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Desenrola 2.0 renegocia R$ 20 bilhões em dívidas de famílias, diz governo

Programa voltado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos registrou 1,4 milhão de renegociações, com desconto médio de 85% sobre o valor original dos débitos

por Antônio Lima - Repórter de Economia
03/06/2026 às 14h07
em Economia, Destaque, Notícias
Desenrola 2.0 Renegocia R$ 20 Bilhões Em Dívidas De Famílias, Diz Governo - Gazeta Mercantil

O Desenrola 2.0 renegociou R$ 20 bilhões em dívidas de famílias brasileiras desde o lançamento do programa, no início de maio, informou nesta quarta-feira, 3, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, durante reunião ministerial. Segundo o balanço apresentado pelo governo, foram realizadas 1,4 milhão de renegociações para consumidores endividados com o sistema bancário e renda mensal de até cinco salários mínimos, com desconto médio de 85% sobre o valor original das dívidas.

Com os abatimentos, o estoque renegociado caiu de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões. O programa permite a renegociação de dívidas bancárias contratadas até 31 de janeiro de 2026 e em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

A nova etapa do Desenrola foi desenhada para reduzir a inadimplência das famílias e reorganizar dívidas de consumidores de menor renda. O governo também prepara uma nova modalidade, chamada Desenrola Adimplentes, voltada a pessoas que mantêm os pagamentos em dia, mas enfrentam dificuldade para arcar com os compromissos mensais.

Desconto médio chega a 85% sobre as dívidas

O principal dado divulgado pelo governo foi o desconto médio de 85% nas renegociações. A redução levou o valor consolidado das dívidas de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões, o que representa alívio relevante para famílias endividadas.

Na prática, o programa busca permitir que consumidores com débitos bancários antigos consigam trocar dívidas caras e atrasadas por uma nova operação em condições mais previsíveis. O desenho inclui limite de juros, prazo estendido e possibilidade de pagamento da primeira parcela em até 35 dias.

As dívidas renegociadas podem receber descontos entre 30% e 90%, conforme as condições negociadas entre bancos e consumidores. A taxa de juros máxima é de 1,99% ao mês, com prazo de até 48 meses para pagamento.

O limite da nova dívida, após os descontos, é de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. A medida busca evitar concentração de operações de valor muito elevado e direcionar o programa para famílias de renda mais baixa.

Programa mira cartão, cheque especial e crédito pessoal

O Desenrola 2.0 é voltado a brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos e dívidas com o sistema bancário. Entram no programa débitos contratados até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasados por período entre 90 dias e dois anos.

Entre as modalidades incluídas estão cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, conhecido como CDC. Essas linhas costumam concentrar juros elevados e estão entre as principais fontes de endividamento das famílias.

A renegociação busca reduzir o peso dessas dívidas no orçamento doméstico. Ao alongar prazos e reduzir o valor devido, o governo espera melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores e reduzir a inadimplência no sistema financeiro.

O programa também permite o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O trabalhador pode utilizar 20% do saldo da conta do FGTS ou até R$ 1 mil, o que for maior, para quitar parcial ou integralmente dívidas renegociadas.

Governo também renegociou dívidas do Fies e de empresas

Além do Desenrola voltado às famílias, o governo informou resultados de outras frentes do programa. No Desenrola do Fies, direcionado a estudantes, foram feitas 82 mil renegociações.

Já no Desenrola das empresas, foram renegociados R$ 11 bilhões em 85 mil operações. Essa etapa busca atender pessoas jurídicas endividadas, em um esforço para melhorar o acesso a crédito e reduzir restrições financeiras de pequenos negócios.

A ampliação do programa para diferentes públicos mostra a tentativa do governo de atacar várias frentes de inadimplência. Famílias, estudantes e empresas enfrentam pressões distintas, mas todas podem ter sua capacidade de consumo, investimento ou pagamento afetada por dívidas em atraso.

Para a economia, a redução da inadimplência pode ter efeitos sobre crédito, consumo e atividade. Consumidores com dívidas reorganizadas tendem a recuperar parte da capacidade de planejamento financeiro, enquanto empresas renegociadas podem voltar a acessar capital de giro e manter operações.

Nova modalidade será voltada a quem paga em dia

Miriam Belchior afirmou que o governo prepara uma nova etapa do programa, chamada Desenrola Adimplentes. A modalidade será voltada a pessoas que estão com as contas em dia, mas enfrentam dificuldade para manter os pagamentos.

“Temos a próxima entrega, que é o Desenrola Adimplentes. Vamos ajudar quem paga em dia, mas sua muito para isso, para entrar com essa proposta para ajudar quem paga em dia”, disse a ministra.

A proposta busca alcançar uma faixa de consumidores que ainda não entrou em inadimplência, mas está pressionada por juros, comprometimento de renda e acúmulo de parcelas. Esse público costuma ficar fora de programas focados apenas em dívidas atrasadas.

A criação de uma modalidade para adimplentes pode ter impacto preventivo. Ao aliviar o peso financeiro antes do atraso, o governo tenta evitar que novas famílias entrem em cadastros de restrição ou percam acesso a crédito.

Renegociação pode aliviar orçamento, mas exige cautela

O resultado do Desenrola 2.0 indica forte demanda por renegociação entre famílias de menor renda. O volume de R$ 20 bilhões em dívidas renegociadas em pouco mais de um mês mostra a dimensão do endividamento bancário no país.

Para os consumidores, o desconto elevado pode representar oportunidade de regularização. Ainda assim, especialistas costumam recomendar cautela antes de aderir a novas parcelas. A renegociação só resolve o problema se o valor final couber no orçamento mensal.

O prazo de até 48 meses reduz o valor da prestação, mas prolonga o compromisso financeiro. A taxa máxima de 1,99% ao mês é inferior à de linhas como cartão e cheque especial, mas ainda representa custo relevante no longo prazo.

O uso do FGTS também deve ser avaliado com cuidado. A possibilidade de quitar dívidas com parte do saldo pode aliviar o orçamento, mas reduz uma reserva que normalmente é usada em situações de demissão, compra de imóvel ou emergência financeira.

Desenrola 2.0 amplia agenda de crédito do governo

A renegociação de R$ 20 bilhões coloca o Desenrola 2.0 no centro da agenda econômica do governo para famílias endividadas. O programa busca reduzir a inadimplência, melhorar o acesso ao crédito e aliviar o orçamento de consumidores que acumulam débitos bancários.

O balanço divulgado na reunião ministerial mostra que a política teve adesão expressiva em sua fase inicial. A redução do valor das dívidas para R$ 2,7 bilhões, após os descontos, é o principal indicador usado pelo governo para defender o alcance da medida.

A próxima etapa, voltada a consumidores adimplentes, deve ampliar o escopo do programa. Se avançar, o Desenrola deixará de atuar apenas sobre dívidas atrasadas e passará também a tentar prevenir novas situações de inadimplência.

Para o mercado financeiro, o programa pode ajudar a limpar carteiras antigas de crédito e reduzir perdas associadas a dívidas de difícil recuperação. Para as famílias, o impacto dependerá da capacidade de manter os novos pagamentos em dia e evitar a formação de novas dívidas caras.

Tags: bancosCasa CivilcréditoDesenrola 2.0Desenrola BrasildívidasEconomiaFamílias endividadasFGTSFiesInadimplênciaMiriam Belchiorrenegociação de dívidas

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