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PM retira estudantes da Reitoria da USP e amplia crise na Universidade de São Paulo

Operação ocorreu de madrugada, teve relatos de gás, bombas e cassetetes, e elevou a tensão entre estudantes, Reitoria e governo paulista.

por Daniel Wicker
11/05/2026 às 08h22
em Brasil
Pm Retira Estudantes Da Reitoria Da Usp E Amplia Crise Na Universidade De São Paulo - Gazeta Mercantil - Brasil

Ação ocorreu na madrugada de domingo e ampliou a crise entre estudantes, Reitoria e governo paulista; Secretaria da Segurança Pública nega registro de feridos e diz que excessos serão apurados.

A Polícia Militar retirou, na madrugada de domingo (10), estudantes que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo desde quinta-feira, em meio à greve que já alcança mais de 100 cursos e tem como principal reivindicação o reajuste dos auxílios de permanência estudantil. A operação, realizada no campus da capital paulista, envolveu cerca de 50 policiais, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, e foi marcada por relatos de uso de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e cassetetes. O Diretório Central dos Estudantes afirma que dezenas de universitários ficaram feridos e que quatro alunos foram detidos e posteriormente liberados. A SSP nega registro oficial de feridos e informou que eventuais denúncias de excesso serão apuradas.

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A desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo elevou a tensão no maior centro universitário do país e colocou a gestão da USP, o movimento estudantil e as forças de segurança no centro de uma crise institucional. A universidade informou, em nota, que lamentava o episódio e afirmou que não teria sido previamente comunicada sobre a ação da Polícia Militar.

O caso ocorreu em meio a uma mobilização estudantil que começou em apoio a servidores, mas passou a concentrar reivindicações próprias após o fim da paralisação da categoria. A principal demanda dos alunos é a ampliação dos valores do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, conhecido pela sigla PAPFE, considerado insuficiente pelos grevistas para cobrir custos de moradia, alimentação, transporte e permanência na universidade.

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Ação ocorreu de madrugada na Reitoria da USP

Segundo relatos divulgados por estudantes e pelo Diretório Central dos Estudantes, a entrada da Polícia Militar na Reitoria da Universidade de São Paulo ocorreu por volta das 4h15 de domingo. Os alunos afirmam que a operação foi feita com uso de escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

O DCE sustenta que a ação deixou dezenas de estudantes feridos. A entidade também afirma que houve agressões durante a retirada dos manifestantes e acusa policiais de terem formado um corredor para atingir alunos durante a saída do prédio. Imagens registradas por estudantes circularam nas redes sociais ao longo do domingo e passaram a ser usadas pelo movimento estudantil para contestar a versão oficial da segurança pública.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou a presença de cerca de 50 policiais na operação, mas rejeitou a acusação de uso desproporcional da força. A pasta afirmou que não houve registro oficial de feridos e declarou que eventuais denúncias de excesso por parte de agentes serão investigadas.

Quatro estudantes dos cursos de Biologia, Filosofia e Artes Cênicas foram levados ao 7º Distrito Policial sob suspeita de dano ao patrimônio, de acordo com as informações divulgadas sobre o caso. Eles foram liberados posteriormente.

DCE afirma que alunos foram feridos; SSP nega registro

O Diretório Central dos Estudantes informou que cinco alunos foram encaminhados ao hospital após a operação policial. Segundo a entidade, um estudante teve o ombro deslocado, uma aluna sofreu fratura no braço e outro universitário apresentou escoriações. Outros dois estudantes teriam passado por exames médicos.

A versão do DCE é contestada pela Secretaria da Segurança Pública, que afirma não haver registro de feridos relacionado à ocorrência. A divergência entre as versões se tornou um dos pontos centrais da crise aberta na Universidade de São Paulo.

A entidade estudantil também afirma que os alunos teriam se rendido e comunicado aos policiais que deixariam o saguão da Reitoria, mas que a ação prosseguiu mesmo assim. A SSP, por sua vez, informou que a operação ocorreu após a constatação de danos ao patrimônio público e de objetos encontrados no local.

De acordo com a secretaria, uma vistoria inicial apontou danos como derrubada de portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e prejuízos à catraca de entrada. A pasta também informou que foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes.

As acusações e versões divergentes deverão ser objeto de apuração. Em episódios envolvendo ocupações, ações policiais e manifestações, a identificação precisa de responsabilidades depende de documentos, imagens, boletins de ocorrência, eventuais laudos e depoimentos dos envolvidos.

USP diz que não foi avisada previamente sobre operação

A Reitoria da Universidade de São Paulo afirmou que lamentava o episódio e declarou que a ação policial não foi comunicada previamente à administração da universidade. A manifestação da USP adicionou um elemento institucional à crise, ao indicar que a entrada da Polícia Militar teria ocorrido sem aviso anterior à gestão da instituição.

A presença de policiais no campus permaneceu durante o domingo. Barracas, cartazes e materiais usados na ocupação continuavam no local sob vigilância, pois poderiam ser submetidos a perícia. A medida foi apresentada pelas autoridades como parte da apuração sobre possíveis danos ao patrimônio público.

O episódio ocorre em um contexto de desgaste entre estudantes e Reitoria. A gestão da Universidade de São Paulo afirma ter aberto rodadas de negociação com representantes do movimento, mas as conversas foram encerradas após a rejeição da proposta apresentada pela administração.

No domingo, a universidade declarou que continuava aberta a um novo ciclo de diálogo para consolidar pontos discutidos nas reuniões anteriores com a representação estudantil. A sinalização, no entanto, ocorre depois de uma ação policial que aumentou a resistência entre os alunos mobilizados e ampliou a pressão de setores da comunidade acadêmica sobre a Reitoria.

Greve atinge mais de 100 cursos na Universidade de São Paulo

A crise na Universidade de São Paulo está diretamente ligada à greve estudantil que já conta com adesão de 104 cursos, segundo as informações divulgadas pelo movimento. A mobilização começou em apoio à paralisação de servidores, que reivindicavam a extensão de uma gratificação concedida a professores.

Após a Reitoria aceitar a pauta dos servidores, a paralisação da categoria foi encerrada. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a priorizar demandas próprias, principalmente relacionadas à permanência estudantil.

O centro da reivindicação é o reajuste do PAPFE. O programa atende estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica e oferece benefícios para moradia, alimentação, transporte e manutenção da vida acadêmica. Para o movimento estudantil, os valores atuais não acompanham o custo de vida na capital paulista e dificultam a permanência de alunos de baixa renda nos cursos.

Atualmente, os benefícios variam entre R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil e R$ 885 no caso do auxílio integral. A Reitoria propôs reajuste com base no IPC-FIPE. Pela proposta apresentada, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para alunos com moradia subiria para R$ 340.

Os estudantes consideram a proposta insuficiente. A reivindicação do movimento é que o auxílio seja reajustado para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Permanência estudantil passa ao centro da disputa

A discussão sobre permanência estudantil ganhou peso na Universidade de São Paulo porque envolve o acesso efetivo de alunos de baixa renda ao ensino superior público. O ponto central da disputa não é apenas o ingresso na universidade, mas a capacidade de estudantes permanecerem nos cursos até a conclusão da graduação.

O custo de vida em São Paulo pesa especialmente sobre estudantes que dependem de auxílio para alimentação, transporte, material acadêmico e moradia. Para o movimento estudantil, a defasagem dos benefícios compromete a continuidade de alunos em situação de vulnerabilidade e aprofunda desigualdades internas na universidade.

A Reitoria, por outro lado, defende que apresentou proposta de reajuste com base em indicador de inflação e afirma que segue disposta a retomar o diálogo com a representação estudantil. A administração da USP também enfrenta o desafio de equilibrar a pressão por aumento de auxílios com limites orçamentários e regras de gestão da universidade.

A tensão se agravou porque a negociação foi encerrada unilateralmente pela Reitoria, segundo a avaliação dos grevistas. Para os estudantes, o fim das conversas reforçou a decisão de manter a mobilização. Para setores contrários à ocupação, a invasão da Reitoria passou a ser vista como uma forma inadequada de pressão política dentro da universidade.

Reações expõem divisão na comunidade acadêmica

Antes da desocupação, a ocupação da Reitoria já havia sido criticada por diferentes grupos da Universidade de São Paulo. Entre os setores que repudiaram a medida estavam a diretoria da Faculdade de Direito e um grupo de 67 professores da Faculdade de Medicina.

Depois da ação policial, porém, a reação de parte da comunidade acadêmica se voltou contra a forma como a desocupação foi conduzida. O Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da USP divulgou nota em que repudiou a intervenção policial e questionou as razões da entrada da PM sem ordem judicial.

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Outras unidades e entidades também manifestaram apoio aos estudantes ou críticas à operação. Entre elas estão a Faculdade de Saúde Pública, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, o Instituto de Psicologia e a Associação de Docentes da USP.

A divisão interna evidencia a complexidade do conflito. Há setores que rejeitam a ocupação como método de negociação, mas também há grupos que consideram a operação policial incompatível com o ambiente universitário e com a autonomia institucional da universidade.

O episódio deve manter a Universidade de São Paulo sob pressão nos próximos dias. A continuidade da greve, a apuração sobre eventuais excessos na ação policial e a possibilidade de retomada das negociações sobre permanência estudantil passam a compor uma crise que extrapola a disputa administrativa e alcança o debate sobre segurança, autonomia universitária e políticas de inclusão no ensino superior.

Crise na USP amplia pressão por apuração e retomada do diálogo

A desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo deixou como efeito imediato a ampliação da tensão entre estudantes, administração universitária e governo paulista. A permanência de policiais no campus, a preservação de materiais para perícia e as versões conflitantes sobre feridos e danos ao patrimônio indicam que o caso ainda terá desdobramentos administrativos, políticos e eventualmente jurídicos.

Para o movimento estudantil, a prioridade é manter a mobilização e pressionar por uma proposta mais ampla de reajuste do PAPFE. Para a Reitoria, o desafio será restabelecer canais de diálogo em um ambiente deteriorado pela ação policial e pela repercussão interna do episódio.

A Universidade de São Paulo, principal instituição de ensino superior do país, entra na semana diante de um conflito que combina reivindicação social, disputa orçamentária e crise de governança. A forma como a apuração será conduzida e a eventual reabertura das negociações devem definir o alcance da paralisação e o grau de desgaste institucional após a retirada dos estudantes da Reitoria.

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