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Estrutura ligada a produtora de filme sobre Bolsonaro recebeu R$ 110,8 milhões públicos

Entidades presididas por Karina Gama, sócia da Go Up Entertainment, receberam contrato da Prefeitura de São Paulo e emendas de parlamentares do PL; produtora nega uso de dinheiro público em “Dark Horse”

por Júlia Campos - Repórter de Política
15/05/2026 às 16h54
em Política, Destaque, Notícias
Ongs Ligadas A Filme De Bolsonaro Receberam R$ 111 Milhões Em Verbas Públicas-Gazeta Mercantil

Reprodução Instagram

A estrutura empresarial e institucional ligada à empresária Karina Gama, sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu ao menos R$ 110,8 milhões em recursos públicos nos últimos anos, segundo documentos e informações divulgadas nesta sexta-feira (15). Os valores envolvem um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda e emendas parlamentares destinadas por deputados do PL a entidades presididas pela empresária.

O caso ganhou repercussão política após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmar que haveria “zero de dinheiro público” relacionado à produção do filme sobre seu pai. A controvérsia aumentou depois que reportagens apontaram vínculos entre a produtora do longa e organizações comandadas pela mesma empresária que receberam verbas públicas.

Até o momento, não há comprovação de que os recursos públicos tenham sido destinados diretamente ao filme “Dark Horse”. A Go Up Entertainment nega ter utilizado dinheiro público na produção e afirma que o projeto foi estruturado por meio de investimentos privados e mecanismos de financiamento do mercado audiovisual.

A discussão, no entanto, passou a mobilizar parlamentares, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e setores da oposição, sobretudo pelo volume dos contratos, pela origem das emendas e pela proximidade política entre os beneficiários e figuras centrais do bolsonarismo.

Contrato de R$ 108 milhões concentra maior parte dos recursos

O principal volume de recursos ligados à estrutura comandada por Karina Gama está associado ao Instituto Conhecer Brasil, organização presidida pela empresária. A entidade firmou termo de colaboração de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para implantação de 5 mil pontos de wi-fi livre em comunidades da capital paulista.

Segundo a administração municipal, o contrato foi firmado por meio de chamamento público em 2024 e não tem relação com o financiamento do filme “Dark Horse”. Em nota, a prefeitura afirmou que a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital e que a prestação do serviço segue regularmente.

O contrato tornou-se um dos principais focos de questionamento político em Brasília por causa da ligação da dirigente da entidade com a produção cinematográfica ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Prefeitura de São Paulo também informou que não houve transferência de recursos municipais para a produção do filme. A gestão municipal buscou separar institucionalmente o contrato de conectividade nas comunidades do projeto audiovisual produzido pela Go Up Entertainment.

Mesmo assim, a sobreposição de personagens envolvidos nas entidades, na produtora e no núcleo político do PL manteve o episódio no centro da controvérsia.

Emendas do PL financiaram projetos ligados a entidades de Karina Gama

Além do contrato com a Prefeitura de São Paulo, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e produtor executivo do filme “Dark Horse”.

Os recursos foram direcionados para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte. A destinação das emendas passou a ser questionada em razão da proximidade entre Frias, a produção do longa e a estrutura institucional ligada a Karina Gama.

Outra organização presidida pela empresária, a Academia Nacional de Cultura (ANC), recebeu R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares enviadas por integrantes do PL.

Entre os parlamentares que destinaram recursos à entidade estão Marcos Pollon (PL-MS), Carla Zambelli, então deputada federal pelo PL de São Paulo, Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro, além de Bia Kicis (PL-DF) e Gil Diniz (PL-SP).

Os valores foram destinados à produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil Que Não Se Rende”, projeto alinhado a pautas conservadoras e nacionalistas frequentemente associadas ao campo político bolsonarista.

STF acompanha questionamentos sobre repasses públicos

A ligação entre organizações presididas por Karina Gama e recursos públicos chegou ao Supremo Tribunal Federal. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou ação questionando os repasses feitos às entidades associadas à empresária.

O ministro Flávio Dino solicitou esclarecimentos aos deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon sobre a destinação das emendas parlamentares.

A movimentação do STF adicionou um componente institucional ao caso e ampliou o alcance da discussão para além do ambiente político-partidário. A análise pode alcançar critérios de transparência, finalidade pública dos repasses e mecanismos de fiscalização de entidades do terceiro setor.

Até o momento, não houve decisão judicial suspendendo contratos ou determinando bloqueio de verbas relacionadas às entidades citadas. Também não há decisão apontando irregularidades nos contratos ou nas emendas.

A ação no STF, porém, mantém o tema em evidência e pode provocar novos desdobramentos conforme avancem as análises sobre a destinação dos recursos e os critérios utilizados na celebração dos contratos.

Declaração de Flávio Bolsonaro elevou pressão sobre produtora

A controvérsia ganhou dimensão nacional após Flávio Bolsonaro afirmar que o filme “Dark Horse” não utilizou recursos públicos. A declaração ocorreu em meio à repercussão de reportagens sobre supostos aportes privados ligados à produção do longa.

Segundo reportagens divulgadas anteriormente, o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria realizado pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico entre fevereiro e maio de 2025. Os valores mencionados chegariam a R$ 61 milhões.

Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido apoio financeiro de Vorcaro, mas não detalhou montantes nem a estrutura da operação.

A Go Up Entertainment, por sua vez, negou qualquer participação financeira do empresário no filme e afirmou que nenhum recurso ligado ao Banco Master foi utilizado na produção.

Em nota, a produtora declarou que o projeto foi desenvolvido exclusivamente por meio de financiamento privado. A empresa também sustentou que eventuais tratativas com investidores não significam concretização de aportes e que contratos de confidencialidade impedem a divulgação da identidade dos financiadores.

Filme “Dark Horse” se tornou alvo de disputa política

O longa “Dark Horse” foi concebido como cinebiografia de Jair Bolsonaro e pretende retratar episódios centrais da trajetória política do ex-presidente, incluindo a campanha eleitoral de 2018 e o atentado sofrido em Juiz de Fora (MG).

A produção ganhou visibilidade internacional após a divulgação de imagens promocionais com o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo no filme “A Paixão de Cristo”.

Desde o anúncio, o projeto tornou-se alvo de forte polarização política. Setores ligados ao bolsonarismo apresentam o filme como uma resposta cultural ao que consideram predominância ideológica da esquerda no audiovisual brasileiro. Adversários políticos, por outro lado, passaram a questionar eventuais conexões entre o projeto e agentes públicos.

O debate em torno do financiamento mistura três dimensões sensíveis: produção cultural, emendas parlamentares e relações entre organizações sociais e grupos políticos.

Especialistas em políticas públicas avaliam que casos desse tipo tendem a ampliar a pressão por regras mais claras de transparência, prestação de contas e separação entre projetos culturais privados e entidades que recebem recursos públicos.

Prefeitura tenta desvincular contrato de wi-fi do filme

Diante da repercussão, a Prefeitura de São Paulo buscou desvincular o contrato de R$ 108 milhões da produção do filme “Dark Horse”. A administração municipal afirmou que o termo de colaboração firmado com o Instituto Conhecer Brasil se refere exclusivamente à instalação de infraestrutura de internet gratuita em comunidades vulneráveis da capital.

Segundo a prefeitura, o processo ocorreu dentro das regras estabelecidas pelo chamamento público e sem contestações administrativas. A gestão Ricardo Nunes também afirmou que o serviço contratado segue em execução regular.

A explicação da prefeitura tenta conter a interpretação de que o contrato municipal teria relação direta com a produção cinematográfica. A associação inicial entre os temas foi posteriormente corrigida, mas o episódio continuou gerando repercussão política devido à ligação da dirigente da entidade com a produtora do filme.

O ponto central, neste momento, é a distinção entre dois planos. De um lado, há entidades presididas por Karina Gama que receberam recursos públicos. De outro, há a Go Up Entertainment, também ligada à empresária, que nega uso de verba pública no filme.

Até agora, não foi apresentada comprovação de transferência direta de recursos públicos para a produção de “Dark Horse”.

Caso reacende debate sobre emendas e terceiro setor

A controvérsia reacendeu o debate sobre o uso de emendas parlamentares e contratos públicos firmados com organizações do terceiro setor. O tema já vinha sendo objeto de maior fiscalização por parte do Congresso, do STF, de órgãos de controle e de administrações públicas.

Nos bastidores de Brasília, parlamentares avaliam que o caso pode ampliar a pressão por regras mais rígidas para repasses destinados a institutos culturais, organizações sociais e entidades privadas sem fins lucrativos.

A discussão envolve critérios de seleção, prestação de contas, capacidade técnica das entidades, vínculos políticos dos dirigentes e transparência sobre execução dos projetos.

O caso também ocorre em momento de forte polarização política e de antecipação da disputa eleitoral de 2026. Por isso, tende a ser explorado por adversários do bolsonarismo como exemplo de contradição entre discurso público e relações com estruturas beneficiadas por recursos oficiais.

Aliados do ex-presidente, por outro lado, sustentam que há exploração política do episódio e afirmam que não existe comprovação de irregularidade na destinação das verbas ou na produção do filme.

Financiamento político-cultural entra no centro da disputa pré-eleitoral

A repercussão sobre os recursos públicos ligados a entidades presididas por Karina Gama coloca o financiamento político-cultural no centro da disputa pré-eleitoral. O tema envolve contratos administrativos, emendas parlamentares, produção audiovisual, relações partidárias e imagem pública de Jair Bolsonaro e seus aliados.

Com o caso sob análise do STF e acompanhado por parlamentares da oposição, novos desdobramentos podem surgir a partir de pedidos de informação, documentos de prestação de contas e respostas dos deputados citados por Flávio Dino.

A Go Up Entertainment nega uso de dinheiro público em “Dark Horse”. A Prefeitura de São Paulo afirma que o contrato de wi-fi não tem relação com o filme. Parlamentares aliados do ex-presidente dizem que não há irregularidade nos repasses.

Ainda assim, o volume dos recursos e a proximidade entre as entidades beneficiadas e a produtora do longa mantêm o episódio no centro do debate político.

A tendência é que o caso continue sendo usado como instrumento de disputa narrativa entre governo, oposição e aliados do bolsonarismo, especialmente porque envolve a imagem de Jair Bolsonaro, a atuação de parlamentares do PL e a tentativa de consolidar o filme “Dark Horse” como peça de grande impacto no campo conservador.

Tags: Academia Nacional de CulturaDark Horseemendas parlamentaresFlávio BolsonaroFlavio DinoGo Up EntertainmentInstituto Conhecer BrasilJair BolsonaroKarina GamaMario FriasPLPolíticaPrefeitura de São PauloRicardo NunesSTF

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A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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