A PRIO (PRIO3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com produção média de 191.622 barris de óleo equivalente por dia (boepd), crescimento de 11,4% em relação aos 172.016 boepd registrados entre abril e junho. No mesmo período, as vendas de petróleo alcançaram 17,15 milhões de barris, alta de 12,5% na comparação trimestral.
Os dados operacionais preliminares mostram que a companhia terminou setembro produzindo 192.563 boepd, 3,5% acima dos 186.074 boepd de agosto. A recuperação devolveu parte da produção perdida no mês anterior, embora o volume ainda tenha ficado 1,9% abaixo dos 196.260 boepd registrados em julho, maior nível mensal do terceiro trimestre.
A comparação com o início do ano dimensiona a mudança de escala da operação. A produção média do primeiro trimestre havia sido de 155.355 boepd. Entre janeiro e março e o terceiro trimestre, portanto, houve expansão de 23,3%. Nas vendas de petróleo, o volume passou de 14,85 milhões de barris no primeiro trimestre para 17,15 milhões no terceiro, avanço de 15,5%.
Os números divulgados pela companhia são preliminares e não auditados. Eles antecipam parte do desempenho operacional que será incorporado aos resultados financeiros do terceiro trimestre, cuja divulgação está prevista para 4 de novembro. A teleconferência com investidores está programada para o dia seguinte.
Peregrino responde por quase 43% da produção de setembro
O campo de Peregrino foi o maior ativo da PRIO em produção durante setembro. Considerando a participação de 80% atribuída à companhia, o campo entregou 82.381 barris por dia, aumento de 6,3% diante dos 77.520 barris diários registrados em agosto.
Com esse volume, Peregrino respondeu sozinho por aproximadamente 42,8% de toda a produção de óleo e gás reportada pela PRIO no mês. O desempenho foi beneficiado pela recuperação operacional depois dos problemas registrados em agosto, quando o poço C-16 havia sido paralisado devido a uma falha na bomba centrífuga submersa. O reparo foi concluído no fim daquele mês.
Outro fator relevante foi o poço A-13, localizado na área denominada Isolado, que entrou em produção em 10 de agosto. A vazão inicial informada pela companhia foi de 6 mil barris por dia considerando 100% do ativo, o que permitiu que setembro incorporasse um mês completo de contribuição do novo poço.
O segundo maior conjunto de ativos em setembro foi o Cluster Valente, formado por Frade e Wahoo. A produção somou 69.177 barris diários de óleo e 4.885 boepd de gás, totalizando 74.062 boepd. O volume representou aproximadamente 38,5% da produção total da PRIO no mês.
Na comparação com agosto, quando o Cluster Valente havia produzido aproximadamente 73.566 boepd entre óleo e gás, o crescimento foi de 0,7%. A estabilidade do conjunto, entretanto, ocorreu simultaneamente à entrada de um novo poço produtor em Frade.
O MUP7 iniciou a produção em 5 de setembro, com vazão inicial informada de cerca de 5 mil barris por dia. A contribuição do poço passou a fazer parte da estratégia de redesenvolvimento de Frade, enquanto Wahoo já vinha operando com os quatro poços produtores previstos em seu projeto de desenvolvimento.
Em junho, a PRIO havia informado a conclusão da abertura dos quatro poços de Wahoo. Na ocasião, a companhia comunicou que a produção do campo seria limitada a 40 mil barris de óleo por dia, depois de estabilizar o quarto poço em aproximadamente 10 mil barris diários.
Albacora Leste recupera produção após manutenção
Albacora Leste também contribuiu para a recuperação de setembro. Considerando a participação de 90% atribuída à PRIO, o campo produziu 23.040 barris de óleo por dia e 199 boepd de gás, totalizando aproximadamente 23.239 boepd.
Em agosto, óleo e gás haviam somado aproximadamente 21.970 boepd. Pela comparação das duas bases divulgadas pela companhia, o avanço foi de cerca de 5,8%. Albacora Leste respondeu por aproximadamente 12,1% de toda a produção da PRIO em setembro.
O campo atravessou uma parada programada parcial da planta para manutenção do sistema de resfriamento. Segundo a companhia, a operação foi retomada em 3 de setembro. O efeito da normalização aparece na comparação mensal, embora o ativo ainda represente uma parcela menor do portfólio do que Peregrino e o Cluster Valente.
O movimento foi diferente no Cluster Bravo, que reúne Polvo e Tubarão Martelo. A produção caiu de 13.017 barris por dia em agosto para 12.881 barris em setembro, retração de aproximadamente 1%. O conjunto representou 6,7% da produção consolidada do mês.
A PRIO informou que o poço OGX-44HP teve a produção temporariamente interrompida devido à necessidade de reparo em sua linha de produção. Dessa forma, o avanço registrado nos demais ativos foi suficiente para mais do que compensar a redução do Cluster Bravo.
Peregrino, Cluster Valente, Albacora Leste e Cluster Bravo somaram exatamente os 192.563 boepd informados pela companhia para setembro. Peregrino e Valente, isoladamente, concentraram cerca de 81,2% da produção consolidada, mostrando o peso crescente dos dois conjuntos na escala atual da petroleira.
Vendas sobem 12,5% no trimestre
O aumento de produção também foi acompanhado por maior volume comercializado. As vendas de petróleo da PRIO chegaram a 5.428.937 barris em setembro, contra 5.380.621 barris em agosto.
A diferença representa acréscimo de 48.316 barris no mês e crescimento de aproximadamente 0,9%. A variação das vendas, porém, não acompanha necessariamente a produção mês a mês, uma vez que o embarque e a comercialização das cargas também dependem do calendário de lifting de cada campo.
No terceiro trimestre como um todo, foram vendidos 17.154.951 barris. No segundo trimestre, o volume havia sido de 15.251.821 barris. A diferença entre os dois períodos chega a pouco mais de 1,9 milhão de barris, equivalente ao avanço de 12,5%.
Em relação aos 14.849.374 barris comercializados no primeiro trimestre, o terceiro trimestre adicionou aproximadamente 2,31 milhões de barris, uma expansão de 15,5%. A progressão das vendas foi, portanto, menos intensa do que o crescimento de 23,3% observado na produção média entre o primeiro e o terceiro trimestres, mas manteve trajetória ascendente.
A evolução operacional ao longo de 2026 também não ocorreu de forma linear. A produção média ficou em 155.355 boepd no primeiro trimestre, passou para 172.016 boepd no segundo e alcançou 191.622 boepd no terceiro. Dentro do trimestre mais recente, julho marcou 196.260 boepd, agosto recuou para 186.074 boepd e setembro voltou a subir para 192.563 boepd.
Esse comportamento evidencia o efeito de entrada de novos poços combinado com eventos operacionais temporários, como manutenções, reparos e intervenções em equipamentos. A base de setembro ficou 23,8% acima dos 155.560 boepd produzidos em janeiro, embora tenha permanecido abaixo do pico mensal alcançado em julho.
Resultado financeiro dependerá também de preços e custos
O avanço de produção e vendas amplia o volume disponível para geração de receita, mas os dados operacionais não permitem antecipar isoladamente o lucro do terceiro trimestre. O resultado financeiro também dependerá do preço realizado do petróleo, dos diferenciais de qualidade de cada óleo, dos custos de produção e logística, das despesas financeiras, do câmbio e de outros efeitos contábeis e tributários.
A composição da produção também importa. Peregrino tornou-se o principal ativo individual da companhia em setembro e possui características comerciais diferentes das dos petróleos produzidos em outros campos. Alterações no peso de cada ativo podem modificar o preço médio realizado mesmo quando o volume total cresce.
Para o mercado, outro ponto de acompanhamento será a capacidade da PRIO de sustentar o patamar próximo de 190 mil boepd após a recuperação observada em setembro. Parte relevante da expansão de 2026 veio de Wahoo, da consolidação da participação em Peregrino e da abertura de novos poços, enquanto intervenções em Frade, Albacora Leste, Bravo e Peregrino provocaram oscilações mensais.
Os números do terceiro trimestre deixam, entretanto, uma base operacional claramente superior à observada no começo de 2026. A produção média ganhou 36.267 boepd entre o primeiro e o terceiro trimestres, enquanto as vendas aumentaram em mais de 2,3 milhões de barris no mesmo intervalo.
A divulgação dos resultados de 4 de novembro permitirá verificar como esse aumento de escala foi convertido em receita, geração operacional de caixa e resultado líquido. Até lá, os dados preliminares mostram que a PRIO terminou setembro recuperando produção após a queda de agosto e fechou o terceiro trimestre com os maiores volumes médios de produção e vendas entre os três primeiros trimestres de 2026.
Fontes:
PRIO – dados operacionais preliminares de setembro de 2026 divulgados ao mercado em 5 de outubro
Comissão de Valores Mobiliários – dados operacionais de agosto de 2026 protocolados pela PRIO e utilizados nas comparações mensais
Comissão de Valores Mobiliários – fato relevante da PRIO sobre a conclusão da abertura do quarto poço produtor de Wahoo
PRIO – calendário corporativo de 2026 com as datas previstas para divulgação e apresentação dos resultados do terceiro trimestre
XP Investimentos – análise dos dados operacionais de setembro e da evolução da produção e das vendas no terceiro trimestre










