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Senado ratifica acordo Mercosul-UE e Brasil se prepara para implementação

por Maria Helena Costa
04/03/2026 às 22h58
em Economia
Senado Ratifica Acordo Mercosul-Ue E Brasil Se Prepara Para Implementação - Gazeta Mercantil

Senado ratifica acordo comercial Mercosul-UE e Brasil se prepara para implementação

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, o projeto de decreto legislativo que formaliza o apoio do Congresso Nacional ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Com a ratificação pelo Senado, o texto segue agora para promulgação, marco que permitirá ao Executivo brasileiro incorporar o pacto à legislação nacional e abrir caminho para sua aplicação efetiva.

A aprovação no Senado confirma o compromisso do Brasil com a consolidação de relações comerciais estratégicas e fortalece a posição do país na arena internacional. O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, seguindo o rito previsto para tratados internacionais, nos quais cabe ao Executivo negociar os termos e ao Legislativo apenas referendá-los ou rejeitá-los.

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Histórico e importância do acordo Mercosul-UE

O acordo entre o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro deste ano, após 25 anos de negociações intensas. Apesar da assinatura, o pacto precisa ser ratificado por todos os legislativos dos países envolvidos e pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor oficialmente.

Durante a tramitação no Congresso Nacional, o texto do projeto não sofreu alterações. A relatora da proposta no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), destacou que a ratificação não encerra o trabalho legislativo, mas inaugura uma nova fase:

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“O real desafio começará com a entrada em vigor do instrumento. Deveremos identificar gargalos e setores sensíveis que necessitarão de apoio para assegurar sua competitividade; antecipar possíveis desequilíbrios e manobras que possam erodir preferências negociadas; e promover o aprimoramento legislativo e regulatório que garanta que o Brasil ingresse nessa nova etapa de sua inserção internacional em condições de igualdade”, afirmou a senadora.

O acordo é considerado estratégico para a economia brasileira e para o Mercosul como um todo, pois promete ampliar o comércio bilateral, diversificar mercados e reduzir a dependência de grandes potências comerciais como os Estados Unidos e a China.


Tramitação internacional e implementação provisória

Apesar da assinatura do pacto, o Parlamento Europeu solicitou recentemente que o acordo fosse remetido ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar sua aplicação oficial em até dois anos. No entanto, a Comissão Europeia anunciou que a implementação provisória do acordo terá início mesmo antes da aprovação final pelo Parlamento Europeu, permitindo que partes do pacto sejam aplicadas imediatamente e beneficiem o comércio entre os blocos.

Além do Brasil, Argentina e Uruguai já ratificaram o acordo em seus parlamentos nacionais, consolidando o passo inicial do Mercosul rumo à abertura de mercado e à integração com a União Europeia.


Salvaguardas para setores sensíveis

Enquanto o Senado discutia a ratificação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou um decreto regulamentando a aplicação de salvaguardas para proteger setores da economia nacional caso o acordo comercial gere prejuízos relevantes.

As medidas previstas permitem ao governo intervir quando o aumento de importações de produtos com condições preferenciais comprometer a indústria doméstica. Entre os mecanismos de proteção estão ajustes tarifários e restrições temporárias que visam equilibrar a competição e preservar empregos e produção nacional.

Defensores do pacto argumentam que o acordo Mercosul-UE é uma oportunidade para compensar perdas decorrentes de disputas comerciais com os Estados Unidos e para fortalecer a posição do bloco sul-americano em relação a grandes economias globais. Por outro lado, críticos europeus, liderados pela França, expressam preocupações sobre o impacto em produtores locais de carne bovina, açúcar e aves, que podem enfrentar concorrência de preços mais baixos.


Impacto esperado para o Brasil e Mercosul

A ratificação do acordo pelo Congresso Brasileiro representa um passo histórico para o comércio internacional do país, abrindo novas oportunidades para exportadores e setores industriais estratégicos. Especialistas destacam que a entrada em vigor do pacto permitirá:

  • Ampliação do acesso a mercados europeus para produtos brasileiros;

  • Redução de tarifas e barreiras comerciais para exportações estratégicas;

  • Aumento da competitividade da indústria nacional frente a produtos importados;

  • Estímulo a investimentos estrangeiros e parcerias comerciais de longo prazo;

  • Fortalecimento da posição do Mercosul no comércio global.

O pacto também prevê ajustes regulatórios e acompanhamento contínuo, garantindo que o Brasil possa identificar desequilíbrios e tomar medidas preventivas para proteger setores críticos.


Expectativas e próximos passos

Com a ratificação pelo Senado, o acordo Mercosul-UE entra em fase de promulgação e regulamentação pelo Executivo. O próximo passo é a edição de decretos e normativas que detalhem sua aplicação no Brasil, definindo regras para importações, exportações e salvaguardas.

Analistas políticos e econômicos destacam que o sucesso do acordo depende de acompanhamento rigoroso, diálogo entre setores produtivos e implementação de políticas que garantam que os benefícios sejam amplamente distribuídos. A experiência histórica de outros tratados comerciais mostra que, embora a assinatura seja apenas o início, a gestão estratégica do pacto determina seu impacto real na economia e no comércio internacional.

Além disso, a aplicação provisória do acordo na União Europeia permite iniciar trocas comerciais com regras preferenciais, mesmo antes da aprovação final, acelerando a integração entre os blocos e oferecendo oportunidades imediatas a exportadores do Mercosul.


O pacto comercial como ferramenta geopolítica

O acordo Mercosul-UE transcende a economia. Ele se apresenta como instrumento de inserção estratégica do Brasil e do bloco sul-americano na economia global. Ao ampliar relações com a União Europeia, o Mercosul fortalece sua posição frente a disputas comerciais internacionais, garantindo maior autonomia e diversificação de parceiros.

Setores como agricultura, indústria alimentícia, química e tecnológica podem se beneficiar com o acesso facilitado ao mercado europeu, ao passo que o governo brasileiro terá a responsabilidade de monitorar impactos, adotar salvaguardas quando necessário e manter o equilíbrio entre crescimento econômico e proteção de segmentos vulneráveis.


Mercado atento à implementação do acordo

Investidores, exportadores e analistas acompanham de perto a implementação do acordo, atentos às oportunidades de expansão e à mitigação de riscos. A possibilidade de aplicação provisória, aliada à ratificação pelo Congresso Nacional, cria um ambiente favorável para negócios, negociações e planejamentos estratégicos que devem influenciar o desempenho do comércio exterior brasileiro nos próximos anos.

O pacto também reforça o papel do Brasil como protagonista no Mercosul, consolidando a relevância do bloco em negociações internacionais e estabelecendo padrões que podem servir de referência para futuros acordos comerciais.

A entrada em vigor efetiva do acordo dependerá de monitoramento contínuo, ajustes regulatórios e cooperação com países-membros da União Europeia para garantir que o comércio seja equilibrado, sustentável e vantajoso para todos os envolvidos.

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