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Conflito entre filhos de Bolsonaro, Nikolas e Michelle expõe tensão no campo conservador

por Júlia Campos
25/02/2026 às 10h51
em Política
Conflito Entre Filhos De Bolsonaro, Nikolas E Michelle Expõe Tensão No Campo Conservador - Gazeta Mercantil

Reprodução

Racha na família Bolsonaro expõe tensão na direita para 2026 e pressiona pré-candidatura de Flávio

O avanço do calendário eleitoral de 2026 trouxe à superfície um racha na família Bolsonaro que, até então, circulava nos bastidores da política. O atrito público envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) revelou fissuras internas no campo conservador e acendeu alerta estratégico no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio mais recente teve como estopim declarações de Eduardo Bolsonaro, que criticou publicamente a falta de engajamento de Nikolas Ferreira e de Michelle Bolsonaro na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A exposição do conflito transformou divergências internas em debate público e ampliou a percepção de instabilidade no núcleo político da direita.

Leia também: Damares Alves quer visitar possível cela de Bolsonaro na Papuda.

A crise ocorre num momento sensível: Jair Bolsonaro está inelegível e cumpre pena no Complexo da Papuda, enquanto o PL tenta consolidar um nome competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas.

O estopim das declarações

Na última semana, Eduardo Bolsonaro afirmou que o apoio à pré-candidatura de Flávio estaria “aquém do desejável”. Segundo ele, figuras que cresceram politicamente sob a liderança de Jair Bolsonaro deveriam demonstrar maior empenho na campanha do senador.

A fala foi interpretada como recado direto a Nikolas e Michelle. Eduardo foi além ao insinuar que ambos teriam “amnésia” em relação ao protagonismo que conquistaram após a aliança com o ex-presidente. Ao personalizar a crítica, o ex-deputado transformou uma divergência estratégica em confronto aberto — e alimentou o racha na família Bolsonaro.

A resposta veio rapidamente. Nikolas Ferreira negou qualquer deslealdade e afirmou discordar das acusações. Disse ainda que Eduardo “não está bem”, em declaração após visitar o ex-presidente na Papuda. O embate, transmitido pelas redes sociais e entrevistas, ampliou a repercussão e consolidou a percepção de divisão.

Michelle, Tarcísio e o ruído estratégico

O racha na família Bolsonaro ganhou força adicional quando Michelle Bolsonaro compartilhou, em tom eleitoral, conteúdo envolvendo Tarcísio de Freitas. O gesto ocorreu no mesmo dia da divulgação de pesquisa do instituto Meio/Ideia que testou cenários para 2026. No levantamento, Tarcísio aparecia como o nome da direita mais competitivo contra Lula em eventual segundo turno.

A publicação foi interpretada por aliados de Flávio como sinal de preferência alternativa dentro do campo bolsonarista. Embora Michelle não tenha declarado apoio explícito ao governador paulista, o movimento reforçou a leitura de que há disputa interna pela liderança do espólio eleitoral de Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que o racha na família Bolsonaro não se resume a divergências pessoais, mas envolve cálculo político sobre viabilidade eleitoral, rejeição e capacidade de aglutinação do eleitorado conservador.

A simbologia da “bananinha” e o embate nas redes

O conflito ganhou contornos simbólicos após Michelle publicar, nos stories, vídeo fritando bananas para levar ao marido. A cena foi interpretada como ironia indireta ao apelido “bananinha”, atribuído a Eduardo pelo senador Hamilton Mourão durante divergências na pandemia.

Eduardo repostou comentário nas redes sugerindo que enquanto alguns “fritavam banana”, ele e Flávio estariam trabalhando para “resgatar o país”. A troca elevou a temperatura política e ampliou o racha na família Bolsonaro, agora também marcado por disputas simbólicas no ambiente digital.

O cálculo eleitoral por trás da crise

Analistas ouvidos pela Gazeta Mercantil apontam que o racha na família Bolsonaro tem impacto direto na estratégia da direita para 2026. Com Jair Bolsonaro fora da disputa, a definição de um sucessor depende não apenas de apoio partidário, mas de unidade no núcleo familiar e entre lideranças do PL.

Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura amparado pelo pai. No entanto, a ausência de apoio público explícito de Michelle — figura com forte capital eleitoral entre o eleitorado feminino e evangélico — levanta questionamentos sobre a consolidação da candidatura.

O senador tentou minimizar o episódio, afirmando que não há desavença com Michelle ou Tarcísio e que o “ruído” inicial já teria sido superado. Ainda assim, o racha na família Bolsonaro permanece como variável relevante no tabuleiro político.

A influência de Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira, um dos deputados mais votados do país, representa uma nova geração da direita digital. Seu apoio pode ser decisivo na mobilização de jovens eleitores e nas redes sociais.

O racha na família Bolsonaro coloca Nikolas numa posição delicada: alinhar-se integralmente a Flávio pode limitar seu espaço político; manter autonomia pode aprofundar tensões com Eduardo. A escolha tem peso estratégico, sobretudo num cenário em que a direita busca ampliar base além do núcleo ideológico.

Inelegibilidade e disputa pelo legado

A inelegibilidade de Jair Bolsonaro reorganizou forças internas no PL. O racha na família Bolsonaro reflete, em parte, a disputa pelo legado político do ex-presidente. Flávio carrega o sobrenome e a chancela paterna; Michelle agrega apelo popular e influência religiosa; Tarcísio desponta como alternativa pragmática com menor rejeição.

Nesse contexto, a exposição pública do conflito pode fragilizar o discurso de unidade e prejudicar a narrativa de pacificação defendida por aliados.

Impactos no mercado e na governabilidade

Embora o embate seja partidário, seus reflexos alcançam o ambiente econômico. Investidores monitoram o cenário de 2026 para precificar risco político. Um racha na família Bolsonaro pode sinalizar fragmentação na oposição, alterando expectativas sobre governabilidade e alianças.

No evento CEO Conference, do BTG Pactual, Flávio buscou transmitir estabilidade. Reforçou que sua candidatura está “colocada” e pediu apoio amplo — “todas, todos e todes” — numa tentativa de ampliar o espectro eleitoral.

O que está em jogo em 2026

O racha na família Bolsonaro vai além de divergências pessoais. Ele evidencia disputa por protagonismo, influência partidária e controle da narrativa conservadora. Em cenário polarizado contra Lula, a direita depende de coesão para manter competitividade.

Se a tensão persistir, abre-se espaço para candidaturas alternativas ou rearranjos partidários. Se houver recomposição, o episódio pode ser tratado como ajuste interno típico de pré-campanha.

Um teste para a liderança conservadora

O desenrolar do racha na família Bolsonaro será determinante para medir a capacidade de articulação do PL e de suas principais lideranças. A política brasileira já demonstrou que disputas internas, quando expostas, podem redefinir alianças e alterar rumos eleitorais.

Para além das redes sociais e das declarações públicas, o que está em curso é a reorganização do campo conservador diante de um novo ciclo político. A unidade — ou a falta dela — será fator-chave na corrida presidencial.

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