Ronaldo Nazário, o Fenômeno, ampliou sua atuação empresarial no mercado esportivo ao adquirir 51% do capital da DLD Comércio e Importação, companhia responsável pelas operações brasileiras das marcas Head, especializada em equipamentos para tênis e outros esportes de raquete, e Mares, fabricante de artigos para atividades aquáticas. A transação, anunciada em 8 de outubro, coloca o ex-jogador no controle acionário da distribuidora e marca uma nova etapa de seus investimentos fora do futebol, agora com participação direta no mercado de equipamentos esportivos.
Os 49% restantes da empresa foram adquiridos por um grupo de investidores que inclui o ex-tenista Bruno Soares e os empresários João Rezende, Bruno Mendonça, Gustavo Maia e Rafael Alcici Cardoso, representante do grupo. O valor da operação não foi divulgado, assim como os detalhes financeiros da negociação e a avaliação atribuída à DLD.
O investimento ocorre em um momento de expansão da Head no mercado brasileiro. Segundo informações divulgadas pela companhia, o faturamento da operação nacional cresceu 26% nos últimos 12 meses. Considerando os três anos anteriores, a empresa registrou crescimento médio anual próximo de 20%, desempenho que contribuiu para atrair os novos acionistas e reforçou as perspectivas de ampliação das atividades comerciais.
Com a mudança societária, Ronaldo passa a comandar a operação brasileira da Head, mas não adquire participação de controle na fabricante internacional ou nos direitos globais da marca. O negócio envolve especificamente a DLD, empresa responsável pela comercialização e distribuição dos produtos das duas marcas no Brasil. Essa distinção é relevante porque a estrutura internacional da Head permanece separada da companhia brasileira que teve seu controle transferido.
A aquisição aproxima ainda mais Ronaldo de uma modalidade que passou a ocupar espaço crescente em sua vida pessoal e empresarial. Admirador do tênis profissional, o ex-atacante acompanha competições internacionais, pratica o esporte de forma recreativa e anunciou, nos últimos meses, projetos voltados à construção de clubes e instalações para tênis e padel.
Head Brasil cresce 26% e prepara expansão da distribuição
O crescimento do faturamento da Head Brasil foi um dos principais indicadores apresentados no anúncio da aquisição. A expansão de 26% nos últimos 12 meses supera a média anual de aproximadamente 20% registrada no triênio anterior, embora os dados divulgados não permitam avaliar isoladamente quanto desse avanço decorreu de aumento nos volumes comercializados, reajustes de preços ou ampliação da rede de clientes.
A companhia não informou o faturamento nominal, a margem operacional ou o lucro líquido correspondente ao período. Dessa forma, embora a evolução das receitas indique crescimento comercial, ainda não é possível determinar a rentabilidade da operação ou calcular os múltiplos financeiros considerados pelos investidores na aquisição.
A estratégia anunciada pelos novos controladores concentra-se no fortalecimento dos canais de distribuição, na melhoria dos serviços prestados aos revendedores e na ampliação do relacionamento com clubes, academias e praticantes de esportes de raquete.
Essas iniciativas deverão direcionar a próxima fase da empresa. Em um mercado no qual a venda de equipamentos especializados depende frequentemente de lojas esportivas, profissionais de ensino e estabelecimentos dedicados às modalidades, a qualidade da distribuição constitui um fator relevante para a expansão da presença comercial.
O fortalecimento da rede de revendedores pode aumentar a disponibilidade de produtos em diferentes regiões, reduzir dificuldades de abastecimento e ampliar o acesso dos consumidores às linhas da marca. Entretanto, o crescimento da estrutura comercial também exige investimentos em estoques, logística, atendimento e relacionamento com parceiros.
Para a DLD, o desafio será transformar a expansão recente do faturamento em um crescimento sustentável, sem comprometer a eficiência da operação. A companhia terá de equilibrar a ampliação da distribuição com a manutenção de serviços adequados aos revendedores e consumidores.
O plano também prevê maior aproximação com competições esportivas, clubes e academias. A estratégia pode fortalecer o reconhecimento da Head entre praticantes de diferentes níveis, desde iniciantes até atletas que utilizam equipamentos de alto desempenho.
Ronaldo assume controle da operação brasileira, não da Head global
A dimensão da aquisição exige uma distinção entre o controle da empresa brasileira e a propriedade da marca internacional. A Head é uma companhia de equipamentos esportivos com atuação mundial, cuja história começou em 1950, inicialmente no desenvolvimento de produtos para esportes de inverno.
Ao longo das décadas seguintes, a empresa ampliou suas atividades para o tênis, o squash, o padel e outras modalidades. Atualmente, mantém operações internacionais organizadas em diferentes divisões, incluindo esportes de raquete, esportes de inverno, vestuário esportivo e atividades aquáticas.
A aquisição anunciada por Ronaldo não modifica a estrutura de propriedade global da Head. O ex-jogador comprou a participação majoritária da DLD, responsável pela operação comercial brasileira das marcas Head e Mares, assumindo a posição de controlador desse negócio específico.
Na prática, a transação representa a entrada de Ronaldo em uma atividade de distribuição de produtos esportivos que já possui marcas estabelecidas, canais comerciais e uma trajetória recente de crescimento.
Esse modelo apresenta características diferentes da criação de uma marca própria. Ao operar produtos de fabricantes internacionalmente conhecidos, a distribuidora pode se beneficiar da reputação construída pelas marcas, mas continua dependendo das condições comerciais, dos contratos e das estratégias internacionais de seus fornecedores.
A operação também está exposta a fatores como custos de importação, variações cambiais, disponibilidade de produtos e concorrência no varejo esportivo. Esses elementos podem influenciar preços, margens e necessidades de capital de giro.
O potencial de expansão, portanto, não depende apenas da popularidade de Ronaldo ou da demanda por tênis e padel, mas também da capacidade da DLD de ampliar sua eficiência comercial e preservar relações competitivas com os canais de venda.
Bruno Soares integra grupo de investidores da DLD
A participação de Bruno Soares acrescenta à operação um nome reconhecido no circuito internacional de tênis. Ex-tenista profissional e especialista em duplas, o mineiro construiu uma carreira marcada por títulos importantes e experiência em competições de alto nível.
Sua presença entre os acionistas estabelece uma conexão direta entre a distribuidora e um profissional com conhecimento do ambiente esportivo, das necessidades dos atletas e do funcionamento das competições internacionais.
O grupo também reúne os empresários João Rezende, Bruno Mendonça, Gustavo Maia e Rafael Alcici Cardoso. De acordo com as informações divulgadas sobre a transação, Cardoso atua como representante dos investidores que participam da operação.
A composição societária reúne, assim, nomes ligados ao esporte e ao ambiente empresarial, embora não tenham sido detalhadas as responsabilidades executivas individuais dos participantes nem a distribuição das participações dentro dos 49% adquiridos pelo grupo.
A entrada de investidores com experiências diferentes pode contribuir para o desenvolvimento comercial da companhia, especialmente no relacionamento com estabelecimentos esportivos, na organização de eventos e na identificação de oportunidades de expansão.
A participação de Soares também ocorre em um momento no qual o tênis e o padel atraem iniciativas de investimento ligadas à infraestrutura esportiva, ao entretenimento e à comercialização de equipamentos.
O anúncio, contudo, não especificou compromissos financeiros adicionais dos sócios nem estabeleceu metas públicas de abertura de unidades, volume de vendas ou participação de mercado para a DLD.
Mares também faz parte do negócio adquirido por Ronaldo
Embora a Head concentre as atenções pela ligação de Ronaldo com o tênis, a aquisição da DLD também envolve a operação brasileira da Mares, marca internacional especializada em equipamentos para mergulho e outras atividades aquáticas.
A Mares integra o grupo Head e possui uma trajetória consolidada no desenvolvimento e na comercialização de produtos como máscaras, nadadeiras, reguladores e acessórios utilizados por praticantes de mergulho recreativo e profissional.
Segundo as informações divulgadas sobre a transação, a marca continuará integrada à estratégia comercial da DLD, sem indicação de mudança imediata em sua atuação no mercado brasileiro.
A manutenção das duas marcas amplia o alcance da operação para além dos esportes de raquete. Enquanto a Head atende diferentes modalidades praticadas em quadras, a Mares alcança consumidores e estabelecimentos especializados em atividades aquáticas.
Essa diversidade pode reduzir a dependência comercial de um único segmento, embora também exija conhecimento de mercados com características próprias de distribuição, consumo e atendimento técnico.
No caso dos equipamentos de mergulho, questões relacionadas à segurança, manutenção e suporte especializado possuem importância adicional. A qualidade da assistência oferecida aos revendedores e consumidores pode influenciar a reputação da marca e a continuidade das relações comerciais.
A presença da Mares na operação reforça que o investimento realizado por Ronaldo não se limita ao fornecimento de raquetes de tênis. A DLD reúne negócios de artigos esportivos com diferentes públicos e oportunidades de expansão.
Ronaldo já havia anunciado investimentos em tênis e padel
A aquisição da DLD se soma a uma estratégia de diversificação que Ronaldo começou a apresentar de forma mais consistente em 2026. Em abril, o ex-jogador anunciou o Galácticos Rackets, projeto direcionado ao desenvolvimento de espaços para a prática de tênis e padel no Brasil.
A iniciativa foi estruturada para combinar instalações esportivas, serviços destinados aos praticantes e ações voltadas à ampliação do acesso às modalidades. O planejamento inicial divulgado à época previa investimentos de aproximadamente R$ 25 milhões e a abertura de sete unidades na primeira fase.
A expansão dos esportes de raquete foi apontada como uma oportunidade diante da procura crescente por espaços de treinamento e convivência. O projeto procurou desenvolver instalações para públicos distintos, incluindo empreendimentos de padrão elevado e iniciativas com propostas mais acessíveis.
Outro investimento anunciado por Ronaldo foi o Galácticos House, clube privado de tênis previsto para funcionar dentro do Reserva Beach Club, empreendimento em desenvolvimento em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo.
Apresentado em abril, o projeto prevê uma arena central com capacidade para aproximadamente 3 mil espectadores, além de quadras de tênis com diferentes superfícies, instalações para padel e espaços de treinamento. A previsão divulgada pelos organizadores é de entrega em 2027.
O empreendimento foi concebido para atender a um público de alto padrão, com número limitado de associados e títulos de participação anunciados a partir de R$ 1 milhão.
A entrada na DLD acrescenta uma atividade comercial a esse conjunto de projetos. Enquanto os clubes estão voltados à oferta de instalações e experiências esportivas, a distribuidora comercializa equipamentos utilizados pelos praticantes.
Existe potencial de complementaridade entre essas atividades, especialmente em ações de divulgação, relacionamento com consumidores e aproximação com atletas. Entretanto, não foram anunciados contratos comerciais específicos entre a DLD e os empreendimentos de tênis associados a Ronaldo.
Investimentos fora do futebol ganham espaço no portfólio
A operação com a Head amplia uma trajetória empresarial que começou a ganhar dimensão internacional quando Ronaldo passou a investir em clubes de futebol. Em 2018, ele adquiriu o controle do Real Valladolid, da Espanha, iniciando sua experiência como proprietário de uma equipe profissional.
Três anos depois, em dezembro de 2021, anunciou a aquisição de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro, clube no qual iniciou sua carreira como jogador profissional. O negócio marcou uma etapa importante na transformação do modelo de gestão do futebol brasileiro, com a entrada de investidores privados no controle das operações esportivas.
Ronaldo vendeu sua participação no Cruzeiro em 2024 e encerrou sua atuação como controlador do Valladolid em 2025, quando o clube espanhol anunciou a transferência de sua participação para um grupo de investidores.
Com a saída das duas equipes, o ex-atacante passou a concentrar maior atenção em outras atividades empresariais. Seus negócios incluem comunicação, marketing esportivo, entretenimento, produção de conteúdo e investimentos relacionados ao desenvolvimento do esporte.
Entre essas iniciativas está a Oddz Network, estrutura empresarial associada a negócios como Ronaldo TV, Beyond Films e outras operações de comunicação e entretenimento.
Ronaldo também mantém projetos de formação esportiva e impacto social, incluindo iniciativas ligadas à Ronaldo Academy e à Fundação Fenômenos.
A aquisição da DLD se diferencia dos investimentos anteriores em clubes profissionais porque não envolve diretamente a administração de uma equipe ou a negociação de direitos esportivos. O negócio está concentrado na distribuição de produtos físicos, atividade cuja expansão depende de vendas, logística, estoques e relacionamento comercial.
O que a aquisição pode representar para o mercado esportivo?
A chegada de Ronaldo ao controle da operação brasileira da Head ocorre em um momento em que o mercado de esportes de raquete vem atraindo investimentos em infraestrutura, serviços e comercialização de equipamentos.
Para a DLD, a associação com um dos nomes mais conhecidos do futebol mundial amplia a visibilidade institucional do negócio. A reputação esportiva do ex-jogador pode facilitar aproximações comerciais e contribuir para o reconhecimento da operação junto a consumidores e parceiros.
Essa vantagem, entretanto, precisa ser acompanhada de desempenho operacional. O crescimento do faturamento de 26% divulgado pela empresa indica expansão recente, mas a continuidade dependerá da capacidade de atender a uma rede maior de clientes e sustentar condições competitivas de comercialização.
A presença de Bruno Soares entre os investidores acrescenta conhecimento específico do tênis, enquanto os demais sócios poderão participar da estruturação das próximas etapas empresariais conforme as responsabilidades definidas pelo grupo.
O investimento também representa uma mudança na composição das atividades de Ronaldo. Depois de atuar diretamente na propriedade de clubes de futebol, o ex-jogador passa a ter participação majoritária em uma operação de artigos esportivos que reúne marcas internacionais e já possui presença estabelecida no mercado brasileiro.
O próximo desafio será transformar a nova estrutura societária em crescimento comercial, ampliando a distribuição e fortalecendo as relações com revendedores, clubes e praticantes. Como os valores da transação e os indicadores de rentabilidade não foram divulgados, ainda não é possível avaliar o retorno financeiro esperado pelos compradores.
A aquisição consolida, de qualquer forma, a entrada de Ronaldo em mais uma frente do mercado esportivo. Desta vez, o ex-atacante não busca resultados dentro de campo nem assume uma equipe profissional, mas passa a controlar uma empresa cuja expansão estará diretamente relacionada à capacidade de atender consumidores e desenvolver o comércio de equipamentos para diferentes modalidades no Brasil.






