A menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, a disputa pelo Palácio do Planalto passou a apresentar duas dinâmicas distintas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua à frente no primeiro turno, com 36% das intenções de voto, contra 29% do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas a vantagem desaparece quando os dois são colocados frente a frente numa eventual segunda votação: ambos registram 41%.
Os números fazem parte da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7 de setembro. O levantamento mostra estabilidade na ordem dos candidatos no primeiro turno, mas confirma o estreitamento da disputa direta entre Lula e Flávio observado nos últimos meses. Augusto Cury (Avante), que havia chegado a 10% na rodada anterior, aparece agora com 8% e permanece isolado na terceira posição.
Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 3% cada, Romeu Zema (Novo) tem 2% e Samara Martins (UP), 1%. Outros candidatos testados não pontuaram. Brancos, nulos e entrevistados que afirmaram que não pretendem votar somam 8%, enquanto aproximadamente um em cada dez eleitores ainda se declara indeciso.
O resultado mantém Lula como favorito para terminar o primeiro turno na primeira colocação, mas a fotografia da Quaest indica que a liderança inicial não se traduz, neste momento, em vantagem no confronto decisivo contra Flávio Bolsonaro.
Vantagem de Lula desaparece no segundo turno
O principal dado político da nova rodada está no segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com exatamente 41% das intenções de voto. Outros 13% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, enquanto 5% estão indecisos.
Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, não há vantagem estatística de nenhum dos dois candidatos. Mais do que um simples empate técnico, porém, o levantamento registra agora também um empate numérico.
A sequência das últimas pesquisas da própria Quaest ajuda a dimensionar a mudança ocorrida na disputa. Em julho, Lula aparecia oito pontos à frente de Flávio num eventual segundo turno, por 45% a 37%. Na rodada de agosto, a diferença havia diminuído para três pontos, com 43% para Lula e 40% para Flávio. Em 2 de setembro, o placar passou para 42% a 41%. Agora, cinco dias depois, chega a 41% para cada um.
As variações entre pesquisas consecutivas precisam ser interpretadas dentro das respectivas margens de erro e não demonstram, isoladamente, transferência efetiva de votos. A série, entretanto, revela uma redução consistente da vantagem numérica que Lula apresentava sobre seu principal adversário no confronto direto.
Em menos de dois meses, a diferença nominal entre os dois saiu de oito pontos para zero. A eleição presidencial, portanto, chega às últimas quatro semanas de campanha com o primeiro turno ainda liderado pelo presidente, mas com um segundo turno contra Flávio Bolsonaro completamente aberto.
Primeiro turno continua mais favorável a Lula
A situação é diferente quando todos os candidatos são apresentados simultaneamente ao eleitor. Lula registra 36%, sete pontos à frente dos 29% de Flávio Bolsonaro.
Na rodada imediatamente anterior da Quaest, divulgada em 2 de setembro, Lula tinha 37% nesse cenário e Flávio, 29%. A variação do presidente de um ponto para baixo está dentro da margem de erro, assim como a estabilidade registrada pelo candidato do PL.
Isso significa que, estatisticamente, não houve alteração relevante na distância entre os dois primeiros colocados no primeiro turno.
A concentração do voto em Lula e Flávio também permanece elevada. Juntos, os dois somam 65% das intenções declaradas no cenário estimulado. O restante do eleitorado se distribui entre candidaturas menores, indecisos e pessoas que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.
Esse quadro reforça uma característica que a própria Quaest vinha identificando em levantamentos estaduais: mesmo com mudanças de candidatos e acontecimentos políticos ao longo de 2026, a eleição continua organizada principalmente em torno do campo lulista e do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje representado na corrida presidencial por Flávio. A Quaest descreveu essa configuração, ao analisar pesquisas estaduais no fim de agosto, como uma disputa nacional fortemente polarizada e com geografia eleitoral relativamente resistente a mudanças.
Augusto Cury recua após avanço na pesquisa anterior
Outro movimento relevante ocorre na terceira colocação. Augusto Cury registra 8%, depois de ter alcançado 10% no levantamento divulgado em 2 de setembro.
A queda de dois pontos está exatamente no limite da margem de erro e, portanto, não permite afirmar isoladamente que o candidato perdeu apoio. Ainda assim, interrompe numericamente o forte avanço mostrado na rodada anterior.
Na pesquisa de 2 de setembro, Cury havia saltado de 2% para 10% em relação ao levantamento anterior da Quaest, tornando-se o principal nome fora da polarização Lula-Flávio. O novo resultado sugere que será necessário acompanhar as próximas pesquisas para saber se o patamar próximo de dois dígitos se consolida ou se o avanço anterior representou uma oscilação momentânea.
Mesmo com 8%, Cury permanece à frente do segundo grupo de candidatos. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3%, enquanto Romeu Zema registra 2%.
A distribuição é especialmente importante porque nenhum desses candidatos aparece, até agora, perto de ameaçar a presença de Lula ou Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
Lula ainda vence outros adversários nas simulações
Embora esteja empatado com Flávio Bolsonaro, Lula permanece numericamente à frente dos demais candidatos testados pela Quaest nas simulações de segundo turno.
Contra Romeu Zema, o presidente aparece com 44%, diante de 33% do governador mineiro. No confronto com Renan Santos, Lula marca 42%, contra 37%. Contra Ronaldo Caiado, o resultado é de 41% a 38%.
O cenário envolvendo Augusto Cury é mais competitivo: Lula registra 39% e o escritor, 35%. Mesmo assim, a diferença nominal é de quatro pontos.
Na comparação com a pesquisa anterior, os confrontos mostram pequenas oscilações favoráveis aos adversários do presidente. Lula tinha 42% contra 37% de Caiado e agora aparece com 41% a 38%. Contra Renan Santos, o placar passou de 43% a 36% para 42% a 37%. Diante de Cury, saiu de 40% a 34% para 39% a 35%. O confronto com Zema permaneceu em 44% a 33%.
As mudanças são pequenas e permanecem dentro da margem de erro, mas mostram que o estreitamento da corrida não aparece exclusivamente no confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Pesquisa espontânea mostra eleitorado ainda pouco cristalizado
Na pesquisa espontânea — quando o entrevistador não apresenta previamente uma lista com os candidatos — Lula é citado por 28% dos entrevistados e Flávio Bolsonaro por 20%.
Augusto Cury aparece espontaneamente com 4%.
O número que mais chama a atenção nesse formato é o dos eleitores que ainda não indicam candidato: 42% permanecem indecisos. O percentual é muito superior ao observado na pergunta estimulada e demonstra que uma parcela relevante do eleitorado ainda depende da apresentação dos nomes para manifestar uma preferência.
A Quaest também identificou que 71% dos entrevistados afirmam já ter definido seu voto no primeiro turno, enquanto 29% dizem que ainda podem mudar de escolha.
Os dois indicadores não são contraditórios. A pergunta espontânea mede a lembrança imediata de um candidato sem apresentação de nomes, enquanto a pergunta sobre possibilidade de mudança procura identificar o grau de convicção do eleitor.
O dado de 29% que admite rever sua escolha é especialmente relevante a 27 dias da eleição porque representa um contingente potencialmente capaz de alterar a distribuição entre os candidatos durante a fase final da campanha.
Desaprovação de Lula sobe para 50%
A mesma pesquisa traz ainda um sinal adverso para o presidente na avaliação de seu governo.
Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados desaprovam a administração Lula, enquanto 43% aprovam. Outros 7% não souberam ou não responderam.
Na pesquisa divulgada cinco dias antes, em 2 de setembro, 48% desaprovavam o governo e 45% aprovavam. Assim, a desaprovação oscilou dois pontos para cima e a aprovação, dois pontos para baixo. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as variações individuais ainda devem ser interpretadas com cautela.
A diferença nominal entre aprovação e desaprovação, porém, passou de três para sete pontos.
O resultado acrescenta um componente importante à disputa eleitoral porque Lula concorre à reeleição e, diferentemente dos adversários, sua candidatura está diretamente associada à avaliação do governo em exercício.
Pesquisa foi feita às vésperas do 7 de Setembro
A Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente em todo o país. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026. A coleta ocorreu nos dias imediatamente anteriores à divulgação do levantamento, antes dos principais atos políticos realizados neste 7 de Setembro.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno será realizado em 25 de outubro, conforme o calendário oficial da Justiça Eleitoral.
A 27 dias da primeira votação, a nova Quaest deixa uma fotografia eleitoral clara: Lula continua liderando quando todos os candidatos estão na disputa, Flávio Bolsonaro conserva a segunda posição com ampla distância sobre os demais nomes e Augusto Cury permanece como terceira força.
O ponto decisivo está depois disso. Se Lula e Flávio Bolsonaro avançarem para o segundo turno, como indica hoje a distribuição das intenções de voto, a vantagem que o presidente ainda possui no primeiro turno desaparece completamente.
Pela primeira vez nesta sequência recente da Quaest, os dois chegam ao confronto direto com o mesmo número: 41% a 41%.






