terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Focus eleva projeção da inflação pela 15ª semana seguida e mercado vê Selic em 14% no fim de 2026

Expectativas para o IPCA voltam a piorar, enquanto economistas reduzem apostas em novos cortes de juros após decisão do Copom.

por Camila Braga
22/06/2026 às 18h18
em Economia
Boletim Focus Eleva Projeção Da Inflação E Da Selic Para 2026 E Amplia Cautela Do Mercado-Gazeta Mercantil

As expectativas do mercado financeiro para a inflação voltaram a piorar e atingiram um novo patamar em 2026, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi elevada pela 15ª semana consecutiva, enquanto os analistas passaram a prever apenas mais um corte na taxa Selic até o fim do ano.

O levantamento, que reúne estimativas de bancos, corretoras, gestoras e consultorias econômicas, indica que a inflação deverá encerrar 2026 em 5,33%, acima dos 5,30% projetados na semana anterior. O movimento reforça o cenário de persistente deterioração das expectativas inflacionárias e amplia os desafios do Banco Central para conduzir a política monetária.

Leia também: Prévia da inflação oficial fica em 0,33% em novembro.

Ao mesmo tempo, o mercado revisou suas apostas para os juros. Após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na última semana, para 14,25% ao ano, os economistas passaram a projetar que a taxa básica encerrará 2026 em 14%, ante expectativa anterior de 13,75%.

A mudança reflete a avaliação de que o ciclo de flexibilização monetária está próximo do fim diante da resistência da inflação e das incertezas relacionadas ao cenário fiscal.

Leia também: Mercado vê chance de candidatura moderada contra Lula em 2026 após prisão de Bolsonaro.

Inflação se afasta da meta do Banco Central

O principal destaque da nova edição do Boletim Focus foi o avanço das projeções para o IPCA, indicador oficial utilizado no sistema de metas de inflação.

A expectativa para 2026 subiu para 5,33%, consolidando uma sequência de revisões altistas observada ao longo dos últimos meses.

As estimativas para os anos seguintes também registraram piora. Para 2027, o mercado passou a projetar inflação de 4,15%, ante 4,10% na pesquisa anterior. Já para 2028, a previsão avançou de 3,68% para 3,70%.

Os números permanecem acima do centro da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Embora as projeções ainda permaneçam dentro do limite superior da banda, o distanciamento em relação ao centro da meta aumenta a pressão sobre a atuação da autoridade monetária.

O comportamento das expectativas é acompanhado de perto pelo Banco Central porque influencia decisões de investimento, consumo, formação de preços e negociações salariais.

Mercado vê apenas mais um corte na Selic

As novas projeções indicam que o mercado financeiro espera uma desaceleração significativa no ritmo de redução dos juros.

Após a decisão da última quarta-feira, quando o Copom cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, os economistas passaram a enxergar espaço para apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual.

Com isso, a taxa básica encerraria o ano em 14%.

Na semana passada, antes da decisão do Banco Central, a mediana das projeções apontava juros de 13,75% ao final de 2026.

A mudança evidencia que o mercado interpretou a comunicação do Copom como mais cautelosa em relação ao futuro da política monetária.

Em seu comunicado, o comitê evitou indicar explicitamente os próximos passos e destacou que continua avaliando diferentes trajetórias para os juros a fim de assegurar a convergência da inflação para a meta em horizontes mais longos.

A atenção dos investidores agora se volta para a ata da reunião, que deverá trazer mais detalhes sobre a avaliação dos diretores do Banco Central e os fatores considerados para a condução da política monetária nos próximos meses.

Comunicação do Copom reforça cautela com cenário inflacionário

O comunicado divulgado após a reunião do Copom foi interpretado pelo mercado como um sinal de prudência diante da persistência das pressões inflacionárias.

Embora tenha mantido o processo de flexibilização monetária iniciado anteriormente, o Banco Central deixou em aberto o ritmo e a intensidade dos próximos movimentos.

A autoridade monetária destacou que seguirá observando a evolução das expectativas de inflação, o comportamento da atividade econômica, as condições do mercado de trabalho e os efeitos da política fiscal sobre o cenário macroeconômico.

Nos últimos meses, integrantes do Banco Central têm ressaltado que a credibilidade do processo de desinflação depende não apenas da política monetária, mas também da percepção dos agentes econômicos sobre a sustentabilidade das contas públicas.

Esse contexto explica parte da cautela observada nas projeções para os juros.

Quanto maior a resistência da inflação e a deterioração das expectativas, menor tende a ser o espaço para cortes mais agressivos na Selic.

PIB tem leve melhora nas projeções para este ano

Apesar da piora das estimativas para inflação e juros, o Boletim Focus trouxe uma revisão positiva para o crescimento econômico em 2026.

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) avançou de 1,96% para 1,98%.

Embora a alteração seja modesta, ela sugere que o mercado continua enxergando alguma resiliência da atividade econômica mesmo em um ambiente de juros elevados.

Para 2027, a expectativa de crescimento foi mantida em 1,70%.

O desempenho da economia brasileira tem surpreendido parte dos analistas nos últimos trimestres, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, pelo consumo das famílias e pelo avanço de setores ligados a serviços e agronegócio.

No entanto, economistas alertam que a manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo pode limitar o ritmo de expansão da atividade nos próximos anos.

Empresas mais dependentes de crédito, além dos segmentos de construção civil, varejo e bens duráveis, tendem a ser mais sensíveis ao custo do dinheiro.

Dólar permanece estável nas estimativas do mercado

As projeções para o câmbio apresentaram poucas alterações na pesquisa desta semana.

A expectativa para a cotação do dólar ao final de 2026 foi mantida em R$ 5,20.

Já para 2027, a previsão passou de R$ 5,25 para R$ 5,27.

A relativa estabilidade das estimativas cambiais reflete um cenário em que os analistas não identificam mudanças significativas na percepção de risco externo ou doméstico no curto prazo.

Ainda assim, o comportamento da moeda norte-americana continuará sendo influenciado por fatores como a trajetória dos juros nos Estados Unidos, o fluxo de capitais para mercados emergentes, a evolução das contas públicas brasileiras e o desempenho das commodities.

Movimentos mais intensos no câmbio podem afetar diretamente as expectativas de inflação, especialmente por meio dos preços de combustíveis, alimentos e produtos importados.

Piora das expectativas reforça debate sobre política monetária

A nova rodada do Boletim Focus reforça um dos principais desafios da economia brasileira em 2026: controlar a inflação sem comprometer excessivamente o crescimento econômico.

A sequência de revisões para cima nas projeções do IPCA mostra que o mercado continua encontrando dificuldades para enxergar uma convergência mais rápida dos preços para a meta definida pelo Banco Central.

Ao mesmo tempo, a expectativa de menos cortes na Selic indica que os juros deverão permanecer em níveis historicamente elevados por mais tempo do que se imaginava há poucos meses.

Para investidores, empresas e consumidores, o cenário sugere um ambiente ainda marcado por cautela, custos financeiros elevados e monitoramento constante dos sinais emitidos pela autoridade monetária.

As próximas decisões do Copom e a evolução das expectativas inflacionárias continuarão entre os principais fatores capazes de influenciar os mercados, o crédito e o ritmo da atividade econômica brasileira ao longo do segundo semestre.

LEIA MAIS

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje (13/10): Bolsa recua dos 209 mil pontos com eleições e inflação no radar

O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado nacional, interrompendo o movimento de valorização que levou a Bolsa brasileira a renovar seus...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:02:03
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP