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Home Economia

IBGE: municípios que concentram o PIB do Brasil revelam desigualdade econômica

por Daniel Wicker - Repórter
19/12/2025
em Economia, Brasil, Destaque, Notícias
Ibge: Municípios Que Concentram O Pib Do Brasil Revelam Desigualdade Econômica - Gazeta Mercantil

Municípios que concentram o PIB do Brasil revelam desigualdades e força das capitais na economia

A economia brasileira segue marcada por um elevado grau de concentração territorial. Dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que apenas 25 cidades foram responsáveis por mais de um terço de toda a riqueza gerada no país em 2023. O levantamento reforça um traço estrutural do desenvolvimento nacional e coloca em evidência o papel estratégico dos municípios que concentram o PIB do Brasil, especialmente das capitais e de polos industriais e energéticos.

Segundo a pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023, esses 25 municípios responderam por 34,2% do Produto Interno Bruto nacional. Em um universo de 5.570 cidades, pouco mais de duas dezenas concentram uma fatia expressiva da produção econômica brasileira, evidenciando a distância entre os grandes centros e a maioria dos municípios de pequeno e médio porte.

O estudo também aponta um movimento relevante: após o impacto severo da pandemia, as capitais voltaram a ganhar participação no PIB nacional. Ainda assim, o patamar observado antes da crise sanitária não foi totalmente recuperado, o que indica transformações estruturais em curso na geografia econômica do país.

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A concentração econômica em números

O dado de que municípios que concentram o PIB do Brasil representam mais de um terço da economia nacional revela, de forma objetiva, como a produção de riqueza está espacialmente distribuída. Em 2023, as 27 capitais brasileiras ampliaram sua participação no PIB nacional, passando de 27,5% para 28,3%.

Esse avanço ocorre após um período de retração contínua. Em 2002, no início da série histórica do IBGE, as capitais respondiam por 36,1% do PIB. Antes da pandemia, em 2019, esse percentual havia recuado para 31,4%, sinalizando uma lenta desconcentração econômica. Com a chegada da Covid-19, a perda de protagonismo das capitais se intensificou, chegando ao ponto mais baixo em 2022.

A recuperação parcial em 2023 indica retomada de atividades fortemente concentradas nos grandes centros urbanos, especialmente no setor de serviços. Ainda assim, o peso relativo das capitais permanece abaixo do observado em momentos anteriores da série histórica.

Capitais lideram o ranking do PIB municipal

O topo do ranking dos municípios que concentram o PIB do Brasil é dominado pelas capitais, que mantêm posições estáveis desde o início da série histórica. Em 2023, as três maiores economias municipais do país foram São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A cidade de São Paulo respondeu sozinha por 9,7% de todo o PIB nacional, confirmando seu papel como principal motor econômico do país. O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 3,8%, enquanto Brasília contribuiu com 3,3%.

Somadas, essas três capitais concentram quase 17% de toda a riqueza produzida no Brasil. Ao todo, 11 capitais figuram entre os 25 maiores PIBs municipais, reforçando o protagonismo político, administrativo e econômico desses centros urbanos.

Fora do grupo das capitais, o ranking é amplamente dominado pelo Sudeste. São nove municípios paulistas, quatro fluminenses e um mineiro entre os maiores PIBs do país. Em relação ao ano anterior, houve apenas uma alteração: Betim, em Minas Gerais, passou a integrar a lista, enquanto Itajaí, em Santa Catarina, deixou o grupo.

Pandemia e a perda temporária de protagonismo das capitais

A trajetória das capitais ao longo da série histórica ajuda a entender as mudanças recentes. Antes da pandemia, a tendência era de uma desconcentração gradual da atividade econômica, com crescimento de municípios médios e fortalecimento de polos regionais.

Com a crise sanitária, no entanto, as capitais sofreram um impacto mais intenso. Isso ocorreu porque atividades presenciais de serviços, altamente concentradas nesses municípios, foram fortemente afetadas. O resultado foi uma queda abrupta da participação das capitais no PIB nacional, que atingiu o ponto mais baixo em 2022.

A recuperação observada em 2023 reflete a retomada desses serviços, mas também indica que parte da atividade econômica deslocada durante a pandemia não retornou integralmente aos grandes centros. Esse movimento ajuda a explicar por que, apesar da melhora, o peso das capitais ainda não voltou aos níveis de 2019 ou anteriores.

PIB per capita expõe desigualdades ainda maiores

Se o PIB total revela onde a economia é maior, o PIB per capita mostra onde a riqueza é mais elevada por habitante. Nesse recorte, as disparidades entre os municípios que concentram o PIB do Brasil e o restante do país tornam-se ainda mais evidentes.

Em 2023, o PIB per capita médio do Brasil foi de R$ 53.886,67. Esse valor, contudo, esconde realidades extremamente distintas. O município com maior PIB per capita do país foi Saquarema, no Rio de Janeiro, com R$ 722.441,52 por habitante, mais de 13 vezes a média nacional.

Esse dado ilustra como atividades econômicas específicas podem inflar o PIB per capita sem necessariamente refletir maior renda média da população. Municípios com grandes operações de extração ou refino de petróleo, por exemplo, concentram alto valor de produção com uma base populacional relativamente pequena.

Petróleo, indústria e capital intensivo

Os municípios com os maiores PIBs per capita do Brasil compartilham características semelhantes. Em geral, são localidades com atividades econômicas intensivas em capital e baixa densidade populacional, especialmente ligadas à exploração de recursos naturais.

A extração e o refino de petróleo aparecem como fatores centrais nesse ranking. Municípios como São Francisco do Conde, na Bahia, e Maricá, no Rio de Janeiro, se destacam por abrigarem operações ligadas à cadeia do petróleo.

Paulínia, em São Paulo, figura como um dos principais polos de refino do país. Já Santa Rita do Trivelato, em Mato Grosso, apresenta forte desempenho impulsionado pela agropecuária, especialmente pela produção de soja.

Outros exemplos incluem Louveira, em São Paulo, e Extrema, em Minas Gerais, que se beneficiam da indústria de transformação e do comércio, em especial da logística e da localização estratégica próxima a grandes mercados consumidores.

Esses casos demonstram que o PIB per capita elevado não está necessariamente associado a centros urbanos densos ou à diversificação econômica, mas sim à presença de atividades altamente produtivas e intensivas em capital.

Desigualdades regionais persistem

O levantamento do IBGE também evidencia profundas desigualdades regionais. O Norte e o Nordeste concentram a maior parte dos municípios com PIB per capita mais baixo, refletindo desafios históricos relacionados à infraestrutura, à diversificação produtiva e à atração de investimentos.

Em contraste, o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste apresentam níveis mais elevados de PIB per capita, inclusive entre as capitais. Essa disparidade reforça a centralidade dos municípios que concentram o PIB do Brasil no debate sobre desenvolvimento regional e políticas públicas.

A diferença entre regiões não se limita à renda média, mas também afeta o acesso a serviços, a qualidade de vida e as oportunidades de emprego, criando um ciclo de concentração que se retroalimenta ao longo do tempo.

Serviços lideram a economia brasileira

A análise setorial do PIB municipal mostra que o setor de Serviços segue como o principal motor da economia brasileira. Entre 2022 e 2023, sua participação no Valor Adicionado Bruto passou de 67% para 67,8%.

O crescimento ocorreu tanto em volume quanto em preços, com destaque para atividades financeiras e de seguros, outros serviços e a administração pública, incluindo educação e saúde. Esses segmentos estão fortemente concentrados nos grandes centros urbanos, o que ajuda a explicar o protagonismo das capitais entre os municípios que concentram o PIB do Brasil.

A Agropecuária, por sua vez, foi o setor que mais cresceu em volume no período, com alta de 16,3%, embora tenha registrado queda nos preços. Esse desempenho reforça o peso do agronegócio em regiões específicas, especialmente no Centro-Oeste.

Já a Indústria perdeu participação relativa, caindo de 26,3% para 25,4%. A retração foi influenciada principalmente pela queda nos preços das indústrias extrativas, apesar do crescimento em volume.

O que os dados revelam sobre o futuro

Os números divulgados pelo IBGE apontam para um cenário complexo. Por um lado, há sinais de recuperação das capitais e dos grandes centros econômicos. Por outro, persistem desigualdades regionais profundas e uma concentração significativa da riqueza em poucos municípios.

O fato de que apenas 25 cidades concentram mais de um terço do PIB nacional coloca desafios importantes para o desenho de políticas públicas. Incentivos à descentralização produtiva, investimentos em infraestrutura regional e fortalecimento de economias locais tornam-se temas centrais no debate sobre desenvolvimento sustentável.

Ao mesmo tempo, os municípios que concentram o PIB do Brasil continuarão desempenhando papel decisivo no desempenho macroeconômico do país. São eles que abrigam grande parte da indústria, dos serviços de alto valor agregado e das decisões estratégicas que moldam o crescimento nacional.

A leitura desses dados, portanto, vai além da estatística. Ela revela como a economia brasileira se organiza no território e quais caminhos podem ser seguidos para reduzir desigualdades sem comprometer a eficiência produtiva.

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