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Setor de viagens corporativas atinge R$ 147,8 bilhões e registra maior faturamento da história em 2025

por Alice Nascimento
27/02/2026 às 14h04
em Negócios
Setor De Viagens Corporativas Atinge R$ 147,8 Bilhões E Registra Maior Faturamento Da História Em 2025 - Gazeta Mercantil

Setor de viagens corporativas atinge faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões em 2025 e consolida novo ciclo de expansão

O setor de viagens corporativas encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões, o maior da série histórica iniciada em 2011, segundo levantamento da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). O resultado, divulgado durante a 21ª edição do Lacte (Latin American Community for Travel and Events Experience), em São Paulo, confirma a consolidação do setor de viagens corporativas como um dos principais vetores da retomada do turismo de negócios no Brasil.

O avanço representa crescimento de 6,3% em relação a 2024, quando o setor de viagens corporativas registrou R$ 139 bilhões em receitas. O dado sinaliza não apenas a recuperação pós-pandemia, mas uma reconfiguração estrutural da demanda empresarial por deslocamentos, eventos e experiências presenciais — em um contexto de transformação digital, pressão por eficiência operacional e revalorização das conexões humanas.

Leia também: Investidores migram para FIDCs: novo líder da captação em 2025.


Crescimento sustentado e nova dinâmica de demanda

O desempenho histórico do setor de viagens corporativas não pode ser explicado apenas pela retomada cíclica da economia. A expansão está associada à reorganização das cadeias produtivas, à intensificação das agendas comerciais internacionais e à retomada de grandes eventos corporativos e culturais.

O levantamento da Alagev considera receitas provenientes de transporte aéreo e rodoviário, hospedagem, organização de eventos corporativos e culturais, além da atuação de agências e operadoras especializadas. Trata-se, portanto, de um ecossistema amplo, que articula companhias aéreas, redes hoteleiras, gestores de viagens, seguradoras, locadoras e empresas de tecnologia.

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A meta anunciada pela entidade para 2026 é manter a trajetória de expansão, com crescimento estimado em torno de 7%. Caso confirmado, o setor de viagens corporativas poderá ultrapassar R$ 158 bilhões no próximo ciclo, reforçando sua relevância na formação do PIB de serviços.


Companhias aéreas disputam o viajante corporativo

A expansão do setor de viagens corporativas tem provocado uma reorientação estratégica das companhias aéreas, que intensificaram investimentos para capturar a demanda de alto valor agregado representada pelo viajante de negócios.

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Em 2025, a Latam Airlines Brasil liderou o mercado, concentrando 41,7% do market share nas viagens corporativas, avanço expressivo frente aos 32,2% registrados em 2024. A ampliação de 9,5 pontos percentuais reflete uma combinação de aumento de frequências, revisão contratual com grandes empresas e diversificação de serviços.

Entre os investimentos anunciados está a implementação de wifi em aeronaves de dois corredores, utilizadas em rotas internacionais de longa duração. A medida atende a uma demanda crescente do setor de viagens corporativas por conectividade contínua, especialmente em voos diurnos para Europa e Estados Unidos.

A companhia também lançou a categoria intermediária “premium comfort”, posicionada entre a classe econômica e a executiva, estratégia que dialoga com a racionalização de custos das empresas sem abrir mão de conforto para executivos.


Reforço de frota e interiorização das rotas

Outro movimento relevante no setor de viagens corporativas é a incorporação de aeronaves Embraer 195-E2 por companhias como Azul e Latam. O modelo permite operar rotas para aeroportos regionais e cidades médias, ampliando a capilaridade do transporte aéreo corporativo.

A Azul projeta crescimento de aproximadamente 10% em 2026, com foco na consolidação de seus hubs em Viracopos, Confins e Recife, além da ampliação de operações em São Paulo — principal polo emissor do setor de viagens corporativas no país.

Já a Gol informou que priorizará pontualidade e renovação de frota. A empresa elevou em 14% a oferta de assentos no último ano e prevê expansão entre 13% e 13,5% em 2026. Desde o início de 2025, iniciou a incorporação de 17 novas aeronaves, processo que se estende até o fim do próximo ano.

Esses investimentos indicam que o setor de viagens corporativas tornou-se eixo central das estratégias comerciais das aéreas, especialmente diante da maior previsibilidade de receita proporcionada por contratos empresariais.


Eventos corporativos e inteligência artificial redefinem o mercado

O Lacte21, que reuniu 1,8 mil participantes e 97 patrocinadores, registrou recorde de público e investimentos 30% superiores ao inicialmente projetado. O evento evidenciou que o setor de viagens corporativas atravessa uma fase de sofisticação tecnológica, com destaque para inteligência artificial, personalização de serviços e sustentabilidade.

As discussões apontaram que, embora a IA esteja integrada às plataformas de gestão de viagens, negociação automatizada e análise de dados, o diferencial competitivo permanece na experiência humana. A combinação entre tecnologia e relacionamento direto tende a moldar o próximo ciclo de expansão do setor de viagens corporativas.

Temas como saúde mental, personalização de jornadas e eventos sustentáveis passaram a integrar a agenda estratégica de gestores e fornecedores, refletindo uma mudança de paradigma no turismo de negócios.


Impactos econômicos e institucionais

O fortalecimento do setor de viagens corporativas possui implicações macroeconômicas relevantes. O segmento estimula cadeias produtivas intensivas em mão de obra, gera receitas tributárias e amplia a demanda por infraestrutura aeroportuária e hoteleira.

Além disso, o crescimento do setor de viagens corporativas reforça a posição do Brasil como destino estratégico para feiras internacionais, congressos e encontros empresariais, com reflexos diretos na atração de investimentos estrangeiros.

Especialistas avaliam que a estabilidade regulatória, a expansão da malha aérea e o avanço da digitalização dos serviços serão determinantes para sustentar a competitividade do setor de viagens corporativas frente a mercados latino-americanos concorrentes.


Um mercado mais resiliente e orientado a valor

A trajetória recente indica que o setor de viagens corporativas deixou de operar apenas sob lógica de volume e passou a priorizar valor agregado. A customização de contratos, a análise de dados para redução de custos e a busca por eficiência operacional tornaram-se elementos centrais.

Empresas passaram a tratar viagens e eventos como instrumentos estratégicos de negócios — não apenas despesas administrativas. Essa mudança cultural contribui para explicar o crescimento consistente do setor de viagens corporativas mesmo em ambiente macroeconômico desafiador.


O que esperar para 2026

Se as projeções de expansão de 7% se confirmarem, o setor de viagens corporativas consolidará um novo patamar estrutural de faturamento. A expectativa é de que a combinação entre conectividade, interiorização das rotas e digitalização das operações sustente a curva ascendente.

A disputa entre companhias aéreas, a profissionalização da gestão de eventos e a integração de inteligência artificial às decisões estratégicas apontam para um ambiente mais competitivo — e ao mesmo tempo mais sofisticado.

O recorde de R$ 147,8 bilhões não representa apenas um marco estatístico. Ele sinaliza que o setor de viagens corporativas entrou em uma fase de maturidade, na qual eficiência, tecnologia e experiência caminham lado a lado.

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