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Raízen (RAIZ4) negocia venda bilionária na Argentina enquanto requerimento pode definir futuro da empresa

por João Souza
06/05/2026 às 20h03
em Negócios
Raízen (Raiz4) - Gazeta Mercantil

A Raízen (RAIZ4) entrou na fase final das negociações para vender seus ativos na Argentina, em uma operação bilionária que pode ser anunciada ainda em maio. O negócio envolve uma das principais estruturas de refino e distribuição de combustíveis do país vizinho e faz parte do plano de reorganização financeira da companhia, controlada pela Cosan (CSAN3) em parceria com a Shell (SHEL).

A transação, que vem sendo acompanhada pelo mercado desde o fim de 2025, tem como principal interessada a Mercuria Energy Group, uma das maiores tradings globais de energia. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg e pela Reuters, a Mercuria avançou nas tratativas para comprar uma refinaria e centenas de postos atualmente pertencentes à Raízen (RAIZ4) na Argentina, em um acordo que pode superar US$ 1 bilhão.

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O pacote em negociação inclui a refinaria Dock Sud, localizada na região de Buenos Aires, além de uma ampla rede de postos da bandeira Shell no mercado argentino. A estrutura representa um ativo estratégico porque combina refino, logística, distribuição e presença direta no varejo de combustíveis, segmentos que podem ampliar a atuação da compradora em uma cadeia mais integrada.

Venda da Raízen na Argentina entra na reta final

A venda dos ativos da Raízen (RAIZ4) na Argentina chega à reta final após a conclusão de etapas de diligência e análise dos ativos. A expectativa no mercado é que a formalização do contrato possa ocorrer ainda neste mês, caso não haja mudanças de última hora nas condições negociadas.

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A operação é considerada relevante tanto para a Raízen (RAIZ4) quanto para o setor de energia argentino. Para a companhia brasileira, a venda representa uma fonte importante de recursos em meio ao processo de reestruturação financeira. Para a Argentina, o negócio pode alterar a configuração competitiva do mercado de combustíveis, ao fortalecer a presença de um novo grupo privado com atuação em diferentes etapas da cadeia.

A Raízen (RAIZ4) comprou esses ativos da Shell (SHEL) em 2018, em uma transação que marcou a ampliação da companhia no mercado argentino. Agora, a venda ocorre em um contexto diferente, marcado por maior pressão sobre o balanço, necessidade de desalavancagem e busca por simplificação operacional.

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Ativos incluem refinaria Dock Sud e rede Shell

O principal ativo do pacote é a refinaria Dock Sud, uma das maiores unidades de refino da Argentina. Estimativas divulgadas por veículos especializados apontam capacidade próxima de 100 mil a 101 mil barris por dia, o que coloca a unidade entre as maiores refinarias do país.

Além da refinaria, a negociação envolve centenas de postos de combustíveis da bandeira Shell. Reportagens internacionais mencionam números que variam entre cerca de 700 e quase 900 pontos de venda, a depender do critério de contagem e dos ativos incluídos na transação.

Esse conjunto torna o negócio especialmente sensível para o mercado argentino. A rede de distribuição da Raízen (RAIZ4) não se limita ao varejo de combustíveis; ela também se conecta a operações logísticas, fornecimento, armazenagem, lubrificantes e abastecimento em diferentes segmentos. Por isso, a eventual venda pode reorganizar a disputa entre grupos privados no setor de energia.

Mercuria lidera negociação pelos ativos da Raízen

A Mercuria Energy Group aparece como principal interessada na aquisição dos ativos da Raízen (RAIZ4). A companhia suíça é uma trading global de energia e commodities, com atuação em petróleo, derivados, gás natural, energia elétrica, biocombustíveis e outros mercados.

A entrada da Mercuria no negócio reforça o interesse de grandes grupos internacionais por ativos de energia na Argentina. O país tem passado por mudanças regulatórias e busca atrair capital privado para setores estratégicos, o que aumenta a disputa por infraestrutura de refino e distribuição.

Segundo a Reuters, a Mercuria avançou nas negociações depois que conversas com outro interessado, o grupo Vitol, perderam força. A reportagem também apontou que ainda não havia acordo vinculante no momento da publicação, embora as tratativas estivessem em estágio avançado.

Empresários argentinos participam da operação

Além da Mercuria, a operação envolve os empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila, nomes conhecidos no mercado local. Os dois atuam em setores como energia, mineração, mídia e infraestrutura, com participação em empresas relevantes no país.

Manzano e Vila têm presença no setor energético por meio de negócios associados à Phoenix Global Resources. Com a eventual aquisição dos ativos da Raízen (RAIZ4), o grupo passaria a ter uma posição mais integrada, combinando produção, refino, distribuição e comercialização.

Essa verticalização é um dos pontos centrais da operação. Ao controlar uma refinaria relevante e uma rede ampla de postos, os compradores ganhariam escala e presença direta no consumidor final, além de ampliar o controle sobre margens ao longo da cadeia de combustíveis.

Reestruturação financeira pressiona a Raízen

A venda dos ativos argentinos ocorre em meio a um processo mais amplo de reorganização financeira da Raízen (RAIZ4). A companhia vem enfrentando pressão sobre seu endividamento, em um cenário de perdas, juros elevados e necessidade de recomposição de caixa.

O Financial Times informou em fevereiro que a Raízen (RAIZ4) acumulava dívida elevada e enfrentava dificuldades para fechar um pacote de resgate com acionistas e credores. A reportagem citou uma dívida de R$ 55 bilhões e destacou que a empresa vinha vendendo ativos para reforçar o balanço.

Nesse contexto, a venda da operação argentina pode ter papel decisivo. Os recursos obtidos com a transação ajudariam a companhia a reduzir pressões financeiras, atender credores e avançar na negociação de uma recuperação extrajudicial ou de um acordo mais amplo de reestruturação.

A Raízen (RAIZ4) tem relevância estratégica no Brasil por sua atuação em açúcar, etanol, bioenergia, distribuição de combustíveis e varejo. Por isso, qualquer movimento envolvendo seu balanço e seus ativos é acompanhado de perto por bancos, investidores, fornecedores, concorrentes e órgãos reguladores.

Cosan e Shell acompanham desfecho da venda

A Raízen (RAIZ4) é uma joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell (SHEL). A estrutura societária torna a reestruturação da companhia um tema sensível para dois grupos com forte presença no setor de energia.

Para a Cosan (CSAN3), a evolução da Raízen (RAIZ4) tem impacto direto sobre a percepção do mercado em relação ao grupo. A companhia brasileira, controlada por Rubens Ometto, tem participações em setores como energia, logística, gás e lubrificantes. A venda dos ativos argentinos pode ser vista como parte de uma estratégia de redução de complexidade e foco em operações consideradas prioritárias.

Para a Shell (SHEL), a Raízen (RAIZ4) é um dos principais veículos de exposição a biocombustíveis e distribuição na América Latina. A companhia anglo-holandesa acompanha a necessidade de estabilizar a operação brasileira sem perder presença estratégica em mercados relevantes.

Negócio pode mudar setor de combustíveis na Argentina

A conclusão da venda dos ativos da Raízen (RAIZ4) pode provocar uma mudança relevante no setor de combustíveis da Argentina. A refinaria Dock Sud e a rede Shell formam um dos principais sistemas privados de distribuição do país.

Caso o negócio seja concluído, a Mercuria e seus sócios locais passariam a controlar uma plataforma capaz de atuar desde o suprimento e refino até a venda final ao consumidor. Esse desenho aumenta o poder competitivo do grupo e pode intensificar a disputa com empresas já estabelecidas no mercado argentino.

A estatal YPF (YPF) continuará sendo um dos principais nomes do setor, mas a entrada de um comprador com escala global pode alterar a dinâmica de preços, investimentos, logística e participação de mercado. O impacto dependerá das condições finais da operação, de eventuais aprovações regulatórias e da estratégia adotada pelos novos controladores dos ativos.

Valor da operação pode superar US$ 1 bilhão

As estimativas para a venda dos ativos da Raízen (RAIZ4) na Argentina variam conforme o perímetro considerado. Reportagens publicadas desde o fim de 2025 apontam valores acima de US$ 1 bilhão, com algumas projeções chegando a US$ 1,5 bilhão ou US$ 1,6 bilhão.

A diferença entre as estimativas está relacionada aos ativos incluídos no pacote, às condições de pagamento, à dívida associada, aos estoques, aos contratos de fornecimento e à avaliação da capacidade futura de geração de caixa.

Mesmo no piso das projeções, a venda teria peso relevante para a Raízen (RAIZ4). Em um ambiente de pressão financeira, a entrada de recursos em moeda forte pode melhorar a posição de caixa e dar fôlego às negociações com bancos e credores.

Por que a venda é estratégica para a Raízen

A alienação dos ativos argentinos representa mais do que uma simples venda de participação internacional. Para a Raízen (RAIZ4), a operação pode ajudar a reorganizar prioridades, reduzir exposição fora do Brasil e concentrar esforços em áreas nas quais a companhia tem maior escala.

A Raízen (RAIZ4) é um dos maiores grupos de energia do país e tem atuação relevante na produção de etanol, açúcar, bioenergia e distribuição de combustíveis. Esse modelo exige capital intensivo, gestão de estoques, exposição a commodities, controle logístico e capacidade de financiamento.

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Quando uma empresa desse porte enfrenta pressão financeira, a venda de ativos não estratégicos ou menos centrais tende a ser uma alternativa para preservar operações principais. No caso argentino, a presença da Raízen (RAIZ4) era relevante, mas a necessidade de reforçar o balanço tornou a transação uma prioridade.

Próximos passos da negociação

Com as diligências avançadas, o próximo passo é a formalização do contrato. Depois disso, a operação ainda pode depender de etapas regulatórias e de condições precedentes, comuns em transações bilionárias envolvendo energia, refino e distribuição.

O anúncio oficial pode ocorrer a partir da segunda metade de maio, caso as partes concluam a negociação dentro do cronograma esperado. Até lá, o mercado deve acompanhar possíveis ajustes no valor final, no perímetro dos ativos e nas condições de pagamento.

Para a Raízen (RAIZ4), o desfecho da venda será observado como um indicador importante da capacidade da companhia de executar seu plano de reestruturação. Para os investidores da Cosan (CSAN3) e da própria Raízen (RAIZ4), a operação pode influenciar a percepção sobre risco, endividamento e liquidez.

Raízen busca fôlego em meio a ambiente desafiador

A venda dos ativos na Argentina ocorre em um momento em que a Raízen (RAIZ4) tenta equilibrar sua posição financeira sem comprometer sua relevância operacional. A companhia segue entre os principais nomes do setor de energia no Brasil, mas enfrenta um ciclo de maior cobrança por disciplina de capital.

O mercado avalia que a operação argentina pode ser uma das medidas mais importantes da atual fase da empresa. Se concluída nos valores estimados, a transação pode reduzir parte da pressão sobre o caixa e abrir espaço para uma negociação mais estruturada com credores.

Ao mesmo tempo, a venda também marca uma mudança na presença internacional da Raízen (RAIZ4). A companhia abre mão de uma plataforma relevante em combustíveis na Argentina, mas pode ganhar capacidade financeira para preservar ativos considerados mais estratégicos no Brasil.

O resultado final da negociação dependerá da assinatura do contrato e das aprovações necessárias. Ainda assim, o avanço da venda mostra que a Raízen (RAIZ4) entrou em uma fase decisiva de sua reestruturação, com potencial impacto sobre seu balanço, sua estratégia regional e a dinâmica do setor de energia na América do Sul.

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