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TRXF11 desiste de compras de R$ 1 bilhão em imóveis após mudança nas condições de mercado

TRXF11 desiste de aquisições de cerca de R$ 1,03 bilhão em imóveis do BLCA11 e Catuaí Vista FL após mudanças nas condições de mercado.

por Daniel Wicker
27/08/2026 às 14h37
em Fundos Imobiliários
Trxf11 Desiste De Compras De R$ 1 Bilhão Em Imóveis Após Mudança Nas Condições De Mercado - Gazeta Mercantil - Fundos Imobiliários

O TRX Real Estate (TRXF11) desistiu de duas aquisições de lajes corporativas em São Paulo que, somadas, envolviam propostas de aproximadamente R$ 1,03 bilhão. As operações tinham sido anunciadas em 14 de agosto e abrangiam imóveis pertencentes ao Catuaí VBI Triple A (BLCA11) e ao Catuaí Vista FL, fundo que possui as subclasses CVFL11 e CVFL15.

O encerramento das tratativas foi formalizado depois que alterações nas condições de mercado impediram, segundo os comunicados, a superação de determinadas condições precedentes previstas nas propostas. Os documentos divulgados não identificam qual condição específica deixou de ser cumprida, nem atribuem o cancelamento a um único fator. Com isso, não é possível afirmar oficialmente que a queda das cotas do TRXF11, a estrutura da 13ª emissão ou qualquer mudança particular no custo de capital tenha sido, isoladamente, responsável pela desistência.

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O ponto objetivo é que duas operações relevantes para a estratégia de diversificação do TRXF11 foram retiradas da mesa menos de duas semanas depois de serem apresentadas ao mercado. Os ativos continuarão pertencendo aos fundos vendedores, e os documentos, entendimentos e minutas produzidos durante as negociações perderam efeito.

Nesta quinta-feira (27), o próprio TRXF11 passou a listar em sua área de Relações com Investidores um comunicado específico com o título “TRXF11 Desiste da Aquisição de Portfólio de Lajes Corporativas em São Paulo/SP”, confirmando o encerramento da operação.

Propostas somavam cerca de R$ 1,03 bilhão

A maior das duas negociações envolvia o Catuaí Vista FL.

O TRXF11 havia apresentado uma proposta vinculante de R$ 557,85 milhões pelas 12 lajes corporativas detidas pelo fundo no edifício Vista Faria Lima, localizado na Vila Nova Conceição, em São Paulo. Os ativos somam aproximadamente 11,6 mil metros quadrados de área bruta locável, o que correspondia a um preço próximo de R$ 48 mil por metro quadrado.

A outra proposta tinha como contraparte o BLCA11. Nesse caso, o valor oferecido era de R$ 474,99 milhões pelos conjuntos comerciais que o fundo ainda possui na Torre A do Condomínio Pátio Victor Malzoni, um dos edifícios corporativos mais conhecidos da Avenida Brigadeiro Faria Lima.

A área envolvida era de aproximadamente 7,4 mil metros quadrados, com preço proposto em torno de R$ 64 mil por metro quadrado.

Somadas, as duas propostas chegavam a aproximadamente R$ 1,033 bilhão e envolviam cerca de 19 mil metros quadrados de imóveis corporativos de alto padrão em duas das regiões mais valorizadas do mercado de escritórios de São Paulo.

Operações poderiam mudar completamente os fundos vendedores

Para BLCA11 e Catuaí Vista FL, as negociações não representavam apenas vendas parciais de portfólio.

No caso do BLCA11, a proposta abrangia a totalidade dos imóveis que ainda permaneciam no fundo. A conclusão poderia, depois da liquidação das obrigações existentes e das etapas previstas no regulamento, abrir caminho para a própria liquidação do FII.

O fundo possui participação na Torre A do Pátio Victor Malzoni e vinha conduzindo uma estratégia de desinvestimento. Em junho, já havia realizado a venda parcial de um conjunto, enquanto a proposta apresentada pelo TRXF11 em agosto previa a aquisição dos ativos remanescentes.

A transação dependia de condições precedentes e de aprovações necessárias, incluindo manifestação dos cotistas em assembleia.

Com o cancelamento, esse cenário deixa de existir por enquanto. Os imóveis continuam no patrimônio do BLCA11 e a receita de locação associada a eles permanece no fundo.

A lógica é semelhante no Catuaí Vista FL. A venda das 12 lajes do Vista Faria Lima retiraria do fundo os ativos imobiliários que compõem sua carteira e poderia levar a uma reorganização ou encerramento posterior de sua estrutura.

Agora, os imóveis permanecem sob propriedade do fundo.

Cancelamento não produz perda financeira direta nos vendedores

Os comunicados divulgados por BLCA11 e Catuaí Vista FL ressaltam que o fim das negociações não provoca impacto financeiro direto sobre as operações dos fundos nem sobre seus cotistas.

Isso ocorre porque as propostas ainda não haviam sido concluídas.

Não houve transferência definitiva dos imóveis, pagamento integral de preço ou reconhecimento de ganho de capital decorrente das operações. O que existia eram propostas vinculantes submetidas a determinadas condições antes de sua implementação.

Com o encerramento, cada fundo volta à situação econômica anterior às negociações, mantendo seus ativos, contratos de locação, receitas e obrigações.

Isso não significa que o efeito econômico para o cotista seja irrelevante. O mercado havia começado a precificar a possibilidade das vendas, especialmente porque os valores oferecidos poderiam produzir liquidez extraordinária e, dependendo da estrutura financeira de cada fundo, distribuição de resultados ou liquidação.

O cancelamento elimina essa possibilidade imediata.

TRXF11 vinha acelerando estratégia de diversificação

A desistência acontece em um momento em que a TRX tem ampliado rapidamente a diversificação do TRXF11.

Historicamente identificado com imóveis ligados ao varejo alimentar, o fundo passou a realizar aquisições em segmentos distintos. Nos últimos meses, foram anunciadas ou concluídas operações envolvendo galpões logísticos, hotéis, instituições de ensino, hospitais, imóveis de varejo e participações em shopping centers.

Em julho, o fundo concluiu a aquisição indireta de um empreendimento logístico em Guarulhos. Também finalizou a aquisição indireta do Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, e avançou em diferentes operações no mercado imobiliário.

Em agosto, antes das propostas envolvendo os fundos da Catuaí, o TRXF11 havia anunciado memorando para aquisição de participações em shoppings Iguatemi, compromisso de compra de imóveis locados ao Grupo Pão de Açúcar, potencial aquisição no empreendimento Log Recife II e outros portfólios logísticos e corporativos.

A entrada nas lajes de alto padrão da Faria Lima ampliaria essa transformação do portfólio.

Mudança de mercado ocorreu durante nova emissão

O cancelamento também coincide com a 13ª emissão de cotas do TRXF11, aprovada no início de agosto.

A documentação da oferta foi divulgada pela própria gestora e passou por atualizações ao longo do mês, enquanto as cotas do fundo atravessavam um período de forte volatilidade no mercado secundário.

No dia 14 de agosto, quando as propostas pelos ativos do BLCA11 e Catuaí Vista FL foram anunciadas, o TRXF11 encerrou o pregão próximo de R$ 79,22. Na quarta-feira (26), antes da divulgação do cancelamento, fechou a R$ 70,11, recuo acumulado de aproximadamente 11,5% nesse intervalo.

Entre os dias 6 e 26 de agosto, a queda foi ainda mais intensa, com a cota saindo de níveis próximos a R$ 84 e chegando a negociar abaixo de R$ 70 em alguns momentos.

Essa deterioração do preço de mercado ocorreu no mesmo período em que a gestora estruturava novas aquisições e captava recursos. Ainda assim, os documentos oficiais sobre a desistência não estabelecem uma relação causal direta entre a cotação e o encerramento das operações.

Essa diferença importa.

Em fundos imobiliários, mudanças no preço das cotas podem alterar a atratividade econômica de uma emissão, o custo de capital e as condições para financiar aquisições. Mas atribuir oficialmente a desistência a esse fator exigiria uma explicação da própria gestão, que até agora apenas citou mudanças nas condições de mercado e o não cumprimento de condições precedentes.

Mercado reagiu positivamente ao cancelamento

As cotas do TRXF11 reagiram em alta nesta quinta-feira depois da confirmação do encerramento das aquisições.

Durante a manhã, o fundo chegou a subir quase 6%, recuperando parte das perdas acumuladas nas sessões anteriores.

A reação sugere que parte do mercado recebeu o cancelamento como uma redução de risco ou como uma sinalização de maior disciplina na alocação de capital depois da forte expansão anunciada nas últimas semanas.

Esse movimento, no entanto, precisa ser interpretado com cautela. A variação de uma única sessão não permite concluir que os cotistas consideravam as aquisições ruins, nem que o cancelamento necessariamente aumenta o valor econômico do fundo no longo prazo.

O que o preço mostra é apenas a resposta imediata dos investidores a uma mudança relevante na estratégia de curto prazo.

BLCA11 mantém Pátio Victor Malzoni

Com o fim da operação, o BLCA11 mantém os conjuntos comerciais que possui no Pátio Victor Malzoni.

O empreendimento está localizado numa das regiões mais disputadas do mercado corporativo paulistano e possui perfil de imóvel Triple A.

O fundo havia informado em relatório gerencial recente que mantinha ocupação integral de seus ativos. A carteira de locatários inclui empresas de grande porte, e o fundo segue recebendo a receita locatícia enquanto não houver nova alienação.

A proposta do TRXF11 havia alterado radicalmente a perspectiva do veículo porque transformaria uma estratégia de carrego e vendas graduais em uma alienação praticamente integral do patrimônio imobiliário.

Com a desistência, a administração volta a avaliar alternativas de investimento e desinvestimento dentro da estratégia original.

Catuaí Vista FL também mantém as 12 lajes

No Catuaí Vista FL, permanecem as 12 lajes corporativas do edifício Vista Faria Lima.

O ativo fica na Rua Professor Atílio Innocenti, na Vila Nova Conceição, região próxima ao eixo da Faria Lima e marcada por elevada concentração de escritórios de padrão superior.

A proposta de R$ 557,85 milhões representava uma monetização completa desses ativos.

Sem a transação, o fundo mantém a exposição ao mercado de escritórios e continua responsável pela administração econômica da carteira.

Os administradores disseram que seguirão avaliando alternativas compatíveis com a estratégia do portfólio.

O que muda para o cotista do TRXF11

Para o investidor do TRXF11, a principal mudança imediata é que aproximadamente R$ 1 bilhão em aquisições potenciais deixa de fazer parte do pipeline anunciado em 14 de agosto.

Isso reduz a velocidade com que o fundo entraria no segmento de lajes corporativas de altíssimo padrão, mas não interrompe sua estratégia geral de diversificação.

O TRXF11 continua com outras aquisições, memorandos e projetos em andamento.

A gestão também preserva o capital que seria direcionado a essas duas operações, embora a destinação dos recursos dependa da estrutura final da 13ª emissão e das demais oportunidades de investimento em análise.

O mercado agora deverá observar se os recursos inicialmente planejados para os ativos do BLCA11 e Catuaí Vista FL serão redirecionados a outros imóveis, utilizados para reduzir alavancagem ou mantidos temporariamente em caixa.

Essa decisão será mais importante para a tese do fundo do que o cancelamento isolado.

Ao desistir das duas propostas depois de citar mudanças nas condições de mercado, a gestora mostra que uma operação vinculante ainda pode ser abandonada quando determinadas premissas econômicas deixam de ser atendidas.

Para o cotista, o próximo passo será verificar se essa disciplina também aparecerá nas demais aquisições anunciadas ao longo de agosto — e, principalmente, qual retorno esperado o TRXF11 conseguirá obter com o capital que deixará de ser aplicado no Pátio Victor Malzoni e no Vista Faria Lima.

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