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Bolsas da Ásia fecham em alta com recordes em Tóquio e Seul

por Camila Braga - Repórter de Economia
25/02/2026 às 13h21 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h47
em Economia, Destaque, Mundo, Notícias
Bolsas Asiáticas - Gazeta Mercantil

Bolsas da Ásia fecham em alta com recordes em Tóquio e Seul após rali em Nova York

As bolsas da Ásia encerraram esta quarta-feira (25) em alta generalizada, com recordes históricos no Japão e na Coreia do Sul, refletindo o rali registrado em Wall Street na sessão anterior. O movimento foi impulsionado pela recuperação das ações de tecnologia nos Estados Unidos, em meio a uma leitura mais construtiva sobre os impactos da inteligência artificial (IA) e pela decisão do governo Trump de estabelecer uma tarifa global de 10%, percentual abaixo do que o mercado temia inicialmente.

O avanço das bolsas da Ásia ocorre em um contexto de recomposição do apetite por risco global, após semanas marcadas por volatilidade associada à política comercial norte-americana e às incertezas regulatórias em torno da IA. A combinação de menor tensão tarifária e recuperação do setor de tecnologia nos EUA serviu como catalisador para os ganhos na região.

Tóquio e Seul renovam máximas históricas

O índice Nikkei liderou os ganhos entre as bolsas da Ásia, com alta de 2,20%, encerrando aos 58.583,12 pontos — novo recorde histórico. Em Seul, o Kospi avançou 1,91%, fechando aos 6.083,86 pontos, também no maior nível já registrado.

O desempenho reflete a forte exposição desses mercados ao setor de tecnologia e semicondutores, diretamente beneficiado pelo rali em Nova York. Empresas japonesas e sul-coreanas integram cadeias globais estratégicas de produção de chips, equipamentos eletrônicos e componentes ligados à IA.

Em Taiwan, o Taiex subiu 2,05%, a 35.413,07 pontos, acompanhando o movimento positivo das bolsas da Ásia. Já em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,66%, aos 26.765,72 pontos.

China acompanha, mas com alta moderada

Na China continental, o desempenho das bolsas da Ásia foi mais contido, embora ainda positivo. O índice Xangai Composto avançou 0,72%, aos 4.147,23 pontos, enquanto o Shenzhen Composto subiu 1,21%, a 2.746,26 pontos.

Analistas avaliam que o mercado chinês permanece sensível ao ritmo de recuperação doméstica, especialmente nos setores imobiliário e de crédito. Ainda assim, o ambiente externo mais favorável contribuiu para sustentar o viés positivo das bolsas da Ásia como um todo.

Wall Street impulsiona mercados globais

O desempenho das bolsas da Ásia teve como pano de fundo a alta generalizada das bolsas de Nova York na terça-feira (24). O setor de tecnologia liderou os ganhos, apoiado em uma reavaliação mais otimista sobre os impactos econômicos da inteligência artificial.

Investidores reduziram parte das preocupações sobre riscos regulatórios e passaram a enfatizar o potencial de crescimento associado aos investimentos em infraestrutura tecnológica. Esse movimento favoreceu empresas globais integradas às cadeias de produção asiáticas, ampliando o fluxo de capital para as bolsas da Ásia.

A leitura predominante no mercado é de que o ciclo de investimentos em IA permanece estruturalmente forte, sustentando projeções de demanda por semicondutores e componentes eletrônicos produzidos na região.

Tarifa de 10% reduz tensão comercial

Outro fator relevante para o avanço das bolsas da Ásia foi a decisão do governo Trump de instituir uma tarifa global de 10%. O percentual ficou abaixo das estimativas mais pessimistas do mercado, que temia medidas mais agressivas.

A definição ocorreu após revés na Suprema Corte dos EUA, que limitou o alcance de determinadas iniciativas do Executivo na área comercial. O episódio foi interpretado como sinal de previsibilidade institucional, reduzindo a percepção de risco sistêmico.

Para economias asiáticas fortemente exportadoras, como Japão, Coreia do Sul e China, qualquer alteração na política tarifária dos EUA tem impacto direto sobre expectativas de crescimento e fluxo comercial. O anúncio menos severo ajudou a sustentar a valorização das bolsas da Ásia.

Austrália também fecha no azul

Na Oceania, a bolsa australiana acompanhou o movimento positivo das bolsas da Ásia. O índice S&P/ASX 200 avançou 1,17%, aos 9.128,30 pontos, em Sydney.

O desempenho reflete tanto o ambiente externo mais favorável quanto a recuperação de ativos ligados a commodities e ao setor financeiro, segmentos relevantes na economia australiana.

Inteligência artificial no centro das atenções

A inteligência artificial segue como tema central para os mercados globais e influencia diretamente as bolsas da Ásia. Após um período de correção motivado por receios regulatórios e ajustes de valuation, o setor voltou a atrair investidores com perspectivas mais equilibradas.

Especialistas apontam que, embora a IA traga desafios regulatórios e concorrenciais, o volume de investimentos previstos em infraestrutura digital sustenta uma trajetória positiva para empresas asiáticas envolvidas na cadeia de produção tecnológica.

A retomada do apetite por risco indica que o mercado passou a diferenciar volatilidade de curto prazo de tendências estruturais de longo prazo — um fator determinante para o desempenho recente das bolsas da Ásia.

Próximos vetores de risco

Apesar do fechamento positivo, o cenário permanece sujeito a variáveis relevantes. As bolsas da Ásia continuarão sensíveis a novos desdobramentos na política comercial dos EUA, à evolução das pesquisas eleitorais norte-americanas e aos dados macroeconômicos globais.

Indicadores de atividade, inflação e crédito também estarão no radar dos investidores, assim como eventuais ajustes na política monetária de bancos centrais da região.

O movimento desta quarta-feira reforça que as bolsas da Ásia seguem fortemente conectadas ao desempenho de Wall Street e às decisões políticas em Washington, refletindo a interdependência dos mercados globais.

Tags: bolsas asiáticas hojeEconomiaKospi máxima históricamercados internacionais hojeMundoNikkei recordetarifa EUA 10%Wall Street alta tecnologia

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