terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

Bastidores do pacto entre Motta, Alcolumbre, Gilmar e Moraes que definiu o PL da Dosimetria

por Helena Duarte
11/12/2025 às 23h37
em Política
Bastidores Do Pacto Entre Motta, Alcolumbre, Gilmar E Moraes Que Definiu O Pl Da Dosimetria - Gazeta Mercantil

PL da Dosimetria: acordo entre Poderes redefine cenário político e reacende debate sobre penas dos golpistas

O avanço do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados expõe um arranjo político que vinha sendo costurado silenciosamente entre líderes do Legislativo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A articulação, que envolveu o presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, foi determinante para que o projeto, que altera parâmetros de cálculo de penas para condenados por participação na trama golpista, fosse votado sem alterações no plenário.

A consolidação desse entendimento influencia diretamente o debate sobre responsabilização e abre nova etapa na discussão nacional sobre os desdobramentos jurídicos da tentativa de golpe. O PL da Dosimetria se tornou o eixo central das disputas entre governo, oposição e Judiciário, ocupando espaço decisivo nas negociações políticas em Brasília.

Leia também: Fim da escala 6×1 avança no Senado: Alcolumbre reúne governo e sindicatos.

Bastidores de um acordo que mudou a rota da votação

As conversas sobre o PL da Dosimetria estavam em curso havia semanas, marcadas por encontros reservados entre parlamentares e ministros do STF. No centro da articulação estava a busca por um texto que não abrisse brechas para questionamentos jurídicos nem alterasse substancialmente decisões já proferidas pela Corte.

O relator, deputado Paulinho da Força, já havia sinalizado publicamente a existência de tratativas. O ponto decisivo, contudo, veio com a condição imposta pela oposição: não haveria tentativas de alterar o texto durante a votação. O objetivo era evitar que qualquer mudança pudesse fragilizar judicialmente o projeto ou influenciar sentenças já estabelecidas.

A oposição também buscava preservar o discurso de defesa de condenados, mas sem se comprometer com uma reabertura do debate sobre anistia geral. Essa engenharia produziu o ambiente político necessário para que o PL da Dosimetria avançasse sem resistência significativa.

O papel estratégico da oposição na aprovação

O acordo teve como elemento-chave a atuação dos parlamentares que defendem a anistia irrestrita. Eles aceitaram não propor alterações desde que fosse garantido que o texto não enfraqueceria decisões da Suprema Corte. O entendimento foi visto como uma forma de encerrar a disputa política, ao menos no curto prazo, e de permitir que o Congresso enviasse uma resposta institucional ao tema.

Apesar de membros da oposição terem interesse direto na redução de penas de apoiadores envolvidos no 8 de Janeiro, líderes partidários avaliaram que qualquer mudança brusca no PL da Dosimetria poderia reacender tensões entre os Poderes, especialmente com o STF. A estratégia, portanto, foi a de consolidar um texto negociado e evitar ruídos no processo legislativo.

Impacto sobre a pena de Bolsonaro e o cálculo político do Congresso

Nos bastidores, avaliou-se que o PL da Dosimetria não teria impacto expressivo sobre a pena imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos no julgamento dos golpistas. A leitura compartilhada entre articuladores era a de que eventuais reduções seriam marginais e não alterariam substancialmente o cenário jurídico do ex-presidente.

Essa avaliação contribuiu para que o projeto fosse aceito sem maiores resistências. Parlamentares da base de Bolsonaro queriam demonstrar mobilização política, mas sem criar risco jurídico que pudesse levar a novas contestações. Ao mesmo tempo, líderes governistas preferiram evitar confrontos diretos, cientes de que o governo Lula não estava conduzindo o processo de perto.

Silêncio estratégico do governo Lula e tentativa de ganhar tempo

O Palácio do Planalto — ausente das negociações principais — observou a movimentação com cautela. O governo evitou entrar frontalmente na articulação do PL da Dosimetria, apostando em uma estratégia de respiro político. A leitura interna é de que o tema poderia gerar desgaste tanto com grupos ligados ao Judiciário quanto com parte da base governista.

Com a aprovação na Câmara, assessores próximos ao governo se mobilizaram para sugerir ajustes no Senado. A expectativa é que mudanças pontuais possam impedir interpretações que favoreçam organizadores dos atos golpistas. Ao mesmo tempo, o Executivo convocou manifestações públicas contra a anistia aos golpistas, buscando reforçar posição política sem interferir diretamente na tramitação do projeto.

O caminho do PL da Dosimetria no Senado

Com o envio do PL da Dosimetria à Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), onde Alcolumbre tem forte influência, a análise tende a ser rápida. A expectativa inicial era votar o projeto já na semana seguinte à aprovação na Câmara.

Senadores avaliam que o texto, que estabelece novos critérios de dosimetria das penas, não deve sofrer alterações profundas. A intenção de Alcolumbre é manter o acordo estabelecido com o STF e com líderes da Câmara, evitando desgaste institucional.

Essa postura indica que o Senado deverá atuar como ratificador político do projeto, sem entrar nas disputas internas que marcaram a primeira etapa da tramitação.

A lógica por trás do PL da Dosimetria

O PL da Dosimetria estabelece parâmetros objetivos para cálculo das penas aplicadas a réus condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe. A proposta busca organizar juridicamente fatores agravantes e atenuantes, trazendo previsibilidade e uniformidade para futuras sentenças.

Para ministros do STF envolvidos nas negociações, a padronização reduz margem para questionamentos e fortalece o entendimento judicial. Ao mesmo tempo, oferece ao Congresso a possibilidade de exercer protagonismo no tema, já que a reação inicial às condenações deixou parte dos parlamentares desconfortáveis com o volume de punições.

O projeto, portanto, funciona como ponto de equilíbrio entre as instituições, ao permitir que o Legislativo participe do debate sobre responsabilização sem desautorizar decisões do Judiciário.

A anistia como pano de fundo

Embora não trate diretamente de anistia, o PL da Dosimetria esbarra em um tema altamente sensível no debate público. O governo tenta evitar que a discussão se transforme em revisão das condenações, enquanto a oposição busca espaço para recuar sem parecer derrotada.

A manifestação convocada para o dia 14, contra a anistia aos golpistas, é parte dessa disputa. Para o governo, trata-se de reposicionar o tema na agenda pública e criar condições favoráveis para futuras negociações no Senado.

Acordo reforça papel político do STF

O protagonismo de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes nas articulações consolida a influência crescente do STF no processo político. Ao participar das discussões do PL da Dosimetria, os ministros reforçam a importância de evitar decisões que fragilizem julgamentos já proferidos pela Corte.

Essa aproximação entre Judiciário e Legislativo não é inédita, mas adquire novo peso no contexto pós-8 de Janeiro. O acordo indica que a Suprema Corte segue atuando como protagonista na estabilização institucional.

Efeitos sobre a disputa pela anistia ampla

Com a aprovação do PL da Dosimetria, deputados e senadores que defendem a anistia ampla perdem parte de sua força argumentativa. O projeto funciona como resposta legislativa ao tema, reduzindo espaço para narrativas de perseguição política.

Parlamentares avaliam que, nos próximos meses, o debate sobre anistia deve perder intensidade, enquanto a atenção se desloca para os efeitos práticos do novo modelo de dosimetria.

Perspectivas para o cenário político

O avanço do PL da Dosimetria inaugura nova fase na relação entre Congresso e STF. O acordo estabelecido redefine limites, cria precedentes e sinaliza o tipo de articulação que poderá se repetir em outros temas sensíveis.

Para a oposição, o texto aprovado representa a oportunidade de reapresentar o discurso de defesa sem confrontar a Justiça. Para o governo, significa a chance de recalibrar sua postura institucional. Para o Judiciário, a consolidação de decisões já tomadas.

Nos próximos meses, o desfecho no Senado e eventuais judicializações deverão indicar até onde vai a influência desse acordo político.

LEIA MAIS

Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Presidente afirmou que manifestações nas ruas pressionaram o partido; nesta terça, Flávio Bolsonaro declarou voto favorável à PEC após ter criticado a proposta. * * Lula afirmou nesta...

Leia MaisDetails
Advogados Divergem Sobre Suspensão De Pesquisa Eleitoral Por Kassio No Tse
Política

Kassio Nunes Marques é acusado de medidas antidemocráticas favoráveis a Flávio Bolsonaro

Petista criticou decisão de Kassio Nunes Marques, disse que pedirá explicações à Justiça Eleitoral e afirmou que não aceitará interferência indevida na campanha

Leia MaisDetails
Alexandre De Moraes - Gazeta Mercantil
Política

Moraes manda prender Eduardo Bolsonaro para cumprir pena de 4 anos e 2 meses

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira, 8 de outubro, a expedição de mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para...

Leia MaisDetails
Tributação - Gazeta Mercantil
Economia

STF exclui crédito presumido de ICMS do PIS/Cofins; risco fiscal é de R$ 16,5 bilhões

Decisão favorável ao contribuinte foi tomada por maioria dos ministros. Entendimento é de que crédito presumido de ICMS não deve entrar no cálculo da Cofins e da contribuição...

Leia MaisDetails
Plenário Do Senado Federal - Gazeta Mercantil
Política

Aliados de Flávio tentam impedir votação do fim da escala 6×1 antes do 2º turno

A votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 na próxima semana está mantida, segundo Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, apesar...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:22:34
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP