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Shake Shack chega ao Brasil em 2027 com grupo do Outback e plano de 40 restaurantes

Primeira unidade será aberta em São Paulo e operação ficará com a Bold Hospitality, responsável por Outback, Abbraccio e Aussie; acordo marca nova etapa da expansão latino-americana da rede americana

por Alice Nascimento
08/10/2026 às 16h20
em Empresas
Shake Shack - Gazeta Mercantil

Divulgação

A rede americana Shake Shack vai entrar no mercado brasileiro em 2027 com um plano de abrir 40 restaurantes no país até 2036. A primeira unidade será instalada em São Paulo, ainda sem endereço divulgado, e a operação ficará sob responsabilidade da Bold Hospitality Company, grupo que controla no Brasil as marcas Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie. O acordo transforma o país em uma das principais frentes de expansão internacional da companhia na próxima década.

O cronograma representa, em média, quatro novos restaurantes por ano ao longo do período previsto, embora as empresas não tenham informado como as inaugurações serão distribuídas. A Shake Shack já soma mais de 740 unidades no mundo e pretende usar no Brasil um modelo apoiado em um parceiro local com experiência em expansão, gestão de restaurantes e conhecimento do mercado de alimentação fora do lar.

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A entrada ocorrerá por meio de um acordo de licenciamento com a Bold, apresentado no mercado brasileiro como uma operação exclusiva de master-franquia. A companhia ficará responsável pelo desenvolvimento da marca, pelos investimentos e pela implantação dos restaurantes no território nacional. Mauro Guardabassi, atual diretor de operações da Bold, assumirá a presidência da Shake Shack no Brasil.

Bold pode encerrar 2026 com 217 restaurantes no país

A escolha da Bold dá à Shake Shack uma estrutura pronta para acelerar a operação brasileira. Criada em 2025 a partir de uma parceria entre a Vinci Compass e a Bloomin’ Brands, a holding reúne as operações nacionais de Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie e espera terminar 2026 com 217 restaurantes distribuídos por 22 estados e pelo Distrito Federal.

Caso o plano de 40 Shake Shacks seja integralmente executado, a nova rede terá uma quantidade de unidades equivalente a aproximadamente 18% da atual escala projetada da Bold no país. A comparação não significa que o Shake Shack substituirá restaurantes existentes, mas mostra o tamanho do compromisso assumido para desenvolver uma marca que ainda não possui operação brasileira.

A Bold acumula quase três décadas de experiência operacional herdada da trajetória do Outback no país. Essa estrutura permite que a nova rede compartilhe conhecimento sobre localização de restaurantes, fornecedores, treinamento, logística e comportamento do consumidor sem precisar construir toda a operação a partir do zero.

Para a Shake Shack, essa é justamente a lógica utilizada na expansão internacional. Enquanto nos Estados Unidos a empresa mantém uma ampla rede de unidades administradas diretamente, fora do país costuma crescer ao lado de operadores locais responsáveis pelo desenvolvimento dos restaurantes.

Brasil passa a integrar avanço da Shake Shack na América Latina

A chegada ao país faz parte de uma expansão mais ampla na América Latina. A Shake Shack já opera há sete anos no México e prepara sua entrada no Panamá. O Brasil será o próximo grande mercado da região.

Michael Kark, presidente global de licenciamento da rede, afirmou no anúncio que o Brasil estava havia anos entre os mercados mais pedidos pelos consumidores da marca. Segundo o executivo, características como a cultura de alimentação fora de casa e a importância atribuída à hospitalidade contribuíram para a decisão de entrar no país.

A dimensão do mercado brasileiro também pesa nessa estratégia. Diferentemente de uma entrada experimental com poucas unidades, o contrato já nasce com uma meta nacional de 40 restaurantes. A primeira operação em São Paulo funcionará como ponto inicial para testar preços, cardápio, fornecedores e comportamento de consumo antes do avanço para outras regiões.

As empresas ainda não revelaram quais cidades receberão as unidades posteriores nem o volume total de investimento necessário para executar o plano até 2036.

Rede já ultrapassa 740 restaurantes no mundo

A Shake Shack surgiu em Nova York a partir de um carrinho de cachorro-quente instalado no Madison Square Park. O sucesso da operação levou à abertura de um quiosque permanente em 2004 e, posteriormente, à expansão da marca pelos Estados Unidos e pelo exterior.

Hoje, a rede possui mais de 740 restaurantes em seu sistema global. Aproximadamente 475 estão distribuídos por 36 estados americanos e pelo Distrito de Columbia, enquanto mais de 265 unidades funcionam em mercados internacionais.

A presença externa inclui cidades como Londres, Hong Kong, Xangai, Singapura, Cidade do México, Istambul, Dubai, Tóquio e Seul. A expansão internacional tornou-se uma frente relevante para a companhia porque permite crescer em novos mercados por meio de parceiros locais, enquanto concentra recursos próprios na abertura de restaurantes administrados diretamente nos Estados Unidos.

A companhia também continua acelerando dentro de seu mercado de origem. Em 2025, abriu 45 restaurantes próprios e 40 licenciados e estabeleceu uma meta de longo prazo de alcançar mais de 1.500 unidades operadas diretamente.

Shake Shack faturou US$ 417,6 milhões no segundo trimestre

A entrada no Brasil ocorre enquanto a empresa mantém crescimento das vendas. No segundo trimestre de 2026, a Shake Shack registrou receita de US$ 417,6 milhões, avanço de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As vendas das unidades operadas diretamente somaram US$ 403,4 milhões, enquanto as receitas de licenciamento atingiram US$ 14,2 milhões. As vendas de todo o sistema, que incluem também restaurantes licenciados, chegaram a US$ 625,8 milhões no trimestre, crescimento de 13,8%.

O lucro operacional foi de US$ 20,7 milhões, e o lucro líquido atingiu US$ 16,9 milhões. A rede abriu 16 restaurantes próprios e 11 licenciados apenas no período.

Esses números ajudam a explicar por que o licenciamento internacional continua relevante para o grupo. Embora a receita direta recebida dos parceiros seja menor do que a obtida nos restaurantes próprios, o modelo permite expandir a presença geográfica utilizando capital e infraestrutura de operadores locais.

Cardápio brasileiro manterá produtos tradicionais da rede

A companhia pretende preservar no Brasil os itens responsáveis pela identidade global da marca. Entre eles estão o ShackBurger, preparado com carne Angus, queijo, alface, tomate e o molho ShackSauce; o sanduíche Chicken Shack; as batatas fritas cortadas no formato ondulado conhecido como crinkle cut; além dos milkshakes e do frozen custard.

A operação brasileira, porém, não será uma reprodução integral do cardápio americano. Shake Shack e Bold planejam trabalhar com produtores e fornecedores nacionais e incluir elementos locais na oferta, uma estratégia já utilizada pela rede em outros países.

A empresa afirma que procura adaptar parte da experiência às comunidades onde entra, mantendo simultaneamente os principais produtos globais. Esse modelo permite preservar reconhecimento de marca entre consumidores que já conhecem o Shake Shack do exterior sem ignorar hábitos alimentares e características do mercado brasileiro.

A definição da cadeia local de fornecedores será especialmente importante porque a proposta comercial da rede enfatiza qualidade de ingredientes e preparação sob demanda. Carne, pães, vegetais, laticínios e outros insumos terão de atender aos padrões definidos pela empresa e, ao mesmo tempo, sustentar a expansão prevista para dezenas de restaurantes.

Entrada aumenta disputa no segmento de hambúrgueres

O Shake Shack chegará a um mercado no qual grandes redes internacionais e nacionais já disputam pontos comerciais, consumidores e canais de entrega. McDonald’s e Burger King possuem presença nacional muito superior em número de lojas, enquanto outras marcas competem em segmentos que vão do fast-food convencional ao hambúrguer artesanal.

A estratégia da Shake Shack historicamente ocupa uma faixa intermediária, frequentemente classificada como fast-casual: serviço relativamente rápido combinado com preços, ambiente e ingredientes posicionados acima do padrão tradicional de fast-food.

Esse posicionamento torna a execução brasileira particularmente relevante. A Bold terá de encontrar uma faixa de preço capaz de preservar a proposta da marca sem restringir excessivamente o mercado potencial. Localização dos restaurantes, custo imobiliário, matérias-primas e renda disponível dos consumidores estarão entre as variáveis que definirão a velocidade da expansão.

A escolha de São Paulo para a estreia reduz parte desse risco. A cidade concentra renda, turismo, fluxo corporativo, shopping centers e consumidores habituados a redes internacionais, além de permitir que a Bold utilize uma estrutura operacional já consolidada.

Meta de 40 lojas transforma estreia em projeto de longo prazo

O anúncio diferencia-se de entradas internacionais que começam com uma única unidade e deixam a expansão condicionada ao desempenho inicial. Shake Shack e Bold estabeleceram desde o início uma meta de 40 restaurantes até 2036, tornando a chegada ao Brasil um projeto de longo prazo.

Ainda assim, o cumprimento desse objetivo dependerá do desempenho das primeiras lojas. Uma média matemática de quatro inaugurações anuais não significa que esse ritmo será uniforme. É comum que redes internacionais utilizem as primeiras operações para ajustar fornecedores, preços, cardápio, formatos imobiliários e logística antes de acelerar a abertura de novos endereços.

A estrutura da Bold reduz parte dessa curva de aprendizado, mas não elimina o desafio de posicionar uma marca nova para a maior parte dos consumidores brasileiros. O reconhecimento existente entre pessoas que tiveram contato com o Shake Shack em viagens ao exterior não equivale a uma base de clientes suficiente para sustentar dezenas de unidades.

A primeira loja em São Paulo será, portanto, mais do que a estreia de uma nova hamburgueria americana no país. Será o teste inicial de um plano que pretende transformar o Brasil em uma das maiores operações latino-americanas da Shake Shack ao longo da próxima década.

Fontes:

Shake Shack Inc. — anúncio oficial da parceria com a Bold Hospitality Company e plano de expansão no Brasil

Shake Shack Inc. — resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 e informações operacionais da companhia

Shake Shack Inc. — informações institucionais sobre expansão internacional, modelo de licenciamento e presença global

Bold Hospitality Company — informações institucionais sobre a operação brasileira, portfólio de marcas e estrutura de restaurantes

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