A melhor forma de interpretar o resultado deste domingo é separar três conceitos. Primeiro, eleitos em 2026: são os 54 candidatos que venceram as duas vagas disponíveis em cada Estado e no Distrito Federal. Segundo, representação estadual: são os três senadores vinculados a cada unidade da Federação, incluindo o mandato iniciado em 2023. Terceiro, bancada partidária: é o conjunto de senadores de uma mesma legenda que efetivamente estarão no exercício do mandato.
Com essa distinção, a principal consequência eleitoral fica mais clara. O PL elegeu 19 dos 54 novos senadores e, pelas condições conhecidas até agora, deverá começar 2027 com 28 das 81 cadeiras. O PT aparece em seguida com nove e o MDB com oito. PP e Republicanos são projetados com seis cada; PSD e União Brasil, cinco cada.
Esses números constituem a projeção mais atual da Agência Senado, mas não uma composição congelada. O segundo turno estadual de 25 de outubro, o retorno ou permanência de ministros no Executivo, a situação de Deltan Dallagnol e eventuais mudanças partidárias poderão alterar o quadro antes da posse.
O que as urnas já definiram é a direção geral da mudança: o Senado que começa a nova legislatura em fevereiro terá forte crescimento do PL, renovação elevada, participação feminina recorde e uma distribuição partidária bem diferente da observada no início de 2023.
Fontes
Senado Federal — projeção das bancadas partidárias para o início de 2027.
Agência Senado — relação dos 54 senadores eleitos em 4 de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — totalização das Eleições Gerais de 2026 e registros de candidaturas.
Senado Federal — composição dos mandatos iniciados em 2023 e regras de suplência.
Tribunal Superior Eleitoral — situação jurídica da candidatura de Deltan Dallagnol.







