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Como Lula Articula a Resposta do Brics às Tarifas dos EUA

por Gabriel Monteiro
06/08/2025 às 20h01
em Política
Como Lula Articula A Resposta Do Brics Às Tarifas Dos Eua Gazeta Mercantil - Política

“Trump está jogando fora a oportunidade de conversar com presidente mais democrático da América Latina”, diz Lula ao articular resposta do Brics às tarifas

Ao reagir às recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a resposta do Brics como instrumento para enfrentar medidas que ele considera abusivas. Em declaração nesta quarta-feira (6), Lula afirmou que Washington perde a chance de dialogar com o líder do país mais democrático da América Latina. A iniciativa busca unificar posições entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, protegendo interesses econômicos e estratégicos dos emergentes.

Contexto das Tarifas Americanas

Nos últimos meses, a Casa Branca elevou tarifas sobre produtos brasileiros e indianos — chegando a 50% em alguns casos — com base em decretos que alegam corrigir práticas comerciais “injustas”. O aumento repentino de sobretaxas afetou diversos setores, do agronegócio ao maquinário. Essa ofensiva levou Lula a intensificar a resposta do Brics, visando montar um bloco de resistência diplomática e jurídica para contestar barreiras tarifárias unilaterais.

Leia também: Lula sanciona Combustível do Futuro, que promete destravar R$260 bi em investimentos.

Objetivos da Resposta do Brics

A resposta do Brics terá três frentes principais:

  • Diplomacia Unificada: aprovar comunicado conjunto em breve cúpula para pressionar Washington a revisitar as tarifas.

  • Missão Empresarial: em meses, organizar delegação brasileira à Índia para ampliar acordos de compra e venda, reduzindo dependência americana.

    Leia também: JPMorgan eleva recomendação para dívida da Kraft Heinz após melhora no caixa.

  • Ação Jurídica: estudar ação coordenada na OMC para questionar violações de compromissos multilaterais.

Com esses pilares, a resposta do Brics busca demonstrar que países emergentes podem agir de forma coesa diante de pressões comerciais.

Diálogo com Narendra Modi

Um dos elementos centrais da resposta do Brics é o fortalecimento da parceria Brasil–Índia. Lula anunciou reunião com o premiê Narendra Modi nesta quinta-feira (7), com pauta focada em cooperação energética e industrial. A estratégia prevê missão empresarial a Nova Déli nos próximos meses, permitindo empresas brasileiras de engenharia, tecnologia agrícola e bens de consumo ampliarem sua penetração no segundo maior mercado do grupo.

Essa iniciativa reforça a resposta do Brics ao criar ruas duplas de comércio que possam minimizar o impacto das tarifas americanas. Ao exportar mais soja, carne e manufaturados à Índia, o Brasil reduz riscos de faturamento no mercado dos EUA, alinhando-se aos demais membros do bloco.

Diplomacia sem Base Ideológica

Lula destacou que a resposta do Brics não se apoia em alinhamentos ideológicos, mas em interesses estratégicos e econômicos. Segundo o presidente, conversar igualmente com líderes de espectros diversos — da direita econômica ao socialismo de mercado — visa resultados concretos: investimento em infraestrutura, troca de tecnologia e segurança alimentar. Essa abordagem pragmática diferencia a resposta do Brics de antigas alianças pautadas por posicionamentos doutrinários, favorecendo um bloco mais flexível e eficaz.

Reaproximação Asiática e Nova Geopolítica

Após o governo anterior ter priorizado relações com Washington, Lula sinaliza reaproximação com a China, principal comprador de commodities brasileiras, e com a Índia. A resposta do Brics funciona como antídoto a políticas protecionistas, fortalecendo conexões asiáticas. Além de expandir mercados, essa tática reforça a posição do Brasil como ator global, capaz de mediar conflitos entre grandes potências.

COP30 e Convite a Trump

Em meio a esse cenário, Lula pretende convidar pessoalmente Donald Trump para a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA). Ao incluir o mandatário norte-americano, o Brasil mostrará que a resposta do Brics não pretende isolar os EUA, mas garantir participação de todas as partes na luta contra a crise climática. A conferência reunirá chefes de Estado, setor privado e sociedade civil, e a presença de Trump seria prova de que interesses ambientais transcendem disputas comerciais.

Impactos Econômicos e Comerciais

A adoção da resposta do Brics pode mitigar prejuízos no PIB brasileiro projetados em até 0,2 p.p. devido a tarifas. Ao firmar acordos de cooperação, o bloco amplia volume de exportações intra-BRICS, mantendo fluxo de receitas. Setores como agronegócio, mineração e energia renovável tendem a se beneficiar, ao passo que países desenvolvem cadeias de valor integradas, reduzindo custos logísticos e tarifários.

Reação dos Outros Membros do Bloco

Rússia e África do Sul já manifestaram apoio à resposta do Brics, citando experiências próprias de sanções e barreiras. A China, embora mais cautelosa, sinalizou que negociações bilaterais podem complementar ação multilateral. A Índia, sob Modi, reforçou tom crítico às tarifas americanas e prepara contramedidas, como retaliações tarifárias seletivas, caso o diálogo não avance.

Desafios da Resposta do Brics

Embora promissora, a resposta do Brics enfrenta obstáculos:

  • Divergências Internas: interesses variados no bloco dificultam consenso pleno.

  • Limitações da OMC: processos podem levar anos até decisão final.

  • Retaliações Adicionais: EUA podem impor novas tarifas a países que participem ativamente da reação.

Para superar esses desafios, a liderança brasileira aposta em diplomacia ativa, construindo coalizões com países da Ásia-Pacífico e América Latina que compartilhem preocupações sobre o protecionismo.

Papel do Setor Privado

Empresas brasileiras já se organizam para integrar a resposta do Brics, participando de feiras comerciais conjuntas e missões exploratórias. Bancos de desenvolvimento avaliam linhas de crédito especiais para operações intra-BRICS, fortalecendo capital de giro para exportadores. O setor privado reforça lobby junto aos governos, defendendo que a resposta do Brics gere ganhos efetivos de mercado.

Perspectivas para o Futuro

Caso a resposta do Brics consiga avançar, o Brasil poderá:

  • Aumentar exportações não-agrícolas em até 10% nos próximos dois anos.

  • Atrair investimentos diretos em infraestrutura de logística e energia.

  • Elevar presença de produtos de alto valor agregado no mercado asiático.

Na política global, esse movimento destaca o bloco como contraponto às políticas de Washington, sinalizando que economias emergentes podem influenciar regras do comércio internacional.

A articulação da resposta do Brics por Lula representa reação estratégica a medidas protecionistas dos EUA, colocando os emergentes em posição de defesa coordenada. Com diplomacia pragmática, união interna e foco em resultados econômicos, o bloco busca não apenas reagir a tarifas, mas consolidar papel de protagonista no cenário global, promovendo desenvolvimento sustentável e cooperação multilateral.

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