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Tesouro Direto hoje: taxas sobem e prefixado paga até 12,90%

Juros longos corrigem parte da forte queda pós-eleitoral, enquanto Prefixado 2032 ainda paga 1,39 ponto percentual menos que antes do primeiro turno.

por Antônio Lima
07/10/2026 às 10h05
em Economia
Dinheiro (Foto De Marcello Casal Jr., Abr)

As taxas dos títulos intermediários e longos do Tesouro Direto voltaram a subir na abertura desta quarta-feira, 7 de outubro, interrompendo dois pregões consecutivos de forte fechamento da curva de juros após o primeiro turno das eleições presidenciais. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 12,81% para 12,90% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 passou de 12,76% para 12,82%.

O movimento representa uma correção parcial da queda observada desde segunda-feira, mas está longe de devolver todo o rali dos títulos públicos. Na sexta-feira, 2 de outubro, o Prefixado 2032 oferecia 14,21% ao ano. Mesmo depois da alta desta quarta, sua taxa permanece 1,39 ponto percentual — ou 139 pontos-base — abaixo daquele nível.

A dimensão da diferença ajuda a entender o que ocorreu no mercado desde o primeiro turno. Para quem comprou títulos prefixados de prazo mais longo antes da queda dos juros, o fechamento abrupto das taxas provocou valorização dos papéis pela marcação a mercado. Já para quem pretende investir agora e carregar o título até o vencimento, a remuneração contratada caiu significativamente em relação à disponível antes da eleição.

Nos vencimentos curtos, o movimento desta quarta-feira foi mais contido. O Tesouro Prefixado 2029 passou de 12,56% para 12,55% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 recuou de IPCA mais 6,98% para IPCA mais 6,95%.

A abertura mostra, portanto, uma curva dividida: os papéis longos devolveram parte dos ganhos recentes, enquanto títulos mais curtos permaneceram praticamente estáveis ou apresentaram pequena queda nas taxas.

Prefixado 2037 volta ao nível de segunda-feira

A maior alta entre os prefixados ocorreu no Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, cuja taxa passou de 12,81% no fechamento de terça-feira para 12,90% na abertura desta quarta.

Com isso, o papel voltou aproximadamente ao nível observado no fechamento de segunda-feira, depois de ter apresentado nova queda na sessão seguinte.

O Prefixado 2032 também devolveu a redução registrada na terça. A taxa de 12,82% desta quarta ficou um ponto-base acima do fechamento de segunda-feira.

A comparação com sexta-feira, porém, mostra que a magnitude do movimento pós-eleitoral continua expressiva. O título saiu de 14,21% para 12,82%, redução de aproximadamente 9,8% na taxa nominal oferecida ao investidor em apenas três pregões.

Essa diferença tem impacto relevante no preço do título. Em renda fixa prefixada, taxa e preço caminham em sentidos opostos: quando a taxa exigida pelo mercado cai, o preço do papel existente sobe; quando a taxa aumenta, o preço recua.

Por isso, investidores que acompanham o valor dos títulos antes do vencimento podem observar oscilações importantes mesmo em aplicações classificadas como renda fixa.

Taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira

Na abertura desta quarta, as taxas disponíveis eram as seguintes:

Título Rendimento anual Vencimento
Tesouro Reserva 2036 Selic 01/01/2036
Tesouro Selic 2031 Selic + 0,0867% 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2029 12,55% 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032 12,82% 01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 12,90% 01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 6,95% 15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 IPCA + 6,95% 15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 6,69% 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 IPCA + 6,71% 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 6,62% 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 IPCA + 6,62% 15/08/2060

As taxas são referências da abertura e podem mudar ao longo do dia de acordo com as negociações dos títulos públicos e dos contratos de juros no mercado.

IPCA+ longos também voltam a pagar mais

O movimento de alta apareceu ainda nos títulos indexados à inflação de prazo mais longo.

O Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA mais 6,55% para IPCA mais 6,62% ao ano, aumento de sete pontos-base. O IPCA+ 2040 subiu de IPCA mais 6,66% para IPCA mais 6,69%.

Já o IPCA+ 2032 seguiu na direção contrária e teve redução de três pontos-base, de IPCA mais 6,98% para IPCA mais 6,95%.

A diferença entre os vencimentos mostra que o ajuste está concentrado principalmente na parte intermediária e longa da curva, mais sensível às expectativas fiscais, à trajetória futura da inflação e ao nível de juros esperado para os próximos anos.

Taxas reais acima de 6% continuam elevadas em termos históricos. No caso do IPCA+ 2050, por exemplo, o investidor que mantiver o título até o vencimento contrata uma remuneração equivalente à inflação acumulada no período acrescida de uma taxa real de 6,62% ao ano, antes do Imposto de Renda e das demais condições aplicáveis.

Esse retorno contratado até o vencimento não impede que o preço do título apresente fortes variações no caminho.

Quanto maior o prazo, maior tende a ser a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas de mercado.

Primeiro turno provocou movimento excepcional nos juros

A alta desta quarta acontece depois de uma movimentação incomum nos dois primeiros pregões após a eleição.

Na segunda-feira, as taxas dos títulos públicos despencaram diante da reprecificação dos ativos brasileiros após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva.

O mercado passou a incorporar uma percepção diferente para o risco fiscal e para a trajetória futura da política econômica. Como consequência, dólar, Bolsa e principalmente a curva de juros apresentaram movimentos de grande magnitude.

O Prefixado 2032 estava em 14,21% ao ano no fechamento de sexta-feira e chegou à terça-feira em 12,76%. A queda acumulada foi de 145 pontos-base.

Com a taxa em 12,82% nesta quarta, apenas seis pontos-base dessa redução foram devolvidos.

Em outras palavras, aproximadamente 96% do fechamento acumulado desde sexta-feira ainda permanecia preservado na abertura desta sessão.

O cálculo ajuda a colocar a alta desta quarta em perspectiva: embora as taxas tenham voltado a subir, o mercado ainda negocia muito abaixo dos níveis anteriores ao primeiro turno.

JPMorgan vê espaço para continuidade do movimento

O JPMorgan elevou de neutra para overweight sua recomendação para os juros locais brasileiros depois da reação dos mercados ao resultado eleitoral.

A avaliação do banco é de que a velocidade do fechamento das taxas superou suas expectativas iniciais, mas o movimento ainda pode encontrar espaço para continuar.

A instituição, entretanto, não espera uma queda linear nem um ciclo acelerado de cortes de juros pelo Banco Central.

Esse ponto é fundamental porque uma parcela relevante da valorização recente dos títulos depende da expectativa de que a inflação permaneça controlada e de que haja condições para redução da taxa básica no futuro.

Quanto maior a percepção de risco fiscal ou inflacionário, maior tende a ser a taxa exigida pelos investidores para financiar a dívida pública brasileira. No sentido contrário, melhora das expectativas pode provocar nova redução dos juros de mercado e valorização dos títulos prefixados e IPCA+ já adquiridos.

A disputa presidencial continuará sendo uma fonte importante de volatilidade até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

IGP-DI acelera para 1,50%

A inflação também voltou ao radar do mercado nesta quarta-feira.

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, o IGP-DI, avançou 1,50% em setembro, depois de subir apenas 0,06% em agosto.

A aceleração foi puxada principalmente pelos preços ao produtor e ao consumidor, com pressão de commodities agrícolas, combustíveis, energia e alimentos.

O dado ganha relevância para o mercado de juros porque uma inflação mais resistente pode limitar a velocidade de eventual flexibilização monetária pelo Banco Central.

O impacto do IGP-DI sobre a política monetária, entretanto, não deve ser analisado isoladamente. O Banco Central utiliza um conjunto mais amplo de indicadores, com destaque para o IPCA, expectativas de inflação, atividade econômica, câmbio, mercado de trabalho e cenário fiscal.

Ainda assim, uma aceleração dos índices de preços adiciona um elemento de cautela justamente no momento em que os investidores passaram a apostar em taxas menores no futuro.

Petróleo volta a superar US$ 100

O ambiente externo também oferece resistência à continuidade da queda dos juros.

O petróleo Brent voltou a subir nesta quarta-feira e operava acima dos US$ 100 por barril, em meio às tensões no Oriente Médio e a novos ataques atribuídos aos houthis.

Petróleo mais caro representa um risco inflacionário global porque afeta combustíveis, transporte, produção industrial e cadeias de logística.

Nos Estados Unidos, o mercado aguarda a divulgação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve. O documento será analisado em busca de sinais sobre a avaliação dos dirigentes em relação à inflação e sobre o caminho das taxas de juros americanas.

Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos do Tesouro americano e podem pressionar ativos de países emergentes, incluindo o Brasil.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que, depois de dois dias de forte fechamento, os juros brasileiros passaram a apresentar uma correção.

Dólar volta à região de R$ 5

O câmbio também mudou de direção nesta quarta-feira.

Depois de fechar terça-feira a R$ 4,975, com queda de aproximadamente 0,5%, o dólar voltou à região de R$ 5 na abertura desta sessão.

Na terça, o Ibovespa havia recuado 0,52%, aos 205.835,29 pontos, após disparar 7,70% na segunda-feira.

A combinação reforça a leitura de que o mercado entrou em uma fase de acomodação após a reação extraordinária ao primeiro turno.

Isso não significa que a precificação anterior esteja sendo anulada. Tanto no câmbio quanto nos juros, parte relevante do movimento registrado na segunda-feira permanece.

No Tesouro Direto, o exemplo mais evidente é o Prefixado 2032. A taxa desta quarta, de 12,82%, está ligeiramente acima dos níveis de terça, mas continua muito distante dos 14,21% disponíveis antes do primeiro turno.

Para quem avalia entrar agora, a diferença é significativa.

Um investidor que contratou 14,21% ao ano na sexta-feira garantiu uma taxa nominal aproximadamente 1,39 ponto percentual superior à oferecida na abertura desta quarta, caso ambos mantenham o papel até o vencimento e sejam comparadas apenas as taxas contratadas.

Para quem já possuía o título e pretende vendê-lo antes do vencimento, porém, a forte queda das taxas dos últimos dias produziu valorização pela marcação a mercado.

A sessão desta quarta começa, portanto, com uma correção dos excessos do rali pós-eleitoral, mas não com uma reversão completa. Enquanto o Prefixado 2032 permanecer perto de 12,8% e não retornar à região acima de 14% observada antes da eleição, a maior parte da reprecificação realizada desde segunda-feira continuará incorporada aos títulos públicos brasileiros.

Fontes

Tesouro Direto — taxas e preços dos títulos públicos

Tesouro Nacional — histórico de preços e taxas

FGV IBRE — IGP-DI de setembro de 2026

JPMorgan — estratégia para juros locais brasileiros

Banco Central do Brasil — política monetária e mercado de juros

B3 — contratos futuros de juros
Federal Reserve — política monetária dos Estados Unidos

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