A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado permanece aberta a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 8 de setembro, mostra Marina Silva (Rede) e Guilherme Derrite (PP) numericamente na liderança, ambos com 14% das intenções de voto quando são somadas as respostas dadas pelos eleitores para a primeira e a segunda vagas. Simone Tebet (PSB) aparece imediatamente atrás, com 12%, e está tecnicamente empatada com os dois líderes considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento reforça um cenário que já aparecia na rodada anterior, mas revela movimentos diferentes dentro da disputa. Marina e Derrite tinham 12% cada em 25 de agosto e avançaram dois pontos. Tebet oscilou de 11% para 12%. André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, permaneceu com 7%, enquanto Ricardo Salles (Novo) passou de 4% para 3%.
Mais importante do que as pequenas oscilações, porém, é o elevado número de eleitores que ainda não definiu completamente como usará os dois votos disponíveis para senador. No resultado consolidado da Quaest, 26% aparecem como indecisos e 19% afirmam que votarão em branco, anularão ou não votarão. Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos candidatos, 88% não indicaram espontaneamente em quem pretendem votar para o Senado.
Esse grau de indefinição deixa uma parcela expressiva do eleitorado em disputa justamente no período em que a campanha entra em sua fase mais intensa.
Derrite lidera quando eleitor escolhe o primeiro senador
O resultado agregado de 14% para Marina e Derrite esconde uma diferença relevante na forma como os eleitores estão distribuindo seus dois votos. Quando a Quaest pergunta especificamente quem será a primeira escolha para o Senado, Guilherme Derrite aparece numericamente à frente, com 20%.
Marina Silva vem em seguida, com 17%, e Simone Tebet registra 15%. Os três continuam próximos diante da margem de erro, mas a distribuição mostra que Derrite possui, neste momento, uma concentração maior de eleitores que o colocam como primeira opção.
Na rodada de 25 de agosto, Derrite tinha 17% nesse quesito e avançou três pontos. Marina passou de 15% para 17%, enquanto Tebet permaneceu com 15%. André do Prado aparece com 6%, ante 7% anteriormente, e Ricardo Salles caiu de 4% para 2%.
O número de indecisos para o primeiro voto também permanece relevante, embora tenha diminuído: passou de 20% para 18%. Outros 17% dizem que pretendem votar em branco, anular ou não votar para essa vaga.
A vantagem numérica de Derrite na primeira escolha ajuda a mostrar uma característica de sua candidatura. O deputado federal parece conseguir transformar uma parcela maior de seus apoiadores em eleitores que o tratam como prioridade na composição das duas escolhas para o Senado.
Isso não garante, entretanto, uma das cadeiras. Como cada eleitor paulista poderá escolher dois candidatos diferentes, o desempenho na segunda opção também é determinante para o resultado final.
Marina é mais forte na segunda escolha
É justamente no segundo voto que Marina Silva apresenta vantagem sobre os principais adversários.
A candidata da Rede registra 11% entre os entrevistados quando eles são questionados sobre sua segunda escolha para o Senado. Simone Tebet aparece com 9%, enquanto Guilherme Derrite e André do Prado têm 7% cada. Ricardo Salles registra 4%.
Na pesquisa anterior, Marina tinha 9% como segunda escolha e avançou dois pontos. Tebet passou de 7% para 9%, enquanto Derrite oscilou de 8% para 7%.
Os números ajudam a explicar por que Marina consegue alcançar Derrite no resultado consolidado apesar de ficar numericamente atrás dele na primeira escolha. Enquanto o candidato do PP concentra mais apoio como voto prioritário, Marina recebe proporcionalmente mais indicações como alternativa para preencher a segunda cadeira.
Simone Tebet apresenta uma distribuição relativamente equilibrada entre as duas escolhas. Seus 15% no primeiro voto e 9% no segundo mantêm a ex-senadora próxima dos líderes e fazem com que os três permaneçam dentro do mesmo intervalo da margem de erro no resultado consolidado.
A segunda vaga é também aquela em que o eleitor demonstra maior dúvida. Nada menos que 34% ainda não sabem em quem votar como segunda opção. Outros 21% indicam branco, nulo ou ausência de voto.
Isso significa que mais da metade dos entrevistados ainda não apresentou um candidato válido para o segundo voto. É nesse universo que pode estar a principal margem para mudanças na reta final.
Marina e Tebet tentam voltar ao Senado por outro Estado
A eleição paulista de 2026 tem uma característica incomum entre seus principais candidatos. Duas das três candidaturas que lideram a Quaest são de ex-senadoras que já ocuparam cadeiras na Casa, mas representando outros Estados.
Marina Silva exerceu dois mandatos consecutivos pelo Acre, entre 1995 e 2011. Depois construiu trajetória nacional, disputou a Presidência da República, ocupou o Ministério do Meio Ambiente e passou a ter atuação política em São Paulo. Atualmente filiada à Rede, concorre neste ano por uma das cadeiras destinadas ao eleitorado paulista.
Simone Tebet também busca retornar à Casa onde ganhou projeção nacional. Ela representou Mato Grosso do Sul no Senado entre 2015 e 2023, disputou a Presidência da República em 2022 e posteriormente integrou o governo Lula como ministra do Planejamento. Em 2026, filiada ao PSB, passou a disputar o Senado por São Paulo.
As duas candidaturas entram na eleição com conhecimento nacional elevado e trajetórias que vão além da política paulista. Esse ativo pode ajudar a explicar a competitividade de ambas numa eleição em que grande parte dos eleitores ainda conhece pouco os candidatos que disputam as duas vagas.
Derrite aposta em segurança pública
Guilherme Derrite, por sua vez, construiu sua trajetória eleitoral em São Paulo e tem na segurança pública seu principal eixo político. Deputado federal pelo Estado e atualmente filiado ao PP, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da direita paulista ao ocupar posições de destaque no debate sobre criminalidade, legislação penal e atuação policial.
A presença de Derrite na liderança da primeira escolha indica que essa identificação pode estar produzindo um eleitorado mais definido. Na pesquisa consolidada, ele avançou de 12% para 14% em duas semanas, enquanto no primeiro voto saltou de 17% para 20%.
A evolução ocorre em uma eleição estadual na qual o governador Tarcísio de Freitas também aparece em posição confortável na disputa pela reeleição. A Quaest divulgada nesta terça mostra Tarcísio com 42% das intenções de voto para o governo paulista, contra 27% de Fernando Haddad.
Os desempenhos não podem ser automaticamente transferidos de uma candidatura para outra, mas a força eleitoral da direita no Estado constitui parte importante do ambiente no qual Derrite disputa uma cadeira no Senado.
André do Prado tenta se aproximar do trio
Abaixo dos três primeiros aparece André do Prado, com 7% no resultado consolidado. Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e candidato pelo PL, ele permaneceu exatamente no mesmo percentual registrado pela Quaest em 25 de agosto.
A estabilidade deixa Prado numericamente distante de Marina e Derrite, mas ainda dentro de uma faixa na qual o elevado número de indecisos permite mudanças relevantes.
Sua candidatura parte de uma estrutura política diferente daquela dos três líderes. Enquanto Marina, Derrite e Tebet apresentam maior projeção nacional, Prado construiu sua carreira sobretudo no interior paulista e na política estadual. Antes de chegar à Assembleia, foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Guararema. É deputado estadual desde 2011 e preside a Alesp desde 2023.
Ricardo Salles aparece em seguida, com 3%. Ex-ministro do Meio Ambiente e atualmente deputado federal, o candidato do Novo perdeu um ponto em relação à rodada anterior.
Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Maíra de Souza (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU) e Guto Schiavetto (Missão) têm 1% cada no consolidado.
Márcio Alves (UP), William Teixeira (Agir), Weller Gonçalves (PSTU), Ednelson Cesaretti (PCO) e Petter Maahs (PCB) não pontuaram.
Comparação mostra avanço dos três primeiros
A comparação com a rodada de 25 de agosto reforça a concentração das intenções de voto no trio que atualmente ocupa a primeira faixa da pesquisa.
Naquele levantamento, Marina Silva e Guilherme Derrite registravam 12%, Simone Tebet tinha 11%, André do Prado aparecia com 7% e Ricardo Salles marcava 4%.
Duas semanas depois, Marina e Derrite chegam a 14%, Tebet sobe para 12%, Prado permanece nos mesmos 7% e Salles passa para 3%.
As variações individuais, isoladamente, precisam ser lidas dentro da margem de erro. Ainda assim, o conjunto mostra que os três primeiros continuam ocupando a faixa mais competitiva da eleição sem que um deles consiga abrir vantagem suficiente para se distanciar estatisticamente dos outros dois.
A comparação com pesquisas mais antigas exige cautela porque a composição das listas apresentadas aos entrevistados mudou durante o ano. Em julho, por exemplo, havia nomes considerados para a disputa que posteriormente deixaram o cenário. Por isso, a rodada de 25 de agosto é uma referência mais adequada para avaliar a evolução recente.
Duas vagas tornam leitura da pesquisa diferente
A pesquisa para senador exige uma leitura diferente das sondagens para presidente ou governador. Em 2026, cada eleitor paulista poderá votar em dois candidatos ao Senado, já que duas das três cadeiras do Estado estão em renovação.
Por essa razão, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100% e a posição de um candidato depende não apenas de quantos eleitores o colocam como primeira escolha, mas também da capacidade de aparecer como segunda opção.
Esse mecanismo ajuda a entender a fotografia atual.
Derrite tem a maior porcentagem no primeiro voto, com 20%, mas registra 7% no segundo. Marina aparece com 17% na primeira escolha e lidera a segunda, com 11%. Tebet, por sua vez, marca 15% e 9%, respectivamente.
São três perfis diferentes de distribuição de apoio que, quando consolidados, produzem um empate técnico.
Na prática, a campanha das próximas semanas não será apenas uma disputa para convencer eleitores ainda sem candidato. Marina, Derrite e Tebet também precisarão disputar a posição que ocupam na combinação de votos de cada paulista.
Um eleitor pode, por exemplo, estar decidido a votar em Derrite e ainda não ter definido sua segunda opção. Outro pode considerar Marina como primeira escolha e procurar um nome para acompanhá-la. É nesse cruzamento que uma eleição para duas cadeiras pode mudar mesmo sem grandes oscilações na preferência por cada candidato isoladamente.
Indecisão mantém corrida aberta
O dado que mais impede uma leitura definitiva da pesquisa é justamente o tamanho do eleitorado ainda disponível.
No consolidado, 26% permanecem indecisos. Quando a pergunta é espontânea, sem que os nomes sejam apresentados, 88% não conseguem citar um candidato ao Senado.
O quadro é ainda mais aberto na segunda escolha: 34% não sabem em quem votar e 21% afirmam que votarão em branco, anularão ou não escolherão um candidato.
Esses números sugerem que, ao contrário da disputa pelo governo paulista, onde as preferências aparecem mais consolidadas, a corrida pelo Senado ainda tem espaço considerável para movimentação.
A Quaest entrevistou presencialmente 1.800 eleitores de São Paulo com 16 anos ou mais entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-00959/2026.
A fotografia de início de setembro coloca Marina Silva e Guilherme Derrite empatados numericamente na dianteira, com Simone Tebet ainda dentro da mesma faixa estatística. Mas, com duas escolhas por eleitor e uma proporção elevada de votos ainda sem destino definido, a pesquisa mostra menos uma corrida resolvida do que uma disputa que provavelmente dependerá da capacidade de cada candidato de se tornar não apenas a primeira, mas também a segunda opção dos paulistas.
Fontes: Quaest; Tribunal Superior Eleitoral; Agência Senado; Câmara dos Deputados; Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.







